Alec Narrando:

Depois que ela saiu daquela praça, fiquei uns minutos vendo ela se afastar. Crystal despertava uma certa curiosidade em mim, não sei explicar, a energia que ela transmite é fascinante, confesso não tinha nada disso em San Diego.

Vou até o mercado que ela havia me indicado, não demoro muito a chegar, assim que entro pego as batatinhas que meu irmão adora e vou até a seção de verduras, pego algumas para fazer o jantar e vou até o caixa. Quando a mulher me vê, dá aquele sorriso do gato da Alice no País das Maravilhas. Dou as compras para ela passar.

— 15 dólares lindinho — Diz fazendo questão de mostrar o decote que usava.

— Aqui está — Falo entregando uma nota de 20 dólares — Fique com o troco.

Pego as comprar e saio o mais rápido o possível, uma coisa que odiava em San Diego era mulheres como aquela, e aqui não seria diferente. Coloco meus fones de ouvido e começo a caminhar pensando na vida, minha casa ficava a 20 minutos dali.

Começo a pensar em como minha vida mudou de um mês para cá, de San Diego vim parar numa cidade pequena e entediante como essa, logo eu, Alec McCartney vivendo num lugar calmo e tranquilo como esse. Mais aceite Alec, aceitou isso pela sua mãe.

Minha mãe, Ania, estava com câncer de mama avançado, então já pode imaginar o tormento que tem sido tudo, tratamento, quimio atrás de quimio, e o desgraçado do meu pai resolveu largar ela por outra qualquer quando ela mais precisava do marido. Mais também o que um alcoólatra fudido podia fazer por ela ? Nos mudamos para cá porque minha mãe precisava viver num lugar tranquilo e calmo, e não podia passar por nenhum estresse, e pode apostar, o que eu dava mais dava era estresse para a minha mãe.

Depois do que eu fiz, não podia exigir muito, só queria que minha mãe tivesse o filho que sempre quis que eu fosse nos últimos momentos de vida, e sei que quando ela partir, ficara só eu e meu irmãozinho, nós dois contra esse tenebroso e cruel mundo.

Logo chego na frente de casa, entro e sou recebido pelo Gabriel.

— Até que enfim você chegou Alec. — Disse me abraçando — Achei que ficaria sem minhas Batatinhas.

— E acha que eu seria louco de deixar você sem elas ? — Pergunto bagunçando seu cabelo.

— Não, isso seria a sua morte. — Disse rindo.

— Como foi seu dia na escola ? — Pergunto indo guardar as compras.

— A foi normal, não acharam ainda nenhum motivo para implicarem comigo. — Disse desanimado.

— Ei campeão aqui pode ser diferente, os garotos daqui parecem mais tranquilos. — Digo tentando anima — lo.

— Eu não sei não, não dou duas semanas para começarem a me xingarem de cegueta e roubarem meu lanche. — Disse se sentando na bancada.

— Se fizerem isso, fala que você tem um irmão super bravo em casa doido para aterrorizar umas crianças por ai. — Falo rindo.

— Pode deixar. — Ri junto.

Gabriel era um bom garoto, diferente de mim, sempre teve boas notas, nunca ouve reclamações suas e ele adorava ler, todos os tipos de livro esse pirralho já leu. Confesso que ele é um pouco mais inteligente do que as crianças da sua idade, por ser assim, ele já sofreu muito Bulling na escola, tudo piora só pelo fato dele usar óculos, já arrumei muitas confusões por conta disso, e se fosse preciso, aqui fazeria a mesma coisa. Ninguém meche com a minha família.

— E a mamãe como está ? — Pergunto cortando uns legumes.

— Na mesma — Disse triste — Voltou na quimio arrasada, pediu para acordar ela quando o janar estiver pronto.

Concordei com a cabeça. Comecei a fazer o jantar, ultimamente tem sido assim, faço a comida e limpo a casa, ainda cuido e ajudo Gabriel nos seus deveres, faço tudo que minha mãe fazia antes da doença, e sei que doí nela não poder fazer mais a coisas, até mesmo as mais simples.

Se meus amigos de San Diego me vissem sendo o dono da casa, certamente estariam rindo de mim.

Logo termino o jantar e peço para o Gabriel chamar nossa mãe enquanto arrumo a mesa. Assim que termino vejo os dois descendo e vejo como estava evidente o cansaço da minha mãe.

— Filho me desculpe não estar acordada quando você chegou. — Disse rouca me dando um beijo no rosto.

— Não se preocupe mãe, Gabriel me disse que a quimio acabou com você. — Falo rindo.

— Nisso ele tem razão. — Disse rindo e se sentando.

Começo a servir os dois e comemos alguns minutos em silêncio, quando ouço minha mãe falando comigo.

— Como foi a escola querido ? — Perguntou comendo.

— Tranquila mãe, achei que seriam mais hospitaleiros. — Rio — Mais não me meti em encrencas se é o quer saber.

— Eu confio em você filho, sei que quando promete algo cumpre — Sorriu — E não se preocupe, logo faz amizades, e serão amizades que só te farão bem.

— Bom, para falar a verdade, uma garota da minha turma, Crystal, me chamou para uma festa na praia sexta.

— Garota ? Ta namorando Alec. — Disse Gabriel rindo.

— Fica quieto pivete. — Falo tacando uma cenoura nele.

— Não comece vocês dois — Pediu minha mãe — Uma festa filho ? Acha que é uma boa ?

Percebo preocupação na sua voz, sei que estava preocupada de que eu fizesse alguma besteira, que eu usasse alguma droga que usava na outra cidade, entre outras coisas.

— Mãe, fica tranquila — Falo pegando na sua mão — Eu vou me comportar, e outra, o pessoal daqui não parece curtir as coisas que o pessoal que eu andava em San Diego curtia, e a garota que me chamou parece ser bem de boa.

— Sendo assim, fico mais tranquila — Sorriu.

E assim foi nossa noite, quando terminarmos o jantar, Gabriel me ajudou com a louça, enquanto nossa mãe supervisionava a gente. Assim que terminarmos, fomos para a sala assistir algum filme, não era sempre que minha mãe aguentava ficar tanto tempo junto com a gente então quando isso acontecia, aproveitávamos ao máximo. Quando deu 22:00 vejo que os dois acabaram dormindo. Primeiro levo nossa mãe para o quarto e em seguida levo Gabriel para o nosso.

Desço e antes de subir para tomar banho e dormir, fumo o ultimo cigarro do dia na varanda, e começo a pensa na loucura que minha se tornou, mais antes essa loucura, do que a outra que eu vivia que antes era bem pior. Quando termino de fumar, subo e tomo banho, logo deito e não demoro muito para dormir, mais antes de dormir, Crystal veio em meu pensamento.

Assim que o dia amanhece eu levanto, me arrumo e acordo o Gabriel, com muito sacrifício ele levanta e vai se arrumar, desço e faço nosso café, tomamos ele rapidamente e logo saímos para ir a escola. Entramos no meu carro e deixo Gabriel na sua escola, e em seguida vou para a minha e assim que chego, já vejo aquele bando de adolescentes mais, será que vou ver a Crystal de novo ?

Quando desço do carro vejo uma garota loira vindo até mim, e suspiro frustrado, não era essa que eu queria ver.

— Oi Alec, sou Bianca Torres, filha do xerife George Torres. — Disse me cumprimentando com um beijo no rosto me pegando de surpresa, quando dei muita intimidade mesmo ?

— Oi Bianca, é bom te conhecer eu acho. — Digo pegando minha mochila.

— O prazer é todo meu, não é todo dia que temos pessoas novas por aqui. — Disse sorrindo — Vim te convidar pessoalmente para a minha festa de sexta na praia.

— A sim, a festa, bom você chegou atrasada, já me convidaram.

— A... Ok, você vai ? — Perguntou entusiasmada.

— Sim, provavelmente.

— Nos vemos lá então. — Sorriu e saio andando.

Rio com toda essa situação, e logo vejo um carro parando do meu lado, quando vejo quem desceu, foi Crystal e outra menina, quando ela me vê vejo que ficou meio sem graça mais sorri, e eu sorrio de volta automaticamente.

— Bom dia Crystal — Falo cumprimentando.

— Bom dia Alec, essa é a minha melhor amiga, Moana Benett — Disse apresentando a menina de cabelo cacheados do seu lado.

— Prazer em te conhecer Alec. — Sorriu.

— Te falo o mesmo. — Sorrio.

— Moana entra na frente, tenho que falar com o Alec. — Disse Crystal olhando para a amiga.

— Claro, te vejo lá dentro.

Moana se despede com um até logo para mim e sai, olho para Crystal esperando ela começar a falar e vejo que ela ficou corada pelo fato de eu estar a olhando.

— Bom... — Disse se encostando no capo do meu carro — Sobre a festa, quero deixar bem claro que não é um encontro.

— Não ? — Falo me encostando do seu lado — Onde eu morava, isso era considerado um. — Rio.

— Bom aqui não, eu só quis ser gentil. — Disse sem graça.

— Eu to zoando com a sua cara Crystal — Rio — Eu sei que foi gentileza.

— Eu só queria que tivesse alguém que fosse perto de uma amiga. — Disse me olhando.

— Bom, no futuro pode ser uma amiga mesmo, estou precisando de boas amizades. — Falo te encarando de volta.

— As suas eram tão ruins assim ? — Perguntou curiosa.

— Nada que venha ao caso agora. — Falo indiferente.

— Bom, se fomos nos tornar amigos, não pode haver segredos.

— E não haverá, te garanto isso. — Sorri.

— Já é um começo. — Sorriu de volta.

— Alguém já disse que o seu sorriso é bonito ?

— Não — Sorriu corada — Na verdade, minha mãe dizia isso.

— As mães nunca costumam mentir.

— Eu vou entrando. — Disse pegando sua bolsa — Esse é meu numero, me manda mensagem quando quiser. — Disse me dando um papel.

— Bom, como posso saber se é o seu número de verdade ? — Pergunto sorrindo.

— Vai ter que arriscar. — Rio.

— Sexta as oito ? — Pergunto curioso.

— Sexta as oito — Repetiu confirmando. — A gente se vê Alec.

Dizendo ela saiu, rumo a entrada da escola, antes dela entrar, mando uma mensagem.

"Só para garantir que você me deu o número certo, a gente se fala Crystal do sorrindo lindo"

Vejo ela olhando o celular e olhou para trás sorrindo, me chamando de palhaço e assim perco ela de vista.

Crystal, você me fascina garota, me dá mais me vontade de conhecer você. Parece que com a sua energia, me faz ficar mais contagiante.

Você fica interessante cada vez que te vejo.