Quando o passado vem à tona
15 Epilogo
Aldott engatinhava na relva amparada por Abracham, o vampiro integrante da alcateia de Aaron. A menina falseava o andar e quando parecia que iria para um lado, dava risada e mudava o curso. Abracham adorador de crianças, engatinhava ao lado da pequena que se divertia com as caras e bocas que ele fazia ao escorregar contra a grama.
Emehir estava apoiada contra o batente da pequena casa, uma que apenas a alcateia conhecia. Agora servia de lar para ela e sua filha, além de ambiente protetor e acolhedor à Isis.
– Ethan Maximilliam solte já essa massinha. — a voz de Isis veio de dentro da cabana.
Liam, um dos lobos de Aaron, que estava sentado em uma tora, começou a rir. Emehir balançou o rosto e bateu levemente contra o ombro do lobo.
– Ele está comendo os brinquedos de novo, querida? — Liam perguntou — Ah, essas mães de primeira viagem.
– Vá ajudá-la, oh sábio de crianças — Abracham revirou os olhos, antes de pegar Aldott no colo e ergue-la ao ar.
Aldott ria divertida com a brincadeira e balançava os braços como se estivesse voando.
– E como é que ela irá aprender? — Liam sacudiu o rosto. — Eu já cuidei dos meus meninos, e agora tenho Grimm nas mãos. O menino está na adolescência, a pior fase de um lobo. Bebês são mamão com açúcar.
Liam estalou os lábios como se estivesse provando a iguaria mencionado. Emehir suspirou cansada.
– Tente cuidar de uma pequena que quando espirra queima o que estiver na frente. — Emer ergueu o olhar cansado para o alto — Hoje é noite de lua cheia.
Liam acompanhou seu olhar e soltou um uivo curto e baixo, quase rosnado.
– Toda noite de lua cheia você fica assim, para baixo… O que há nosso pequeno rubi, o que a deixa tão entristecida?
Abracham que circulava com a pequena nos braços, parou por instantes e sacudiu os cabelos já bagunçados.
– É o amor… Esse mal que atinge a todos e que todos desejam. E quando os tem, desejam não ter sentido essa coisa… — Ele trouxe Aldott até seu rosto e beijou as gordurinhas da pequena que agora estava com 1 ano e meio. — O amor é maravilhoso, mas pode destruir você… pouco a pouco…
Emehir inclinou o rosto para o lado, admirando Abracham que nunca pareceu tão filosófico ou poético.
– Parece palavras de quem já amou…
– E ainda amo, criança, ainda amo. — Abracham sorriu e voltou a girar com a pequena nos braços. — Amo-a desde o dia que a vi pela primeira vez, e já fazem anos…
– Ela não te ama, meu velho? — Liam suspirou saudoso.
– Oh! Ela não sabe… É pior, é pior… — Abracham agora ignorou os dois adultos enquanto interagia com a pequena.
Isis saiu com um pequeno nos braços, com os dedos manchados com varias cores, provavelmente da massinha. A coiote continuava como sempre, tanto fisicamente quanto sua personalidade, mas seu olhar para Emehir era outro. Como se elas guardassem um segredo único.
– Como foi que passou por essa fase? — Isis bufou e olhou para seu pequeno — As vezes da vontade de devorá-lo.
Um gritinho de felicidade vindo de Aldott, que estendia os bracinhos na direção de Ethan. As mães sorriram cúmplices e Isis deixou seu pequeno na relva, que logo ganhou a companhia de Aldott.
– Eles sabem nos ganhar quando tentamos mordê-los, vai por mim… Terrivel — Emehir balançou a mão apontando as crianças que agora rolavam se abraçando e beijando. — Eles sempre ganham.
Kallai estava sentado no sofá de sua casa, aos seus pés seus netos. Anna brincava de tentar morder a cabeça de Adrian. Alexander rolava pelo tapete acolchoado do centro da sala. Fergus brilhava de orgulho, enquanto observava seus filhos interagindo. Eram jovens e já gastavam muita energia. Sophie preparava um bolo junto a Lothar na cozinha, sempre atenta no barulho de seus filhos na sala.
– Avalon entrou em contato? — Kallai perguntou enquanto apertava as mãos ansioso — Além das fotos que ela tira.
– Ela achou mais invertidos. Estão correndo juntos — Fergus deu de ombro — Acho que você pode pensar em quem sabe, ter outros netos em breve.
O Brenin rosnou com o comentário e todas as três cabecinhas voltaram-se para o avô. As crianças começaram a rosnar, imitando Kallai.
– Não os ensine mal tão cedo — Sophie falou da cozinha — Essa semana eles decidiram que querem morder só por algo que Fergus fez.
– O que exatamente você fez? — Kallai riu ao ver a careta que o filho fez.
– Prefiro não comentar. — Fergus pegou Alexander no colo, que se enroscou no antebraço do pai.
Kallai levantou-se e foi para a janela da sala. Ele encostou na parede, enquanto observava o exterior. Lothar tomou seu lugar no sofá, e parecia tão abatido quanto o pai. Sophie apareceu com uma travessa de bolinhos e biscoitos.
– Eu não posso acreditar que ela decidiu viajar pelo mundo… Não com esse lobo caçando Emehir… Eles a trouxeram para cá. Provavelmente para me atingir, e o que ela faz? — Kallai afastou-se da janela — Se joga no mundo se tornando um alvo também.
Sophie grunhiu baixo, o que chamou a atenção de Kallai. Ele percebeu a troca de olhares dela com Fergus. Lothar ainda olhava para os irmãos brincando no tapete.
– Vocês dois estão impossíveis. Vocês tem ideia do que é cuidar de uma alcateia problemática, de três meninos lobos que estão querendo ser mais lobos que meninos, e tentar bloquear essa sensação que vem de vocês?
– Sophie… — Fergus praticamente sussurrou para a mulher.
– Sem essa de Sophie. Vocês dois sentem a dor da perda de uma companheira. Eu já tenho alguns na mão. Mas as desses lobos é algo que dá para entender, afinal, elas morreram. Mas você Lothar? — Quando ela disse o nome dele, o médico saltou do sofá, como que despertado de um sonho — Você mesmo. Sua companheira partiu para o país de Galês, cheio de… galeses bonitos e sarados ao redor. Vai mesmo deixá-la assim?
O semblante dele fechou.
– A ideia dos presentes foi interessante, mas… Você a assustou. Custa deixar uma assinatura nos cartões e mandar entregar? Invadir a casa de alguém é medonho.
– Sophie... — Fergus tentou de novo, já imaginando onde essa história terminaria.
– E você Kallai?
Sophie ergueu as mãos ao alto, logo imitada pelos seus filhos que ergueram os bracinhos. A ação fez com que todos sorrissem.
– Eles querem o avô e o tio perto. Mas estão distantes, por que suas companheiras estão longe. Kallai, seu lobo chora, eu o ouço chorar, e é a primeira vez desde que pisei na alcateia, que ouço isso. Não chora por Isis, disso tenho certeza. Você deve trazer Emehir aqui, ela e Aldott pertencem a nós. Elas são da nossa família.
Kallai aproximou-se de Sophie. Fergus instintivamente ergueu-se. O Brenin parou no mei odo caminho e ergueu uma sobrancelha. Depois que Fergus voltou a se sentar, e Kallai continuou até Sophie. Ele a abraçou forte e deixou que a psi fizesse seu trabalho, trazendo calmaria para seu lobo. Mas tudo que ele ouvia era o uivo de seu lobo, e ele repetir constantemente o nome dela. Emehir. Emehir. Emehir…. E as vezes, o lobo também chamava por ela, sua menina, Aldott.
– Eu não posso, querida. Em nome da alcateia e de uma futuro de paz, eu tenho que evitar que esse lobo fique vivo. Seja lá quem ele seja, é uma ameaça para a convivência dos sobrenaturais e dos humanos. Nem todos nos aceitam e…
– E ela não estará segura? — Sophie passou a mão pelos cachos de Kallai.
– Eu não posso ser apenas um lobo, Sophie. Eu sou o Brenin e aquele que colocou a cabeça a premio se algo desandar. E abaixo da minha cabeça estão minha família. Eu… tenho que me privar pelo bem de todos.
– Nós iremos ajudar a encontrá-lo pai. Nós vamos encontrar — Fergus olhou para o irmão, que concordou com um aceno — Então, nós poderemos ser uma família completa novamente.
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