Notas iniciais
Boa noite, meus amores. Nesse capítulo tony me ensinou mais do que eu imaginava. E sim, ele fica falando e falando em minha cabeça o que quer e como quer que as coisas aconteçam. Estão um restinho de capítulo de 10 páginas, virou um capítulo de 27. Aproveitem! Capítulo dedicado totalmente a Biia Santos, que fez minha alegria ao recomendar a fic. Eu amei!

Edward

Ok, dizer que eu estava nervoso, já era um Eufemismo para meus duas atuais. Porém, depois de uma semana maravilhosa e um sábado regado a eventos de família, não existia um adjetivo melhor que me descrevesse.

Mas, Por Deus! Era domingo, o dia de vovó Marie e eu só pensava em como conseguiria manter mãos, boca e olhos apaixonados, longe de Bella. Não podíamos “dar bandeira”, não ainda. Contudo eu, literalmente, me tornara um “bendito” viciado por aquela mulher. Então, ainda não fazia ideia de como me controlaria assim que eles chegassem.

— Ei, está voando?

— Só um pouquinho, quem sabe... Não, mãe. Obrigado!

Recusei a cerveja que Esme me estendia.

Estávamos já na casa de vovó e eu queria estar completamente sóbrio para absorver o máximo possível de Bella e Antony, que, aliás, ainda não haviam chegado, juntamente com todos os Swan’s, claro.

— O novo, Edward, não bebe mais, mãezinha.

— Alice está certa.

Não, nada mais de bebedeiras à noite e fins de semana para espantar a dor e solidão. Eu tinha motivação agora.

Se bem que... Estava até sonhando com a possibilidade de um vinho frisante à noite, aquecido nos braços de Bella.

Eu queria um encontro de adulto com ela.

— Nem água, suco ou refrigerante? Posso pegar para você.

— Não se preocupe, eu mesmo pego, dona Esme.

Bajulador e querendo tirar da mente dela a cena de carinho entre tia Renée e eu, a abracei por trás, beijei seu cabelo e nos balancei ao som de uma música que só tocava em minha mente.

— É bom ver você feliz. Até que enfim!

— É bom estar de volta, dona Marie linda! E não pense que me esqueci que é graças à senhora. Ainda pretendo encontrar uma maneira de recompensá-la.

Vovó e todos nós, estávamos na varanda dos fundos, perto da churrasqueira, aproveitando a manhã e a companhia uns dos outros, enquanto nos deliciávamos com carne assada e bebidas variadas.

Carlisle estava sentado de frente à grande mesa e prestava atenção em nossa conversa enquanto apreciava uma bebida alcoólica produzida numa fazenda daqui da região de Forks também.

— Contanto que não volte a fazer besteiras, que afastem nossa família, já terá me recompensado. Aliás, acho que “aquele pedacinho de gente” que você fez, numa noite muita inspirada, já pagou qualquer dívida que tenha com qualquer um dessa família.

Olhou sugestivamente para meu pai.

— Se quiser mais perdão ainda, talvez devesse repedir a dose mais umas duas ou três vezes, quem sabe.

— Ei, devagar aí, mamãe. Não precisa me fazer mais avó assim. Já basta a senhora.

Esme interrompeu as alucinações de vovó Marie. Sim, alucinações, porque estava longe de Bella e eu termos mais um filho. E, sim de novo, eu só pensaria nessa possibilidade se fosse com ela.

— Netos são bons, Esme. E se acostume com essa ideia porque algo me diz que logo, logo essa família estará derramando de criança.

Alice, ficou sem jeito, tanto que olhou para o outro lado e fingiu desentendimento.

Eu só queria saber até onde eles levariam aquele segredo?

Mas, enquanto não resolviam colocar tudo em pratos limpos, era minha obrigação de irmão mais velho, salvá-la.

— Ah, vovó, não conte com isso. As fases de atropelos e atos não planejados já acabaram.

— É, mamãe, vamos esquecer esse assunto de avó, porque sou muito nova para sair distribuindo esse título por aí. Agora vamos esquecer isso. Querido, vá buscar sua bebida rápido, antes que sua avó recomece a seção sermão.

Desviei o assunto, tirando um respirar aliviado de Alice. E Esme, mesmo sem saber, me ajudou, porque se virou em meus braços e beijou meu rosto pronta para se afastar. Só que eu não estava...

A convivência, o dia com Bella e Tony, nossas conversas. Tia Renée... Esses turbilhões de situações ultimamente vividas contribuíram para que eu percebesse mais de minha vida.

Por isso, segurei-a em meu abraço e beijei seu rosto demoradamente e com carinho.

— Eu te amo, mãe! Acho que nunca te agradeci por tudo que fez por nós. Obrigado!

— Eu... Eu... Eu te amo, filho.

Emocionada, e muito surpresa, ela me puxou para si, com mais afinco, como há muito não fazia.

— É, Swan’s são mesmo milagrosos. Você acertou em cheio, sogra.

Carlisle, que até aquele momento não havia se manifestado, levantou seu copo em direção a vovó, como de brindasse, e então comemorou.

E quem poderia ir contra ele? Estava coberto de razão. Bella e Antony tem me ensinado tanto que...

Falando no Pequeno... Foi “com um susto” que ele entrou correndo e então, parou... Ao ver nossa cena.

— Bisa, o Lindão chegou e... Vocês estão “cholando”?

Observou-nos com atenção começando a ficar assustado. Um biquinho de choro ou lamento ameaçando despontar e nos quebrar por inteiro.

Isso era inadmissível.

— Ei, oi... Venha aqui dar um beijinho na titia? Não precisa se preocupar. Não é choro. Eles só estão emocionados, felizes.

Alice estendeu a mão, chamando-o, porém ele não foi. Pelo contrário, virou mais a cabecinha para o lado, em nossa direção, enxergando até minha alma.

Por isso, me soltei de mamãe antes que ele ficasse mais confuso ainda.

— Ei, Campeão, venha aqui. Estou morrendo de saudades.

Abaixei-me e abri os braços, pronto para recebê-lo.

— Tá tudo bem, titio?

Não se moveu de novo, e foi o tempo exato dos Swan’s chegarem e se juntarem a nós.

— Claro que está tudo bem. Venha aqui.

E ele veio... Veio correndo e se jogou em mim, se jogando, se entregando...

— Fiquei com medo que “tivesse tliste”.

— Claro que não estou triste. Estava te esperando. Como poderia ficar triste?

— Ainda bem, titio. “Polque” Tony tá muito animado e tem muita coisa “pala” fazer hoje e não pode ter ninguém “tliste” por perto. “Polque tlisteza” pega. Não é, mamãe?

— É, amor.

E foi ali que eu perdi o fôlego de vez... De joelhos, com meu filho nos braços. Devia ser pecado, aliás, ela devia ter piedade de mim... Deus! Eu não poderia tocá-la hoje, mal falar com ela... E para meu desespero e acabar totalmente com meu juízo, ela tornava tudo mais complicado... Vinha de vestido branco, soltinho, parecendo uma deusa grega. Os cabelos soltos, seguros pelos óculos de sol. Nos lábios um batom claro, mas que se destacava. Praticamente clamando para serem tirados.

E se em alguma realidade alternativa ela achou que aquele “casaquinho” a cobriria ou torná-la-ia menos tentadora... Por Deus! Eu precisava urgentemente alertá-la que só impulsionava o desejo, de quem quer que seja, de tirá-lo e libertar seus ombros daquela cobertura.

— Alguém precisa se levantar e fechar a boca...

Tia Renée a empurrou de leve, nos ombros, deixando-a constrangida e tingindo suas faces de um tom rosado maravilhoso.

— Filhote, solte seu tio. Ele precisa se levantar.

Sai do transe quando Antony tentou se soltar de mim.

— Não. Tudo bem. Venha aqui, Campeão.

Coloquei-me de pé, ainda a encarando e só então dei passagem para que eles entrassem de vez.

— Oi.

Balbuciei somente, incapaz e com medo de não resistir a atos e elogios que meu cérebro gritava naquele instante.

— Oi.

Ela, se possível, ficou mais sem graça do que eu.

Mas, também, pudera! Todos nos avaliavam com enorme interesse, certeza que só esperando por um pequeno deslize de ambos.

Emmett e tio Charlie, atrás dela, eram os mais sérios daquele lugar.

— Vocês estão “vemelhos” e “estlanhos”. Antony quer rir.

E com essa não ouve quem não sorrisse ou gargalhasse. Antony, literalmente, quebrou o clima.

— Estranho é você, seu Serzinho, insuportável, que ainda não cumprimentou as pessoas.

Tomando então conta da situação, ela o tirou de meus braços, fez cosquinha e o colocou no chão.

E, como ela é Bella surpreendendo a todos, e principalmente a mim, se aproximou, colocou as mãos em meus ombros, como se tivesse feito isso à vida toda, e depois beijou meu rosto lenta e carinhosamente.

— Bom dia! É bom ver você de novo.

Tá, era oficial: ela queria me matar!

O cheiro de banho recém tomado, com fragrância de morangos que exalava de seu cabelo mais a essência natural dela, me acertaram em cheio.

E foi preciso todo meu autocontrole para não agarrá-la com tudo, na frente de nossos familiares.

— É maravilhoso vê-la. Demoraram demais.

Devolvi o beijo e segurei sua mão, quando se afastou.

— Até que se ajeita um rapazinho sapeca é complicado, mas, eis que aqui estamos. Deixe-me cumprimentar também. Vovó...

Afastei-me, sentando perto de Alice, dando-lhe passagem para ser abraçada por todos.

— Edward!

— Emmett!

Não, não ouve troca de apertos de mãos ou abraços de homens, só um acenar de cabeça. Porém, já era a segunda vez, desde que voltaram. Um bom recomeço, eu creio.

Já com tio Charlie, foi mais formal, ele só tocou o chapéu. Não teve sorrisos nem nada que mostrasse animosidade.

— “Pala, bis- vovó”, seu “laliz” tá frio.

— Ah, bisnetinho tem que aguentar ataques de vovó. Nem precisa se esconder aí.

Antony se escondia nas pernas de Bella, e só então notei que ele segurava, com as duas mãozinhas, as alças de um cano longo, que eu já havia nisto em algum lugar, mas que não sabia para o que servia.

— Cunhado... Ele está fogo, hoje. É bom você ter vindo. Bella precisa de uma folga. Ele pode exigir sua atenção também.

— Cunhado, ser exigido de Antony e da mãe dele é tudo que eu mais quero na vida.

Apertando as mãos e relembrando o antigo cumprimento de “cunhados trocados que éramos”, Jasper e eu sorrimos um para o outro. Alice se agarrou ao braço dele, sem cerimônia, e exageradamente feliz com nossa aproximação.

Por fim, tia Renée veio até mim, abençoou e beijou minha testa.

Tirando de Carlisle um levantar de sobrancelha.

Porém, foi quando Antony o cumprimentou que eu vi um sorriso há muito desaparecido nele.

Bella

Afastei-me de Edward e segui Antony nos cumprimentos, porque eu juro, seria um dia grande e complicado.

Eu queria demais poder demonstrar mais afeto, estava com saudades já. Contudo ainda não podíamos. Eu não estava preparada para enfrentar o que viria pela frente.

O que não acontecia com Jasper, porque assim que chegamos, meu irmão correu para os braços da noiva. Isso, noiva e acho que seria hoje o dia de colocar nossas famílias a par dessa novidade.

— Oi vovó.

— Querida! Tem novidades para mim ali? Estou ansiosa. Podemos conversar enquanto o almoço não sai.

Apontou para o porta projeto que Antony segurava e fez questão de trazer.

— Muitas novidades, vovó. E prepare seu bolso, porque Bellinha aqui não está para brincadeira. Ficou até de madrugada revisando e refazendo cálculos. Pelo que parece, ela não confia em mim.

— Ei, não é isso!

Bati no ombro de Emmett que se intrometeu no meio de nossa conversa.

— Garota, você parece que vai estourar. Para quando é esse bebê teimoso e cabeça dura como o pai?

— Nisso minha sogra tem razão.

Mamãe se juntou a nós e ajudou vovó a acariciar a barriga imensa de Leah.

— Para o próximo mês, vovó. E ele não é teimoso, só não quer se mostrar. É tímido como o pai.

— É, deixa Emmett saber que ele não é o pai...

Brinquei com o fato de meu irmão ser tudo, menos tímido.

— Saber, irmã, tá engraçadinha demais hoje e...

Mamãe!!! Me ajuda aqui?

Nossa conversa, para lá de animada, foi interrompida por um gritinho de Antony, que segurava nosso projeto tentando colocá-lo em cima da mesa.

Seu olhar concentrado, e chateado, em minha mão que alisava a barriga de minha cunhada.

— Ele está com ciúmes?

— Muito! No começo era só de Emmett. Agora é mim, papai e mamãe. Não sei o que farei quando o bebê chegar.

Respondi a tia Esme que acabara de se juntar a nós.

— Ah, isso passa! Ele só precisa se acostumar. Quando perceber que será maravilhoso ter um amiguinho ou amiguinha, agirá diferente.

— Tomara, tia. Porque agora tá impossível. Se eu estiver perto demais de Leah fica bravo e...

— Mamãe, tá pesado!

— Viu? Deixa ir lá!

Acariciei o braço dela e fui até meu ciumentinho preferido.

— Pode deixar aqui.

Tirei as coisas de suas mãozinhas e revirei os olhos quando ele estendeu os braços para mim.

— Tony, quer colo.

— Tony tá pesado. Mamãe não aguenta.

— Ah, vovô aguenta. Deixe ver como esse rapazinho cresceu.

Carlisle se aproximou de nós, o pegou e beijou seu rostinho.

— Oi, vovô Carl.

— Oi, Pequeno. Bom dia. Você está bonito.

Tio Carlisle se sentou e bateu, com a mão, ao seu lado para que eu me juntasse a eles.

Edward fez cara de indignado, do outro lado da área, e eu só pude dar de ombros e me juntar a eles.

— Ah, vovô, você não sabe? Tony é bonito de “natuleza”! Hoje só “tomo” banho “glandão” e lavou o cabelo. Mamãe gosta de lavar as “oulelhas” e pezinhos do Tony. É um saco!

— Preciso fazer isso da próxima vez. Será que vou ficar mais bonito?

— Você já é “monito”, vovô.

Várias cabeças se voltaram para nós, prestando atenção na interação.

— Ah, obrigado! Fico muito feliz em saber que gosta de mim a ponto de me achar bonito. Isso é coisa do amor!

— Não, vovô. Isso é “veldade”.

— Tá, eu acredito. Mas, agora me conta, o que fez de interessante hoje?

Antony segurou nas bochechas do avô e sorriu largo, eu sabia que vinha uma lista agora,

— Ah, hoje eu “comelcei cedão”, vovô. Já “tilei” leite. Cavalguei com a mamãe até as “lavoulas” do campo. Dei banho no Thor e no Chocolate e depois ajudei a “gualdar o plojeto”. Falando em “plojeto”, vovô, quando a gente “comelçar a constluir” tudo vamos ficar sem tempo. “Pô lisso” acho “intelessante” a gente descansar antes. Meu vovô Charlie e eu vamos “pelscar” amanhã lá no rio novo dele. Vamos “tabém”?

— Antony!

Papai ralhou, um pouco mais alto do que de costume, assustando Tony e eu que não esperávamos pelo rompante, tanto que meu Pequeno ficou confuso com aquele alterar de voz.

— Oi, vovô?

— É um plano seu e meu. Não está aberto para outras pessoas.

— Quer dizer que o vovô Carl não pode ir “tabém”?

Sabendo do poder que tinha, especialmente sobre meu pai, ele fechou a expressão e fez um biquinho adorável que só aparecia quando contrariado.

— Ah Tony, tá tudo bem! Nós marcamos outro dia. Aí você pode ir só comigo lá no meu rio. Se sua mãe deixar, claro!

Carlisle, tentando dissolver o constrangimento evidente pela recusa de Charlie a sua companhia, tentou distrair Antony.

Todavia, ele não fazia ideia que tinha o neto mais obstinado do mundo.

— “Pol que”? “Pol que” não podemos “pelscar” todos juntos se é “plogama” de netinho/ vovô?

— Isso! Vai lá, Charlie, explica pro seu neto o porquê de você não conseguir perdoar a ponto de agradar uma criança.

— Dona Marie, não precisa disso, eu...

— Não, Carlisle, Charlie vai ter que contar a essa criança, em algum momento, o tamanho da dureza de seu coração quando os próprios envolvidos já se perdoaram. Foi esse o filho que criei? É isso que quer que seu neto aprenda?

Vovó aproveitou a oportunidade, isso era fato!

Só fico pensando: Será que nunca teremos um almoço em paz nessa família?

— Mamãe, “pol que” a bisa tá “tliste”? E “pol que” ela disse isso do vovô? Ele não é assim, é? Ele não sabe “peldoar” quando as pessoas erram sem “queler”?

Por Deus! O que eles estavam fazendo?

Sem me conter, peguei Antony, de Carlisle, muito disposta a ir para casa e afastá-lo daquele drama.

Porém, para surpresa de todos, Charlie colocou as mãos em minhas costas, me impedindo, e pegou Antony o segurando com força junto ao peito.

— Desculpa o vovô, filhote. Eu agi sem pensar. Ainda bem que tenho sua bisa para me trazer de volta a realidade. O vovô precisa aprender muito ainda para amolecer o coração. Me ajuda?

Antony acenou em concordância e, bajulador, passou os dedinhos nos cabelos, castanhos e grossos, de Charlie.

— Pode começar desculpando o vovô Carl? Eu “quelia pelscar” amanhã. A mamãe até já me “libelou” do trabalho e isso não vai acontecer “pala semple”. Não posso ter “legal... regue...” Como diz mamãe quando a gente é filhotinho Lindão da dona?

— Regalias, amor.

— Isso. “Legalias”, vovô.

Eu abri um sorriso, um sorriso estranho porque os olhos estavam cheios de lágrimas.

Será que Antony tinha noção do que fazia?

Ele consolou Alice e praticamente a garantiu que tudo ficaria bem, no primeiro encontro deles.

Depois, vê coisas em Edward que nem mesmo eu, percebi.

E agora dá a Carlisle a chance de reconquistar seu melhor amigo.

Então, se Esme e mamãe já estão se entendendo e Emm a “meio caminho” de perdoar os Cullen’s e Rósalie um assunto fora de cogitação, só fico pensando: Quem será seu próximo alvo?

— Eu não tenho que “desculpar” o Carlisle, Tony. Ele não nos fez nada diretamente. Eu só preciso entendê-lo.

— O senhor pode “detendê-lo” amanhã na “pescalia”? Vai ser legal! E Tony “plometi” que fica caladinho e quietinho no “balco”.

— Ah! Vai ser de barco? Achei que pescaríamos de “barranco”.

— E que “glaça” teria nisso, vovô?

Deu de ombros, assim, como se não fosse nada. Arrancando uma gargalhada alta de papai.

— Tá bom, Pequeno. Mas, você não perguntou a seu outro avô se ele topa pescar conosco.

Antony, não perdendo tempo, virou o corpinho e indagou Carlisle, que permaneceu sentado só observando a cena.

— Você quer “pelscar” com a gente, não quer, vovô?

Carlisle estava tão emocionado quanto eu. Mas, mesmo assim se colocou de pé, segurou o ombro de Charlie e deixou que atos falassem mais do que palavras.

— É o que mais quero na vida hoje.

— Ehhh! Que legal! Tony vai “pelscar”.

Antony comemorou batendo palmas.

E eu senti, em meu íntimo, que ele conseguiu restabelecer o grande elo há muito rompido entre Carlisle e Charlie.

Tem como não amar?

— Certo! Assunto pescaria resolvido, agora vamos parar de drama. Você não tem uns projetos e umas perguntas pra sua bisa?

— Eita! É mesmo titio Jas. Quase esqueci. Mamãe, me ajuda?

— Claro! Venha aqui.

O coloquei de pé sobre a cadeira, envolta da mesa, e peguei o projeto a qual ele fez questão de trazer quando viemos para cá.

Conversas altas voltaram a dominar o lugar desfazendo de vez a tensão de agora a pouco.

— Aqui, tome. Teve emoções demais por um dia.

Edward que se aproximara sem que eu percebesse, estendeu-me um copo grande com água gelada.

Risinhos de Alice e Jas foram ouvidos do outro lado da varanda.

Emm, com Leah em seu colo, só revirou os olhos para nossa interação.

— Obrigada! Estava sedenta.

— Fico feliz em saciá-la.

— Ui! Tá quente aqui.

Mamãe se abanou, brincando sobre nosso diálogo. Esme e vovó ficaram só nas expressões cômicas. E eu, certeza, fiquei constrangida.

Porém, foi Antony a interromper e quebrar aquela áurea que pairou entre nós.

— Tony também sede.

Abriu a boquinha já esperando que eu levasse o copo a seus lábios.

— Então vamos matar essa sede, mamãe...

Coloquei a mão em seu queixo, amparando caso escorresse algum líquido. Ele sorveu com vontade.

— Delícia! “Obligado”, titio “Edwald”.

— Eu que agradeço, Campeão... Quer mais?

Perguntou-me quando tomei, de uma vez, o restinho que Tony deixou no copo.

— Não, obrigada! Estou satisfeita, por enquanto.

— É “pô lenquanto”. “Pol que” não se senta aqui e vê “tabém o plojeto” que mamãe, eu e tio Memmett fizemos? Depois a gente “gualda” o copo, titio.

Nada educado, Antony tirou o copo de minhas mãos e estendeu para Jasper.

— Ah não! Você “plecisa” estar aqui “tabém” já que é o “administlador do dinheilo”. Titia Lice, “gualda pala” nós, por favor?

— Com um pedido desse, nessa educação, é claro que eu guardo.

Em agradecimento, ele beijou Alice, assim que ela abaixou e apontou para a bochecha.

Edward, Jasper e Emmett sentaram-se lado a lado com Charlie e Carlisle a suas frentes.

Vovó e eu, as mais baixas, permanecemos de pé.

Antony se ergueu da cadeira e sentou-se em cima da mesa. Os pezinhos quase tocando os papeis.

Mamãe e tia Esme permaneceram mais afastadas, como se aquele assunto não as interessasse.

— Aqui está.

Emmett abriu o projeto das represas, que fizemos simulando as áreas das fazendas.

— As tais represas para os pivôs?

— Isso, vovó.

Respondi passando as mãos por cima dos papeis para que ficassem bem expostos. Era grandioso! Duas obras enormes que beneficiariam diretamente a Sonho Azul e a Paraíso.

— Uau! Agora vocês se superaram.

— A gente sabe, vovô Carl. Tio Memmett e mamãe “fizelam” esses desenhos e “númelos sem glaça”, então eu “cololi a replesa pala” vocês saberem onde vai ser e “tabém” desenhei os patinhos. “Polque” é muita água. Nós podemos ter uns patinhos, não podemos bisa?

É, seria cômico se não fosse trágico...

Emmett e eu passamos horas rascunhando os esboços das represas, suas localizações, as reservas em volta, as sedes e etc, e etc e tal... Isso tudo com Antony quietinho colorindo e cantando deitado no tapete do escritório.

Quando, enfim, terminamos colocamos tudo em cima da outra escrivaninha e passamos para a parte técnica e burocrática do projeto, com cálculos, gráficos e projeções de despesas x lucros. Ficamos mais algumas horas nisso com concentração total, eu confesso.

Então, em determinado momento notamos tudo silencio demais e quando demos por nós, Antony estava de joelhos na cadeira, debruçado nos esboços, que já continham inúmeros patinhos de linha, enquanto o lápis azul “corria de um lado para o outro”.

“Eu quis morrer”!

Depois quis “dar umas palmadas nele”.

Por fim, me achando radical demais, só quis colocá-lo de castigo até que completasse 18 anos.

Tá, eu fiquei mesmo “fula” de raiva, só que quando se tem um irmão palhaço é praticamente impossível manter a indignação.

Emmett riu, mas riu tanto que saiu lágrimas nos olhos e deu dor de barriga.

E eu? Bom, só pude me entregar à resignação e conformismo.

Até que pensei em fazer outro esboço limpo e trazer, mas desisti. Já era tarde e domingo também é dia de acordar cedo na Sonho Azul.

— Patinhos, marrecos, gansos, cisnes, quantos você quiser, Amor. E a bisa confessa, só descobri as represas porque você ajudou. Sua mãe e seus tios precisam aumentar seu salário.

— “Tabém” acho. Tio “Edwald”, você gostou?

— Hum, eu amei, Campeão. Mas, a expressão de sua mãe diz que, da próxima vez, antes de ajudar, você precisa perguntar “se pode” primeiro. Certo?

Edward passou a mão, carinhosamente, pelos cabelos dele. E eu me rendi mais um pouquinho a seu charme.

Ele era um ótimo pai.

— Isso! Alguém me entende e não fica influenciando ou “achando bonitinho” peraltices.

Disse sugestivamente para todos ali que mimavam Antony além do aceitável.

— Ah tá! Isso porque Antony ainda não despejou todo o seu charme nele. Espere até isso acontecer e verá que está completamente sozinha na missão de educar, irmãzinha.

— Nisso Emmett está coberto de razão.

— Rá!

— Palhaços!

Reclamei para a, de repente, concordância de homens de Edward e Emmett. Aquilo era coisa de adolescente, poxa.

— Mamãe, não fica “tliste”. Tony “plomete” pedir “autolização da plóxima” vez. Tony é “ducado” sim. “Né”, mamãe?

— É Cowboy, muito educado. Mostra para eles que mamãe está fazendo um ótimo trabalho sozinha.

— Nunca duvidei disso.

E lá estava de novo, castanho no verde, com toda sua força e intensidade. Era palpável a atração. E eu nunca quis tanto mandar o bom senso “as favas”, me abaixar e beijá-lo com carinho.

Vê-lo e não tocá-lo não era aceitável mais.

— Foco, foco, senhores... Foco pelo amor de Deus, Isabella.

Papai quebrou nossa conexão, um tanto quanto rígido demais, alertando para onde estávamos. Emm, aproveitando a deixa começou a explicar o projeto.

— Bom, a técnica que mostramos aqui já é de nosso conhecimento e aprovação já que a usamos lá na Esperança, nossa fazenda do Brasil. A diferença é o tamanho. A represa de lá é só para nossa fazenda e abastece 3 pivôs. As daqui serão duas, com o triplo de tamanho e abastecerão, no mínimo, doze pivôs. Como Tony disse, é muita água.

— “Pala” os patinhos.

Antony o corrigiu e Edward abriu um sorriso gigantesco.

— Para eles e para as lavouras.

— Ok, é um belo projeto. Mas, já pensaram no que fazer com os órgãos ambientais? É muita árvore para derrubar.

Carlisle indagou Emmett e foi minha vez de entrar em ação.

— Charlie está comprando essas terras intocadas aqui...

Mostrei no projeto.

— É o dobro do tamanho das terras que usaremos. A transformaremos em reserva e realocaremos o máximo de animais e espécies de mudas de plantas que conseguirmos. Já andei conversando com o secretário de meio ambiente de Forks, ele acredita que não teremos maiores entraves.

— Quanta eficiência!

— Estamos aqui para isso, tio.

Pisquei matreira para ele e ali enxerguei a verdade que Edward disse: tio Carlisle nos admirava demais pelas nossas escolhas e dedicação as fazendas.

— Tudo muito lindo, muito bom, mas agora vamos ao ponto crucial: quanto vai custar?

— Isso é com Jasper, vovó.

Meu irmão soltou as mãos de Alice, que descansavam em seu ombro já que ela estava de pé atrás dele, e abriu a agenda.

— Então família, economizando onde podia, reaproveitando matéria prima que temos disponíveis e dividindo entre vovó, tio Carlisle e papai, gastaremos, mais ou menos...

— Ai!

— Ah!

— É muito “dinheilo”, mamãe, a aguinha “pala” os patinhos?

— Um pouquinho, filho.

Vovó e Carlisle não concordaram comigo e tinham razão, era muito dinheiro.

— Pensem que quando os pivôs estiverem funcionando não dependeremos mais de “São Pedro”, nem de tempos sem plantar. Com a bonita e eficaz rotações de cultura que Bella e Emmett planejarão, recuperarão seus investimentos em três anos, no máximo.

Jasper não perdeu tempo.

— Mesmo assim. Acabamos de comprar um hospital. Não temos todo esse capital.

— Carl tem razão. Não temos todo esse dinheiro.

Carlisle e Esme se entreolharam pesarosos. Contudo, foi a cumplicidade no ato deles que me deixou encantada. Aquilo era o que eu queria para mim algum dia.

— E se dividíssemos por 4. Ajudaria o senhor, pai?

A voz de Edward foi um sussurro tímido, todos se aquietaram e prestaram atenção.

— Não sei. Acho que sim, preciso fazer as contas. Mas, isso não importa, não pegarei seu dinheiro. Não me endividarei. Só faço um negócio quando tenho recursos em mãos.

Carlisle foi duro.

Porém, as pessoas escolheram aquele dia para me surpreender.

— Eu sei, pai. E não pensei, em momento algum, em emprestá-lo dinheiro. Pelo que vi as represas também beneficiarão minhas terras e Emmett disse que mais pivôs poderão ser agregados depois. Então, eu também queria investir.

— Suas terras?

Perguntei meio atônita. Edward nunca gostou de fazenda, nem de nada ligado a elas. Por que ele tinha terras?

— 150 hectares, atualmente arrendados para papai. Só a espera.

— A espera de quê?

Ele sorriu torto, é aquele sorriso mesmo, capaz de me fazer tremer. O sorriso velado de promessas que sempre conseguia qualquer coisa de mim.

— Posso te responder isso amanhã? Não quero ser o responsável pela terceira guerra mundial.

Brincalhão, olhou sugestivamente para Emm e papai e eu quis, pela milésima vez só naquela manhã, beijá-lo. Só para enraizar aquele bom humor nada característico do Edward que eu amara.

Mas, como não sou de sorte, só concordei afirmativamente.

— Sei que não é muito, mas precisava começar de alguma maneira. E quando decidi isso, tinha que ser naquele lugar que tem um significado mais do que especial. Papai me vendeu, a parte, meio que forçado, mas vendeu. Isso sem falar no potencial... Têm milhares de hectares, ao fundo, além das divisas Cullen e Swan, de um casal, sem herdeiros diretos, só esperando por uma boa oferta. Então, sim, eu gostaria de investir também.

Meu irmão mais velho e meu pai se entreolharam somente.

Carlisle parecia embasbacado. O que não diferenciava muito de minha reação. Alice e Esme, por outro lado, estavam mais para orgulhosas.

— Se Edward entrar como sócio, o investimento de vocês será de...

Jasper fez mais algumas contas, na calculadora do celular...

Meus irmãos e eu não entraríamos como investidores. Primeiro, porque o lucro total da fazenda é de Charlie, ele nos repassa uma parte por colheita, mas não é tanto quanto a parte dele. E segundo, porque havíamos investido a maior parte de nossas economias na construção e montagem da loja.

— Vocês pagarão...

Mostrou aos principais interessados o novo valor.

— Perfeito! Eu topo!

Vovó comemorou.

— Nós também.

Charlie respondeu por nossa família.

— Se é assim, também topamos.

Carlisle também concordou.

— Muito bom! Só diga quando precisará do dinheiro e farei a transferência.

Edward foi o último a acordar o que não tirou de Carlisle a expressão de contentamento.

— Certo, amanhã mesmo abrirei uma Conta Corrente, para que todos depositem suas partes. Ela será usada comente para esse fim. Vou passando-lhes os balancetes semanalmente. E se preparem porque Bella e Emmett ficarão insuportáveis. Vocês não têm ideia do que é trabalhar para o exigente Emmett e a “engenheira agronômica” Bella. Perfeição é o mínimo que eles aceitam.

Jasper era excelente e transparente em tudo que fazia, mas nunca perdia a oportunidade de “nos encher” por fazermos e, fazermos bem, nosso trabalho também.

— Mamãe, ainda é muito “dinheilo”?

— É, filho. Ainda é uma quantia alta, mesmo com tio Edward participando. Mas, por que quer saber disso?

Eu não estava entendendo Antony e se me concentrasse e deixa-se a imaginação dominar veria as engrenagens trabalhando, a todo vapor, em sua cabecinha.

— E quando “ficalá plonto”?

Jasper também estava curioso, tanto que fingiu fazer algumas contas, antes de responder.

— Hum! Vai demorar, Filhotinho. Creio que de um ano e meio a dois. Mas, não precisa se preocupar com isso, seus patinhos terão seu lugar garantido.

— E a bisa faz questão de comprar. Vai ser o meu presente para você na festa de inauguração dos pivôs.

— “Obligado pela infolmação”, titio. E “obligado pelo plesente”, bis-vovô.

Vovó acariciou o cabelinho dele e fez aquela expressão amorosa que só Antony consegue da gente.

— Mas eu ainda tenho um problema, mamãe. E “quelia” que a “senhola” me ajudasse.

— É? Pode falar, Amor. Claro que vou te ajudar.

Ele se mexeu, na mesa, se virando totalmente para mim colocando as duas mãozinhas em meu rosto e o segurando. Gesto que só fazia quando clamava por total atenção.

E mesmo que não fosse seu objetivo, todos nos observavam com interesse e curiosidade.

— Eu “tabém quelia invelstir”.

— Antony...

— Não. “Espela”, mamãe. Deixa o Tony “explicar”.

Colocou uma das mãos sobre meus lábios, me impedindo de interrompê-lo.

— Tony não tem “dinheilo” hoje, mas você pode todo mês “gualdar” meu salário e a mesada que o vovô dá? E então vai dar um “tantão” quando as “leplesas” ficarem “plontas”. Ai o Tony paga a “palrte” dele.

— Mas, Querido, a bisa disse que vai te comprar todos os patinhos do mundo.

— Eu sei, bis-vovó, “obligado por lisso”. Mas, o “dinheilo” é para ajudar a “constluir as leplesas”.

Afastei a mãozinha dele e segurei seus ombros, esperando... Pronta para ser surpreendida. Porque uma vida com Antony era assim.

— Filho, você não precisa gastar seu dinheiro. O vovô tem o dele, e Tio Emm, Jasper e eu, vamos ajudar caso ele precise. Fique tranquilo. Não precisa ficar pensando nisso.

E então num gesto que não era comum dele, Antony abaixou a cabeça, e sussurrou num fio de voz.

— Desculpa, mamãe, mas não são “pala” vocês que Tony ia dar seu “dinheilinho”.

Segurei seu queijo e levantei sua cabeça para que eu pudesse encará-lo e entender o que o atormentava.

Sem notar o nervosismo que estava, ele começou a esfregar uma mão na outro. O olhar triste como eu nunca vira.

— Explica para a mamãe, Antony. Para quê você quer investir?

Ele olhou ao redor, fugindo do momento.

Edward se levantou, preocupado, e veio para nosso lado. Colocou a mão em sua testa, verificando a temperatura. Não era mesmo normal ver Antony caladinho ou constrangido.

Nada de febre, Edward confirmou.

— Filho...

— Não deixa o vovô e o titio Memmett “bligar” com o Tony?

Charlie e Emm pareceram tão surpresos quanto todos dali.

— Claro que não deixo. Pode falar.

— Tony quer “invelstir” pala ajudar o titio “Edwald”, mamãe. Ele não tem muito “dinheilo” igual titio Jas quer. O carro dele é pequeno e a casa dele, nem tem “paledes”, mamãe. Ele “mola no tlabalho”. Não tem o “dinheilo”. Tony quer ajudar.

Por Deus!

Várias reações se manifestaram de todos os lados... as mulheres sorriram doce. Emm e Jas gargalharam alto.

Carlisle limpou uma lágrima?

Charlie ficou pensativo e petrificado com aquele relato preocupado.

Eu? Eu fiquei boba e sem reação já que Edward o soltou de mim, o agarrou com força, e o escondeu em seus braços.

— Agora entendo sua obstinação nova, Edward...

Alice comentou algo que não entendi, porém, nem me importei. Minha atenção estava toda voltada para meu Pequeno e o pai dele, que se consolavam como dois iguais.

Deus! Antony era nosso milagre!

— Amor, não é assim que as coisas funcionam. Tio Edward não precisa do seu dinheiro. Não é, tio Edward? Explica pra ele.

Edward o afastou, milímetros, só o necessário para lhe olhar nos olhos.

— Oh, Campeão, estou tão emocionado! Tão feliz em saber que posso contar com você. Mas, de verdade, não precisa economizar seu salário e a mesada para mim. Aquele lugar que você fica comigo, não é minha casa. É só um lugar para descansar, como o apartamento de vocês na cidade, só que o meu não tem paredes. Minha casa é aquela bonita, entre as fazendas de seus avôs. Lembra? E meu carro... Bom...

— Filho, o carro dele é pequeno, mas é caro. Se seu tio o vender, dá para comprar umas... Três ou quatro camionetes iguais as da mamãe.

— Isso não é “veldade”, mamãe Bella. “Semple” que vou ao shopping com a vovó Renée e quero comprar um carrinho, ela diz que só posso pegar os pequenininhos. “Polque” quanto maior o “callo” maior o “pleço”. A sua camionete é “glandona” o do titio e pequeno. Ele fica todo “tolrto” lá dentro.

Mamãe riu alto, deu de ombros e fez sinal de negação com a cabeça.

— Ei, é verdade. Sua mãe não mente. Meu carro vale muito. Mas, você está certo. Ele é pequeno. Vou resolver isso, logo, logo. Não se preocupe. Eu tenho dinheiro, Campeão. Não vou precisar do seu, eu juro.

Edward tentou convencê-lo. Mas, Antony era uma força da natureza...

— Você não tem. Você é “meldico”, não tem vaquinha, nem cavalos, nem loja, igual à mamãe. Tony quer ajudar.

Então Edward chorou, chorou muito e abraçou o filho.

— Eu não mereço você, Antony. Não mereço...

— “Clalo que melece”. Tony só não “quelia” falar alto e para todo mundo. “Polque” vovó e titio “bligam” toda vez que mamãe diz que vai fazer alguma coisa de Tony para titio “Edwald”. Eu não queria que eles “bligassem” com a mamãe linda. “Quelia invelstir em segledo”, mas... Tá todo mundo falando disso...

Vovó abriu a boca em um “O” perfeito...

— Estão vendo isso? Deveriam se envergonhar. Percebem que ele sabe de tudo que se passa? Sente quando magoam a mãe dele. Parabéns para a burrice de vocês!

Emm e Charlie obviamente, ficaram constrangidos.

— Amor, vamos fazer um acordo?

Voltei a levantar sua cabeça e acariciei sua bochecha molhada pelo choro de Edward.

Ele fez que sim com a cabecinha.

— Você pode gastar seu dinheiro tranquilo...

— Mas, mamãe...

Foi minha vez de colocar o dedo sobre seus lábios o calando.

— Você pode gastar seu dinheiro e... E quando as represas ficarem prontas, se o titio Edward precisar de dinheiro a mamãe empresta para ele, já que a mamãe não vai investir nas represas e...

— “Emplestar” não, mamãe. O vovô Carl disse que não é bom “pelgar dinheilo emplestado”.

Foi a vez de Carlisle ficar embasbacado para a certeza de que ele presta total atenção em todos os assuntos.

— Tá bom. A mamãe então passa para a Conta do tio Edward o tanto que ele precisar para investir sua parte. Pode ser?

Edward negou com a cabeça e balbuciou um “não preciso”. Fiz que não para ele. Antony não concordaria que ele não tem esse dinheiro.

Ele pensou por alguns segundos antes de se voltar para Edward de novo.

— Pode ser, titio? A mamãe te ajuda. É assim que funciona numa família, não é? Um ajuda o “outlo”.

Pois é, tinha como negar e continuar debatendo agora?

— É, meu Amor. É assim que funciona em uma família. E nós seremos uma, e das mais perfeitas, eu juro.

Ninguém disse nada, ninguém ousaria. Não quando Antony parecia tão fragilizado.

— Agora porque não mudamos de assunto? Já resolvemos esse, não é?

Edward propôs, evidentemente emocionado e Emmett concordou, calado. Dobrou o projeto e o guardou.

— Sim, vamos falar para a vovó Marie dos “milhões” que queremos dela para comprar um avião de pulverização.

— Bis-Vovó, você muito, mas muito “lica”?

— Não, meu Querido. Nem de longe. A vovó só controla seu dinheiro para poder comprar esses brinquedinhos extravagantes para esses netos sossegarem aqui em Forks. Quem te disse que a bisa é rica?

— Ué, o titio Memmett. Ele disse que a bis-vovó tem dinheiro para “sapecar porco”. Bisa, “pol que” você sapeca porquinho com “dinheilo”? Eles são tão bonitinhos, bisa.

Emmett nem sorriu, acho que estava concentrado demais pensando no que Antony dissera antes.

— Sabe, um dia os pais dessa criança terão que me dizer como fizeram um ser tão perfeito?

Olhou em nossa direção, dizendo e não dizendo as coisas...

— A mãe dele estava completamente apaixonada, vovó. Por isso ele derrete de tanto amor.

— O pai também estava. Só era idiota demais para perceber isso na época. Quase perdeu tanto... Que se passar a vida toda agradecendo e recompensando ainda não será o suficiente.

A conexão de novo... Lá estava ela. Palpável. Era só aproximar mais um pouquinho e tudo seria resolvido.

— Um dia, e pelo que parece não vai demorar muito, terão que repetir a dose e fazer outro desse. Ohh genética boa!

Vovó voltou a falar e nem deu tempo de uma reação em cadeia, pois Jasper causou o último turbilhão daquele dia.

— Bom, já que estamos focando nesse assunto... Alice e eu gostaríamos de comunicar que, estamos noivos, vamos nos casar e que...

Prendi a respiração e olhei para Charlie esperando seu rompante, coincidentemente ele também me olhava. Creio que pensando que se estourasse assustaria o neto de novo.

— Ela está grávida. Vamos ter um bebê. E que a genética, por favor, vai nos abençoar também.

No primeiro instante, todos se assustaram e se calaram, porém logo vovó, mamãe e Esme começaram a comemorar e parabenizar os noivos.

Charlie e Carlisle ficaram pensativos. E Edward sorriu muito.

Porém Emmett e eu tivemos a mesma reação, olhamos para Antony.

Já havíamos passado por aquilo e não fora nada bonito...

— Não... “Pol que”? Mamãe... Não! Mamãe?

— Merda, Jasper! Você se esqueceu do que aconteceu quando contamos da gravidez de Leah?

Emmett, tirou a esposa de seu colo, e veio para perto de nós. Edward, que ainda estava com o filho no colo, tentava segurá-lo. Porém, Tony se remexia, estendia os braços, me chamava e já chorava.

— Filho, não precisa disso.

O peguei e, como esperado, ele se escondeu em meu pescoço. Chorando e soluçando.

Era o ciúme falando.

— Não. Tony quer a mamãe dele.

Afastou as mãos de Emmett que tentavam pegá-lo. Sacudiu a cabecinha afastando o consolo de Edward também.

— Parabéns de novo! Era isso que queriam? Eu preciso mesmo saber o que aconteceu com as promessas que me fizeram no Brasil?

— Agora não, Charlie.

Mamãe o repreendeu.

— Não, vovô. Tony quer a mamãe.

Também afastou Charlie continuou a chorar.

— “Pol que”, mamãe? Tony não quer “outlo” bebê. Já vai ter um lá em casa. A gente não “plecisa de outlo”. O titio Jas vai “embola”. Tony não quer.

— Ei, ei... Eu não vou embora. Eu... Pequeno, o titio está aqui... Desculpa, Bella. Desculpa. Eu não pensei que ele reagiria assim...

— Não! Tony só quer a mamãe. Vamos “pala” casa, por favor, mamãe linda?

— Depois conversamos, Jasper. Vou tentar acalmá-lo. E explicar as coisas. Por favor, conversem. Resolvam as coisas. É por esse caminho mesmo que quer ir, pai? De novo?

Segurei- o com mais firmeza e me dirigi para dentro da casa.

— Onde está a bolsa dele?

— Na sala.

— A mamadeira está lá?

— Está.

Troquei algumas palavras com Emmett antes de sair. Edward me seguiu até a sala de televisão onde me sentei no confortável sofá. Antony aninhado a mim, soluçando...

— Xiii, tá tudo bem. Estamos aqui. Não precisa chorar. Tá tudo bem, Campeão... Por que da mamadeira? O que Emmett está fazendo?

Edward alisava o cabelo dele e o beijava com carinho... O consolando... O mimando.

— Vai chorar até ficar exausto e dormir. E como só tomou café...

Dei de ombros.

— Sempre carrega a mamadeira? Sempre espera por uma situação dessas?

Deitei Antony no braço e coloquei os pés em cima do sofá, Edward se abaixou e tirou minhas sandálias.

Por Deus! Que homem era aquele?

— Não espero por uma situação dessas, porque não é sempre que meus irmãos anunciam que engravidaram suas namoradas, mas... Carrego para quando ele está mais luxinho... A psicóloga disse que a mamadeira é um gancho para o controle dele. A primeira infância... Onde tudo gira em seu entorno.

— Aqui...

Emmett entrou, viu o que Edward estava fazendo, e não comentou nada. Só me entregou a mamadeira.

— Tudo bem lá?

Perguntei tirando a tampa e testando a temperatura, certinha, do leite que meu filho amava.

— Nem Charlie nem eu daremos um show, Bella. Só temos “os dois pés atrás” e não pode nos culpar por isso. Mas, não se preocupa com lá. Vovó, mamãe e Esme têm a situação nas mãos. Controle aqui.

Sem mais delongas se afastou. E eu voltei a pensar só em meu filho.

— Aqui, Filhote. Tio Memmett fez.

Edward se sentou a meu lado, puxou meus pés para seu colo e os massageou.

Era bom!

— Mamãe, “pol que”... Titio Jas... Vai casar? “Pol que”... Ele vai ter um bebê? Já tem o Tony.

Soluçou e chorou a cada palavra. O puxei mais para perto e coloquei a mamadeira em sua boca.

— Tio Jas ama a tia Alice há muito tempo. Eles merecem uma vida juntos. Formar uma família. Ele não vai embora. Você vai vê-lo e tê-lo sempre. Seu lugar é só seu, Amor... Além disso, é mais um priminho ou priminha pra você brincar e...

— Não! Tony não quer.

Voltou a chorar alto.

— Ei, ei... Pensa... Você vai ser o primo mais velho. Vai poder ensinar seus primos a andar a cavalo, ordenhar, controlar os pivôs. Já pensou? Eles terão que te obedecer e te acharão o mais legal de todos. É legal ter primos... Eu amo os meus... Pensa em como vai ser divertido quando forem no pula-pula grandão...

— O pula-pula do Antony?

— Isso, o pula-pula que eu vou montar para você lá na minha casa com paredes e piscina.

— Tem piscina na sua casa de ”paledes”?

— Tem. Eu não te contei?

Ele negou com a cabecinha. Os olhos já meio fechados, a mamadeira na boca, e escutando as palavras de Edward.

— Ah, como me esqueci? Tem uma piscina lá na minha casa e eu comprei uma bóia bem grandona do Mufasa pra gente brincar quando você for lá. E sabia que minha piscina é quente e coberta? A gente vai poder nadar quando estiver chovendo e como a casa também é sua, vai poder levar seus primos e ensiná-los como colocar a bóia e nadar. Primos mais velhos são os melhores e...

Fui passando a mão em seu cabelo e Edward falando e falando... Até que ele dormiu.

Quando percebeu que estava tudo seguro, ele se levantou pegou a manta, do outro sofá, e estendeu sobre nós. Depois sentou na outra ponta e abriu os braços, me chamando...

— Vem. Estou com saudades.

— Também estou.

Eu fui. Nem me importei onde estávamos e quem poderia entrar. Eu só queria o conforto dele.

— O que a psicóloga disse desses ciúmes? Ele gruda em você quando está assim.

— Ele sabe que não vou deixá-lo. Nunca!

— Como?

Puxei mais a manta, me cobrindo e cobrindo Edward também. Forks e seu frio de sempre.

— A psicóloga disse que ele associa medos de perda a todas as outras pessoas, menos a mim. Sabe que sou a mãe e que daria a vida por ele. Graças a Deus, não sabe do quanto perto cheguei de...

— Não. Nem pense nisso. Você não fez. É o que importa e merece o mundo por causa disso. Não nuble esse presente maravilhoso com pensamentos do que poderia ter feito de errado. Você me ensina todos os dias.

Ele não imagina o quão perto estive... Ele não faz ideia do tamanho do arrependimento. Se Antony não existisse, eu... Estaria perdida.

— A reação é sempre exagerada, foi assim com Emmett. Agora ele vai ficar alguns dias arredio e evitar Jasper e Alice. Vou esperar ele se acalmar, a ideia fixar em sua cabecinha e depois os reaproximo. Você levantou outra perspectiva, talvez eu não precise interferir.

— Duvido. Ele é obstinado como a mãe. Da onde surgiu aquilo do dinheiro?

Apertou-me mais em si, e beijou minha testa. O cheiro dele preenchendo cada espaço em mim.

— Quem tem culpa do seu carro ser pequeno e seu loft não ter paredes? Fica dando a impressão errada.

Havia humor em minhas palavras e ele simplesmente morreu quando ele puxou meu queijo, me fazendo olhá-lo.

— Eu quero isso, Bella, para sempre. Quero vocês nos meus braços todo fim de tarde e início de manhã. Quero consolar meu filho quando ele ficar enciumado. Quero que saiba que também passo segurança e que nunca o abandonarei. Quero seus beijos de frente a nossa família, quero te distrair de castigos por causa de patinhos em seus projetos. Quero massagear seus pés e sentir a textura de sua boca na minha sempre que estivermos perto... Quero você, Isabella Swan. Ainda não vou pressionar, porque prometi que seria tudo há seu tempo. Todavia, saiba, que não vou desistir, nem abrir mão. Se você sabia desde os seus catorze anos que me queria, eu sei desde que te perdi, que te quero... E quero... E quero. Desejo mais um desse...

Passou os dedos no cabelo de Tony.

— Mais dois... Três... Talvez até quatro. E teremos esse mesmo problema a cada vez que anunciarmos as novidades e os resolveremos. Porque estaremos unidos e conectados. Porque eu te amo e farei qualquer coisa por vocês.

E fechando, com chave de ouro, e... Não percebendo que eu chorava e que as palavras que ele desejava ouvir estavam bem ali, era só ele insistir mais um pouquinho,... Beijou-me.

Com saudades! Com Amor! Com promessas!

Edward Cullen me amava e eu acreditava nisso!

Notas finais
Bom, o próximo vai demorar um pouquinho porque ainda tenho a maior parte dos comentário do capítulo passado para responder ainda. Jéssica Himari, acabei de ver sua MP. Te respondo amanhã, tá? Beijinhos e nos vemos nos comentários.