Quando o passado não te deixa viver
29 Resquícios do Passado
Notas iniciais
Edward
Parado, na calçada, assistindo à camionete desaparecer em meio à escuridão, era a pior parte dessa reaproximação. Não parecia certo.
O ar chegava a faltar!
Cada fim de noite era a tortura personificada. Eu tinha medo de ser um sonho e que se os perdesse de vistas... Puff!... Desapareciam
Era doloroso!
A impotência de não tê-los, a todo momento, as vistas, machucava mais do que ferro em brasa em contato com a pele.
Eu os queria em casa, comigo!
Sim, na nossa casa. A casa que Bella desenhou e desejou. Mas, por Deus! Era cedo demais. Nosso relacionamento nem tinha um nome ainda. Se eu a pedisse em casamento, certo que me acharia um maluco. É, eu disse, pedir em casamento, porque só morar junto estava fora de cogitação. Primeiro porque nossos pais e padre Marcus nos matariam. E depois porque eu faria tudo certo dessa vez. Bella merece mais!
Então, era essa falta de segurança que me atormentava tanto? Ainda mais hoje?
Não sei, mas que algo incomodava, incomodava.
A noite estava mais escura e silenciosa que o normal. O vento forte deixava tudo mais frio e assustador ainda.
— Vamos, Edward, pare de surtar. Eles são seus.
Falei em voz alta enquanto voltava para dentro esfregando os braços, espantando a sensação ruim. Eu precisava me convencer daquele fato.
— Mas, então por que esse pressentimento não passa?
Massageei o peito, abafado, observando atento, mais uma vez a escuridão a minha volta. A lua não estava no alto do céu. Certamente escondida pelas enormes nuvens carregadas de chuvas.
— Se acalme, homem!
Resmunguei alto fechando a porta atrás de mim.
Contudo, não adiantou. A clínica e o loft nunca pareceram tão vazios e escuro.
E aquela coisa ruim, não passava.
— Você precisa é de um banho quente e cama, Cullen.
Com esse pensamento em mente, mais do que depressa, peguei a maleta, chaves, celular e comecei a apagar tudo, pronto para ir para casa. Todavia, ao passar perto da cama algo chamou minha atenção, reviveu uma conversa de hoje mais cedo e por fim, deu nome ao que me incomodava desde que Bella e Antony partiram: presságio.
— “Vovó diz que o problema dela nem o “Senor Olhelhudo lesolve”.
— Jesus!
Exclamei já agarrando o coelho e tudo mais, com uma só mão, porque a outra eu usava para apagar as luzes, trancar as portas e acionar o alarme.
Quando cheguei ao estacionamento subterrâneo estava sem fôlego e mais transtornado do que nunca.
— Idiota! O tempo passa e você não aprende, Cullen! Idiota!
Bati, raivoso, no volante enquanto manobrava e aguardava o maldito portão eletrônico, para lá de devagar, se abrir totalmente.
— Os traumas, seu bastardo! A família dela nunca a deixa dirigir a noite sozinha. Ela te contou dos traumas. Onde estava com a cabeça quando não a impediu de partir? Ou a seguiu?
Ganhei as ruas ainda me recriminando. O motor do carro rugia, de tanto que o exigia...
— Droga de carro pequeno e lento!
Ah, mas eu resolveria esse problema e seria logo.
— Vamos, vamos!
Quando alcancei a saída da cidade, estava à cerca de 120 Km/h. Era a imprudência em pessoa e sabia que multas chegariam daqui a alguns dias. Mas quem se importava? Eu tinha prioridades.
Assim que cheguei à rodovia um relâmpago cortou o céu, segundos depois o estrondo do trovão veio alto e forte me fazendo quase perder a sanidade de vez.
— Ah não! Colabora aí, “São Pedro”! Espera só mais um pouco.
O caminho estava tomado pela escuridão e uma chuva barulhenta agora só pioraria as coisas.
E foi pensando nisso que atingi, sem medo, a marca de 150 Km/h. O Volvo parecia deslizar com a alta velocidade.
— Onde está, Amor? Será que você conseguiu e estou, mais uma vez, agindo como um babaca?
Eu olhava, atento, em todas as direções a procura de algum sinal, qualquer sinal, e nada.
Isso era bom, não era? Significava que, há esta hora, provavelmente Bella e Antony já haviam chagado a Sonho Azul.
Porém...
— Ah não! Por favor, Deus? Por favor...
Minhas esperanças foram “por água abaixo” quando avistei ao longe, coincidentemente ou não, no mesmo lugar em que tio Charlie e ela sofreram um acidente anos atrás, um carro no acostamento com os faróis ainda ligados.
— Não são eles, não são eles...
Rezei entoando um mantra positivo, contudo as coisas não estavam a meu favor naquela noite.
— Porra!
Tornei a bater violentamente no volante já jogando o carro para a direita e parando, agora visível, atrás da camionete: eram eles.
Desliguei o Volvo e acionei os faróis altos, eu precisava de toda claridade para entender o que tinha acontecido.
Xinguei mil palavrões ao me enrolar com o cinto de segurança, minhas mãos tremiam.
A princípio pensei que Bella poderia ter perdido a direção e saído da pista, apesar de dirigir desde os 13 anos, porque sim tratores e colheitadeiras contavam, mas ninguém é perfeito. Vai que perdeu o controle. No entanto, logo descartei essa hipótese ao vistoriar a pista e ao redor da camionete, tudo estava em seu devido lugar, sem marcas no asfalto ou na vegetação. Sinal claro de que estacionou, não derrapou. Graças a Deus!
Contudo, minha onda de alívio durou pouco. Minha segunda opção para o carro estar naquela situação era um assalto. Pensem... Mulher bonita, bem sucedida, carrão, com criança somente... Ah... Para muitos, sinônimo de fragilidade.
— Putz!
Quase enfartei com essa possibilidade. Mas, o veículo estava intacto. Nenhum assaltante o deixaria para trás, a não ser que... Não! Sequestro estava fora de cogitação. Forks era pequena demais para essa possibilidade.
Assim, esgotada as alternativas e rezando para que estivesse certo, encostei a cabeça no vidro da porta, fiz concha com as mãos e tentei visualizar alguma coisa lá dentro.
Nada! Estava tudo um “breu”!
Todavia, foi o que ouvi que fez meu coração gelar: Bella chorava! E os soluços eram altos e sem controle.
Nem pensei... Levei à mão a maçaneta e forcei: estava trancado.
— Bella?
Chamei baixo afim de não assustá-los mais. Ninguém respondeu.
— Bella?
Tentei de novo. Nada!
Sem mais o que fazer e quase me rendendo ao desespero, bati... Bati, como um louco, no vidro enquanto chamava com sofreguidão.
— Abra! Agora!
Por favor, por favor... Eu segurava o tremor. Mas não dava para disfarçar na voz. As lágrimas já ameaçavam rolar.
— Abra agora! Ou vou quebrar!
E foi então que o silêncio ficou mais intenso, ela parara de chorar. Era a minha deixa... Literalmente “soquei” o vidro a minha frente.
— Abra, Isabella! Abra agora!
Bella
— Abra, Isabella! Abra agora!
Por Deus!
Pulei em meu lugar, afastando-me o máximo que consegui da porta. O estranho lá fora sabia meu nome.
— Abra!
Voltou a forçar a porta pela maçaneta.
Rapidamente. Peguei o celular na bolsa, só para me certificar do que já sabia, não tinha sinal.
— Abra!
Meu algoz parecia cada vez mais impaciente e eu mais aterrorizada. Sabia que nada o conteria por muito mais tempo.
Porém, nada no mundo me preparou para o que veio a seguir.
— Mamãe?
Imediatamente senti o toque de mãozinhas quentes em meu ombro.
— Shiii! Fica caladinho, filho.
Virei para trás e coloquei as mãos em seu rostinho sonolento e muito assustado.
— Vou tirar a gente daqui. Não fica com medo. Só me dê um tempinho e...
— Abra, Bella!
Voltei a me assustar com mais uma batida forte. Minhas mãos não mais tremiam, balançavam agora. As lágrimas insistentes nublavam minha visão por completo.
— Abra!
— Mamãe?
— Shiiii, calma! Nós vamos sair daqui. Vamos sim.
Apalpei seu corpinho, voltei a cobri-lo e me virei para frente, de novo, tateando, às cegas, a chave e a ignição.
— Abra, Bella. Estou ouvindo vocês. Pelo amor de Deus, sou eu.
Ele sabia meu nome e apelido. O invasor me conhecia mesmo. O desespero triplicou tanto que voltei a me debruçar sobre o volante e chorar de desespero. Eu não conseguiria dirigir daquele jeito. Não nos tiraria daquela situação. Não salvaria meu Pequeno do perigo iminente. Bela mãe eu sou!
— Mamãe, “abla a polrta, é o titio “Edwald”. Ele não é “peligoso”, Tony o conhece.
— Não é, filho. Não é ele... Eu queria que fosse. Fica quietinho e caladinho, só mais um pouquinho. Deixa a mamãe pensar.
De repente as mãozinhas quentes voltaram a me tocar, acariciando. Ele devia estar totalmente inclinado para frente.
— Escuta com o “colação”, mamãe. É o titio. “Abla a polrta”. Tony não consegue, as “detlás” estão “tlavadas” e as da “flente” Tony não alcança “polque está pleso na cadeilinha”. Por favor, mamãezinha, não “chola”. É só “ablir”.
— Bella? Amor, sou eu. Por favor, por favor... Estou ouvindo vocês. Sou eu... Tony?
— Mamãe?
Tony não chorava alto, mas era evidente que estava assustado e se segurando. A voz estava baixa e chorosa.
— Amor? Sou eu... Bells?
— Mamãe?
E então em um minuto de consciência. Um minuto onde as duas vozes se juntaram e chamaram ao mesmo tempo...
— Edward? É... É ele?
— É, mamãezinha.
Eu sou fraca!
Eu fui fraca!
— Eu... Eu, vou tentar!
Por meu filho, forcei a mente a clarear, respirei fundo e antes que me deixasse dominar outra vez pelo terror, levei à mão a maçaneta e abri.
— Graças a Deus! Graças a Deus!
— Ah, Edward!
Ao mesmo tempo em que destravei o cinto, fui puxada para fora e escondida em seus braços.
Sem dúvidas, era o melhor lugar do mundo para estar.
Edward
A prendi em meu peito. Aspirei intensamente em seu pescoço. Beijei cada parte que minha boca alcançava: ombro, orelha, bochecha, cabelos. Ao mesmo tempo em que as mãos tateavam-na incontrolavelmente a procura de qualquer ferimento.
— Eu fui ao inferno e voltei mil vezes, Bella. Eu temi tanto, tanto.
— Antony... Tire Antony, ele está assustado.
Ela murmurava em meio a meu ataque de reconhecimento. E como sempre, se preocupava com nosso filho.
Receoso que, se a soltasse ela desabaria ao chão, porém preocupado com Tony, a encostei de volta ao carro e rapidamente abri a porta detrás.
— Eu sabia... Tony sabia que “ela” você. “Po lisso” não ficou com medo nem “cholou” alto.
O liberei da cadeirinha e peguei os braços que se estendiam em minha direção.
— Já passou, Campeão! Já passou. Não se preocupe. Estou aqui! Sempre irei até vocês.
O segurei firme e voltei para perto de sua mãe trazendo-a de volta para meus braços e abraço triplo.
Nós três chorávamos!
— Desculpa o Tony, mamãe? Eu não vou mais falar coisas feias. Tony te ama “semple” só ficou “blavo polque” não queria estudar. Tony não queria sem um menino mau e deixar a mamãe “tliste”. Desculpa o Tony, Mamãezinha?
Segurou o pescoço dela exigindo, implorando pelo conforto do colo da mãe.
— Oh Deus! Não foi você, filho. Não foi sua culpa. Você nos salvou, como sempre. Mamãe que é fraca. Eu só tenho que agradecer a Deus por você. Perdoa a mamãe, bebê? Perdoa? Eu que nos coloquei em perigo. Sou uma fraca atormentada pelos pesadelos e que não consegue nem dirigir a noite. Perdoa a mamãe, Filhote.
— Já passou. Se acalmem. Já passou...
Esfreguei as costas dela e acariciei os cabelos dele, com o nariz.
Agora dava para entender melhor a situação, ela travara bem no lugar onde ocorrera o acidente anos atrás. Os pesadelos dela e o motivo que evitava, a todo custo, dormir muito, eram os pesadelos.
— Tá tudo bem... Shiii. Já passou.
Continuei afagando e pensando em mil maneiras de ajudar com os problemas psicológicos dela.
Foi então que quando, em meio a nossa seção conforto, um carro passou, piscou os faróis e parou logo à frente, que me dei conta da hora e de onde estávamos.
Os segurei mais forte, bem no momento que um homem veio correndo em nossa direção.
— Tudo bem aí, amigo? Estão precisando de socorro?
Eu não o reconheci, estava escuro. E apesar de achar louvável sua atitude de parar a noite para dar socorro, não estava confiante de suas intenções.
— Tá tudo certo. Obrigado! Já estamos indo. Foi só falta de água. Graças a Deus eu estava atrás.
Não soltei Bella, nem Antony. Não os queria mais assustados. Mas pude sentir quando ela voltou a tremer.
Imaginei que se eu tivesse me atrasado mais um pouquinho. Seria esse desconhecido a socorrê-los?
Estremeci com a ideia.
— Mulheres... Esquecem do básico. É melhor saírem daqui. Tá vindo uma das grandes por aí.
— Certo. Obrigado. Já estamos indo.
Ignorei a maneira idiota com que mencionou as mulheres. Se ele imaginasse o quanto Bella é mais forte que eu... Contudo, de uma coisa ele estava certo, choveria em breve.
— Sua mulher e seu filho têm sorte de que estava atrás. Esse ponto da rodovia é perigoso. Charlie Swan já mandou consertá-lo muitas vezes, desde que a filha bonita dele quase morreu aqui, mas anda precisando de reparos outra vez.
Filha bonita... É, graças a Deus que eu estava atrás. Não queria aquele desconhecido nem a meio metro de “minha mulher e meu filho” como ele mesmo disse.
— Tony quer ir “pala” casa. Tá “flio”.
— Nós já vamos.
Acalmei meu Pequeno que com certeza estava curioso e incomodado com o sujeito especulativo de intenções duvidosas.
— Mais uma vez, obrigado! É bom saber que ainda existem pessoas boas no mundo.
Ele não respondeu, só tocou a aba do chapéu e se afastou quando percebeu que eu já encaminhava Bella para a porta do passageiro.
Arrancou sem esperar por nós.
— Quem era?
— Não sei. Mas, já foi. Venha, vou colocar Antony na cadeirinha e te ajudo a...
— Não, por favor. Antony quer ir “gludadinho” na mamãe dele. “Plomete” ficar quietinho. Só não quer ficar “solzinho lá tlás”.
— Campeão, a cadeirinha é mais seguro e...
— Por favor, titio. Por favorzinho...
Juntou as mãozinhas, em prece, quando o coloquei de pé em cima do banco. Olhei para Bella em busca de ajuda, porém, ela estava mais assustada do que nunca.
— Não sei se consigo dirigir sozinha, Edward. Deixe que ele venha a meu lado. Vou devagar. Queria pedir que nos acompanhasse até a Sonho Azul, preciso ver seus faróis pelo retrovisor. Sei que vai te atrasar, que já está tarde, mas, mas...
— Mamãe, não “chola” mais. O Tony tá aqui.
Com a astúcia de uma criança esperta, ele passou entre os bancos e foi para a mãe.
— Está maluca se acha que vou deixá-la dirigir nesse estado. Vamos, entre e sente. Vou levá-los em casa.
— Mas, Edward... Seu carro. Ele não pode ficar ali. É perigoso e...
— Não só posso, como vou. Esperem um minuto. Não se assustem, vou estacioná-lo direito, apagar os faróis e trancar. Vai ser rápido, eu prometo. Esperem aqui.
Antes que ela tentasse me impedir, ajudei-a a entrar e sentar, no lado do passageiro, fechei a porta. Corri para o lado do motorista, retirei a chave da ignição, fechei a porta e acionei as travas, os trancando do lado de dentro. Eu não correria o risco dela se deixar dominar pelos medos de novo e perder o sentido de onde estavam.
— Rápido, Edward. Rápido...
Fiz o que prometi. Tentei, ao máximo, esconder o Volvo no acostamento o mais afastado possível da visão de quem quer que passasse pela rodovia, mas sabia que seria um risco. Só esperava que o seguro cobrisse abandono, caso algo de pior acontecesse.
— Pronto!
Voltei correndo para junto deles. Os primeiros pingos de chuva começavam a cair.
— Venha aqui.
Peguei a manta na cadeirinha de Antony, a chamei para mais perto e os cobri quando colocou a cabeça em meu ombro.
Meu Pequeno estava mesmo grudadinho nela com braços e pernas.
— Desculpe por tudo isso? Eu não queria incomodá-lo tanto. Se algo acontecer com seu carro eu...
— Shiii. Fique quietinha, Swan. Vamos para casa, porque tem um rapazinho louco por um leite. Não é?
— Na “dedeila”.
— Isso na mamadeira.
Ajustei o banco, porque literalmente, Bella tinha pernas pequenas, e com muita atenção dei seta para a esquerda já colocando o carro na rodovia.
— Tá tudo bem, por que não fecha os olhos e descansa? Essa posição é ruim.
Passei a mão por seu ombro e a acariciei. Vantagens de carros automáticos não precisa ficar trocando de marcha, ou seja, não precisava das duas mãos na direção, só dessa vez...
Dava para segurá-la mais perto.
— Não consigo. As mãos não param.
Estendeu a mão direita que tremia muito.
— Já, já vai passar.
Segurei sua mão com força e a trouxe para meus lábios.
— Vou levá-los em segurança.
Entrei a esquerda já pegando as estradas de terra e os limites da Paraíso. Já estávamos em casa.
— Por que não se deita? Antony está cochilando. Vou devagar, Bella. Nada vai acontecer.
Não, não era imprudência. As estradas da Sonho Azul e da Paraíso eram diariamente arrumadas pelas máquinas das fazendas. Ai de uma rodovia para ser tão conservada como as nossas.
Além do mais, as pernas dela pulavam no lugar. Estava nervosa e trêmula. E Antony com o pescoço numa posição ruim, mesmo ela o segurando como um bote salva vidas.
Estávamos perto da Paraíso agora.
— Como soube que éramos nós.
Segurou em minha mão quando a estendi para que firmasse e levantasse as pernas sobre o banco.
— Não sabia. Algo me mandava ir rápido atrás de vocês e foi o que fiz. Você não tem noção do que senti quando percebi que eram vocês. Por que parou Bella?
Acariciei os cabelos de Antony, que dormia, depois a descansei sobre as duas mãos dela que seguravam nosso filho com tanto cuidado.
Ela estava exausta, tremendo e certeza que pálida. A escuridão me impedia de observar com mais atenção.
— Não tive alternativa. Tudo estava bem, mas aí passamos por aquele trecho e... Não sei o que acontece comigo, Edward. O ar faltou, acho que a visão ficou turva e o carro trepidou. Parei antes que causasse um acidente.
— Não reconheceu minha voz?
Ela não respondeu de imediato. Aproveitei o momento para contemplar a bonita fachada da sede da Paraíso, ainda bem iluminada. Obviamente esperando Alice.
— Não. Acho que em certo momento não sabia mais o que era realidade, pesadelo, mentira ou verdade. Se Antony não tivesse me alertado creio que não teria aberto a porta para você até agora.
— Ele é esperto.
— Meu sonho em meio à escuridão.
Passamos de frente a minha casa. A nossa casa, o desejo dela concretizado. Minhas terras, nem a sede tinham um nome, eu não quis escolher sem ela.
— Promete para mim que nunca mais dará uma de forte e independente nessa situação, Bella? Deixe-me acompanhá-los da próxima vez? Não me faça te obedecer? Não use minha vontade de querer agradá-la sempre, numa situação como essa. Vocês não merecem passar por um desgaste emocional destes. E eu não posso mais acreditar que algo de ruim aconteceu, Amor. Promete para mim? Deixa eu te trazer da próxima vez? Prometo que enfrento o mundo, desmarco qualquer compromisso, só não nos deixe passar por essa situação outra vez.
Parei e desliguei o carro bem de frente as varandas da casa sede da Sonho Azul, todas as luzes de fora estavam acesas, certamente a espera deles.
— Tudo bem, Edward. Desculpe-me? Às vezes quero que isso tudo passe, mas parece que não vou me curar forçando. Não sei mais o que fazer. Eu só queria que tudo passasse. Não gosto de ser dependente. Ainda mais que Jasper vai se casar. Como ficarei depois disso?
— Ficará comigo, Minha Vida. Comigo...
Baixei a cabeça e beijei seus lábios. Era o nosso tchau, porque barulhos no interior me certificaram que não teríamos uma devida despedida.
Charlie
Como toda noite, acordei com o barulho da camionete de Bella passando pelos estrados da entrada. Como o carro é pesado, seu barulho peculiar sempre me alertava. O que era bom, porque gostava de saber que estavam em casa.
Porém, naquela noite foi diferente... Consultei o relógio, 23hs o que era relativamente cedo para os horários malucos deles. Prestei mais atenção: ela desligou o veículo, não desceu, nem o guardou na garagem lateral. Parou de frente a nossa casa. O que era, no mínimo, estranho.
Ela voltaria a sair?
Fiquei mais alerta e aguardei, aguardei e aguardei... Silêncio total. Nada do barulho de Jasper e sua música diária, que é a primeira coisa que ele liga quando entra num carro.
— Pai! Algo está errado.
Emmett bateu na porta do quarto, ele também percebeu.
— Ah, droga!
Joguei os edredons para o lado e pulei da cama.
— O que foi? Onde está indo homem?
Renée, ainda meio sonolenta, se assustou com meu rompante.
— Bella chegou sozinha e não desceu. Algo está acontecendo.
Ela nem precisou ouvir mais, se levantou vestiu um roupão, por cima da camisola e saiu comigo a passos rápidos rumo à sala.
— Está silencioso demais. Jasper não está com ela. Por Deus!
— Se acalme, Emmett! Vai assustar sua mulher. Eles devem ter vindo num carro só e estão conversando alheios a nosso desespero. Pense positivo.
Renée tentava nos consolar, mas eu sabia... Sabia que algo não estava certo. Jasper sabe que não descansamos tranquilos enquanto Bella não chega. Ele nunca faria isso.
— Tudo bem. Só deixe-me pegá-lo para que não caiam.
Aquela não era a voz de Jasper e quando percebi isso, corri pelo corredor até chegar à sala, acender todas as luzes e abrir a porta. E então dar de cara com Edward Cullen com meu neto no colo e um braço em volta de uma Bella mais branca do que papel.
Era muita audácia daquele moleque.
— Bella? Filha? O que aconteceu?
Renée percebendo algo que minha raiva não permitia, passou a minha frente e segurou nossa filha pelo outro braço e só então coloquei os olhos nela com mais atenção para perceber que seus lábios estavam roxos e que as mãos tremiam.
— O que você fez?
Emmett gritou e se eu não tivesse ocupado demais arrancando Antony dos braços dele, também teria ido para cima.
— Mamãe? Antony quer a mamãe dele. Solta! Solta!
Tony se assustando com o movimento e gritos, não reconheceu meus braços e se debateu.
— Calma todos vocês. Estamos bem. Tive uma crise no meio da estrada e Edward nos achou e... Emmett, não ouse.
Parou o irmão com um só olhar. E dizem que mulheres são o sexo frágil.
— Mamãe? Mamãe do Tony?
Ela e o filho falavam ao mesmo tempo e ninguém entendia nada. Só quando Renée conseguiu a sentar no sofá foi que pode me olhar nos olhos.
— Pai, não foi ele. Se acalme. Emmett! Tire suas mãos dele. Por favor, eu... Eu...
— Parem! Todos vocês!
Renée gritou fazendo com que Emmett e eu nos mantivéssemos parados.
— Leah, pegue minha maleta no escritório, depois volte para seu quarto. Sua pressão não pode subir. Falando em pressão...
Olhou para o filho de Esme indagando-o daquele jeito que só os malditos médicos faziam, sem precisar de palavras.
— Baixa, tia. Muito baixa. Está gelada e os lábios roxos. Assustou-se muito.
— Mamãe? Tio “Edwald” leva o Tony para a mamãe dele...
Tony continuava agitado em meus braços.
— Ei, Campeão. Venha aqui.
Fez menção de pegá-lo e não pude segurar quando meu neto, isso mesmo, o meu neto se inclinou todo para o lado do... Do... Pai dele.
— Não precisa chorar. Está todo mundo preocupado com você e a mamãe. Respire fundo e se acalme. Está tudo bem agora.
Levou-o para perto da mãe, porém não o deu a ela.
Renée já checava batimentos e pressão.
— O que aconteceu? Se você, se você... Eu juro que...
— Pai, por favor...
O fio de voz dela e as grossas lágrimas derramadas me refreavam. Eu não poderia feri-lo na frente deles dois.
— Bells...
Emmett, mais prudente que eu, se sentou do outro lado da irmã e segurou sua mão. Edward se ajoelhou a seus pés de maneira que Antony tocava a mãe, mas permanecia em seu colo, não atrapalhando Renée que ainda fazia a checagem. Leah se retirara para a cozinha, provavelmente em busca de algo para acalmar os ânimos.
— Jasper se atrasou, e eu queria vir para casa. Achei que conseguiria. Ele vai se casar, você terá um filho... Quero ser independente. Mas, não consegui, Emm. Não consegui. Parei no meio da rodovia, travei tomada pelo horror. Se não fosse por Edward... Eu nem sei...
— Eu vou esmurrar aquele bastardo que não faz a sua parte. E depois vou te colocar de castigo, mocinha. Onde já se viu? Perdeu a noção, Isabella?
— Não sou obrigação de meus irmãos, pai. Eles têm suas vidas. Eu preciso tomar as rédeas da minha.
— Shiii. Fique quieta, querida. Só relaxe.
— Ah não, mãe....
Reclamou quando percebeu que a mãe retirava uma seringa da embalagem.
— Saia, Emmett! E sim, é assim que fala com a mamãe... Está agitada demais e com a pressão lá em baixo. 10x6. Vamos controlar isso.
Expulsou Emm e apontou para que deitasse a irmã. Aplicou uma medicação na veia. Certeza de que apagaria em questão de minutos.
— Olha aqui o que a titia trouxe.
Leah balançou uma mamadeira e Tony, ainda assustado e perto da mãe, aceitou-a de bom grado.
— Me dê ele, Edward. Vai dormir rapidinho também.
Edward o colocou sobre o peito dela. E só soltou quando percebeu que se mantinha firme.
— Vovozinha, Tony não quer “dolmir no qualrto” dele. Quer ficar com a mamãe. Não “tila” o Tony dela? Está “flio e palece” noite de pesadelos.
— Tá bom, Amor. A vovó vai levar você para o quarto assim que sua mãe dormir e seu avô levá-la para cama. Ficaremos juntos. Não vai ter pesadelos. Pode dormir tranquilo.
Antony concordou já fechando os olhinhos.
— Pai, preciso que alguém leve Edward até a rodovia. O carro dele está lá.
— Emmett fará isso. Pode dormir.
— Eu não!
Emmett respondeu de imediato. E ela voltou a abrir os olhos atenta e brigando com o remédio.
— Tudo bem, Bella. Vou para casa. Pego o carro amanhã. Alice me leva e... O que está fazendo?
— São 12km daqui até a sua casa. Se após nos socorrer ninguém puder te levar, eu levarei. Depois dormimos na sua casa.
Fez menção de se levantar, mas Edward a segurou em seu lugar.
— Você tomou uma medicação. Precisa ficar quietinha e deixar que faça efeito. Eu dou um jeito. Vou ligar para meu pai se isso te deixa mais tranquila.
— Não! Está aqui por minha culpa. Se meu pai e meu irmão não podem ser gratos, meu filho e eu somos. Eu vou e...
— Você vai se deitar aqui e dormir. Emmett vai levá-lo. Tem minha palavra. Quem manda nessa casa?
Fui para perto dela e segurei seus ombros impedindo-a de se levantar.
— Você manda, pai.
— Isso!
Beijei seu rosto, peguei a manta que estava no encosto do sofá e coloquei sobre ele.
O garoto de Esme permaneceu ajoelhado ao lado da cabeça dela, até que a respiração se acalmasse. As mãos nunca deixando minha filha ou meu neto.
Eu queria arrancar-lhe dali.
— Obrigada, Edward. Se não fosse por você...
— Shii, durma. Isso nunca mais vai se repetir. Nunca mais vai passar por um desespero como o de hoje. Estou aqui, bem aqui.
E para completar, ele a beijou na testa. Bem aqui, dentro da minha casa, debaixo de meus olhos. Ele estava brincando com fogo, só pode. Ou então estava confiante demais dos sentimentos que tinha por eles que ousava a me desafiar.
— Pronto! O remédio fez efeito. Vai dormir até amanhã. Não se preocupe, querido.
— Foi assustador, tia. Ela ficou tão apavorada que não reconhecia minha voz, não abria a porta.
— Em que ponto da rodovia?
Emmett estendeu a mão e o ajudou a ficar de pé. A animosidade se dissolvendo a medida que percebíamos que ele não era o vilão daquele incidente.
— No exato lugar do acidente.
Senti o baque. A culpa veio forte. Não era para ela estar comigo naquele dia. Não era para eu tê-la impedido de dirigir. A culpa dos traumas de Bella era mais minha do que dele, isso era fato!
— Graça a Deus você estava perto.
— Esse é o problema, tia. Eu não estava. Nem sei dizer quanto tempo permaneceram dentro do carro a mercê de outros perigos. Eu demorei a sair de Forks, só quando algo doeu aqui que...
Colocou a mão sobre o peito.
— Foi que me lembrei de uma conversa que havia tido com Tony mais cedo. Eu corri o máximo que pude. Só de pensar que algo pior poderia ter acontecido eu...
— Não se recrimine, rapaz. Você os encontrou e trouxe para casa. Está tudo bem agora. Vá buscar seu carro. Emmett te levará.
— Não precisa mesmo, senhor Swan. Vou a pé. 12 km não são nada. Pego o carro amanhã e...
Ele não mais me chamava de tio? Por que essa informação incomodou tanto?
— Você socorreu meus bens mais preciosos. É hora de retribuir. Emmett...
— Sim, senhor. Volte para a cama e se acalme. Volto já.
Despediu-se da esposa com um beijo nos lábios e se dirigiu a porta. Os seguimos com Renée segurando o braço do filho de Carlisle.
— Obrigada! Fico tranquila de saber que ouviu seus instintos. Isso é coisa de quem ama, de pai... Sensações te dominam quando o seu nome muda.
— Isso não vai se repetir, tia. Nunca mais a deixarei vir sozinha. Eu prometo.
— Ah, mas não vai se repetir mesmo...
Apontei para os faróis que atravessaram a entrada da Sonho Azul: era Jasper.
Edward
— Bom, boa noite a todos. E qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo é só ligar.
Beijei tia Renée, no rosto e me despedi. Jasper estacionava e eu não queria estar ali para ver a ira de tio Charlie recair sobre ele.
— Vá tranquilo. O calmante é forte. Será um sono sem sonhos até amanhã. Se cuidem e atenção na estrada.
Acenei em concordância e ia me dirigindo para o lado do motorista quando Emmett me parou.
— Nada disso, você dirige Cullen, ainda estou meio sonolento.
— Então tá. Vamos lá.
Entrei, fechei a porta atrás de mim e já prepava para sair quando um Jasper eufórico e visivelmente nervoso alcançou a entrada.
— Onde está Bella? A ultra da Alice atrasou. Não tinha sinal na rodovia. Só vi suas mensagens e recebi as notificações de “te ligou” quando entrei em Forks. Ela veio sozinha? Por que o carro do Edward está na rodovia? Eles estão bem? Deixei Alice desesperada na Paraíso tentando falar com o irmão. O... o que ele faz aqui? No carro da Bells?
Parou de imediato quando me percebeu atrás do volante com Emmett ao lado.
— Ele fez o que você deveria ter feito, seu irresponsável. Vá para o escritório e me espere lá. Vou colocar Bella e Antony na cama e resolveremos nosso probleminha, seu Jasper.
Antes que as coisas ficassem mais feias e Jasper mais constrangido, coloquei o carro em movimento. Afastando-nos, ao máximo, da provável confusão de pai e filho.
Ao mesmo tempo, distanciando e deixando meu coração e mente com minha mulher e filho.
— Pretende chegar ao seu carro ainda nesse século, Cullen? Eu gostaria mesmo de ver meu filho nascer.
— Tem razão. Desculpe! Vim com cuidado porque Bella estava deitada no banco. Acho que ainda não me libertei do susto.
— Sei.
Pisei mais no acelerador exigindo e sendo correspondido pelo potente 4x4.
— Como ela estava?
Emmett não se fez de rogado, nem precisava, eu sabia do que ele falava mesmo se não tivesse pronunciado as palavras.
— Desesperada, ou melhor, apavorada.
Apesar da nossa, agora habitual, falta de intimidade, o clima dentro do pequeno espaço era tranquilo. Bella ficaria orgulhosa em saber que o irmão não me matara em nossos primeiro cinco minutos sozinhos.
— Esse era um dos nossos receios ao voltar, as distrações. Sabíamos que não conseguiríamos cercar Bella aqui.
Por pouquíssimo tempo tirei os olhos da estrada e o observei.
— Você não imagina como é, saber que ela está tão a mercê de seus traumas aqui. No Brasil era mais fácil controlar, ignorar... Mas, aqui...
Ele olhava pela janela, além da escuridão. A mente vagando por lugares inalcançáveis para mim. Totalmente alheio a minha observação.
— Fugir ou colocá-la numa redoma não é a solução, Emmett. Bella precisa de ajuda para se curar e libertar.
— Tão fácil falar!
— Não, não estou dizendo que será fácil. Estou dizendo que com a ajuda certa...
— Ah, e a ajuda certa é você? O mesmo hipócrita de sempre.
Dei de ombros e fiquei alguns instantes em silêncio esperando que ele se acalmasse e voltasse a baixar a voz.
— Acho que toda ajuda é bem-vinda. E se eu for a solução... Farei o que for necessário já que sou um dos responsáveis pelas crises.
— É bom que saiba mesmo da sua parcela de culpa.
— Sei disso desde a noite que Bella desapareceu na floresta, Emmett. Eu a quebrei de várias maneiras e só Deus sabe como me arrependo. Tive ciência dos meus atos naquela época e tenho mais hoje. Todavia, não me condene para sempre, Emm. A vida, a perda, o sofrimento me ensinaram e vem me moldando desde aquela época. Sei o que quero agora. E sei das responsabilidades que seguem esse querer. Vou passar o restante dos meus dias compensando Bella e Antony, pode ter certeza.
— Conto com isso. Porque, pelo que parece, ela está decidida a te perdoar e dar outra chance. Mesmo que isso signifique comprar uma briga com papai e comigo. Todavia “suas mudanças” não o tornam um “bom samaritano”. Não acredito em você, Cullen.
— Não preciso que acredite, Emmett. Bella e Tony são meus alvos. Sua opinião não me interessa. Apresar de que, acho que Bella ficaria muito mais feliz com seu apoio.
— O que também não me impede de tentar fazê-los enxergar melhor. E por esse seu discurso já percebo que o velho Edward arrogante e egoísta está bem aí, debaixo dessa carapaça de bom moço.
— Do mesmo jeito que o Emmett rancoroso, que não sabe perdoar, nem dá segundas chances, também não desapareceu. E quanto à ameaça? Se nem eu consegui destruir o sentimento que Bella tem por mim, quiçá você. Teve quase cinco anos para isso e não conseguiu... Agora que tenho a oportunidade não vou desperdiçá-la. Se prepare para a derrota.
— Veremos!
Sorri de lado amenizando, outra vez a alteração de ânimos.
Porém, não teve mais conversa. Emmett era um maldito cabeça dura. Todavia, eu sabia que ele não seria mais grosseiro, pela irmã. Emmett não a faria sofrer, não intencionalmente.
Outra coisa que me deixou confuso, foi a ameaça velada. Só não entendi o que significava. Era melhor ficar alerta.
O clima não melhorou com o passar da viagem. A tensão não era palpável, só incomoda. Por isso, só relaxei quando entramos na rodovia asfaltada e já avistando meu carro.
— Você foi corajoso. Seu carro vale um bom dinheiro para ficar abandonado assim.
— Então fiz uma boa escolha, porque sua irmã e sobrinho não têm dinheiro que paguem.
Estacionei, ainda mais feliz por que chegara e poderia finalmente nos livrar da companhia um do outro.
— É, parece que falei cedo demais. Você tem companhia. Droga! Bella não tem uma arma. Se estivéssemos no meu carro...
— Não precisa. É o carro da Rósalie. O que ela faz aqui?
Descemos e antes que eu a abordasse, a porta se abriu e ela saiu nervosa e falando aos tropeços.
— Eu... Eu vi o seu carro e... O que aconteceu?
— Não aconteceu nada. Só fui levar Bella e meu filho para casa. O que faz aqui? Não finja que se preocupa.
— Eu... Eu...
Os olhos dela pararam em Emmett.
— Está entregue, Cullen. Nossa conversa foi boa. Se fizer o que disse, talvez eu possa até me arrepender.
— Arrepender?
— É. Você vai entender. Tenha uma boa noite, minha mulher me espera.
Em nenhum momento ele olhou na direção da filha de Esme, mas mesmo assim não perdeu a oportunidade de feri-la.
— Entre no seu carro e vá para casa, Rósalie. Você já fez demais. Não preciso da sua preocupação. É meu carro, minha vida, faço dela o que bem entender.
— Edward, por favor...
Emmett arrancou e ela ainda o observou atentamente enquanto saia.
— Se não partir agora vou antes de você e juro que não terei um pingo de remorso por te deixar no escuro na beira de uma rodovia, Rósalie. Suma da minha vida!
Porque uma coisa era eu conviver com meus remorsos, outra muito diferente era viver a borda dos dela.
Perdão não era uma palavra que eu diria com relação à Rósalie Cullen.
Fale com o autor