Quando o passado não te deixa viver
12 Quem são eles?
Notas iniciais
Bella
— Mãe, você acho que “vemelho” é cor de “mulhezinha”?
Com um sorriso no rosto, encarei meu pequeno pelo retrovisor interno da camionete.
Da casa de Charlie a de vovó era um trajeto mínimo, porém, se voltássemos muito tarde não gostaria de fazê-lo a pé. Estaria escuro e Antony estava pesado demais para ser carregado.
— Eu não acho que exista cor de mulher e cor de homem, amor. Cor é cor. Lembra que titio Jas tem uma camisa rosa e que fica lindo quando a veste?
Ele acenou em concordância e voltou a olhar a paisagem pela janela.
— Posso saber o porquê dessa pergunta?
Pisei de leve no freio para que a camionete voltasse, sozinha, a marcha e não desse um baque grande ao sair da estrada e entrasse no grande gramado da frente da casa de vovó.
— É que amanhã “colmeço” na escola nova. E não “quelia” chegar num carro de “mulhezinha”.
Apontou para a camionete vermelha. Vermelha quase vinho, que era minha.
— Acho que esse não é um pensamento que eu gostaria que você tivesse, filho. Cor não faz as pessoas. E, só para constar, amo meu carro e não vou trocá-lo só porque você quer.
— Eu também amo seu carro, mamãe. Desculpa. E já “aplendi” que cor é só cor. Titio Memmett que é bobão.
— Ele é.
Estacionei devagar, ao lado da camionete de Charlie. Desliguei o motor, retirei o cinto, desci e abrindo a porta traseira, destravei o cinto de sua cadeirinha.
— Mãe, você acha de até amanha eu já “clesci” um “tantão” assim? Vou “dolmir” cedo hoje. Vovô Char diz que a gente só “clesce” enquanto dorme.
Fez uma quantidade enorme com as duas mãozinhas depois que pulou do carro segurando em minhas mãos.
— Hum, talvez um tantinho assim, quem sabe.
Fiz o mínimo possível com o indicador e o polegar.
— Mas, é pouco, mamãe. Não vou “podê me livlar” dessa “cadeilinha”, se não “clescer” mais.
— O que há de errado com a cadeirinha?
Segurei sua mãozinha e descemos até a porta de entrada da casa de vovó.
— Não tem nada de “elado”, mãe. Ela só é de “quiança”. E eu já sou seu rapaz. Não posso “chega” na escola nova sentado naquilo.
Meu rapaz de bermuda jeans, camiseta pólo azul e tênis branquíssimo. Uma lindeza de mamãe!
— Aquilo, é para sua segurança. E você vai sentar lá até ter idade e peso para passar só para o assento elevado e depois sim, daqui uns quinze anos, para o banco da frente.
— Sabe, mamãe. Você não “relacional”.
— Racional?
— É isso, “relacional”. Fica “bligando” por umas coisinhas de nada.
— Antony Swan, vou brigar se continuar insistindo nisso e pode ter certeza, de que não terá o apoio de seus tios ou avô. Cadeirinha e cinto não estão em discussão. Igual a cor do meu carro.
— “Plefilo” a cor desse. Mas, ele é pequeno, né mãe? Nem cabe a gente.
Apontou para um carro estacionado bem ao lado a camionete de Emmett.
O gelo em minha alma foi instantâneo. Se alguns hábitos de Edward não tivessem mudado, aquele carro era dele. Amava aquela marca, dizia que deslizava e era perfeito para cidades...
Tão diferentes... A camionete era perfeita para a fazenda.
Deus, como não via aquilo naquela época?
— Mãe, acho que bis-vovó Marie já ta “loquinha de pedla”. A “polta ta abelta”.
— Antony! Onde escutou isso?
Segurei sua mãozinha com mais força já tendo minhas respostas, as falas da varanda vinham altas e nos alcançavam.
— Titio, Jas, disse. Ele falou que bis- vovó ainda vai “demolar” dois... Dois... Ahh, não lembro quanto... Mas é um “tantão” de tempo “pala batê as botas”. E que só “quelia” que a gente voltasse. E que tava “louquinha de pedla”.
Mãe, “polque” a bis-vovó “plecisa batê as botas”? Ela tá velhinha, se fizer isso vai cair e “queblar” o pescoço. Igual a vovó Renée diz que vai acontecer se eu “descê o colimão” lá da loja “escolegando”.
— Primeiro, rapazinho, nunca diga que a bis-vovó está velha ou louca. Segundo, e mamãe já te pediu isso, não repita o que seus tios dizem sem me consultar antes. E terceiro, e mais importante, se descer o corrimão das escadas escorregando vai mesmo quebrar o pescoço e ainda ficar sem andar a cavalo até que complete 30 anos.
A discussão aumentava e estávamos a metros de entrar “no olho do furacão”, até titubeei, pensei mesmo em dar meia volta e fugir, com Antony, do que estávamos prestes a enfrentar. Porém, isso não aconteceria. Eu não fugiria mais. Eu sabia que tinha que enfrentar.
— Como eu disse, mamãezinha, você não anda nada “relacional” hoje.
— Parece que ninguém está muito racional hoje, filhote. Vamos lá...
Paramos na entrada da varanda, uma discussão acalorada se apresentava. Charlie, Emm e Jas pareciam prontos para matar alguém.
— Vovô ta “blavo”. Olha, mamãe, o “senor estlanho” está aqui. E a moça que “só chola tabém”. Quem são eles, mamãe Bells?
Antony, com carinha de preocupado, se virou para mim, fez conchinha com as duas mãozinhas para que pudesse falar baixinho comigo.
Eu não deixaria meu filho passar por aquilo. Porém...
— Não vou impor nada. Bella fará somente o que sentir confortável. Ela sabe. Criou Antony até hoje sem mim, sei que não precisa que eu esteja presente agora. Eu só peço que não nos prive de pelo menos vê-lo. Só quero ter o direito de poder olhar para ele, conversar... Prometo não impormos nada. E se algum dia, algum dia, perceberem que somos dignos e que podem contar a ele quem somos. Será o dia mais feliz de nossas vidas. Só por favor, não nos privem disso. Não privem minha mãe, meu pai e Alice de serem avós e tia. Eu cometi os erros, me punam, eles não...
Edward tinha a mão estendida em direção a mãe a impedindo de dizer qualquer coisa que fosse.
— Hummm, essa “palavla” é nova, mamãe. O que é “puni”? E “pol que” o homem “estlanho tá cholando”? Ele conhece a bis-vovó? Veio “comê carninha tabém”?
Antony nos fez presente e se não fosse tão trágico seria até hilário ver como todos se calaram e se embasbacaram com nossa presença.
— Bella, filha, é melhor vocês irem embora. Só terminaremos essa conversa aqui e já estamos de partida também. Vá para a cidade. Vamos comer lá.
— Não! Pelo amor de Deus, não!
Charlie parecia nervoso, já Edward estava mais para desesperado quanto à ideia dele.
— Mamãe? O que “tá aconteceno”? “Pol que vamos embola”? Mamãe?
Perante tanto desespero, dos que nos rodeavam, Antony se assustou muito, segurou em minhas pernas e começou querer chorar. O que, para mim, era inaceitável. Meu filho não cresceria em meio a uma confusão.
Eu sabia o que deveria fazer...
— Bells, papai está certo. Vá para...
Imitando o gesto de Edward estendi a mão em direção aos homens de minha família, os calando.
Soltei Antony de mim, me abaixei, a sua altura, e com muito cuidado, para que o vestido longo de malha, não mostrasse demais, segurei seus ombros.
— Ei, não precisa chorar. Está tudo bem.
Sequei suas lágrimas. Segurando as minhas próprias.
— “Pol que” ta todo mundo “blavo e glitando”. Você diz que “glitar” não é educado, mamãezinha.
Ouvi o suspiro de Esme e Alice. Edward soluçava?
— É verdade, amor. Não é educado e é por isso que ninguém mais vai brigar ou falar alto. Nós viemos almoçar com a bis-vovó e ela tem alguns convidados que mamãe quer muito que você conheça.
Edward
Deus! Eu amava aquela mulher! Ela estava ali de vestido. De vestido! Ajoelhada aos pés do nosso filho fazendo com que sua família se calasse.
O que faria agora era uma incógnita, só sei que aceitaria o que fosse.
— Bella, o que você está fazendo, filha?
— Um pouco do certo, mãe.
Voltou a estender a mão calando os pais. E era possível ver que cada um deles segurava a respiração. Emmett era o que mais parecia frustrado. Tenho certeza que se pudesse pegaria “minha mulher e meu filho” e fugiria dali.
— Escute a mamãe, tá bom? Não precisa se preocupar todo mundo aqui só quer o seu bem.
— Tá bom, mamãe.
Eles estavam totalmente concentrados um no outro, nada de fora quebrava a linda bolha de amor e confiança.
— Lembra quando te disse, lá no Brasil ainda, que nos mudaríamos para Forks, porque a bis-vovó precisava da gente pertinho dela e que você conheceria muitas pessoas que também eram importantes e que ficariam muito interessadas em conhecer você?
— Isabella, pare agora!
— Pai, por favor, confie em mim.
Pediu sem tirar os olhos do pequeno.
— Eu “lemblo”, mamãe.
— Então, essas são as pessoas que querem conhecer você.
— Pare, Bella. Agora!
— Parem vocês!
Tia Renée, repreendeu o marido e os dois filhos.
— Não percebem que estão assustando o menino? E que quem toma essa decisão é Bella. Ou calem-se ou saiam daqui.
— Por isso, que sempre gostei de você minha querida. Isso é que é cardiologista.
Vovó Marie esfregou o braço de nossa tia Renée em apoio. E Bella a agradeceu pela ajuda.
— Eles não merecem conhecê-lo. O que deu em vocês?
— Elas estão sendo coerentes, coisas que vocês não são. Eu não te conheço mais, Charlie. E pode até não nos apresentá-lo agora se não quiser, mas logo, logo a justiça fará isso. Veremos que não tem direito.
— Ora seu...
Tio Charlie deu dois passos em direção a meu pai assustando Antony que se agarrou a mãe como se sua vida dependesse daquilo.
— Mamãe, pede o vovô “pala palar”.
— Chega! Ninguém aqui vai acionar justiça nenhuma. Essa discussão não cabe a ninguém. Só a Bella e ela decide o que fazer. Nossa família aceitará o que “você” propor.
Ela não me olhou, só continuou acariciando os cabelos de nosso filho, com os olhos fechado e recitando, baixinho, palavras de calmaria.
— Edward, isso não está certo e...
— Parem agora! Ou vocês se calam e deixam Bella decidir. Ou coloco todos os 8 para fora e deixo que ela, Edward e Antony se resolvam. E juro a vocês que os faço se perdoarem em dois segundos e aí sim terão que se virar.
Vovó Marie calou a todos, recebendo de mim e Bella olhares de gratidão.
— Tá tudo bem agora, filhote. O vovô não mais brigar, amor. Se acalme, estou aqui. Titio Jas e tio Memmett vão se calar e ouvir só você agora. Mamãe promete.
Ela fechou a expressão e olhou para cada membro de sua família os desafiando a contradizê-la.
Ninguém o fez...
— Venha aqui...
Soltou-se de Antony, se levantou e os levou até mamãe. Voltou a se agachar e o olhou em seus olhos.
Esme seguiu seu exemplo e se ajoelhou para que ficasse a altura deles. De longe dava para ver seus olhos marejados.
— Oi.
Disse baixinho ainda tímido segurando em uma das mãos da mãe.
— Oi pequenino. Você é lindo demais.
Acariciou seu cabelo não percebendo que Renée suspirou em desagrado.
— Essa, amor, é a irmã do vovô Charlie. O nome dela é Esme. Ela também é médica e é dona daquele hospital grandão, junto com a vovó Renée, que fica perto da escola que você estudará.
Antony a olhou com curiosidade e pensou por alguns segundos antes de derrubar todos os muros de minha mãe.
— Humm! Oi, você é “rimã” do vovô, então pode “sê” minha vovó “tabém”? Tem um cabelo bonitão “ingual” o do vovô e o da mamãe bonita. Gosto de você, vovó “Mesme”.
Foi impossível segurar a emoção. Mamãe o puxou para seus braços e o aconchegou com tanto carinho e força. O carinho e o amor eram palpáveis.
Deus! Ele era esperto, inteligente e muito educado. Bella fizera um lindo trabalho. Não precisava de mim.
— Sim, querido. Sou sua vovó e estou muito feliz em te conhecer. Posso te apresentar outra pessoa que também está louco por esse momento?
Antes de concordar com Esme, ele olhou para Bella esperando por aprovação.
— Só faremos o que você quiser, filho.
E para alegria de meu pai, ele acenou em acordo.
Carlisle também se postou aos pés dele.
Nenhum Swan respirava, nem mesmo Bella.
— Esse, filho, é o Carlisle marido da Esme, que é irmã do vovô, lembra? Ele também é grande amigo de seu vovô Charlie e...
— Fui, Isabella. Ele foi meu amigo, não abrande a situação. Ninguém aqui perdoou ninguém.
Charlie interrompeu Bella o que deixou Antony tenso de novo.
— Isso não é legal, vovô. O “padle Antônio lá do Blasil” dizia que a gente tinha que “peldoar” até quem não pede “peldão”. Eu te “peldoou” tá? E, hummm, se você é “malido” da vovó “Mesme”, também é meu vovô. Vovô Carl, “polque” seu nome é muito “glande e compilicado”.
— Você me faz muito feliz me chamando de vovô. Sonho e rezo em ter um netinho há anos.
— Mamãe diz que Papai do Céu “esculta” quando a gente “leza” com fé, vovô. Você foi atendido. Eu sou o neto mais lindão que alguém “podelia queler”. E gosto de andar de cavalo. Você sabe andar? Se não, eu te ensino.
— Eu sei cavalgar sim. Aquela fazenda antes da de seu avô Charlie é minha, tem muitos cavalos lá. Quando sua mãe deixar podemos conhecer os meus animais. O que acha?
Carlisle também sorriu e o abraçou o beijando no rosto com carinho. Antony fechou os bracinhos em seu pescoço e sorriu também.
Bella não esboçava reação. Era uma situação linda, mas ela não se deixou abalar.
Eu não sabia o que pensar.
— Talvez um dia, não é, mamãe?
Bella confirmou orgulhosa com a resposta do filho.
— Talvez um dia. Agora venha aqui, quero que conheça outra pessoa.
— Ainda bem que “tá acabano”, mamãe. Minha “barrilga” quer carninha.
— Está acabando, Leãzinho. Vamos conhecer essa moça aqui agora.
Sem que ninguém dissesse nada, Antony se aproximou de Alice, que permanecia sentada no sofá ao meu lado, e a abraçou acariciando seu cabelo.
— Eu sei quem você é. É a filha dos meus vovôs novos. E “agola” é minha titia...
Olhou para Bella sem saber o nome de minha irmã.
— Alice.
Bella o sussurrou.
— Minha titia “Lice”. E não “plecisa cholar” mais, titia. Você é muito bonita e boa. “Tô aqui agola”. A “aleglia” vai volta “pala” sua vida. Eu “plometo”.
— Ela já voltou, pequenino. Deus me trouxe de volta sua mãe, minha melhor amiga. Jasper, alguém muito importante para mim. E você, o garotinho mais lindo e esperto que eu já conheci.
— “Selemos” uma “glande” família feliz.
Ele beijou a mão dela, gerando suspiros de todos. E logo voltou seu olhar para mim.
Meu coração batia na boca. Sem que ninguém o guiasse já estava a minha frente.
Bella se afastou dois passos, me ignorando e se recusando a me encarar. Porém Antony...
— E você, é o senor “estlanho”. O “Edwald” certo?
— Sou, sim. E você é o Antony ou seria Tony?
— Pode me “chamá” do que quiser, “Edwald”. Mamãe me chama de um monte de coisa de “cliança” e até uns apelidos “estlanhos”. “outlo dia, ela me chamou de “pinguinho de gente”. Mas, eu nem “impolto”, ela me ama. Só quando diz Antony Swan que é “peligoso, polque celteza de que está muito blava”.
— Vou me lembrar disso.
Impossível de me segurar, o puxei pelos ombros e o trouxe para mais perto...
— Filho...
Bella, muito apreensiva, chamou a atenção dele para ela.
— Esse é...
— Não “plecisa”, mamãe. Eu sei quem ele é. Filho da vovó Mesme e do vovô Carl e “rimão” da tia Lice. O que significa que é meu tio “Edwald”? “Celto”?
Eu quis gritar que não, que não era seu tio, e sim seu pai. Porém havia prometido. Seria por Bella e no momento de Bella.
Por isso, só olhei para ela e esperei por sua resposta.
— Sim, amor. Ele é irmão de tia Alice e filho de Tia Esme e tio Carlisle, e sim é seu tio.
— Com se diz é.... “Oi oficial... oficilal”... Oficialmente, isso, oficialmente: Oi oficialmente, “tio Edwald”.
— Oi pequeno. É muito bom conhecer você. Não imagina o quanto espero por isso. Você é muito mais lindo e inteligente do que eu imaginava.
Antony sorriu, sorriu muito. Um sorrisinho sapeca de quem sabe de algo e que não nos deixaria saber o que era. E para espanto de todos se jogou em meus braços e me abraçou com muita força.
— É bom “conecer você tabém”. E titio “Edwald” está bom, ”por lenquanto”.
Com ele aconchegado a mim e ouvindo o choro de mamãe, Alice e vovó Marie, busquei os olhos de Bella, que incrivelmente, também estavam marejados. E pela primeira vez desde que nos reencontramos, ela me olhava, me encarava com algo que não fosse um sentimento de raiva ou de rancor.
Deus! Ela me olhava, era a primeira vez que fazia isso diretamente. E se só isso já não bastasse para me fazer feliz, ela ainda pronunciou uma palavra para mim, só para mim.
— Obrigada!
— Eu que agradeço.
Sorri, mas ela não. O momento era só aquele, de agradecimento. Ela me agradecendo por ter aceitado o que me oferecia e eu agradecendo pelo presente em meus braços.
— “Agola”, bis-vovô, que tal aquela “calninha”? Ainda estou com muita fome.
— Ah, mas isso é um pecado. Vamos ali ver se já tem uma carne pronta para esse garoto da bis-vovó, porque é inadmissível que ele fique com fome.
— É mesmo.
Soltou-se de mim e deu a mão a vovó Marie que logo o guiou para o outro lado da varanda, onde o caseiro já comandava a churrasqueira.
Todos os Swan’s os seguiram. Porém, não me contive. Eu precisava falar com ela.
— Bella? Por favor, precisamos conversar.
Ela parou, respirou fundo e ainda de costa me deu a resposta que acalentou e despedaçou meu coração.
— Eu sei, Edward. Vamos conversar no momento certo, sobre o presente. O passado ficou no passado e não falo dele. Quanto a Antony, devagar prometo que as coisas vão chegar ao ponto que tem direito. Só me dê um tempo.
— Teremos tempo? Como posso dormir tranquilo sem pensar que anoitecerão e não amanhecerão? Eu o conheci, Bella. E se já era impossível viver sem conhecê-lo, imagina agora?
Ainda parada, com Charlie ao seu lado, ela deu o veredicto que tumultuaria para sempre minha vida.
— O dia que decidirmos partir de novo, você será o primeiro, a saber, Edward. E só para te lembrar, o mentiroso daqui é você. Eu cumpro com minhas palavras.
— Bella, por favor, eu tenho tanto a dizer e...
— Mãe! Vem logo, o titio Benj quer falar com você... Quer saber “detaulhes” da nossa loja.
Antony, nos braços de Jasper balançava o telefone do tio, e sem nem mais me ouvir e rapidamente, Bella correu até eles e pegou o telefone das mãos do filho.
— Loja? Que loja?
E o sorriso que ela abriu quando atendeu a ligação, fez com que meu sangue parasse e minha cabeça explodisse: eu conhecia aquele sorriso. Aquele era o meu sorriso...
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