Notas iniciais
Oieee, capítulo novo e totalmente dedicado a Zezinha que me fez uma autora mais feliz ao recomendar minha fic. Amei cada palavra. Fiquei emocionada e lisonjeada. Obrigada sempre!

Bella

— Tem certeza de que quer descer? Eu queria tanto que conhecessem a “nossa casa”. Pegue só uma troca de roupas para vocês e objetos pessoais e voltem comigo?

Virei-me mais para ele, assim que estacionou e desligou minha camionete, a qual dirigia, em frente à casa dos meus pais na Sonho Azul. Edward estava... Diferente! Tinha uma chama nova em seus olhos. Ele parecia resplandecente. Chegava parecer que... “brilhava” sob a noite, incrivelmente, clara de Forks.

— A proposta é tentadora, Edward. Mas, vai ficar para outro dia. Já está tarde. Antony e eu negligenciamos todas as tarefas do dia. Agora é hora de enfrentar a vida real. Tirando que Charlie surtaria de eu dormisse fora e ainda carregasse Antony.

— Hunf! Ele terá que se acostumar com isso em algum momento. Quero vocês na nossa casa.

Ah, Deus! Ele fez bico? Aquilo foi mesmo um bico?

— Não faça essa cara, Edward. Temos muito tempo. Já não basta de emoções por hoje?

— Não temos. Tempo nenhum será o bastante para compensar o que perdi, Bella.

Deu uma olhada para trás admirando um Antony completamente adormecido em sua cadeirinha.

Por Deus! Eu não tinha voltado para a loja, Antony faltara à escola e por fim, inventei uma desculpa esfarrapa para a coordenação da Universidade e nem dei as caras.

Os Cullen simplesmente surtaram de alegria com nosso filho os reconhecendo de verdade. E foi impossível sair dali.

Só uma pessoa me incomodava, Rósalie. E acho que ela percebeu isso, pois pela primeira vez em anos, fez a coisa certa, sumiu o restante do dia. Deixando-me mais a vontade para que Antony aproveitasse a novidade.

— Claro que temos, Edward. Hoje marca o início de uma nova vida com seu filho. É só o primeiro dia. Outros tantos virão pela frente. Só tenha um pouquinho mais de paciência comigo. Preciso dar um passo de cada vez antes de avançar.

Novidade? Nem tanto assim.

Então, dizer que eu sabia que Antony era muito esperto, era redundância. Lógico que eu sabia!

Porém, confesso. Me surpreendi com cada resposta dele enquanto eu o revelava sobre o pai.

Como nunca percebi que era tão observador? Por Deus, eu tenho mesmo uma foto de Edward na carteira. E eu sabia que falava dormindo, mas nunca pensei que ele poderia escutar e assimilar os nomes. Quanto à cor do cabelo... Ahh tantas pessoas no mundo têm cabelos claros. Mas, não. Meu pequeno não deixou isso para lá. Juntou cada informação, descobriu e não falou nada. Esperou até que eu tomasse a iniciativa.

Certo! Tinha muito que agradecê-lo e compensá-lo e logo.

— E é por ser o primeiro que não quero que acabe. Ah Bella, quero vocês comigo. Namore comigo, case comigo, vamos para nossa casa? Aquele lugar é seu. Foi feito para você. Não quero deixá-los aqui.

Passou a mão várias vezes pelo cabelo. Inseguro? Ansioso? Frustrado? Com ciúmes? Vai saber.

Revirou os olhos e voltou a olhar para frente encarando o nada quando fiquei uns 10 segundos em silêncio só observando sua demonstração de desgosto.

Dentro de casa, a cortina da janela tremulou. Charlie odiava que chegássemos e não descêssemos logo. E pior ainda, odiava que namorássemos dentro do carro. Segundo ele, servia de motivo para as fofocas dos funcionários da fazenda.

— Calma. Vamos com calma. Uma coisa de cada vez. Não dá para aproveitar a novidade e alegria de hoje por algum tempo? Por que apressar as coisas? Dá para deixar tudo acontecer naturalmente?

— Não dá para ser e fazer tudo isso, quando tem um ex debaixo do mesmo teto da mulher que você ama e do seu filho, enquanto você está a cinco Km de distância.

Ah! Era isso! Emmett me pagaria. E seria hoje ainda.

— É, não dá mesmo para confiar nessa mãe do seu filho. Na mulher que disse ao ex, que não há competição que sempre foi você?

Respondi indignada cruzando os braços e fechando mais a expressão. Ato esse que chamou sua atenção e o fez se virar de volta para mim.

— Desculpa, perdão. Não é isso. Não quero brigar nunca com você, ainda mais hoje. É só que... Deus! Antony sabe que sou seu pai. Como acha que vou dormir sem vocês essa noite? Eu quero tudo, Bella. E quero agora. Cansei de esperar. Eu mereço mais. Por favor...

— Edward...

Puxei seu rosto para mim e encostei sua testa na minha.

As cortinas mexeram-se outra vez. Eu não tinha muito tempo.

— Eu sei que está ansioso. Mas, vamos devagar. Voltamos agora. Não precisamos apressar nada. Pense com carinho. Não é porque é pai, que tem que ser namorado, marido... Cada coisa é cada coisa.

— Do que está falando?

De repente fiquei tensa, ele ficou indignado com que eu acabara de falar. Brigaríamos num dia tão especial?

— Ainda não acredita em mim, não é? Não confia que mudei e que passarei o restante dos meus dias te compensado por ter sido um idiota. Não acredita no meu amor.

— Não é isso.

Não era? Não era mesmo? A minha relutância em dar um nome ao que tínhamos era o quê então?

Medo! Esse era o sentimento?

Infelizmente, minha mente mantinha fresca todas as vezes que terminamos e voltamos depois de Edward fazer mil promessas.

O que me garantia que agora era diferente? O tempo? Rá, ele pode ser o maior aliado dele.

Não estávamos aqui. Não testemunhamos essa “evolução”. Eu podia mesmo confiar?

— Olha, Edward, por favor. Vamos devagar, é só o que peço. Por favor, por favor... Não cobre mais de mim do que posso oferecer agora. Sei que está ansioso para viver tudo de uma vez e prometo que viverá. Só tenha paciência. Por favor, por favor... Não duvido do seu amor, nunca duvidei.

O que era uma verdade. Eu sabia que, mesmo o Edward do passado, gostava nem que fosse um pouquinho de mim. O problema era me aceitar como eu era. Porém, agora estava estampado no rosto dele o tal sentimento. O que não ajudava, em nada, quando o assunto era minha insegurança.

— Vou fazer o possível para que tenha tudo que desejas, eu prometo. Só não apresse as coisas.

Terminei a ultima frase num sussurro e com olhos fechados. A angustia me dominando aos poucos, porque eu o entendia. Ele havia perdido muito da vida de Tony era certo que quisesse aproveitar o máximo agora. E eu não o negaria nada, só precisa que fosse mais devagar em relação a nós, ele e eu, não ao filho.

— Ei... Tudo bem.

Não sei o que ele viu em minha expressão. Mas, não deve ter sido nada bonito, porque o fez reagir segurando meu rosto e beijando lentamente minha testa e afagando lentamente meus cabelos.

— Tá certo, Amor. Vamos no seu tempo. Tudo bem. Não precisa ficar chateada. Jurei que nunca mais deixaria que terminássemos uma noite chateados um com o outro. Eu te amo, Bella. E vou convencê-la disso.

Provando seu ponto, puxou minha boca para a sua. Num beijo cheio de promessas, intenso, lento e muito, muito bom.

— Delícia!

Voltou a colar a testa na minha quando me afastei para respirar.

— ih! Nem vem com essa. Não vou esconder do meu filho que amo a mãe dele. E se acostume, vou beijá-la muito na frente de quem quer que seja, incluindo esse Pequeno Esperto aí.

Censurou quando, instintivamente, olhei para trás certificando-me de que Antony ainda dormia.

— Longe de mim, segurar seus impulsos. Só precisamos deixar tudo as claras. Não quero que a cabecinha dele “dê um nó”. Ainda mais porque Benjamin está aqui.

Cometei sorrindo e enchendo-o de beijinhos rápidos. Ignorando de propósito a careta que fez ao ouvir o nome de meu ex.

— Até porque já percebemos que não é tão fácil assim enganá-lo. E sinceramente? Duvido muito que já não saiba o que fazemos “na surdina”.

— Na surdina, é? Na surdina?

— Ah, para, Edward!

Gargalhei quando ele beijou meu pescoço e passou os dedos pelas minhas costelas.

O clima mudando totalmente de melancólico para leve e divertido.

A cortina tremulou de novo na sede da Sonho Azul. Era a quarta vez?

— Ok. “Tá tudo muito bom, tudo muito bem”, mas precisamos mesmo entrar agora. Não quero irritar meu Charlie Swan logo hoje. Ter você de novo em nossa casa, Edward, é muito importante. Não vamos “cutucar a onça com vara curta”.

— Longe de mim, Linda. Vamos lá.

Retirou meu cinto e o dele e desceu já se dirigindo a parte detrás para pegar nosso filho.

Detalhes... Detalhes mínimos que me mostram tanto.

Tá confesso, ainda tenho medo dessa relação. Às vezes acho que estou sonhando ou é tudo uma farsa de Edward só para me reconquistar e depois... Zás!

Mostra de novo a outra face. Deus! Ele já fez isso tantas vezes quando queria reatar.

Porém... “Abrir a porta do carro, soltar meu cinto, demonstrar carinho em público”... Pequenas coisas que ele não fazia questão e agora faz.

Pela primeira vez em anos, eu percebia que Edward me via como uma mulher, não como sua namoradinha de adolescência. E que mesmo que seja “meio dura” às vezes ou que goste de terra e animais, ainda sinto essa necessidade de ser mimada e cuidada.

Era uma sensação boa...

— Papai...

Resmungou nosso Pequeno quando me aproximei. Edward já o retirava da cadeirinha.

— Oi filho. Nós chegamos.

Edward voltou a sorrir bobo. Será que seria assim toda vez que escutasse Antony chamando-o?

Peguei o restante de nossas coisas, a mínima parte já que Edward equilibrou Antony num braço e as muitas de nossas sacolas no outro.

— Tony quer caminha. Tá com sono.

Edward o beijou na testa com carinho.

— Você já vai descansar, Amor.

Sussurrei ao abrir a porta de casa para eles.

Não foi surpresa nenhuma encontrar toda família reunida na sala. Era evidente que esperavam por nós.

— Ora, ora, olha quem resolveu se juntar a nós para jantar e trouxe um convidado. Lembrou-se que tem família, irmã?

Eu odiava Jasper! Isso era fato! Por que ele tinha que ser tão inconveniente e ainda sorrir daquela maneira tão sarcástica? Não era claro meu desconforto com a situação?

— Estava com a outra parte da família, irmão. Aliás, sua noiva manda lembranças.

Pisquei provocando-o da mesma maneira que fizera comigo. Amávamos-nos tanto...

— Tony já jantou. Vovô, Tony estava na casa do outro vovô de “veldade”. Sabia que o titio “Edwald” não é o titio “Edwald” e sim o papai “Edwald”? Tony já sabia.

Jesus! Antony estava impossível.

Não era dessa maneira que eu pretendia dizer-lhes que havia contado.

Porém... “o mal feito, feito está”.

E, confesso, ver a reação de cada um perante a novidade foi esclarecedor de com quem e como eu teria problemas.

— Eu sabia, filho. E...

Charlie me olhava interrogador. Mamãe e Jasper se escondiam atrás de um sorriso de diversão. Leah pareceu temer algo. Benjamin certamente estava indignado.

Papai tentou falar, porém fomos interrompidos por gritos. Sim, Emmett estava muito, muito irritado.

— VOCÊ CONTOU? PERDEU O JUÍZO DE VEZ, BELLA? FICOU BRAVINHA COMIGO E REZOLVEU DESCONTAR? VINGANÇA? NÃO SABIA QUE ERA BAIXA A ESSE TANTO, IRMÃ.

— EMMETT! Abaixe a voz.

Meu irmão esbravejou sua ira enquanto apontava o dedo acusador para mim. Charlie bem que tentou controlá-lo, mas foi impossível. Ele se achava no direito de me julgar.

— NÃO, PAI. OLHA O QUE ESSA IDIOTA ESTÁ FAZENDO? SERÁ QUE NINGUÉM VÊ? ELA VAI FERRAR COM SUA VIDA DE NOVO.

Edward, deixou as sacolas no chão, se aproximou de mim e segurou minha mão quando Emmett se levantou de seu lugar perto da lareira. A raiva fumegava em seus olhos.

Porém, eu já estava cansada disso.

— Jas, por favor, leve Antony para a cama... Antony, se despeça do papai.

Edward apertou, de leve, meus dedos, como se perguntando se eu tinha certeza daquilo. E eu apertei de volta. Nunca tive tanta certeza de algo.

— Papaizinho, Tony “plecisa numir polque” levanta cedo “pala” cuidar da Mimosinha. Mas não quer ir. Titio Memmett tá “blavo” e vai “glitar” com a mamãe. Depois ela não “dolme” fica tendo pesadelo. “Pol favor” leva gente “pá sua casinha”?

Certificando a todos dos seus sentimentos, ele virou para o pai e o abraçou com força pelo pescoço.

— RÁ! ERA SÓ O QUE ME FALTAVA. JÁ ESTÃO VIRANDO O GAROTO CONTRA MIM.

— Ora, cale-se, Emmett! Você que está assustando o menino. Bella...

Estendi minha mão calando mamãe e Benjamin que ameaçou se manifestar. Aquele não era assunto dele.

— Filho, vai com tio Jas para a cama. O titio Emmett não vai mais gritar e a mamãe já, já vai te cobrir e rezar com você. Se despeça de seu pai.

Edward, me ajudando, o segurou num abraço.

— Pode ficar calmo, falar devagar e com concentração, Campeão. Ninguém vai gritar mais. Seu tio vai se acalmar e a mamãe não vai chorar. Todos vão dormir. E logo, logo o papai vem buscá-lo para conhecer a nossa casinha. Ok?

— Você promete?

Edward me olhou concentrado, ou seja, prometendo ao filho algo que faria questão de cumprir.

Ah se ele soubesse como estava enganado. Emmett só estava começando.

— Papai promete. Agora vá com o titio Jas. Deus te abençoa e até amanhã.

— Vai com Deus, papai. Tony te ama. Dorme bem.

Eles se beijaram com carinho. E mamãe fez questão de balbuciar que Antony não havia errado uma palavra desde que Edward pediu para que ele se acalmasse.

Era fato, nosso filho precisava de estabilidade.

— Te amo! Daqui a pouco mamãe vai.

— Te amo!

Jasper o pegou assim que me despedi com um beijinho em sua testa.

Era chegada a hora.

— Pai, por favor, leve Edward. Eles nos trouxe no meu carro. E precisa voltar.

— Não! Paradinha aí, você contou a Antony sem nós. Agora é minha vez. Edward e eu vamos conversar em meu escritório. Precisamos acertar algumas coisas antes que vocês recomecem esse relacionamento. Ele precisa saber que as coisas, não serão como antes.

— Pai...

— Não, Amor. Seu pai está certo. Precisamos conversar. Emmett eu...

— CALE-SE! NÃO ME DIRIJA A PALAVRA... AMOR? AMOR? QUE INFERNO! Será que ninguém fará nada quanto a isso? POR DEUS! Eles estão com as mesmas roupas de hoje cedo. Sinal de que não fizeram nada de suas responsabilidades. É ISSO QUE VAI ACONTECER DE NOVO. Bella voltará a ser a mesma burra inconsequente de antigamente. E ninguém fará nada quanto a isso.

— Emmett, pare. Você está passando dos limites.

— Ah, mamãe, nos poupe. Todos aqui sabem que a senhora está toda derretida por esse Moleque também. Mesmo com Benjamin aqui. O Benjamin, o Benjamin que é o melhor para ela, todo mundo sabe e...

— CHEGA!

Foi minha vez de gritar, antes de me voltar para papai.

— Papaizinho, sei que precisa ter essa conversa. E longe de mim tirar isso do senhor. Mas, será que pode adiar, só por mais essa noite? Eu queria mesmo que levasse Edward em casa. Além do mais, preciso do seu escritório agora. Emmett e eu temos algumas coisas para colocar em ordem. E precisa ser num lugar apropriado. Porque não precisamos acordar toda propriedade com os gritos dele.

— Não vou levá-lo. Você está querendo ajudá-lo a fugir de mim.

— Charlie!

Renée tentou alertá-lo, porém sua expressão fechada à fez se calar. Porém eu estava convicta.

— Ok, vocês venceram. Espere-me dois minutos, Edward. Vou só ajeitar umas roupas, pegar Antony e vamos com você e...

— O quê?

Tá, eu sei, joguei baixo. Porém, Charlie mereceu a ameaça.

— Amor, não precisa. Eu vou a pé, é perto. Não precisa que...

— 5 km à noite, sem lanterna não é perto. Vamos com você já que ninguém pode levá-lo e eu não vou conseguir voltar sozinha. Dê-me só um minuto e...

— NÃO!

— Paradinha aí!

Emm gritou e Charlie segurou meu braço quando comecei a andar rumo ao quarto.

— Eu o levo tá bom? Só se acalme, Bella. Não faça nada no calor do momento. Respire, filha.

Fechou-me nos braços e inspirou forte meu cheiro. Eu amava meu pai e amava mais ainda sua capacidade de ceder por mim.

— Amor...

Voltei-me para Edward e só para mostrar a Emmett e Benjamin que estávamos na mesma sintonia o chamei por um apelido carinhoso enquanto me dependurava em seu pescoço como uma adolescente cheia de hormônios em ebulição.

Se bem que meus hormônios estavam mesmo à flor da pele com aquela história de celibato.

Ah Deus!

— Te vejo amanhã. Durma bem.

— Tem certeza? Posso te esperar, eu amei a oferta.

Sussurrou a última parte.

— Devagar, bem devagar, senhor Cullen. Boa noite.

— Vai ser longa depois de um dia emocionante como hoje. Tem certeza que quer que eu vá? Não gosto do tom de Emmett, posso ficar para o enfrentarmos juntos.

— AH, EU MEREÇO. PAI!

— Bella, não exagere.

Emmett esbravejou de novo e então foi a vez de mamãe se colocar em ação. E convenhamos, ela eu tinha que escutar. E também porque não bom “cutucar” Charlie demais.

— Não se preocupe. Sei como me cuidar. Emmett é assunto meu. Se cuide também.

— Nosso! Ele é assunto nosso. Mas, vou deixar que lide com isso hoje. Se cuide! Te amo!

Acariciou meu rosto e só então percebi que não seria capaz de responder. Eu não poderia. O olhar dele era intenso demais no meu.

Por isso, só o apertei mais e juntei minha boca na sua de novo, num beijo forte e cheio de sentimentos.

E que se danasse o mundo ao redor. Eles que se acostumassem com nossas trocas de carinhos, porque eu não me esconderia mais.

— Ok, ok, já entendemos. Só não precisa provocar. Venha, Edward, vou te acompanhar até o carro.

Renée, sabiamente, nos afastou. Depois se enganchou no braço no meu pai de um lado e no de Edward do outro. Era maravilhoso tê-la como aliada.

— Até amanhã.

Sussurramos um para o outro. Depois fechei a porta atrás deles, respirei fundo e me virei. Pronta para enfrentar Emmett.

— Ai, Bells. Doeu. Vim de tão longe para ver isso? Precisa esfregar na minha cara que já está em outra?

— Sempre estive em outra, Benj. E você sabia disso.

— Estava em outra? Então se comportou como uma qualquer mesmo, lá no Brasil?

— Emmet, pare! Está ofendendo sua irmã e sabemos que essa não é sua intenção. Está irritado, mas não precisa dizer algo com que vá se arrepender mais tarde.

— Não pedi sua opinião, Leah! Vá para cama. Isso é assunto de família.

Fechei mais minha expressão. Ele estava falando mais do que devia e humilhando quem quer que visse pela frente.

Em silêncio, somente o olhando com todo ódio que emanava de mim, caminhei para o escritório de meu pai.

Ele me seguiu. Parecíamos dois oponentes rumo à batalha de nossas vidas.

— Não vou desistir, Bella. Essa foi só a primeira batalha. Atravessei o continente por vocês e não pense que será tão fácil assim para o Cullen. Você e Antony são meus.

— Não somos de ninguém, Benjamin. Tenha isso em mente. Se alguma vez na vida lhe dei essa impressão, peço desculpas. E você está certo, não será fácil para Edward, temos muito que aprender. Contudo, não é um assunto que cabe a você. Eu faço minhas escolhas e eu já escolhi há muito tempo. Se fosse você voltava pelo mesmo caminho que veio. Não tem a mínima chance.

— Veremos. Espero que seu Cullen esteja preparado para lutar.

Respondeu me desafiando, antes que eu fechasse a porta que separaria Emmett e eu do mundo.

— Você quem sabe. Só não me culpe da decepção depois.

Era agora...

Edward

É, se a intenção de Bella ao solicitar o espaço do pai, era evitar uma conversa entre nós naquele momento, bom... Acho que ela se enganou bonito.

E isso ficou muito, muito claro quando tio Charlie se dirigiu a porta do passageiro e com um simples aceno de mão ordenou.

— Eu falo, você dirige.

— Amor, pegue leve com o garoto. Não precisamos que Bella, Antony, Esme e sua mãe fiquem chateados. Ok?

Tia Renée que nos seguira até a porta o alertou. Será que era pedir demais para que ela viesse junto?

Não que eu fosse fugir de uma conversa com meu tio-sogro. Não, não era isso. Sabia que precisava ouvir algumas coisas dele e aceitava a ideia. Contudo, hoje fora um dia excepcionalmente bom, eu não queria manchá-lo com qualquer frustração que fosse.

— Sou um Anjo.

Fez sinal de aréola na cabeça e entrou assim que destravei as portas. Ela revirou os olhos para o ato, exatamente como Bella faz quando quer demonstrar ironia.

— Não deixe que Bella mate Emmett. Ele tem um filho para criar, não quero essa responsabilidade. Pretendo me aposentar logo, logo, já que parece que ficaremos sozinhos.

— Charlie!

— É a vida, querida. É a vida. Espere-me acordada.

— Sem dúvida.

Dei partida e abaixei a cabeça me sentindo um intruso num diálogo tão íntimo. Era lindo de se ver.

— Vamos lá, garoto. Ouviu o que minha esposa disse. Preciso me apressar.

— Vão com Deus. E, Edward?

— Sim, tia.

— Parabéns. Você é oficialmente um pai. Um pai do melhor garoto do mundo. Considere-se um sortudo.

— Ele sabia esse tempo todo, tia. E não disse nada para não pressionar a mãe. A senhora acredita? Sou um sortudo apavorado. E se eu não conseguir superar a expectativas?

— Seja esse Edward de agora que conquistará tudo que almeja. Não desanime, seja persistente e paciente. A recompensa virá o quanto antes.

Sorri em concordância. Eu seguiria aqueles conselhos.

— Boa noite, tia. Cuide deles para mim. Bella não quis falar muito a respeito, mas está chateada. Antony já me confidenciou algumas coisas sobre os pesadelos dela. E hoje está sendo um dia atípico. O estresse dela está elevadíssimo. Temo que se manifestem mais ainda quando fechar os olhos e relaxar.

— Está clinicando, querido? Esqueceu quem eu sou?

— Nunca! Longe de mim. A senhora é a melhor das melhores. Boa noite, tia. Durma bem.

— Deus te abençoe. E não se preocupe, cuidaremos “dos seus” enquanto não os toma, de vez, de nós.

Levantei a mão e me despedi.

Feliz, tia Renée me deixara feliz a ponto de esquecer que seu marido, com uma aparência nada satisfeita, estava a meu lado aguardando pacientemente nosso pequeno diálogo.

Coloquei a camionete em movimento. O trajeto era pequeno então era melhor começar logo.

— Tio, sei que está apreensivo e não te culpo, também estaria. Não fui o melhor dos namorados e era arrogante demais para perceber isso. Se eu pudesse voltar atrás... “O passado não me deixa viver”, tio... Também sei que não me deve nada, porém humildemente e contando com todo amor que o senhor tem por Bella e Antony, eu imploro: Me dê uma segunda chance? Juro que farei o impossível agora. Viverei para compensá-los de tudo que passaram.

Ele demorou dois segundos para começar a responder e não me poupou de seu rancor.

— Você já teve sua segunda, terceira, quarta chance. Quantas vezes minha garota te perdoou quando namoravam? Sabia que só descobri isso depois que estávamos no Brasil? Se tivesse sabido na época... Ahhh, não estaríamos tendo essa conversa agora.

Por Deus! E não teríamos Antony. Estremeci só de pensar na hipótese.

— Ela é melhor do que eu, tio. Sempre foi. Eu não sei se seria tão benevolente caso fosse o contrário. Mas, tio... Eu vou acertar agora.

Desviei de um buraco e desci o declive acentuado bem devagar. Bella amava aquele carro.

— Aliás, não entendo por que estamos conversando sobre isso. Você não precisa da minha aprovação, sabe disso. Bella fará o que quiser, sempre foi assim. Só com você que ela era toda submissa. Juro que não entendo.

Eu quis dizer lhe que o amor cega, porém não o fiz. Bella era muito mais do que isso, Bella era sinônimo de carinho e perdão.

— Sim, tio, ela é um força da natureza e agradeço por isso, porque se ouvisse as opiniões que nos cercam, tenho consciência que não teria a mesma sorte. Todavia, não quero que ela tenha que escolher um lado, não acho justo. Eu tirei muito dela...

Dei seta e entrei na estrada vicinal que, em poucos minutos, me levariam a porta de minha casa.

Eu tinha pouquíssimo tempo agora.

— Queria que fizéssemos isso juntos, tio. Quero que Antony tenha um pai ao mesmo tempo em que dois avôs. Que Bella conte comigo, mas também que corra para seus braços quando sentir saudades. Não quero limitar os sentimentos deles, a vocês ou a mim. Por fim, eu queria que fôssemos uma família de novo, tio, minha mãe e meu pai merecem isso. Alice também... Eles perderam tudo por minha causa. Por favor, tio... Deixe-me mostrá-lo que posso ser tudo que Bella e Antony merecem?

Ele ficou em silêncio por alguns instantes só encarando a fachada iluminada de minha casa, certeza que um dos funcionários havia passado por ali.

— Sabe, Edward, quando Bella era pequena eu vivia falando para ela que “minha lida diária” não era coisa de menina, que ela devia parar de correr atrás dos bichos e deixar de montar que nem um dos meus peões. Afinal, eu tinha Emmett e Jasper para seguirem meus passos. Só precisava que fosse uma bonequinha, a minha bonequinha... E cheguei aos extremos para isso, a proibi de me seguir para baixo e para cima... Ah Deus, como me arrependo dessa época. Rá! Foi um caos. Ela chorou, fez birra, ficou dias sem aparecer no barracão das vacas... Minha mãe e Renée quase acabaram com minha vida. E não foi só isso, a produção de leite diminuiu e os funcionários perderam um pouco do entusiasmo de trabalhar. E quem pode julgá-los? Não tinha mais a Pequninha sapeca transitando no meio deles, perguntando o tempo todo e os fazendo sorrir. Se até os animais sentiram falta, imagina as pessoas... Antony tem mais dela do que imagina.

Desliguei o carro, acionei o freio de mão, mas deixei os faróis ligados. Ele estava imerso em lembranças.

— E imagina meu desespero quando depois de não aguentar mais sua ausência, a encontrei de vestido, sapatinho e longas tranças presas com fitas, sentada na janela encarando o nada. Minha Vidinha parecia sem vida. Então, depois de implorar desculpas, jurei que nunca mais deixaria que aquela tristeza se apossasse dela. E eu fiz... Contra todos os meus gostos, deixei que ela se tornasse meu braço direito. Emmett e Jasper não chegavam a seus pés, ela era boa desde pequena. Mas aí, foi crescendo e crescendo e você apareceu e aconteceu o que aconteceu. Ahhh, Edward... Eu não cumpri minha promessa. Bella “morreu” diversas vezes desde que partimos. O brilho nos olhos? Sumiram.

A angustia dele era palpável chegando a me consumir.

— Só Antony era capaz de fazer-lhe sorrir um pouquinho. Benjamin? Coitado! Bem que tentou. Não sei onde Emmett estava com a cabeça de achar que ele seja páreo para você... Mas então, nós voltamos. E aí ela te viu aquele dia na festa da igreja. O primeiro olhar, um pequeno olhar... Disfarçado de raiva e rancor, mas eu sou pai, e você vai entender isso logo, não se engana um pai... E então eu vi, lá estava à chama, o brilho de volta. E foi aí que tive certeza: ela seria sua de novo contrariando a quem quer que fosse. Era questão de tempo.

Minha respiração estava presa, as palavras saiam com tanta fluidez, seu olhar continuava parado, longe... Parecia que visualizava, ou melhor, relembrava cada cena.

— Tentei lutar contra isso, fui irredutível, apoiei Emmett. Não precisava de minha Vida quebrada de novo. Mas, era uma batalha perdida. E no dia que ela te deu a chance de se aproximar de Antony, eu tomei a decisão, claro que com ajuda de mamãe e Renée, elas sabem convencer um homem.

Persuasão feminina... Ahh como é maravilhoso ser dominado por elas.

— Eu decidi que aceitaria o que Bella decidisse. E não demorou muito, ela decidiu por você. E hoje deu um passo maior ainda em sua direção. Então, eis que o digo, Edward...

Mudando totalmente de postura, ele virou-se para mim e focou os olhos castanhos, os olhos de Bella, em mim com muita intensidade e certeza.

— Não pise na bola! Seja o que minha filha e neto precisam! Viva por eles! Seja somente deles! Eu exijo que aquele brilho intenso que vi nos olhos dos dois agora a pouco permaneça lá para sempre. Faça isso e terá meu apoio em cada decisão que tomar, por mais maluca que ela pareça. Serei seu aliado se a felicidade se tornar constante na vida dos meus 2 maiores amores. Agora, se algo menos que isso acontecer, eu juro...

Fechou as mãos em punho mostrando sua certeza. Estremeci.

— Será sua vez de fugir.

Acenei em concordância. A ameaça velada não me assustava. Por isso estendi minha mão para ele, selando aquela conversa.

— Temos um acordo, tio.

— E tenha consciência de que, na maior parte do tempo, ela está toda produzida: usa vestidos, botas altas, maquiagem e toda essas frescuras de “mulherzinha”, mas quando chega à Sonho Azul... Continua sendo a minha garotinha que conversa com os animais e plantas, vistoria lavouras, dirige tratores, plantadeiras e colheitadeiras de última geração. Isso faz parte da vida dela. E, se bem me lembro, não era isso que você queria para sua vida anos atrás.

Mais uma vez, amaldiçoei o garoto idiota que fui. Ahhh, se eu soubesse naquela época o significado de amor... Teria feito tudo tão diferente para ela e para mim.

— Eu não sabia o que era bom na vida, tio. Agora eu sei.Juro!

Por mais alguns instantes, ele remexeu no bigode para só então me responder com entusiasmo.

— Certo! Bom garoto!

Ele me surpreendeu, puxando-me para perto de si e fechando os braços a minha volta num abraço de companheiros.

— Agora deixe-me voltar. O seguro das lavouras não inclui furacões em residências. Preciso acalmar “o Bella” antes que ela passe por cima de tudo para defender seu ponto. Tenha uma boa noite, filho.

Sorri para a comparação que ele fez de Bella e um fenômeno da natureza. Eu não teria feito escolha melhor.

— Eu terei, tio. Depois de tanto tempo, eu terei. Obrigado!

Era a mais pura verdade. Eu estava sereno, sem pressão e preocupações. Meu mundo havia voltado à órbita normal: Bella e Antony eram totalmente meus.

Bella

Entrei no escritório, e logo me dirigi para o fundo me posicionando atrás da mesa. Minha cabeça doía e não resisti ao impulso de fechar os olhos e fazer círculos mínimos na testa.

Eu estava no meu limite.

— Vai, desembucha! Prova pra mim que não acaba de fazer a maior burrada de sua vida hoje. Aliás, desde que voltamos você só faz burrada, Bella! Prometeu que não ia se deixar convencer pelo Cullen e olha só... Rá, estou é perdendo meu tempo. Está na cara que já “arrastou a bunda” para ele de novo. Como pode ser tão ingênua e estúpida?

— CHEGA!

Gritei batendo as mãos na mesa.

— Se eu arrasto qualquer coisa para quem quer que seja, não é problema seu! Sou adulta, dona da minha vida e independente. Não preciso ficar aqui ouvindo seus insultos. Vá se foder, Emmett!

— Isso! Grita mesmo. Perde o controle e mostra o que ele faz com você. Porque só se comporta como uma vadia quando está toda caidinha por ele. Eu não te conheço mais, ISABELLA!

Foi a vez dele espalmar as mãos na mesa, olhar e gritar para mim. Apenas a coitada da mesa de carvalho nos separava. O que era bom, porque se ela não estivesse ali... Certeza que já teríamos agarrado no pescoço um do outro.

— E eu conheço você? O que está acontecendo, Emmett? Você prometeu ficar do meu lado, sempre.

Baixei a voz, sentindo a tensão aumentar mais e mais. Eu não gritava. Nunca!

— Não quando você faz burrices. Estou cansado de juntar seus cacos. Cresça! Quando “ele “te der outro pé na bunda”, e ele vai aposto minha vida nisso” não adianta achar que estarei do seu lado, porque não. Farei questão de te olhar de cima e gargalhar na sua cara. Mas, estou curioso: o que ele tem? Não é a grana, porque papai e eu te daríamos o céu, se pedisse. E ainda tem Benjamin, com o pai que é um dos principais políticos do Brasil. Status, é isso? Quer ser a esposinha do médico? O sonho dele se concretizando? Ah, mas se for isso, ele vai se decepcionar de novo, porque você não se encaixa no perfil, lembra? É só olhar para você...

Apontou para mim, com desprezo, fazendo a bílis subir forte para minha garganta. Tive que me segurar demais para não vomitar ali mesmo.

— Ou será que é a “foda”? Ele é tão bom assim? A ponto de cozinhar seu cérebro e torná-la burra de novo? Porque se for, aí eu desisto mesmo. Porque mulher desesperada por homem, quando tira a roupa é pior do que chiclete velho em assentos de escola.

A raiva me consumia e eu não era mais capaz de me controlar.

— CALA A MERDA DA BOCA!

— BELLA!

Desci a mão por seu rosto. O estapeei com vontade, deixando que o fogo me consumisse e nublasse minha visão bem no exato momento em que Renée entrou no escritório e nos confrontou.

Mas eu não estava nem aí.

— Eu te odeio, Emmett. Odeio mais do que odiei Edward algum dia. Nunca mais me olhe, fale comigo ou pense em mim. Você está morto. Ignore Antony também, no começo ele vai sentir e... Talvez não, agora ele tem um pai de verdade.

Fui cruel, eu sei. Mas quando ele colocou a mão no rosto e me encarou assustado, não resisti. Ele achava que eu não era capaz de revidar. E, eu sabia, tirar Antony dele, era como tirar um pedaço de seu coração. Eu não faria isso, claro que não. Nunca magoaria meu filho a esse ponto. Eu só queria que Emmett tivesse dimensão do que fez comigo.

— Vou para a cidade, tomo conta da loja e você cuida da fazenda. Não apareça por lá, não quero te ver, nunca mais...

— Filha... Se acalme. Está descontrolada.

Charlie entrou também e veio até meu lado segurando meus ombros, me contendo. Tentando me acalmar. Ele já voltara.

Arrependi um milhão de vezes de não ter aceitado a proposta de Edward.

— Quando papai vender a safra te pago pela sua parte na sociedade na loja, enquanto isso, deposito na sua conta os lucros de cada mês.

— Filha, se acalme, não sabe o que está dizendo. Preciso de você aqui, e tem Antony... Bella? Você odeia a cidade. Filha?

— Odeio mais Emmett, pai. E Antony se acostumará. Eu não aguento mais. Ele queria que eu escolhesse, não é? Levou-me ao limite. O ponto final foi trazer Benjamin. Que arque com as consequências. Eu escolho Edward! Agora se me derem licença... Vou arrumar minhas coisas.

— Não!

Renée foi enfática, mas ignorei. Estava centrada demais em Emmett e seu silêncio. Não era ele que estava gritando agora pouco?

— Eu só queria entender, juro que queria. A raiva que sente de Edward é tão maior assim do que o que sente por mim? O que foi que eu fiz para merecer esse tratamento, Emmett?

Ele não respondeu de imediato, e foi a minha deixa para me livrar das mãos de Charlie e começar a me afastar dali.

— Eu desisto.

— PORRA! EU NÃO FIQUEI COM O AMOR DA MINHA VIDA, POR SUA CAUSA! POR QUE VOCÊ DEVERIA FICAR COM O SEU? HÁ ALGUMA JUSTIÇA NISSO? EU DESISTI DE TUDO POR VOCÊ, SUA MIMADA.

Ele berrou, literalmente berrou, quando eu já estava de frente à porta.

— Ahhh!

Gemi de tristeza e desgosto, não por causa da situação, nem do descontrole dele, nem pela informação, que eu trataria de processar mais tarde. Minha desolação era porque uma trêmula e grávida Leah estava parada no batente da porta e escutara a última parte nitidamente.

— Merda! Leah o que faz aqui? Isso é conversa de família.

Putz! Ele era mesmo um idiota.

Ela perdeu a cor, mas logo se recompôs, levantou o queixo e falou num fio de voz.

— Percebi que é um bate boca de família. Só vim dizer a sua irmã que Antony acordou com os gritos e está aos prantos. Jasper não consegue acalmá-lo. E... Sogr... Ou melhor, dona Renée, se não for muito incomodo, será que a senhora poderia dar uma olhada em nós? Acho que... Minha cabeça está doendo.

Ela virou as costas logo após e mamãe correu até ela. Leah não estava numa fase fácil da gravidez e escutar aquilo... Só ascendeu mais minha raiva.

— Parabéns, idiota. Acabou de ferir sua mulher, seu filho e sua irmã mortalmente na mesma noite. Tomara que sua consciência o deixe viver.

Saí de lá às pressas indo ao encontro de Antony, ele sempre seria minha prioridade.

— O que pensa que está fazendo, Emmett? Quer acabar com minha família de uma vez só?

As palavras de Charlie foram a última coisa que ouvi antes do choro intenso e o sofrimento de Antony tomar todos os meus sentidos e atos.

Eu vivia por ele.

Rósalie

Sem pressa, dei mais um empurrão na cadeira de balanço, da varanda de meu quarto, e apreciei a sensação de tranquilidade. A brisa fresca contribuía, e muito, para esse clima.

Ao longe, contemplei as luzes da casa de Edward, todas acesas. Ele estava acordado, e aparentemente feliz. Porque era raro a casa toda iluminada daquele jeito.

Fazia anos que eu olhava naquela direção: a construção imponente sempre parecia triste e até fantasmagórica à noite. Sempre escura e praticamente sem vida. Mas nos últimos dias as coisas haviam mudado e particularmente hoje... Ahh, ela estava linda! A claridade parecia brotar de todos os lados. Quase dava para ver as flores vermelhas dos “Flamboaiãs” e as cores de rosa das Cerejeiras que enfeitavam a frente. Se eu fechasse os olhos, imaginaria o cheiro... Era uma sensação maravilhosa. A casa parecia viva, assim como meu irmão.

Depois de tanto tempo... Ele voltara a sorrir. E, por Deus! Era o maior sorriso do mundo. Mas também, pudera, ele tinha sua motivação de volta. E eu quase respirei aliviada com a novidade. Meus irmãos seriam felizes agora... Não graças a mim, e sim a benevolência dos Swan’s e eu agradeceria a Deus por toda vida, por eles serem quem são.

E isso bastava. Mesmo que meu coração sangrasse de vontade de “ser tia”. Eu não merecia... Antony era perfeito demais para conviver comigo. Eu me contentaria com a felicidade deles.

Segurei com mais força a xícara de chá de camomila que sempre me acompanhava nas noites frias de Forks.

Edward e Alice... Eles tinham suas vidas de volta, a felicidade de volta. Era isso que importava.

Respirei de novo com força. Eles mereciam, eu não. Repeti, em pensamento, aquelas palavras por mais algum tempo.

Bastava. Bastava...

— RÓSIE, TELEFONE PARA VOCÊ.

Dei um pulo da cadeira com o grito de Carlisle, no quaro ao lado. Minha concentração no mantra era tanta que nem escutei o telefone de casa tocando.

— Obrigada, pai. Atendo aqui.

Respondi já dentro do quarto, com a extensão nas mãos.

— Alô.

— Rósalie? Como é bom ouvir sua voz. Mudou de número de novo? Parece que está fugindo de mim. Precisamos conversar.

Senti minhas pernas bambearem e estremeci.

De novo não!

Notas finais
Bom meninas, demorei porque tinha 135 comentários para responder, e estou quase terminando. Chego lá! Também porque minha vida está de cabeça para baixo de novo, deu um surto de Covid aqui. E estamos de Lockdown de novo. 15 dias que nem os meninos nem eu saímos de casa e a vida financeira tá uma loucura com o comércio fechado. Mas Deus sabe... tenham paciência aí. Beijinhos e obrigada a todas pelo carinho no último capítulo. Vocês são as melhores leitoras que alguém poderia querer. Beijos e vejo vocês nos comentários.