Quando o passado não te deixa viver
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Notas iniciais
Edward
Engraçado como a vida da gente muda num piscar de olhos.
Eu, por exemplo, sempre fui um homem da Ciência, bom... Corrigindo... Eu me tornei um homem da Ciência, desde que coloquei, em minha maldita cabeça dura, que seria um médico.
O “ceticismo” tornou-se meu companheiro. Tudo precisava ser provado. Até em questões religiosas tive meus momentos de idiotice. Acreditando que tudo precisava ser cientificamente comprovado para ser válido.
Superstições e intuições foram riscadas do meu interesse e nunca dei-lhes a chance de mostrar o contrário.
Até que... Tornei-me um pai. Sabe aquelas coisas que Carlisle e Esme diziam sobre saber quando um filho estava em perigo, com fome ou frio? Mesmo sem algum de nós pronunciarmos uma palavra? Ou até mesmo quando diziam que se “resmungássemos e cochichássemos” em nossos quartos eles ouviam? Que o instinto os fazia acordar? Pois bem, eu sabia, por experiência própria, agora que isso tudo significava.
E o Edward cético? Pois é, ele se desintegrara totalmente. Porque agora eu sabia o que meus pais diziam. Eu era um pai. Eu sabia e sentia quando “a melhor parte de mim e de Bella” não estava bem. E vice versa também. Eu sabia quando Antony estava em toda sua glória de felicidade.
E era exatamente assim que ele se encontrava nesse momento, entre mim e a mãe, no quarto dela, na cama dela... Com um sorriso estonteante e mãozinhas pequenas e delicadas acariciando, fascinadamente, a face da linda mulher que lhe deu a vida.
— Devagarzinho, Campeão. Deixe-a dormir mais um pouquinho, ainda é cedo.
Sussurrei para ele.
Devia ser umas seis e meia da manhã. Apesar das cortinas estarem fechadas e o natural clima fechado de Forks, não havia a luminosidade do dia ainda. Além disso, o silêncio ainda reinava. A cidade dormia.
— Tony veio para cá quando? Hoje?
— Não.
Ajeitei o travesseiro e levantei mais a postura, quase sentando. Eu queria ficar mais perto deles.
— Te trouxemos ontem. A mamãe estava com muitas saudades. Te queria perto, mas não quis te acordar, já que dormia profundamente.
Era uma verdade. Depois da nossa conversa, Bella tomou banho e comeu. E quando resolvemos que iríamos deitar ela pediu por Antony dizendo que a saudade era muita. E eu prontamente me ofereci para trazê-lo.
— Tony não “acoldou”?
Neguei e levei a mão a seus cabelos o confortando.
— Mamãe dormiu que “holas”?
Eu não entendia ainda para onde a cabecinha dele estava indo, porém faria questão de descobrir. Porque com Antony cada conversa era um novo aprendizado.
— Dormiu... A noite toda assim como você.
— Tem certeza?
— Claro que tenho. Eu estava aqui “ó”. Desse jeitinho, grudadinho em vocês.
Aproximei-me mais encostando o peito em suas costas. Quase fazendo dele um “sanduichinho” de Antony.
— Hum! Isso é “estlanho”.
— Por que?
Ele parou o carinho e descansou os dedos abaixo dos olhos da mãe. As palavras saiam ainda mais baixas. Quase um murmúrio.
— Ela não “cholou”, não se assustou, não “glitou”, nem teve sonho “luim”. Vovô e titio Memmett não me deixam dormir mais com a mamãezinha porque eu sempre choro com ela quando isso acontece.
— Filho...
Fiquei momentaneamente sem palavras. Era minha culpa!
— Ela vai melhorar, Filhote. Quando temos um dia ruim ou trabalhamos muito, ficamos exaustos, mas nossa “cabecinha” não desliga. Por isso, essas coisas acontecem. Mas, com ajuda dos profissionais certos e a nossa, esses episódios irão diminuindo, diminuindo... Até mamãe ter noites inteiras de sono tranquilo.
— Ela não pode “tolmar” remedinho para dormir. Nem daqueles com agulhas que vovó dá quando mamãe chora muito e “tleme”. Ela fica triste e “estlanha” um tanto de dias depois e aí não quer mais “dolmir” a noite com medo de assustar o Antony.
Ah, Deus!
— Ela não vai tomar nada, Amor! E papai não vai deixar ninguém aplicar nenhuma injeção mais. Mamãe só vai deitar e dormir. Tranquila. Pode ser criança, filho. Estou aqui. Vou cuidar de tudo agora.
Foi a vez dele ficar em silêncio e voltar a deslizar a mão, agora pelo cabelo de Bella.
— Ela trouxe Tony pra caminha dela. Então não tá mais “tliste” com Tony por ter sido um menino mau, não é?
— Tony não é mau. Só fez uma coisa feia. E é claro que ela te desculpou. Porém, isso não significa que não precise pedir desculpa. As pessoas gostam de ouvir que assumimos nossos erros e prometemos não fazer mais.
— Tony “plomete”.
Eu sabia. Mesmo que ainda tivesse a certeza de que aquela não seria a última vez que ele deixaria o gênio o dominar. Rebeldia infantil e juvenil ainda nos aguardavam demais.
— Ela é linda, não é?
— A mais linda. Por isso vou me casar com ela.
Ele não respondeu. E eu fiquei na dúvida se não entendeu o que eu disse ou se resolveu que só ignoraria meu comentário.
Antony e seus ciúmes eram um caso sério.
— Hum!
Bella fez faneca e apertou os olhos, aparentemente acordando.
— Shiiii. “Quelia” que ela “dolmisse” mais um pouquinho.
— É só ficarmos caladinhos e...
— Impossível. Vocês conversam como duas lavadeiras.
Antony e eu ficamos quietos. Ela mantinha os olhos fechados, porém suspirou profundamente e abriu o maior de seus sorrisos.
— Acho que ela ainda está dormindo e provavelmente, falando ao mesmo tempo.
Brinquei com meu filho, não querendo que ficasse chateado por ela ter acordado.
— Tony acha que não.
— Então vamos testar.
Fiz minha melhor cara de sério.
— Mamãe do Tony, se você está acordada abra os olhos.
Bela não o fez.
— Viu? Tá dormindo.
— É verdade.
— Então, a gente já pode voltar a falar daquela professora gatinha que você tem e...
Provoquei fazendo- a abrir os olhos imediatamente e ele gargalhar alto.
— Ah, eu sabia! Tony sabia! Mamãe tava “fingindo”!
Bateu palmas divertido. Enquanto ela jogava faíscas, com o olhar, em minha direção.
— O quê? A gente precisava ter certeza de que você estava acordada.
— Professora gatinha, é?
Dei de ombros sorrindo do biquinho dela.
— Um truque infalível.
— Vou me lembrar disso, Edward Cullen. Juro que vou. E você hein, rapazinho? Fica “dando onda” para esse seu pai sem juízo.
Fez cócegas nele e o apertou junto a si, beijando cada parte do rostinho exposto.
Antony se contorcia e os dois riam alto.
Era o som do céu! A minha trilha sonora favorita. Lamentei não ter o telefone por perto para gravar e escutar sempre que estivesse longe deles e fosse vencido pela saudade.
— “Pala”, mamãezinha. “Pala”... foi idéia do papai. “Pala”... Tony que falar.
Ela ainda o torturou por mais alguns segundo, antes de então soltá-lo.
— Ai. Espera! Tony precisa respirar!
Ofegou e ficou quietinho por alguns segundos recuperando o fôlego e foi a deixa para que eu pegasse a mão dela e beijasse com devoção.
— Bom dia, Linda! Dormiu bem?
— Bom dia. Como há muito não acontecia; Descansei feito um bebê.
Era uma informação maravilhosa de se ouvir e também valiosa. Poderia significar que ela precisava só da companhia certa para que os pesadelos acabassem.
— Vocês são fofos! Tony gosta.
— E você é sapeca demais, menino. Mamãe estava morrendo de saudade.
— Tony também estava.
E foi então que a expressão dele mudou, como um estalar de dedos, o rostinho feliz se transformou em angustiado e arrependido.
— Tony lamenta por ter feito mamãe “cholar”. Foi um menino mau e papai o colocou de castigo. Tony chorou. Foi “luim” não ter mamãezinha em casa. Desculpa, mamãe. Tony “plomete” não ficar mais “blavo”. Tony promete que vai pensar antes de falar. Igual o papai ensinou. Por favor, mamãe Bella, desculpa o Tony?
— Oh, meu filho!
Bela se sentou e o puxou para seu colo. Segui o exemplo deles e me recostei à cabeceira para admirar mais de perto a cena linda de mãe e filho.
— Não tem o que desculpar. Mamãe é que lamenta por ser tão impulsiva e não enfrentar as situações de frente. Está tudo bem.
— Tony não vai mais falar coisa feia. Desculpa?
Os olhos dos dois estavam rasos de água e eu não pude deixar de me emocionar também.
— Todo bem, Amor. Está desculpado. A mamãe já esqueceu. Perdoa a mamãe também? Prometo ser mais forte para você.
— Você é forte. Não diga isso.
Aproximei-me deles e fechei os dois em meus braços.
— Tony ama a mamãe.
— E mamãe ama o Tony.
— Ah, e eu fico de fora, não é? Ninguém ama o papai maravilhoso aqui que resolveu a situação?
Eles se olharam divertidos.
— A gente ama o papai emburradinho também, né mamãe?
— Claro que ama. Que tal a gente enchê-lo de beijinhos para provar?
— Vamos! Ataque!
Bella
E então em meio a risos e gritinhos, nos jogamos em Edward, forçando-o a deitar outra vez, e o enchemos de beijos e carinhos.
Era uma sensação estranha e totalmente nova. Eu nunca tinha dormido com outro homem em minha cama. Sim, porque, papai, meus irmãos e Antony não contam.
Enfim, era uma situação totalmente diferente tanto para mim quanto para Antony. Ter Edward ali, tão à vontade, sem Antony nem se abalar, era algo que eu poderia me acostumar.
Noiva, Bella! É evidente que eu teria que me acostumar e rápido, porque o homem não estava para brincadeira com datas.
— Chega! Chega! Matar o papai de rir, está fora de cogitação. Tenho uma mulher bonita demais para ficar viúva.
— Isso é verdade.
Gracejei me levantando e rumando para o banheiro ao mesmo tempo em que bateram na porta da frente.
— Hum, preciso de uns minutinhos. Abre para mim, Amor? Deve ser um dos meninos da loja com alguma urgência do plantão. Eles têm acesso ao apartamento pela entrada da loja. Diga que desço em uma hora. Assim que tomarmos café.
— Ok, vou lá. Vista-se.
Apontou para meu, comportado, pijama de camisetinha e short de algodão.
Cruzei os braços e olhei-o com indignação.
— O quê? Não tenho culpa de você ter contratado Mike Newton. Ele é um tarado que fica te encarando de uniforme. Imagina vestida assim?
— Papai, o que é um “talado”?
— Nada! Nada, filho. Não escuta o que o seu pai. Abra a porta, Edward ou vão derrubá-la. Conversamos depois sobre seu linguajar.
“O bonito” só se deu o trabalho de dar de ombros, abriu aquele sorriso torto que derretia meu coração, então veio para mim, encostou os lábios nos meus, deu um “bom dia”, de verdade e só então rumou para a sala, com Antony em seu encalço.
— Bella! Saia do transe!
Sacudi a cabeça recuperando o raciocínio e me libertando do efeito “Edward Cullen” em mim.
Porém, antes mesmo de me livrar do pijama fui tomada pelo grito de Antony.
— MAMÃE, O VOVÔ CHEGOU!
Putz!
Só joguei uma água no rosto vesti uma roupa qualquer e corri para sala. Algo me dizia que Charlie Swan não estava preparado para encontra Edward na casa da filha assim tão cedo.
Edward
— Vovô, você não vai “entlar”? Antony quer te “ablaçar”.
— Perdão, tio. Entre!
Ainda atônito me afastei da porta, que havia acabado de abrir, e dei espaço para que meus sogros entrassem.
Charlie não estava feliz, isso era óbvio. Primeiro porque me olhou de cima abaixo, dando total atenção a meu pijama. E segundo porque mal disfarçava a carranca quando notou que era eu a abrir a porta.
— Ei, pai. Bom dia! Mãe!
Bella veio correndo do corredor e se jogou nos braços do pai, que logo a segurou mais junto a si.
— Eu diria que já é boa tarde. Você não deveria estar na loja? Onde está seu irmão?
— Bem aqui, pai. Bom dia.
Jasper se juntou a nós. Suas feições amassadas comprovavam que havia acabado de acordar também.
— Estava dormindo? Não ensinei nada a vocês?
— Charlie!
Jasper, abraçou a mãe, porém antes sorriu debochado para mim. Era óbvio que ele já entendera o que se passara ali.
— Um dia só de atraso, paizinho. Trabalhei em campo dois dias. Estava exausta.
— Tava mesmo, vovô. Tony “complova polque” mamãe dormiu a noite todinha, na cama com papai e Tony, e não teve nem um pesadelozinho.
Putz!
Não dava nem pra dizer que eu havia me apossado do sofá.
Meu filho e sua mania de querer ajudar.
— Ah é. Então seu pai anda dormindo aqui?
— Não, pai. Edward não anda dormindo aqui. Foi só essa noite porque cheguei tarde. Ele estava com Antony.
— E onde o senhor estava?
Apontou para Jasper.
— Porque com sua noiva você não estava já que Esme ligou de madrugada pedindo para que sua mãe fosse a Paraíso dar uma olhada nela, que não estava bem.
— Alice? Ela não me ligou. Aconteceu algo?
De repente o clima mudou, de cheio de brincadeiras e provocações para algo mais sério.
— A pressão dela subiu um pouquinho. Ache que teve uma discussão com sua irmã e ficou chateada. Não precisa se preocupar, já estabilizou. Contudo, eu ficaria mais tranquila se fosse buscá-la para fazermos uma ultra.
— Vou agora. Só tomarei um banho antes.
Saiu em disparada para o quarto e eu deixei que todo o meu medo dominasse.
— Tia, a senhora está escondendo algo? Minha irmã está bem?
— Está sim, querido. É só por precaução que a quero aqui. E também para tirá-la de perto de Rósalie. Acho que sua irmã está causando dores de cabeça a seus pais.
— Carlisle dará um jeito nela. Os gritos dele podiam ser ouvidos em La Push ontem.
Assenti rezando para que papai desse mesmo uma lição em Rósalie. Eu não sabia o que havia acontecido, mas se ela conseguira tirar meu pai do sério é porque o assunto era complicado.
— Agora que já avisei a Jasper podemos voltar ao assunto dele estar em minha casa, de pijamas?
E então o foco estava de novo em mim.
— Minha casa!
Bela enfatizou sustentando o olhar atravessado de Charlie Swan, instigando-o a contradizê-la.
Ele não o fez, só fechou mais a expressão e levantou a sobrancelha num gesto de desgosto.
— E se eu fosse o senhor iria se acostumando porque...
Ah, Jesus, Maria e José... A mulher queria minha morte só pode, porque nem ficou vermelha quando levantou a mão e mostrou o meu anel em sua mão direita.
— Vocês, vocês...
Tia Renée colocou um confuso Antony no chão e abraçou Bella, que já havia se libertado dos braços do pai.
— Vamos nos casar.
— E eu sou o último, a saber? O que mais descobrirei hoje? Já que essa novidade e encontrar Edward de pijama em minha casa não são o bastante para você?
— Minha casa, pai!
Dei um passo para trás quando Bella praticamente rosnou. Eles travavam uma guerra de olhares que, coitado de quem interferisse.
Porém, eu não poderia deixar que travassem uma luta. Eu queria começar certo dessa vez.
— Poucas pessoas sabem, tio. Nem meus pais ainda foram informados, nem vovó. Faremos isso no domingo, no almoço da família. Aliás, nem Bella sabia, eu a surpreendi. A culpa é minha.
— Hum!
Não foi o bastante, e eu entendo. Que pai gostaria de encontrar o namorado da filha, com roupas de dormir, em sua casa de manhã. Mesmo a casa sendo dela, como enfatizou bastante. Uma vez pai, sempre pai. E imagino que de menina seja muito pior.
— E eu só passei a noite aqui, porque precisava resolver uns assuntos com Bella.
Não entrei em detalhes, não queria contar da situação ruim com Antony.
— Fiquei sabendo.
Ah, Emmett, e sua boca grande.
Contudo, Charlie não entrou em detalhes. Certamente imaginava que Bella não sabia da nossa conversa.
Mal ele sabia que eu nunca mais mentiria para ela.
— Antony estava em nosso meio à noite toda, tio. Bella só precisava dormir.
— E ela “dolmiu”, vovô. “Pol que” tá tão “blavo”?
Tia Renée fechou a expressão para o esposo.
— Pare, Charlie! Está assustando Antony. Bella é bem grandinha e dona de si.
Bella
Eu queria “matar” Charlie. O que ele estava fazendo? Tratando-me como uma menininha pura e indefesa?
Ah se ele ao menos imaginasse o quanto testei o autocontrole de Edward esses dias...
— Tudo bem. Estão desculpados. Da próxima vez use o quarto de Emmett ou o meu.
— Pai!
Putz!
E ele nem se deu ao trabalho de ficar com vergonha. Só mudou de assunto como se não tivesse feito nada.
— Agora venha aqui, Garotão. Vovô estava com saudades.
Antony se jogou em seus braços e se derramou de carinhos para o avô. Mamãe só deu de ombros.
— Venha para a cozinha, Isabella, quero conversar. E queremos panquecas para o café da manhã. E não espere por felicitações. Quando eu receber um pedido e concordar com ele, talvez, e olha que eu disse talvez, o faça... E quanto a você, vista uma roupa, rapaz!
— Ahh!
Reclamei irritada, mas, já era tarde. Eles já haviam se afastado me deixando atordoada com um Edward sem saber o que falar.
— Ele, ele...
Não consegui completar o raciocínio, pois meu namorado nada solidário com meus dilemas, explodiu em uma risada frenética e totalmente sem sentido.
Será que era nervoso?
— O quê? Você precisa concordar que é uma situação constrangedora, mas muito divertida.
— Não vi graça nenhuma. E Charlie foi um grosso com você.
— Ah, Vida! Eu me solidarizo com ele. Acho que não é agradável para nenhum pai encontrar o namorado da filha de pijama logo de manhã em sua casa. Entre linhas, significa que dormiram juntos. E que casal de namorados só dorme junto?
— Nós!
Enfatizei emburrada enterrando o rosto em seu peito quando me abraçou carinhosamente.
— É verdade, mas seu pai não sabia disso até explicarmos. Eu é que não quero passar por uma situação semelhante. Deus me livre de encontrar o namorado da minha, futura filha, em trajes de dormir.
Revirei os olhos e resmunguei uma resposta ácida para tal atitude machista.
Contudo, ele nem ousou responder, estava ocupado demais com outras ideias.
— Podemos esquecer seu pai por um segundo? Preciso te dar um bom dia direito.
— Bom dia.
Levantei o rosto e encostei os lábios nos dele, porque sabia que era isso que tinha em mente.
— Quero começar nossas manhãs assim todos os dias.
— Com meu pai na nossa porta tirando satisfações?
— Não!
Respondeu rapidamente.
— Quis dizer, com você nos meus braços. Traz perspectiva de que o dia será bom.
— Sei. Começou mesmo muito bom.
Interrompi seus pensamentos antes que me fizesse adiantar o casamento. Porque, convenhamos quando a boca de Edward Cullen estava na minha eu tendia a esquecer tudo e concordar com tudo.
Era o Paraíso na terra.
Ele segurava minhas costas com cuidado, porém com posse. Juntando mais nossos corpos cada vez que a boca sugava com mais vontade.
Era provocante! Delicioso!
A língua brincava com a minha numa procura insana por mais contato e carícias.
Era a melhor sensação que uma mulher poderia sentir. A certeza de que era desejada, amada!
— Isso! Brinquem com fogo! Vou sentar aqui e assistir Charlie pegar a faca da cozinha e te escapelar, Cullen. Essa mulher que você está devorando aí é a garotinha dele, lembre-se disso.
— Jasper, você é um estraga prazeres e idiota.
— Mas que te ama, irmãzinha. E presa pela vida do irmão da minha mulher. Tomem jeito!
Eu queria ficar brava com ele, juro que queria. Só que era Jas ali, e convenhamos, ele tinha razão.
— Já me afastei, cunhado. Só estava dando, bom dia. Vou me trocar. Não vejo a hora de estarmos em nossa casa, Amor!
Edward deu um adeus levantando justamente a mão direita mostrando a sua versão da aliança de noivado. Será que ele faria mesmo questão de mostrar para todo mundo?
Jasper fez um som de desgosto.
— Também não recebi um pedido, Cullen. Bella tem família, sabia?
— Então... Também não fui consultado sobre engravidar minha irmã, Jas. Acho que estamos num empate.
— Ai! Toma!
Provoquei meu irmão. Como vovó diz: fala o que quer ouve o que não quer.
— Tá, já entendi. Estou indo. Se comportem. Preciso dos dois vivos até o batizado do meu filho.
O que ele disse?
Mas já era tarde demais. Só deu tempo de Edward gritar um aviso.
— Estarei lá em breve. Seja o que for que Rósalie fez, terá volta. Pode avisar, meu pai.
— Ok. Se cuidem!
— Ele, ele... Disse que batizaremos seu filho?
— Praticamente. Agora deixe-me tomar um banho. Você me deixou ardendo, Linda.
Voltou a se aproximar, segurou meu rosto e pressionou a boca na minha com determinação outra vez.
Porém, o universo estava contra mim naquela manhã.
— ISABELLA, estamos mofando aqui. Arraste esses pés para cá ou vou preparar uma mamadeira para Antony. “O estômago dele está comendo os pulmões já”, de tanta fome.
— Já vou.
Zonza me afastei de Edward cambaleando.
Por Deus! O efeito desse homem seria minha ruína.
— Delícia!
Deu uma tapinha, de leve, em meu bumbum, brincalhão. Antes de enfim, voltar para meu quarto.
Ah seu eu pudesse segui-lo...
Edward
Minutos mais tarde, estava eu de banho tomado e roupa trocada, pronto para mais um dia, sentado ao lado de Antony ajudando-o a cortar suas panquecas enquanto ouvia e via a interação de meus sogros e Bella.
Claro que opinava em certos momentos, porém, resolvi ficar mais quieto depois de ser flagrado hoje cedo.
Ah, Charlie! Se ele ao menos imaginasse o quanto essa noite foi inocente... O perigo aconteceu no sábado. Foi no sábado que os Anjos cantaram glória pelo esplendor de minha mulher nua em meus braços a luz da lua.
Ah, se ele ao menos imaginasse... Eu seria um homem morto!
— Não era para Esme e eu participarmos do congresso. Mas, nosso representante resolveu nos deixar na mão.
Tia Renée olhou acusatoriamente em minha direção. Bella seguiu a mãe e franziu a testa ao me ver levantar de ombros.
— Esse congresso me rendeu mais problemas do que a senhora pode imaginar, tia. Além disso, não sou mais funcionário do hospital. Recuso-me a participar.
Não olhei para Bella. Não lhe dei a oportunidade de sentir-se culpada. Eu não iria e pronto!
— Não é funcionário do hospital, mas é herdeiro. Entende do assunto e ainda continuará atendendo na clínica.
— Ainda...
Deixei a resposta no ar fazendo com que tio Charlie e Bella me olhassem curiosos. Os ignorei, outra vez. Ainda não estava pronto para revelar meus planos.
— Edward, Esme e eu queremos nos aposentar. Queremos curtir os netos, os maridos, a vida... São dois hospitais agora. Precisamos de alguém, da família, para administrar.
Rá, então era isso! Certeza de que mamãe estivera conversando com ela. Esme certamente achara que tia Renée tinha mais poder de convencimento do que ela.
— Jasper é um ótimo administrador, tia. Além do mais, nossa família já está na quarta geração. Bem provável que um dos seus netos será médico. É só esperar!
Coloquei mais um pedaço de panqueca na boquinha do meu filho.
— Tony vai ser médico de “aminais”.
— Ei! Boca cheia não, Campeão.
Bella o repreendeu quando interveio no assunto ao mesmo tempo em que mastigava.
— Edward...
— Desista, tia! Essa decisão já estava tomada há tempos. Eu só esperava o motivo certo para dar uma guinada em minha vida. E agora eu tenho!
Toquei o nariz de Antony, depois segurei a mão de Bella por cima da mesa.
— Mãe, pare! Ele não quer!
Fui ajudado por minha linda mulher. A curiosidade brilhava nos castanhos mais intensos que já vi. Porém, ela não perguntou nada e eu sabia que era questão de tempo até que me bombardeasse com indagações.
— Renée...
Charlie também a alertou. É, eu tinha mais um aliado, e olha que nem tinha revelado meus planos. Imagino só quando o fizer.
— Ok, ok, já entendi. Enfim, não estaremos em casa no fim de semana. Viajaremos na sexta e retornaremos domingo à noite. Por isso, precisamos de você em casa.
— O que?
— Isso mesmo que ouviu. Leah está prestes há completar 39 semanas e a médica dela quer ver se espera mais uma.
— E o que tenho haver com isso?
Ah, minha Linda, você precisa aprender a “ler nas entrelinhas”. Era evidente que a mãe e o pai, lógico, queriam reaproximá-la do irmão.
Ah, céus, isso significava: Adeus fim de semana com Minhas Vidas em casa. Emmett aprontava e eu é que era castigado.
— Preciso de alguém com ela, uma mulher para ser mais exata. Emmett está surtando e a sufocando com tantos “Você está bem”? “Precisa de algo”? “Dói em algum lugar”? Ele a está irritando e preciso de alguém para mandá-lo parar. Não precisamos que tenha contrações só porque está nervosa com o “idiota ansioso” do seu irmão.
— Leve Jasper e Alice. Emmett e eu não estamos nos entendendo.
— Alice está grávida. Não pode com estresse também. E você acha que ela tem pulso suficiente para colocar Emmett no lugar dele? Só você faz isso. Querida.
— Mãe...
Eu teria cedido ali. A carinha dela... Conseguiria o mundo de mim, aqueles olhos pidões.
— Não! Chega, Isabella! Sua mãe tentou pela lógica e não conseguiu, agora é minha vez.
Charlie não alterou a voz. Só foi mais sério, mais rígido. Eu tinha muito que aprender com ele.
— Não criei 3 filhos para ficarem “de cara virada” um para o outro. Emmett foi um idiota, mas ele está arrependido. Leve-o para os estábulos, grite, ameace, desabafe, mas depois se perdoem. Criei irmãos. Ele te ama e ama Antony como um filho. Está sofrendo horrores e não tem coragem de dar o primeiro passo para se desculpar. Dê você e então ele fará o resto. Conheço meu filho.
— Tony tá com “saudadona” do titio Memmett.
Era óbvio que conhecia... E Tony cravou a estaca.
— Afh! O que acha?
Bella me perguntou e eu amei saber que minha opinião importava.
— Acho que Emmett te ama demais, acho que ele morre de ciúmes e que devemos dar-lhe tempo para acostumar com a ideia de que estamos juntos de novo e que agora é para sempre.
— E devemos dar-lhe esse tempo aqui bem longe ou lá convivendo com ele e correndo o risco de ouvir suas grosserias?
— Bella!
Charlie quis intervir, creio eu irritado por ela discutir o assunto comigo. Contudo, foi interrompido quando, sem nem o olhar, ela estendeu a mão o impedindo de continuar falando.
Era a minha resposta que queria.
— Acho que podemos tentar uma convivência. Ele merece pelo menos uma tentativa. Se não der certo... Bom...
Dei de ombros.
— Aí pensamos o que fazer.
Apertei os dedos dela e trouxe sua mão à boca, beijando com carinho.
Emmett é um bom irmão. Ele merece outra chance.
— Ok, mãe. Nós iremos pra fazenda. Só diga a Emmett para se comportar.
— Iuup!
Antony comemorou batendo palmas.
— Eu direi. E prometo que não se arrependerá, querida.
Charlie balbuciou, sem som, um “Obrigado” para mim. E eu acenei com a cabeça com entendimento.
Seríamos uma família muita mais unida a partir da união de Alice e Jasper e minha e Bella, estreitar os laços era mais do que uma obrigação.
Tânia
— Ódio de lugar “chinfrim”, sujo e de gente sem noção. Se meus “Manolos” pudessem falar; certeza de que estariam xingando em alto e bom som: Droga de lugar!
— Perdão, moça, a senhora disse alguma coisa.
Era só que me faltava!
— Não, obrigada!
Ajeitei mais os óculos de sol no rosto dificultando que ele visse mais do que o necessário, e então passei a observar mais de perto o lugar.
Os cabelos soltos ajudavam em muito para disfarçar a aparência, ou talvez para marcar a aparência. Eu ainda não estava decidida de qual caminho seguir... Só sabia que, em algum momento, tiraria proveito de minha semelhança com...
— Ah, mas a senhora está parada há muito tempo observando. Achei que precisasse de ajuda.
Funcionariozinho enxerido.
— Estou vendo as dependências, se são seguras. Não está passando muita confiança.
— Ah, a senhora vai matricular seu filho?
Assenti.
— Ah, mas a senhora pode confiar. A instituição é umas melhores da região. Temos alunos filhos de fazendeiros, políticos e até médicos.
Médicos, é?
— Quer que eu chame alguém da administração para acompanhar a senhora numa visita de inspeção? Sou novo aqui e não posso deixar meu posto, a não ser na hora do meu lanche. Mas, posso interfonar para alguém acompanhá-la. A senhora vai adorar e seu filho também.
Visita? Novo ali? Hora do lanche? Olha o universo conspirando a meu favor. Três ótimas informações em menos de dois minutos de conversa.
— Na verdade senhor eu vou quere sim, mas em outro dia. Hoje estou com um pouquinho de pressa.
O sorriso idiota dele era garantia de que eu fora convincente.
— Ah, então volte em outra oportunidade. Não vai se arrepender. Seu filho será muito bem tratado.
— Certo, obrigada. Ahh...
Virei de volta para ele antes de entrar no carro.
— Meu sobrinho já estuda aí eu só queria testar a segurança, você está de parabéns!
Adulei o idiota. Era bom ver como os homens caiam no meu papinho.
— Espero que os outros profissionais sejam tão bons quanto você.
— Eles são, eu garanto. Se quiser aquela visita ainda está de pé.
Sorriu insinuando algo que eu não tinha proposto. Ru nunca me rebaixaria aquele ponto.
Era inteligente demais. Havia formas melhores de conseguir o que queria.
— Talvez em breve. Meu irmão vai viajar e me disponibilizei para buscar o filho dele aqui. Aproveitarei a oportunidade.
— Aguardarei ansiosamente.
Idiota! Resmunguei em pensamento. Antes de sorrir zombeteira deixando a frase dele morrer no ar.
— Adeuzinho!
Abanei a mão e corri dali. A ideia tomando cor e forma em minha mente. Agora eu sabia como mexer os peões certinho para então dar o xeque- mate em Cullens e Swans.
E enfim eu teria tudo de volta: o dinheiro, a lacaia de Rósalie e o status de senhora Edward Cullen!
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