Notas iniciais
Bom, capítulo importantíssimo. Leiam com atenção... Tenho perguntinha lá embaixo. E, capítulo todo dedicado a Lucinha que recomendou e fez essa autora muito mais feliz. Ahhh, tem avisos importantes também nas notas finais.

Dias atuais

Bella

— “Nem parece uma mulher... Se veste como homem. Não atrai ninguém. Como pode ter um namorado daquele? Aposto que ele é infeliz. Nunca estará a altura do Cullen”.

— Não! Não! Parem! Pelo amor de Deus!!! Parem! Ah!

Acordei sobressaltada com meus próprios gritos.

Deus! Era um pesadelo. Um maldito pesadelo. Apenas um pesadelo. Há quanto tempo não tinha um?

— Mamãe? Mamãe, você tá bem?

Droga! Droga! Eu havia acordado meu filho. O quarto dele era de frente ao meu. Meus gritos devem ter sidos intensos. Antony me olhava assustado da porta com carinha de choro.

— Oi, anjinho. Venha aqui. Mamãe teve um sonho ruim. Perdoe-me por assustar você.

Com expressão de medo, ele olhou por todo o quarto e entrou desconfiado.

O abajur, ao lado de minha cama, continuava aceso o que deixava o ambiente numa penumbra.

Dormir no escuro não era uma opção desde... Desde... Bem, desde que eu decidi que tinha medo.

— Não me assustou, mamãezinha, sou homem. Homens não se assustam. Mas, o “senior Ovelha” “tlemeu e acoldou” quando a “senhola glitou”.

Apontou para a ovelha de pelúcia que arrastava pela orelha enquanto vinha até a cama.

Aquele bicho fora um dos primeiros presentes de Emmett para mim, quando nos instalamos definitivamente no Brasil.

— Ora, então devo um pedido de desculpas ao senhor ovelha. Se importa se ele dormir com a gente?

Puxei o edredom, cheguei um pouco para trás, e estendi a mão o ajudando a subir na cama alta.

— O “senior ovelha te peldoa”. E acho que ele pode “dolmir” aqui também. Já que não gosta muito do “qualto” novo.

Sorrio e aconchego suas costas a meu peito. Aspiro fundo seu cheiro gostoso, ainda de bebê.

Eu também não gostava do quarto novo dele. O queria aqui, a meu lado. Não estava pronta para deixá-lo criar a tal independência. E pelo jeito, ele também não a queria.

Antony, no auge dos seus quatro anos, já tinha a dicção formadinha. Falava todas as palavras e articulava frases muito bem. Porém, sempre que estava perto de mim ou de meu pai, regredia. Trocava letras e até palavras.

Segundo a psicóloga que o acompanhava no Brasil, era culpa da super proteção que meu pai e eu o dávamos.

— Mamãe?

— Oi?

Acaricio seu cabelo incitando-o a voltar a dormir.

— “Pode dolmir. Eu te plotejo do homem mau”.

Sem que eu me desse conta meus olhos se encheram de lágrimas e foi impossível não deixá-las cair.

— “Não plecisa cholar. Ele não vem. Eu lezei antes de dolmir. Papai do Céu vai cuidar de mim e da senhola”.

O abracei mais apertado e beijei seu cabelo.

— Obrigada, pequeno grande homem. Mamãe é agraciada por ter você aqui.

Carinhosamente, Antony esfregou as mãozinhas nos meus braços.

— É uma festa do pijama? Tem lugar para mais um aí? Cheguem para lá. Eu disse que essa sua cama era pequena, Bells.

Sem cerimônia, Emmett entrou, fechou a porta atrás de si, levantou o edredom e logo se aconchegou em nós. Segurando firme a mim e meu filho.

— “Não temos culpa de você ser glande demais, papai Memett”.

Murmurou baixinho meu filho, já quase entregue ao sono.

— Durma, pestinha. Conversamos melhor sobre isso amanhã. Você também, Bê. Feche os olhos.

— O que faz aqui, Emmett? Volte para a cama, irmão. Leah precisa de você lá.

— Leah precisa da cama toda, Bells. Ela tá enorme e com sono o tempo todo. Nem seus roncos ou gritos a acordaram.

Bati o pé nos dele. Aquilo era maneira de falar da esposa grávida?

Ele nem se mexeu...

— Vou sentir sua falta quando sua casa ficar pronta.

Pensei na linda construção adiantada a alguns metros da casa de nossos pais.

— Certeza que ouvirei você de lá, “lady Bi”. Agora cale-se e durma. Daqui a pouco é hora de levantar e nós nem dormimos.

Ele brincava. Contudo, eu sabia que era verdade. Nesse instante não seria surpresa se a casa toda já estivesse acordada por minha culpa.

— Te amo, Emm.

Beijei o braço que me segurava junto a ele.

— Eu sei, Bells. E sempre estarei com você.

— Obrigada.

— Obrigado você, por ele.

Esticou a mão e passou pelo ombro de Antony que já ressonava baixinho.

— Agora cale-se e durma, porque se Jasper aparecer por aqui, literalmente essa cama não caberá mais ninguém.

Assentindo, sequei as lágrimas e fechei os olhos, deixando que uma doce, ou talvez amarga, lembrança me inundasse. Aliás, aquela era uma das poucas, que eu não fizera questão de esquecer.

Lembranças on

“- Ei Bells, venha logo para cá. Jasper e Alice estão levando uma surra de mim e Leah. Quer que eu vá te pegar já que não tem um carro, irmãzinha? Largue o babaca do seu namorado aí e venha para cá”.

— Afh!

Gemi baixo e voltei a guardar o celular naquela bolsa idiota que Alice me obrigara a usar.

Era a oitava mensagem que Emm me mandava, e ele não perdera a oportunidade de me alfinetar por eu não ter um carro ainda.

Eles estavam no boliche aqui em Port Ângeles mesmo, a dois quarteirões desse restaurante chato que Edward me obrigara a vir.

E isso nem era o pior. O pior eram seus amigos mimados e de conversinha mole.

— “Não, e vocês viram quando ela vomitou quando o professor abriu o porco? Nunca me diverti tanto”.

Revirei os olhos, a loira oxigenada riquinha achava lindo usarem os bichinhos como cobaia. Idiota!

Ah, se eles pudessem ler meus pensamentos.

— Nossa conversa te entedia, Isabella?

O carinha, com cara de fuinha, sentado ao lado de Tânia, me indagou quando mais uma vez respirei alto.

Imediatamente os olhos de Edward se voltaram para mim.

— Claro que não, não é Bella? Conversas médicas são comuns em nossas casas. Nossas mães só falam disso.

Controlei-me para não revirar os olhos, de novo, perante a grande mentira. Esme e Renée não falavam de trabalho em casa. Era norma de papai e tio Carl.

— Deixe a garota falar, Ed. Tem medo de quê? Estou interessada em saber o que ela acha dessa crise financeira que os hospitais da região estão passando.

A loira voltou a sorrir sinicamente e dessa vez colocou a mão por cima da de Edward, ou seria Ed?

Eu queria furar os olhos dela com o garfo de sobremesa. “Quanto menor a ferramenta, maior a dor”, já dizia meu pai.

— Crise? Que crise? Pelos últimos balancetes que verifiquei com mamãe, ontem a noite, não existe crise no nosso hospital. Os das suas estatísticas devem ser só mal administrados.

Comentei encarando-a, porque não era segredo para ninguém que o hospital da família dela estava a ponto de pedir concordata.

— Bella! O que está fazendo?

Edward sibilou baixo me repreendendo. E eu já estava farta daquilo.

— Nada! Não estou fazendo nada! Aliás, tenham uma boa noite. Eu já vou.

Levantei e joguei o maldito guardanapo sobre a mesa, já me dirigindo para a saída, deixando todos embasbacados com meu rompante.

— Ei, Bella! Pare! Aonde pensa que vai? Se desculpe, agora.

Continuei andando. Eu já estava farta de Edward e todos seus amigos.

— Rá! Vá sonhando, Ed. Vou para o boliche. Nossos irmãos estão lá. Meu lugar é lá.

Resmunguei firmando o pé para que não caísse daquela maldita sandália, que ele me dera.

Como eu andaria naquilo sem quebrar o pescoço? Era nessas horas que a raiva de Charlie me consumia. Ele era um pai opressor quando queria.

Emm e Jasper ganharam um carro quando entraram na universidade, aliás, um carro não, uma camionete. Meu sonho de consumo... E ele também me prometera uma. Só que na hora de fechar o negócio, deu para trás. Quer e insiste que eu escolha um carro pequeno alegando ser mais seguro.

Mas, eu não queria um carro pequeno. Então... Bella anda a pé ou de carona com os irmãos.

— Isabella! Quer parar? Estou tentando conversar.

Alcançou-me já do outro lado da rua e me segurou pelo braço.

Ahhh, agora ele queria conversar.

— Não! Não quero conversar. Quero ir ao encontro de meus irmãos e amigos. Fique aí com... Com... “aquelazinha”.

— Você está dando piti. As pessoas estão olhando. Odeio isso! Se comporte. Parece uma garota do interior.

— Rá, querido! Eu sou do interior e estou pouco me lixando para todo mundo. Volte para lá. Para mim já deu.

Puxei meu braço, contudo ele não me soltou do agarre. Olhou para todos os lados e passou, furiosamente, a outra mão pelo cabelo.

— Que droga, Bella!

Guiou-me mais para o fim da rua até estarmos longe dos olhos de seus amiguinhos.

— Não tenha uma crise de mulherzinha agora. Esse jantar é importante, Tânia é importante. Eu quero fazer residência no hospital da família dela, eles são influentes. Tem como se comportar só um pouco? Pelo menos uma vez na vida?

— Não, não tem! Volte para lá. Não sei por que me trouxe. Eles não me suportam, não falam comigo. Devia ter trazido Rosie.

— Não coloque minha irmã no meio disso. Ela está me ajudando na aproximação com Tânia. E se eu te trouxe foi porque achei que seria uma ocasião legal para mostrá-la o meu mundo.

É ela estava, eu sabia que estava.

— Não estou colocando nada em ninguém. Estou indo embora, Edward. Não quero ver seu mundo. Não quero nada disso.

Voltei a puxar o braço me livrando da cara de assustado dele e então voltei a caminhar. Eu estava fora de mim, brava.

Agora nem queria ir ao tal boliche. Queria ir para casa. Dormir, chorar.

— Bella, espere, por favor?

Pediu baixo voltando a me segurar pelo braço.

— Desculpa, desculpa... Não achei que estivesse te irritando estar aqui. Eu só queria passar uma noite longe de nossa família. Desculpa? Não vá embora. Vamos aproveitar a noite. Tenho planos para nós, por favor?

Droga! Droga! Por que eu gostava tanto dele? Ainda mais pedindo assim. Quem nos visse acharia mesmo que ele tem medo de me perder.

— Desculpa? Vamos voltar para lá, terminamos o jantar e depois fazemos algo, só você e eu. Por favor?

Ah, esse era meu ponto fraco.

Por que sozinhos ele falava doce e tocava meu rosto e meu cabelo como se eu fosse perfeita?

Deus! Eu o amo tanto!

— Tudo bem, Edward.

Respirei fundo e passei a mão no rosto afastando qualquer vestígio de lágrima que pudesse me entregar. Afinal, eu tinha dois irmãos e uma melhor amiga para enfrentar.

— Tá desculpado. Eu me excedi também. Volte para lá termine de jantar e de paparicar sua amiguinha. Vou para o boliche a assim que você acabar me encontre lá e aí sim, podemos fazer outra coisa.

Não satisfeito com minha resposta, ele se aproximou mais e me abraçou com força, inspirando profundamente em meu cabelo.

— Não vai embora, por favor. Volta lá para dentro comigo? Vamos terminar o jantar. Você nem provou a carne e sei que adora.

— Perdi a fome, obrigada. Pode ir tranquilo.

— Não quero que vá para lá sozinha.

Putz! Quem é que entendia aquele homem?

— São dois quarteirões daqui. Emm e Jas estão me esperando. Volte lá para dentro, seus amiguinhos estão olhando.

Ele virou a cabeça e observou a mesa que a pouco deixamos, era a primeira, pertinho da vitrine. Com visão privilegiada da rua.

— Façamos assim, entre no carro e me espere. Vou só dar uma satisfação e já volto.

— Não precisa. Aproveite o jantar e faça seus contatos. Nos encontramos mais tarde.

Por um segundo achei que ele cederia. O que seria decepcionante.

E quanto mais ele ficava dividido olhando para eles e para mim, mais minhas dúvidas aumentavam e eu achava que nunca teria uma luta justa contra aquilo.

Porém...

— Não. Vou só me despedir e já volto. Espere-me no carro.

Entregou-me a chave e antes mesmo que eu pensasse em algo, ele já corria apressado de volta lá para dentro.

Fiquei observando e percebi o exato momento em que ele comunicava que estava indo embora, a loira, fazia gestos de negação com a cabeça e tocava as mãos dele, os braços... Ela sabia que eu podia ver.

Eles formavam um lindo par, é verdade. Se fechasse os olhos podia imaginar as fotos nas colunas sociais do jornalzinho de Forks.

Então, por que eu não desistia? Não o deixava “voar” e ter o que sempre quis? Eu não era páreo para Tânia.

— Entre no carro, sua idiota. Entre no carro.

Dei voz a minha consciência, mas minhas pernas pareciam travadas. Eu não conseguia tirar os olhos deles.

Por isso, pouco tempo depois, quando ele estava de volta, me encontrou exatamente ali, parada.

— Vamos?

Abriu a porta para mim, algo que nunca fazia.

Não estava feliz, a mandíbula travada e a pequena marca de expressão entre os olhos, me certificaram disso.

Porém, disfarçou tudo com um sorriso.

Era evidente que fazia um esforço hercúleo para agradar.

— Vamos sair daqui.

Entramos no carro.

— Me leve para casa, por favor.

Pedi baixinho ainda observando a loira esbelta que sorria, com os amigos, enquanto nos observava atentamente.

A expressão dela era de quem dizia “aproveite enquanto pode”.

— Ah não, Bella! Você tem certeza? Eu tinha planos para nossa noite. Mas, se quiser podemos só encontrar com nossos irmãos. Não precisamos voltar agora.

Fiquei quieta, pensando, enquanto ele colocava o carro em movimento.

— Está tudo bem?

Dei de ombros. Minha opinião fazia alguma diferença? Se fizesse teríamos mesmo passado por aquele “inferno” de jantar?

— Ei, Bella? O que foi? Olhe para mim.

Frustrada, chateada e sem muita vontade, voltei-me para ele.

— O que foi? Por que está desse jeito? Fiz o que você queria e agora nós podemos...

— O que quer de mim, Edward?

— Como?

Perguntou atônito quando interrompi seu discurso de bom namorado que faz de tudo pala namorada.

— Isso mesmo que ouviu: o que quer de mim? Me deixou um dia depois do meu aniversário porque queria aproveitar a vida, porém passou dois anos sozinho. Depois, vem com tudo para cima de mim, quando nos reencontramos e me faz voltar para você. Contudo, nada mudou. Eu sou a mesma Bella de sempre. Continuo não servindo, como Rosie diz. Então me explica, o que quer de mim?

Antes que em me desse conta, ele parou o carro. Já estávamos na porta do boliche.

Sons, risadas e barulho do choque das bolas com os pinos ecoavam. Até o ar era outro. Transmitia alegria, simplicidade. Bem diferente do lugar onde estávamos.

— Está desistindo, Bella? Está me deixando?

— Não sei, Edward. Parece o único jeito. Não combinamos. O que sinto não é o suficiente. Você se envergonha e...

— Ei. Pare! Não me envergonho. Queria que agisse e se vestisse de outra maneira. Mas, isso não quer dizer que me envergonho. Você é linda, e minha.

Suspirei alto. Eu não o entendia e sabia que mentia.

Cansada de tudo, me preparei para descer.

— Espera! Não desce. Deus! É tão confuso. Sinto que vou te perder e não desejo isso.

Era bom para ele ver como eu me sentia todas as vezes que o via comTãnia.

— Quer mesmo ficar aqui? Quero te levar a um lugar. Quero fazer algo. Preciso te mostrar como combinamos e agora, no desespero, não consigo raciocinar algo melhor. Não era para ser assim, mas situações drásticas pedem medidas drásticas.

— Vamos?

Já deu partida antes mesmo que eu respondesse.

— Vou provar para você. Bella. Somos bons juntos. Você só precisa entender do que preciso.

Rodamos por mais alguns quarteirões. Até que ele virou, fez uma curva a direita e parou do lado de uma guarita, bem de frente a um portão grande, que escondia muito do que estava por trás.

— O doze, por favor.

Uma chave lhe foi passada e o portão se abriu, se revelando para mim onde estávamos.

Eu não sabia o que pensar.

— Confia em mim?

Estacionou o carro em uma pequena garagem particular, que dava para uma porta.

Uma garagem privada, para um quarto privado. Um motel!

Quando identifiquei o lugar tive certeza de que não era aquilo que ele tinha planejado para nossa noite. Edward estava improvisando. Talvez, por vontade, mas algo me dizia que no fundo, bem no fundo ele sabia que minhas dúvidas estavam me levando ao caminho do termino.

E algo dentro de mim gostou da ilusão de que ele tivesse pensado nisso como um meio de me segurar a ele. Já por outro lado, a ideia de que queria só ser o meu primeiro também ameaçava tomar conta.

— Confia? Só faremos isso se confiar em mim?

Acariciou meu rosto e deu um beijo delicado bem perto de meus lábios.

— Eu confio.

Não havia o que pensar. O que temer. Eu o amava e mesmo que tudo acabasse logo, logo, a única certeza que tinha era que queria que ele fosse o primeiro. Queria me entregar a ele e somente a ele. E convenhamos, já não era sem tempo.

— Então venha.

Mais uma vez, desceu e se dirigiu a meu lado abrindo a porta e me estendendo a mão.

Eu nem me importava com aquilo. Fui criada como igual com meus irmãos, Para ser independente. Todavia, precisava admitir, era muito bom ser mimada, de vez em quando.

— Não precisar ter medo, Bella. Confie em mim.

Fechei minha mão na dele e respirei fundo quando o cartão chave destrancou a porta.

— Desculpa pelo improviso, te prometo que farei melhor da próxima vez. Mas, preciso que você seja minha, Bella. Preciso aplacar uma coisa aqui... Que nem sei o que é.

Colocou a mão por cima do coração enquanto entrávamos e ele fechava a porta atrás de nós.

Deus do céu!

— Não se assuste. Pelo amor de Deus, não se assuste.

Implorou quando parei no meio do lugar avaliando tudo com olhos, tenho certeza de que, duas vezes maiores que o normal.

— É só um quarto, Bella. O que importa somos você e eu.

E que quarto... Para dizer o mínimo, estranho...

No meio, uma cama grande e redonda, com lençóis brancos exatamente iguais as fronhas dos dois travesseiros da cabeceira. Cabeceira essa, elevada, do jeito que uma pessoa poderia se encostar ali e ficar completamente sentada.

Ao lado, duas luzes em luminárias estranhas e amareladas.

Do lado esquerdo um sofá, pequeno e de aparência nada confortável. Do lado direito uma poltrona branca ladeada por dois banquinhos altos, bem parecidos com os do bar de papai, lá em casa.

Porém, o mais assustador mesmo era o espelho em cima que cobria cada parte do lugar.

Também tinha um mastro fixo no chão e no teto que eu bem sabia para o que servia e por fim um chuveiro e uma banheira na extremidade esquerda, separadas do quarto somente por vidros.

— Não pense, Bella. Não pense... Não farei nada que não queira. Não te machucarei, eu prometo.

Respirei fundo, assenti e me virei para ele. Joguei todo medo e insegurança para o fundo do meu íntimo. Eu não era do tipo menininha. Sabia o que aconteceria ali, estava pronta e ansiando por aquilo.

— Eu sei.

Tomando a iniciativa, o abracei colocando as duas mãos em seus cabelos dando-lhe livre acesso a minha cintura como ele muito gostava, já que eu era bem menor que ele.

— Vou fazer amor com você, Isabella. E vou fazer agora.

E sem mais palavras sua boca veio de encontro a minha. Era exigente forte, profundo. Edward tinha uma urgência inexplicável em cada ato.

As mãos passeavam em meu corpo, incitando, tocando, apertando. O corpo se moldava ao meu já dando os primeiros sinais do seu desejo.

— Por Deus! Como pude esperar tanto? Quero você...

Puxou um pouco minha camisa, sentindo a textura de minha pele arrepiada.

— Se quiser parar, essa é à hora, Bella.

— Continue. Só continue, Edward.

Nossa respiração estava acelerada.

Meu corpo respondia a cada toque dele. Os beijos se tornavam mais urgentes.

— Amo seu cheiro, Bella. Lembra-me o sol, o verão...

Passou a inspirar em meu pescoço enquanto deixava uma trilha quente, parecida com labaredas de fogo, por onde a boca passava.

Eu reagia e retribuía como podia. Apertava-me mais a ele e espremia sua cabeça a mim para que não parasse. A inexperiência me travava, me impedia de ousar. Eu não sabia o que fazer. Ler e ver não e nada comparado com praticar.

— Só relaxe e sinta, Bella. Deixe comigo. Aproveite como seu corpo reage ao meu.

Com essas palavras, ele se afastou e me olhando nos olhos passou a abrir botão por botão de minha camisa.

Sua surpresa ao ver meu sutiã fez com que a menina travessa que habita em mim sorrisse de ponta a ponta.

Será que ele esperava conjuntinhos de algodão? Ou peças cor da pele?

— O quê? Meninas do interior também sabem se vestir.

Provoquei. No entanto, seu sorriso torto que logo foi substituído por um maior de luxúria e safadeza, me garantiram que ele não assimilou ou fingiu que não.

— Sério que sabem? Ah Isabella, precisarei conferir isso minuciosamente.

E antes que eu tomasse consciência do que faria, ele se ajoelhou e beijou minha barriga antes de levar os dedos ágeis e, creio eu, experientes ao zíper de minha calça jeans.

— Por Deus, Bella! Ainda bem que nossas carícias nunca chegaram ao ponto de arrancarmos as roupas. Porque se eu tivesse noção de que usava “isso”, já a teria feito minha há muito tempo.

“Te feito minha”... Se ele soubesse o efeito que essa frase, no literal, causava em mim, nunca a repetiria.

Eu era dele, sempre fora. Edward que não era meu e pelo que percebo, nunca seria.

— Você é linda, Bella! Por que se esconde nessas calças e camisas? Olha esse pé... Tenho vontade de passar super cola nessas sandálias para que nunca mais cometa o sacrilégio de usar botinas ou botas.

Será que eu o interrompia e dizia que cuidar “da lida” de uma fazenda de salto e com calcinhas que “pinicam” era praticamente impossível?

— Precisa se mostrar mais. Olha que delícia isso!

Murmurava ranzinza, ao mesmo tempo em que retirava tudo e me deixava somente de roupas íntimas.

A admiração dele, ao dar dois passos para trás e me avaliar, fez com que todo o sangue se acumulasse em minhas bochechas, corando-as.

— Por Deus, Isabella!

Tá, confesso! A lingerie cara de renda branca, era proposital. Há tempos sabia que, mais ou menos dias, acabaríamos aqui. E Alice e Leah me ajudaram a estocar o guarda roupa para essa ocasião. O cartão de mamãe que o diga...

Porém, compensara. A reação dele fora a melhor possível.

— Perdão, Bella. Mas, não dá mais para esperar. Preciso sentir você. E preciso agora, antes que exploda feito um adolescente inexperiente.

— Sou sua, Edward. Confio em você.

Segurei a mão que ele me estendeu. E, ainda me olhando nos olhos, me levou para a cama e pediu baixo com a voz rouca e os olhos brilhando de excitação e expectativa.

— Deite-se.

Delicadamente, deixei que meu corpo deslizasse pela cama, macia demais para meu gosto. E com cheiro adocicado e enjoativo.

Fazendo meu coração quase sair pela boca, ele desligou as luzes principais e baixou muito a intensidade das luminárias, de luzes vermelhas, da cabeceira.

Depois voltando a se colocar a minha frente, passou a camiseta, pólo, que vestia, pela cabeça e sem demora tirou os sapatos, as meias e logo sua calça se juntou ao monte ao chão.

Ahhh! Respirei com mais força.

Edward, de boxer, era sinônimo de beleza. Desenhado... Esculpido. Um deus pagão deixado na terra para incitar meninas de família ao pecado.

— Vai ser bom, eu prometo. Só relaxe. Sou eu aqui...

Falava baixo, já se ajoelhando na cama e beijando, de boca aberta provocante, meus pés e minhas pernas.

À medida que subia com a boca pelo meu corpo, deslizava-se todo por mim. Sua ereção era evidente... Ele me queria.

— Tão linda! E minha. Só minha.

Quando chegou a minha calcinha, beijou ali e provocou por alguns segundos. Depois voltou a sua tortura com a boca. Eu me remexia e me contorcia, acariciando e apertando suas costas.

— Macios e do tamanho exato. Como eu sempre imaginei e sonhei.

Chegou a meus seios e diferente do que fizera “lá em baixo”, não se contentou em senti-los por cima do tecido. Desceu as alças, me levantou um pouquinho e, com agilidade, o desabotoou.

— Você é perfeita, Bella.

Com carinho e bem devagar, deitou totalmente o corpo por cima do meu. Sua boca, não perdeu tempo se apossou de meus seios. Hora um, hora o outro. Beijava, sugava, soprava, inspirava e acariciava-os como se fossem a coisa mais valiosa do mundo.

— Delícia! Uma delícia, você. Como pude não desfrutar disso antes. Não dá mais, Bella. Me diz que está pronta, por favor. Não vou conseguir segurar. Estou sofrendo aqui.

Subiu mais um pouco e então roçou-se todo em minhas partes íntimas.

Quase desfaleci!

Estava quente, fervendo e querendo demais que ele se fundisse a mim.

— Quero você, Edward. Tome o que sempre foi seu. Estou pronta.

Sem esperar mandar de novo, ele se levantou e retirou de mim a minúscula peça “piniquenta” que Alice me convencera a comprar.

E, aproveitando, também se livrou do resto do que vestia.

Gememos ao mesmo tempo ao contemplarmo-nos nus.

Ele, acho que de satisfação, ao me ver completamente depilada e a seu dispor. Eu totalmente insegura e com medo do que estava por vir.

— Tudo bem. Sou eu aqui. Não se preocupe, Bella. Eu seria incapaz de feri-la. Relaxe...

E eu fiz... Quando voltou a moldar seu corpo ao meu e sua boca tocou de novo a minha, dessa vez mais exigente, e as mãos que agora tinham destino certo, eu não tive mais medo.

— Ah!

Gemi alto e me abri mais quando passou a acariciar bem no meio de minhas pernas.

Eu pulsava e podia sentir o orgasmo vindo como uma onda de tsunami: forte e destruidor.

— Deixe vir, Bella. Quero sentir na mão, quero segurar e prender entre os dedos. Quero ser o único dono dos “seus sulcos”, assim como sou dono do seu coração. Dê-me!

Pediu, ou melhor, mandou. Exigente e dominado pela situação e excitação.

E quando eu achei que não podia ser mais intenso, ele mudou a mão de lugar e passou a “judiar”, com mais entusiasmo, do meu clitóris.

— Que delícia! Tão quente!

Ele passava bem perto, porém não me penetrava, com os dedos. E eu sabia que não queria que fosse assim minha primeira vez.

— Goza, Bella. Goza agora!

Lamuriou baixo não deixando nunca de me acariciar.

— Ah, Edward! Sim, sim...

E eu gozei... Entreguei-me a ele...

Claro que não era a primeira vez. Conhecia meu corpo. Já havia me tocado algumas vezes. Além disso, Edward e eu também dávamos prazer um ao outro, mas... Nunca assim. Nunca nus e numa cama.

Contudo, agora era diferente. Mais intenso. Muito mais poderoso.

— Desculpa, Linda, sei que precisa de um tempinho. Só que está complicado aqui. Preciso tanto de você que chega a doer.

Levou minha mão a seu pênis já pingando de tão estimulado.

— Eu quero, Edward.

E sem mais esperar, o guiei para minha entrada.

— Devagar. Olhe para mim. Me abrace. Quero beijar você.

Segui suas instruções.

Abri mais as pernas dando-lhe total acesso. Passei as mãos por debaixo de seus braços, o abraçando.

Em contra partida, ele me segurou pelos ombros. A boca e língua voltaram a dominar a minha, por inteiro.

Quanto mais ele fazia força e me penetrava, mais eu me sentia completa.

— Sei que não usa contraceptivos, Bella. E não quero usar camisinha, não na sua primeira vez, não com tudo que estou sentindo. Por favor, confia em mim? Pode ficar tranquila, como você disse passei os dois últimos anos não aproveitando a vida. Estou limpo. Quanto à gravidez, não tem problema. Amanhã, de manhã, acabo com essa possibilidade. Confia em mim?

Eu confiava. O conhecia... Sabia que tomaria uma pílula do dia seguinte.

Daria tudo certo.

— Ah, Edward! Pare de pensar tanto.

— Devagar, Bella. Não quero que se machuque. Assim... Assim...

Segurou meu quadril quando o levantei a procura de mais.

Sua expressão, seu trincar de dentes me mostrava o quão difícil estava sendo a espera.

— Eu te amo, Edward. Não tenha medo.

O puxei mais para mim, permitindo que seus lábios fizessem estragos em meu pescoço, meus seios... Distraindo-me quando a última empurrada me fez retesar, prender a respiração e arranhar suas costas.

— Shiii, Linda! Já passou! Não chore. Por favor, Bella. Abra os olhos.

Beijou a única lágrima que desceu pelo meu rosto. Beijou-o todo e acariciou meu cabelo.

Doeu. Deus do céu! Como doeu. Mas, eu não era esse tipo de mulher. Eu sabia o que me esperava, a recompensa compensava.

— Já vai melhorar, só mais um pouquinho.

Totalmente imóvel ele permaneceu. Dando-me o tempo que necessitasse para me recuperar e acalmar.

— Linda. A mais linda. A minha linda.

Dominada por ele e querendo mais, tomei a iniciativa e comecei a me mexer debaixo dele. A vontade de sentir, o que Alice dizia ser “a plenitude na terra”, era um milhão de vezes maior do que, agora, pequena ardência.

— Que delícia, Bella! Tão pequena, tão apertada, tão aconchegante! Você é maravilhosa.

E foi assim... Ouvindo elogios e com frases bonitas. Toques suaves e às vezes ardentes. Com muito desejo e entusiasmo que ele me fez mais sua ainda.

Quando gozei, de novo, foi o céu. Seria facílimo me tornar uma dependente daquilo.

Quando ele gozou, eu sabia que era meu fim. Até a última parte de mim era totalmente Edward Cullen.

— Deus do céu, Bella. Você não devia ter escondido isso de mim. É maravilhoso.

Sorrimos alegremente e nos jogamos nos travesseiro. Exaustos e saciados.

Porém, o silêncio dele logo após o ato, me fez retrair.

— Você está bem? Fiz alguma coisa errada? Ou não fiz o que era preciso fazer? Não precisa mentir para me deixar feliz. Está tão calado, Edward.

Virei-me para ele. De repente insegura, cruzei os braços por sobre os seios, me sentindo totalmente exposta, covarde e tímida.

— Não! Não se cubra. Deixe-me admirar. Você foi perfeita, Bella. Nunca senti algo tão poderoso.

“Você foi perfeita”, em vez de “é perfeita”. Ah, se eu tivesse assimilado essa expressão.

— Mas...

Influenciei. O conhecia, sabia que tinha alguma coisa por trás daquele silêncio.

Frustrado, ele voltou a se deitar de costas, cruzou as mãos atrás do travesseiro.

Não era capaz de dizer o que queria me olhando nos olhos.

— Estou tão confuso, Bella. Quero duas coisas impossíveis. Elas se chocam. São opostas. Não quero que nos afastemos, mas ao mesmo tempo...

O futuro que ele idealizara e eu...

— Pare com isso, Edward. Eu te amo. Seria capaz de qualquer coisa para te ajudar. Mas, não posso lutar se não me dá as armas. Não sei o que fazer. Diga-me o que te aflige.

Abri meu coração sentenciando assim minha vida.

Nem bem as palavras saíram de minha boca, ele rapidamente se voltou para mim e segurou meu rosto com as duas mãos.

— Qualquer coisa, Bella? Faria mesmo o que quer que fosse?

O brilho de esperança em seus olhos era tão intenso e contagiante que me fez concordar com seu pedido sem pensar nas conseqüências. Será mesmo que havia alguma possibilidade para nós?

— Claro que sim. É só falar e...

— Mude de curso, Bella!

— O quê?

— Isso! Mude de curso. Faça farmácia, enfermagem, odonto... Não me importo qual seja. Só preciso que seja algo que se compare a mim. Que te adapte e te faça entrar totalmente em meu mundo. Aí sim, poderemos pensar em um futuro juntos e...

Uma enxurrada grande de desânimo me tomou. Minha vida era um espelho da dele. Dois mundos, que ele não queria, que se entrelaçassem.

Edward não cederia e me pedia para fazer isso. Eu faria?

—... Poderemos ir a congressos juntos. Depois nos mudaremos para uma cidade grande. Forks ficará no passado e...

Palavras e palavras... Enquanto eu pensava na decepção de meus pais, irmãos e amigos.

Palavras e palavras mais... E eu visualizava a vida que ele planejava e na que eu sonhara para mim de verdade. Nada de descanso ao por do sol, somente com os animais e a natureza como barulho. Nada de casar na pequena capela de Forks e fazer um festão no barracão da quermesse. Nada de filhos sendo criados de pé no chão...

Se eu quisesse Edward teria que ceder a muita coisa.

— Bella? Linda? Está aqui?

Obriguei-me a sair de meus devaneios. Edward continuava ansioso aguardando uma resposta.

— Você pode mudar de curso, de vida? Por mim? Ou melhor, por nós?

Eu poderia?

Ele não sacrificaria seu sonho, seu ideal. Mas, e eu? Seria capaz de desistir de tudo em nome do amor que sentia? Ou seria capaz de desistir dele de vez?

— Bella?

E assim, sentindo-o tão perto, tão apreensivo por uma resposta foi que entendi o que precisava ser feito.

A resposta sempre estivera ali.

— Sim, meu amor. Se é isso que quer, eu mudarei de curso. Só preciso de um tempo para convencer meu pai. Talvez terminar esse período seja o mais certo. Ganho tempo para pensar em algo.

— Ah, Bella! Você terá o tempo que precisar. Eu sabia que chegaríamos a um consenso.

Lembranças Off

Sem saber, naquela noite, eu dera uma prova de amor... E, mesmo que não planejada, ganhara uma.

Também naquela mesma noite, Tânia decidira que teria Edward para si. E, com a ajuda de Rósalie nada as impediria de alcançar seu objetivo...

Naquela noite, eu sentenciara minha vida e de minha família... Um mês depois, exatamente um mês depois, eu os mataria e ressuscitaria sem nenhum prelúdio para que se preparassem.

Notas finais
Aviso: Os próximos Três capítulos serão todos narrados por Edward e Bella e talvez algum familiar, mas todos no tempo passado. Descobriremos de fato o que aconteceu e aí fim da primeira fase da fic. Aguardem e confiem, porque está emocionante. E só para finalizar o capítulo: Alguém sabem "O que Bella ganhou com tudo isso"? Beijinhos e nos vemos nos comentários. Ahhh, e estou atrasada com as respostas do capítulo passado, mas essa semana ajeito tudo. Beijos.