Quando o passado não te deixa viver

13 Fechando as pontas soltas- Cullen


Notas iniciais
Prometo que coloco os comentários em dia essa semana. Ontem o capítulo estava pronto, mas, eu quase dormi aqui no PC tentando betar. Então, estamos aqui hoje... E vamos logo ao capítulo.

Bella

— Sabia que você ficou lindo com essa camisa jeans? Aliás, esses uniformes ficaram perfeitos.

Elogiei Antony enquanto abria o portão na lateral da loja para que entrássemos por ali. Sem fazer muito alarde para nossa presença.

A segunda já estava a todo vapor e os primeiros clientes já adentravam. Era hora de apresentá-los a nós, os donos.

— Eu sabia. E sabia que esse seu “veustido” é muito curto, mamãezinha?

Emmett gargalhou e Jasper tossiu disfarçando.

Meus irmãos e meu filho estavam iguais, camisa jeans, num tom claro e calça também jeans muito escura.

O nome da loja vinha em destaque no bolso da camisa do lado direito.

Já eu, e mais as meninas que atenderiam na loja, estávamos de vestido jeans com um lenço preto no pescoço, todo estampado em verde o nome da loja.

E eles nem eram curtos. Mas, papai havia mencionado isso no café da manha, e Antony não esquecera. Aliás, ele nunca se esquecia de nada.

— Meu vestido não é curto. Sua língua é que é grande, menino falador.

— “Ehhh nada, bolha só”...

Colocou a língua para fora e falou ao mesmo tempo gerando mais risos de todos e Emmett o pegando no colo.

Completamente apaixonado e rendido pelo sobrinho.

— Sua língua é grande, igual seu cabelo, seu pestinha. Precisamos cortar essa juba antes que vá para a escola hoje. Te levo assim que as coisas se acalmarem aqui.

— Só eu e você?

Perguntou já com medo de que Leah fosse também. O que não seria o caso, porque papai e ela, ficaram para vir à tarde. Já mamãe retomaria seu lugar no hospital hoje, então só passaria na loja no findar do dia.

— Só eu e você, filhote. Precisamos conversar sobre Leah e o bebê, Antony. Eles não mudarão nada do que o papai Memmett sente por você e...

— Olha mamãe, quem está ali.

Era assim, só começar a falar de Leah e o bebê que ele mudava de assunto.

— Quem?

Perguntei olhando para onde ele apontava.

— O tio “Edwald”. Aquele carro pequeno que veio comendo “poeila atlas” de você desde aquela fazenda da casa bonita, era ele.

Edward havia estacionado o carro de frente a clínica, que eu sabia ser dele. Seu olhar em nossa direção mostrava o quanto estava embasbacado em saber que seríamos vizinhos.

Sem que eu entendesse o que fazia, ele retirou o telefone do bolso e começou a falar com alguém.

Antony havia soltado durante o almoço sobre a loja, mas como Benjamin ligou, depois o almoço foi servido e fomos embora logo em seguida, o assunto não teve prosseguimento.

Sabia que estava surpreso.

— Ele sempre teve aquela cara de maníaco?

— O que é “mamilíaco”, papai Memmett?

— É o que eu vai acontecer comigo se seu tio Emmett continuar com essas brincadeirinhas perto de você, Antony.

Fechei a expressão e peguei meu filho dos braços dele.

— Ainda precisamos conversar sobre sua decisãozinha de ontem, Isabella. Não pense que vai passar por essa.

— Ainda precisamos conversar sobre quem é a mãe desse garoto, Emmett. Admiro e sou eternamente grata ao que fazem por mim, todos os dias. Mas, não pense que deixarei que Antony seja afetado pelas minhas escolhas ruins. Ele terá o que merece quando e se eu decidir que é bom para ele. Respeitem isso.

E agora vamos mudar de assunto porque quero entrar com o pé direito.

— Se acalme, irmã. Isso é assunto para casa, não trabalho.

Fiz que sim para Jasper. E Emmett, milagrosamente se calou.

— Amor, mamãe vai te colocar no chão, mas não entre correndo. Vamos colocar o pé direto dentro da loja, nós quatro, “nos abençoar” e depois entramos. Ok?

Ele concordou e para meu completo desespero, acenou um “tchau” para a estátua de Edward ainda parado do outro lado da rua nos encarando, que retribuiu o gesto sorrindo muito.

Não sei qual a graça! Palhaço!

— Esse é o “dileito”, mamãe?

Foi para colocar o pezinho esquerdo na entrada, quando Jasper o puxou pelos bracinhos.

— Esse não, Tony. Esse...

Jasper, com toda paciência do mundo, segurou o pezinho direito dele, de botina, e colocou no primeiro degrau.

O imitamos. Abençoei-me e segurando a mão de Antony, o abençoei.

— Que nossa loja seja um “gaaanndee” sucesso e que a mamãezinha fique rica igual o vovô Char.

Pediu em prece e muito sério olhando para cima, como se Deus estivesse ali.

— Amém!

Respondemos os quatro juntos e então entramos. Foi emocionante....

Várias pessoas circulavam e tocavam em cada item, tão bem escolhidos e arrumados por mim e meus irmãos.

Rebecca, irmã de Jacob, Ângela e Mike nossos primeiros funcionários passavam entre os clientes mostrando-os cada produto e detalhe.

— Tá cheio. Vou “atendê rauguns” clientes, mamãe. Se “mistulem”...

Boquiaberta, admirei meu “pedacinho de gente” caminhar em direção a imensa mesa de café da manhã que servíamos na inauguração.

— Ouviram o chefe, se misturem...

Jasper mandou sorrindo e indo para o outro lado da loja.

— Que comece a nova vida.

Emmett beijou minha testa e seguiu para dentro também.

E eu, pedindo a Deus para que tudo desse certo, os segui.

Era agora que os Swan’s se mostravam e voltavam oficialmente para Forks.

Edward

Orgulhoso e muito feliz, acenei um tchau para meu filho.

Deus! Eles estavam ali, ao alcance de meus olhos.

— O maior que tiver... Então pode ser esse mesmo de 48... Sim, vermelhas. Passe aqui no consultório para pegarem o pagamento e o cartão que eu mesmo escreverei... Sim, depois quero que entreguem. Obrigado! Fico aguardando.

Rapidamente desliguei o telefone assim que entrei. Jéssica não precisava saber do que eu falava ou fazia.

— Ligue para a pessoa responsável pela pista de pouso de Forks. Ache Jenks nem que tenha que ligar para a tataravó dele. Ligue para Rósalie e passe a ligação para o loft e também quero que diga a Tânia que a espero agora, aqui. Você tem cinco minutos para arranjar tudo isso.

Jéssica me olhou abobalhada enquanto eu lhe entregava minha pasta e meu casaco.

Não era nem oito horas e eu já estava na clínica, mas dormir se tornara quase que impossível.

Mesmo que Bella tenha me prometido não sumir, eu não abriria brechas. A varanda seria minha companheira.

Estava pensando até em instalar um sensor de presença perto da estrada, se por acaso eu cochilasse.

— Mas doutor, está tendo a inauguração da loja aí de frente e eu fiquei sabendo que é dos irmãos Swan’s. A cidade toda está lá e...

— Não me interessa. Faça o que mando, Jéssica. Ligue para a pista de pouso. E traga Jenks aqui. Tânia também e quero Rósalie na linha agora!

— Está falando do funcionário do aeroporto?

— Aquilo não é um aeroporto. É uma pista de pouso e sim, estou falando dele. Peça que venha me ver o mais rápido que puder e me avise assim que chegarem, não importa quem eu esteja atendendo.

— Mas, o senhor não atende aqui hoje. Deveria estar a caminho do hospital, doutor. Sua mãe ligou e...

— Melhor ainda. Desmarque qualquer compromisso. Qualquer um... Estarei lá em cima e só me chame se as pessoas que eu disse chagarem.

Sem esperar que ela me entendesse, entrei no meu consultório, bati a porta atrás de mim e corri escada acima.

Imediatamente, afrouxei a gravata e a atirei em algum lugar.

Puxei a poltrona para mais perto da vidraça e me sentei, pronto para esperar o dia todo por um vislumbre de Bella e de Antony.

Eu ainda não tinha uma opinião formada para aquela “coincidência”. Era castigo, ver e não tocar?

Ou uma dádiva, ver e pensar em mil maneiras de reconquistar e conquistar?

— Eu vou fazer certo, amor. Com você tão perto... Eu juro que vou.

Toquei o vidro enquanto observava as pessoas lá embaixo entrando e saindo da loja.

Deus! Eu deveria ter imaginado... O nome, o lugar... Era a cara dos Swan’s aquilo.

Tão perto! Era meu sonho aquele lugar. Eles não se desfizeram dele, somente o esfregaram em minha face.

— Edward, Rósalie na linha um.

Jéssica gritou da porta, sem nem mesmo entrar. Ela sabia que meu humor não estava dos melhores.

— Alô, Edward? Você quer falar comigo? O que aconteceu?

A voz dela me deu ânsia. Há anos não falava com Rósalie, e evitava ao máximo qualquer lugar que ela estivesse. Não era de se espantar que estivesse surpresa.

— Quer falar com Alice? Sua secretária se enganou? Ela foi com mamãe para Forks já. Só estamos papai e eu. Mas, posso dar seu recado e...

E ela tentava e Esme tentava... Porém, eu não conseguia. Sabia que a culpa de tudo que se passara com Bella era minha, porém Rósalie tinha teto de vidro e nunca eu a perdoaria. Mesmo que mamãe jurasse que ela estava mudada.

Eu não pude ver meu filho nascer e crescer. Eu não pude amadurecer e descobrir que Bella era a mulher da minha vida. Isso eu não perdoaria nunca.

— Como você já sabe, Bella está na cidade e meu filho também. Aproxime-se deles e eu faço com que se arrependa de ter nascido.

A linha ficou muda por cinco segundos antes que ela esboçasse uma reação.

— Ed, não. Eu já pedi perdão. Eu não seria capaz de...

— Está avisada, Rósalie.

Desliguei o telefone e voltei a olhar pela grande vidraça.

Um pequeno vislumbre de Antony nos braços de Bella passou rapidamente. O sorriso dos dois era evidente e eu poderia retirar do fundo de minha mente como eram.

Gostosos, intensos, de uma ligação inexplicável...

Por Deus! O restante do almoço na casa de vovó fora uma tortura.

Os Swan’s não se aproximaram. Se mantiveram a distância e só Antony que às vezes vinha até algum de nós e falava ou fazia alguma gracinha.

Ele era incrível!

Mas, nada muito duradouro, parecia que sabia que feria a mãe se fizesse isso. Porém, Bella não esboçou má impressão hora alguma. Ela sorriu e conversou com os irmãos e pais a todo instante, isso lógico, depois de falar com quer que fosse ao telefone.

O que não aconteceu com Emmett. Meu ex- cunhado, irradiava irritação e animosidade e não perdeu a oportunidade de demonstrar isso a cada vez que nos olhava.

Já Jasper... Esse era um caso. Ele não deixava nada transparecer. Ninguém imaginava o que passava em sua mente. E isso matava Alice, ele parecia inabalável quanto a ela...

— Edward, o responsável pela pista de pouso, se chama John. Ele já está na linha também, não pode deixar o trabalho. Encontrei Jenks. Ele estará na cidade amanhã, está vindo do Brasil. Quanto à senhora Dennali, aposto que está a dois quarteirões daqui. Ficou muito feliz com seu chamado e...

Jéssica voltou a gritar da porta.

— Já entendi. Vá cuidar da sua vida, Jéssica.

Voltei a pegar o telefone, agora vendo Bella acariciar um cachorrinho que estava correndo pelo corredor da loja.

— John, Edward Cullen aqui.

— Olá senhor Cullen, bom dia. Em que posso ajudá-lo?

Respirei fundo, pronto para fazer mais uma loucura.

— Olá John, bom dia para você também. Preciso que me faça um favor e estou disposto a pagar por isso. Mas, preciso que seja um segredo nosso.

Como aconteceu com Rósalie, ele ficou alguns segundo em silêncio para só depois absorver que eu queria alguma coisa.

— Pode falar, senhor. Se estiver a meu alcance... Tenho muito apreço pelo senhor e sua família. Cuido do avião de seu pai com todo cuidado, espero que não esteja nada errado com meu trabalho.

O homem falava e falava sem nem ter noção do que eu lhe pediria de verdade.

— Não, John. Não se preocupe. Está tudo certo com seu trabalho e o avião do meu pai.

Eu liguei porque preciso que faça um favor para mim e pretendo te remunerar mensalmente por isso, mas peço que seja um segredo nosso.

— Como eu disse, estou a seu dispor, senhor.

Respirei fundo pronto para deixar o homem mais confuso do que qualquer outra coisa.

— John, sei que sabe que os Swan’s estão de volta. E provavelmente o avião deles deve estar aí no hangar também.

— Sim, está. E não é só um avião, senhor Edward. O senhor Charlie e a família vieram no avião de passeio. E o senhor Emmett veio pilotando um modelo agrícola novinho. É uma beleza só. Acho que eles expandiram muito onde quer que estiveram.

Eu tinha certeza disso, olhei mais uma vez para o prédio bonito e de bom gosto bem a minha frente.

— Então, John, é exatamente sobre o avião de passeio deles que quero falar. Preciso que me ligue se algo de anormal acontecer com esse avião. Tipo, autorização para levantar vôos em horários estranhos. E principalmente, quando os passageiros forem a filha dos Swan’s e o filhinho dela.

O homem voltou a ficar em silêncio.

— Sei que estou pedindo muito, John, mas é por uma boa causa. E prometo que será um segredo nosso. Não será prejudicado e será recompensado.

— Mas, senhor Cullen... Eu não posso. Isso não é legal. Meu emprego pode ser colocado em risco. O senhor Swan sempre foi bom para mim e...

Merda! Esfreguei os cabelos e usei a arma que tinha na manga.

— Nada vai te acontecer, John. Os Cullen’s são influentes no clube de aviação. Sei que tem família, posso ser generoso, mas também posso ser rancoroso quando não fazem o que quero.

Não, eu não era. Há muito meus conceitos haviam mudado. Nunca que colocaria o emprego daquele pobre homem em risco, porém, me cercaria de todos os lados. Nunca mais Bella fugiria de mim na surdina.

— Senhor, eu não posso perder esse emprego ele mantém minha família. Tenho filhos pequenos e...

— Seu trabalho não será colocado em risco, John. Só prometa que me avisará a qualquer hora do dia ou da noite se os Swan’s tentarem fugir de novo. Eu só preciso de uma informação e estou disposto a pagar por ela.

— Os Swan’s são bons. A menina Bella e o menininho são tão educados comigo. O senhor não pode querer o mal deles. Se quer essa informação por algo assim... Eu prefiro que me demitam, senhor.

Sem que me segurasse, sorri. Ainda existiam pessoas boas no mundo.

— Você está entendendo errado, John. Eu amo aquela mulher e o filho dela. Só estou me resguardando para que não escapem de meus dedos antes de reconquistá-los. Não vou fazer nada de mal. Eu prometo.

Ainda em dúvida ele ficou mais alguns instantes em silêncio.

— Então se é assim, sim, senhor. Conte comigo. Mas, não precisa me pagar. Será um favor. Gosto quando histórias de amor terminam bem.

Com desgosto observei Tânia estacionando do outro lado da rua, bem perto do portão da garagem da loja de Bella.

Eu precisava terminar de falar com John agora, minha terceira missão começaria em segundos.

— Tá bom, John. Falamos melhor sobre isso quando eu passar aí. Só me mantenha avisado.

— Sim, senhor Cullen. Tenha um bom dia.

— Bom dia, John.

Desliguei o telefone, voltei a recolocar a gravata, o paletó e desci para o consultório.

Tânia não entraria em meu loft por nada nesse mundo.

— Doutor a...

Escancarei a porta, pegando Jéssica de surpresa e a calando.

— Entre!

Abri a porta e segurei para que a doutora Denali entrasse.

Sua intenção de chamar a atenção para seu corpo ficou evidente quando passou por mim em um mini vestido branco e saltos altíssimos, finos e nada confortáveis para uma médica.

Outra coisa que me fez repugnar imediatamente, foi o cheiro marcante e adocicado do perfume que sempre usava.

Deus, como pude um dia cogitar que ela era melhor que Bella?

— Eu sabia que esse dia iria chegar, Edward. A “santa Isabella” voltaria com a vida pronta e você viria correndo em minha direção. Ainda bem que sou uma alma caridosa.

Sentou-se na cadeira de frente a minha mesa e cruzou, nada discretamente, as pernas.

— Mas nem por isso, vou facilitar sua vida. Vá comece a implorar por meu amor.

Ainda de pé, me coloquei a sua frente e firmei o corpo em minha mesa. A encarei-a com toda raiva que guardava dentro de mim.

— Quero que escute e escute muito bem o que tenho a te dizer, Tânia. Peço que se mantenha o mais longe possível de Bella e do filho dela. Ou melhor, exijo que se mantenha longe.

O sorriso cínico veio imediatamente e com toda empáfia que podia jogou o cabelo para os lados e destilou seu maior veneno.

— E se eu não quiser?... E se resolver que quero ser amiga da sonsa e conhecer o bastardinho?

Sonsa?

Por mais que soubesse do que Tânia era capaz, deu até vontade de que ela enfrentasse a nova Bella. Ela não imaginava o que a esperava.

— Se não fizer isso por bem, a primeira coisa que farei será pedir uma restrição judicial. Depois colocarei dois “brutamontes” e em seu encalço. E se, ousar, aproximar-se cinco metros de um deles, será levada imediatamente para a delegacia. E farei questão que a imprensa esteja lá na sua entrada e saída.

Seus pais ficarão muito felizes com um escândalo. Será ótimo para o hospital falido deles.

— Você não seria capaz.

Perdeu toda pose e me enfrentou com raiva.

Há anos o hospital de sua família enfrentava dificuldades financeiras e eu sabia que esse era também um dos motivos dela não me deixar em paz.

Sua família queria e precisava do dinheiro dos Cullen’s para investir neles e salvá-los da falência.

O entrave deles, e nossa principal “carta na manga”, era que Esme não poderia fazer tamanha transação sem a autorização de tia Renée.

E que eu não tinha o menor interesse em me casar com Tânia para que nos tornássemos um só, inclusive “nas dívidas”.

— Sim, Tânia. Eu seria capaz. Isabella é o amor de minha vida e “aquele bastardinho” é meu filho. Um Cullen! Encoste ou pelo menos pense em se aproximar... E eu acabo com você e sua família.

A raiva borbulhou no instante em que me levantei da mesa e abri a porta para que ela entendesse que nossa conversa havia terminado.

— Isso não vai ficar assim, Edward. Se acha que pode me chamar aqui para me humilhar se engana. Vai ter troco. Pode anotar...

— Jéssica anotará por mim. Tenho coisas mais importantes para fazer. Agora tenha uma boa tarde.

Agarrando a bolsa com muita raiva, ela deu meia volta e saiu batendo os sapatos e jogando o corpo o máximo que podia. Como se aquilo fosse muito bonito.

— Doutor eu...

— Feche a clínica e vá para casa, Jéssica. Por hoje nós terminamos. Eu vou ficar por aqui mesmo.

Ressaltei quando percebi que meu pedido acabara de chegar e eu não queria que ela visse.

— Mas, doutor...

— Para casa, Jéssica.

Apontei minha sala, para que o rapaz, que faria minha encomenda entrasse.

— Amanhã, depois que eu falar com Jenks, retomamos minhas obrigações. Por hoje, só quero me sentar lá em cima e admirar o que a vida tem de melhor a me oferecer.

E sem mais delongas, fechei a porta, deixando-a embasbacada.

Eu estava sendo negligente, mas? O que seria mais um dia dentre estes quase cinco anos de vida vegetativa.

Eu não era um exímio profissional, tinha consciência disso. Só tinha pacientes por causa de Esme e seu nome.

Eu não me especializara mais, estudava só o necessário.

Minha meta de vida havia se transformado desde o dia em que perdera a razão de viver.

Talvez agora, tudo melhorasse e eu voltasse a amar a principal coisa que me separou de Isabella e meu filho: o sonho de ser o melhor e mais poderoso médico.

Bella

— Seu cabelo ficou bonito.

Puxei conversa enquanto Antony revirava a comida e não comia.

A nossa nova ajudante, do apartamento da cidade, fizera uma comida especial, que incluía batata frita, só para agradá-lo. E nem por isso ele parecia entusiasmado.

— Tio Memmett disse que ficou “molderno”. Mãe, eu não gosto de “molderno”. Por que não posso ir com meu chapéu novo que vovô Char me deu?

— Porque a escola não deixa que usem chapéu. E porque, sinceramente bebê, não combinaria nadinha com seu uniforme.

Apontei para ele já quase pronto para ir para escola: Calça e sapatos sociais pretos. Camisa branca de manga comprida. Gravata listrada em preto e amarelo e por fim um colete fechado por cima da camisa com o símbolo da escola estampado do lado direito: um gálea, capacete de soldados espartanos, em amarelo e verde.

— Não sou bebê, mamãe. E “oldeio” esse “unifolme”. Por que não posso usar camiseta e calça “maciinha” como as lá do “Blasil”?

No meu próprio prato cortei pequenos pedaços de carne e coloquei em sua boca, distraíndo-o e fazendo-o comer.

— Porque aqui é diferente, amor e faz frio. Não dá para usar os uniformes de lá, filhote. Mamãe lamenta, mas terá que se acostumar. Prometo que assim que chegar da escola, pode trocar de roupa e descer pra loja para gente fazer o dever enquanto mamãe trabalha.

— Vamos “dolmir” aqui hoje?

Perguntou nada animado.

— Não. Mamãe e você, terminamos o trabalho assim que a loja fechar e vamos para a fazenda. Fica bom assim?

— Sim, “senhola”.

Comeu mais algumas colheradas antes de me rechaçar e correr para escovar os dentes.

— Estou “plonto”!

Deu-me a mão e descemos juntos.

— Mamãe, a “senhola” sabe que eu vou voltar, né? Não “plecisa” ficar “pleocupada”. Nem “cholar”. É só a escola. Nada vai me “tilar” da “senhola”. Eu te amo mais que o mundo!

— Eu sei, amor. Perdoa a mamãe se te assusto com meus pesadelos a noite. Eles só vêem a noite, Tony. Mamãe também te ama, mais do que tudo. Sou só sua, filho.

— Eu sei.

Sorriu e continuou descendo os degraus todo animado.

— Ei, olha meu garoto! Tá lindão! Vamos?

Emmett nos encontrou já do lado de fora quando eu estava pronta para colocá-lo no carro.

Antony logo me olhou espantado.

— Você não vai comigo, mamãe? “Quelo” ir com você.

Soltou a mochila, de carrinho, e estendeu os braços para que eu o pegasse.

— Que isso, pequeno? Fazendo manha? Eu sempre te levo a escola.

— Mas, “quelo” ir com a mamãe “agola”.

Escondeu o rosto em meu pescoço.

Antony estava inseguro e eu não o desapontaria. Emmett que lidasse com seu ego ferido.

— É claro que mamãe vai te levar. E tio Jasper pode te buscar. Que tal assim? Concorda?

— Pode sim.

Olhou para dentro da loja vendo Leah e explicando a nós todo seu comportamento.

— Ok. Então dê um abraço em seu tio e vamos.

Rapidamente, ele desceu de meu colo, abraçou as pernas de Emmett e logo voltou para mim.

— Senhorita Swan?

Assustamos-nos quando uma pessoa chamou a nossas costas.

— “Senholita” Swan é a minha mamãe. “Senhola” Swan é a vovó Nenné.

— Pois não.

— Mandaram entregar para a senhorita.

— “Floles”, mamãe! Você ganhou um “tantão de floles”...

Antony não estava exagerando, era um enorme buquê de rosas vermelhas lindas e bem postas uma atrás da outra, presas por um laço, de tecido, de muito bom gosto.

— Obrigada!

Assinei o recibo de recebimento.

Emmett me olhava já com ar de desacordo enquanto Antony dava pulinhos de ansiedade.

— “Able”, mamãe. “Able”...

E eu abri... Para ter meu coração saltitando de múltiplos sentimentos.

Bella

Mais uma vez Deus foi misericordioso comigo e trouxe vocês para bem mais perto do que eu poderia merecer!

Seja bem- vinda ao bairro, a rua, a minha vida e a meu coração!

Estou aqui, do outro lado da rua, esperando pela primeira oportunidade que queira me dar.

Por favor, vamos conversar? Preciso me apresentar a você.

Beijos! E obrigada por, imagino eu, me odiando ao extremo, não ter desistido do nosso filho.

Quero conversar. Marque o dia, o lugar, a hora... Vou ao inferno se quiser, aliás, vivo nele desde que foram embora.

Dê-me a chance de me redimir...

Te amo!

Edward Cullen

— Quem foi, mamãe? Quem foi?

Bella? Ele me chamara de Bella?

Ousara me escrever, dizer que me amava depois deu ter esperado isso mais do qualquer coisa no mundo.

Quem ele pensava que era?

— Não foi ninguém, filho. Só o presidente da Associação Comercial. Agora vamos logo porque você não pode chegar atrasado em seu primeiro dia.

Dobrei o cartão ao meio e coloquei no bolso detrás da calça. Entreguei as flores a Rebecca, que parara na porta quando nos viu ali fora.

— Coloque num vaso e ponha em minha sala. Volto em uma hora.

— Bella?

— Agora não, Emmett. Agora não!

Prendi Antony na cadeirinha e dando a volta saí dali me negando a enfrentar qualquer um.

Nem o presente com Emmett me especulando. Nem o passado com Edward sondando.

Eu só tinha compromisso agora, com o futuro, que era a educação de meu filho. Meu maior amor.

Notas finais
Lembrando a vocês que o Nyah vai mudar e que logo, logo as notas iniciais e finais não aparecerão mais. Então, Obrigada a todas pelo carinho... E que é bem provável que site fique fora do ar alguns dias, mas na volta estarei aqui. Quanto aos agradecimentos por recomendações serão por MP mesmo. Beijinhos e quero recomendações....