Quando o passado não te deixa viver
14 Confissões de irmãos
Notas iniciais
Bella
— Toc, toc...
Tirei a concentração de um livro novo sobre veterinária e observei Jasper parado no batente da porta, pronto para entrar.
— Não tem ninguém. Volte depois!
Brinquei, vendo-o entrar e indo direto examinar as flores, vermelhas, bem dispostas no canto de minha sala, em cima de uma mesinha que abrigava revistas que entreteriam os donos de meus pacientes enquanto eu os examinava.
— Gentil o presidente da Associação comercial. Pode, da próxima vez, dizer a ele que somos sócios? Emmett, que, aliás, está bufando lá na loja, por conta delas, e eu, também queremos receber “rosinhas”.
Disse sarcástico vindo ao meu encontro.
— Me dê o cartão...
Estendeu a mão sorrindo, pois sabia que eu não enganara a nenhum dos dois com aquela desculpa fajuta.
— Por que eu faria isso?
Se era um jogo de quem era mais irônico, dois poderiam jogar...
— Por que quero saber por onde o Cullen começou a implorar.
Estendi-lhe o cartão e absorvi cada expressão facial que fazia enquanto examina os mínimos detalhes.
— Ele é bom! Agradecer por Antony é um bom começo.
Voltou para perto da porta fechando-a e trancando-a nos dando liberdade para conversarmos abertamente.
— Isso só mostra que nunca me conheceu. Em que realidade alternativa ele vive que pensa que eu desistiria de meu filho? Independente de quem fosse o pai. Ele me chamou de Bella, Jas! Disse que me ama. Sabe quantas vezes esperei que dissesse isso enquanto estávamos juntos?
Arremessei a caneta, que usava para marcar partes importantes do livro, enquanto ele puxou a cadeira a minha frente, se sentou colocou uma mão sobre o queixo e me encarou enxergando até minha alma, como só Jasper e Antony sabiam fazer.
— Tá, agora que está me vendo direito, já que estou perto, e não está usando seus óculos de leitura, sabe que sou Jasper, não Emmett. Diga o que está se passando aí.
Apontou em direção a meu peito.
—Afh!
Esbravejei, agora fechando o livro de vez.
— Por que está perguntando isso? O que estou ou não sentindo, não importa. Ele continua sendo o mesmo babaca de sempre e não serão umas florzinhas que irão me conquistar.
— Espera, você continua não enxergando direito?
Puxou sua cadeira mais para frente e se debruçou completamente sobre minha mesa.
— Sou Jasper, Bella. Não disfarce! Não minta! Nós dois somos os únicos aqui e não precisamos fingir. Quer parar com isso? Por que estou totalmente disposto a te dizer que estou a ponto de enlouquecer.
Esfregou os cabelos com ferocidade.
— Alice está ainda mais linda. Deus, Bella! Ela parece tão menor. Tão perdida. Tão triste. Não imagina como me esforcei para não pegá-la nos braços e dizer que a amo e que nunca deixei de ser dela. Mas... Quando me lembro que... Ah, merda! Não me deixe passar essa vergonha sozinho. Diga que sentiu alguma coisa também? Que não sou o mais fraco dessa família?
Ele precisava de mim, do meu apoio.
— Diga. Bella! Diga pelo amor de Deus!
O tom de Jasper era alto e desesperado. Longe do Swan mais centrado lá de casa.
— O que quer que eu fale?
Respondi baixo trazendo-o de volta ao controle.
— Que quis me jogar em Edward no instante em que o vi com meu filho nos braços? Ou que já nem me lembrava de tudo que havia me feito quando, simplesmente, disse na casa da vovó, que seria tudo do jeito que eu decidisse? Ou também poderia confessar, meu irmão, que ele me desconcertou inteiramente com essas flores e cartão. Ele disse que me ama, Jas! Tem noção disso?
Levantei indo para perto dele.
Malditas lágrimas escorriam de meus olhos.
— Só que eu não posso, irmão. Não tão fácil! Ainda dói! Revê-lo foi o céu e o inferno ao mesmo tempo. São vários sentimentos conflitantes. Contudo, a Bella magoada ainda está mais forte. Preciso lutar com ela e não contra ela. Terei que conviver com Edward, por Antony. E só Deus sabe como será isso.
Abaixei-me e o abracei pelas costas, escondendo o rosto nos cabelos cheirosos e bem penteados.
Logo o calor de suas mãos estavam sobre as minhas.
— Mas, com você pode ser diferente, Jas. Perdoe, esqueça. Alice merece uma segunda chance, ela nunca havia errado com você. E, além do mais, ela continua te amando. Deu para sentir a vibração do sentimento de vocês. É palpável, Jas. Deixe a máscara cair.
— Ela me ama e mesmo assim nos traiu.
— Eles são irmãos, Jas. Quem pode culpá-los?
Devagar, se mostrando o Jasper que eu bem conhecia, ele se levantou, deu a volta na cadeira, juntou o corpo ao meu, beijou minha teste e me abraçou carinhosamente.
— Exatamente como nós, Bells. Eles são irmãos.
Em outras palavras, nos defendíamos de quem quer que fosse.
— Mas, Jas...
— Ei... Tem uma criança para ser buscada na escola. Será que as duas “fofoqueiras” podem fazer isso? Já que trabalhar parece ser algo que só caberá a mim.
Emm esmurrou a porta me alertando para o relógio, dependurado, acima de minha mesa.
— Já vamos.
Jasper me soltou e abriu a porta, encontrando um Emmett com cara emburrada nos avaliando pesadamente.
— Não vou perguntar... Só parem de fazer isso em horário de trabalho. A não ser que seja algo relativo à loja. Assuntos pessoais ficam para casa. E se foi você que a fez chorar, juro que quebro seus dentes...
Apontou o dedo para Jas e eu, para logo depois ameaçar.
— Você pode tentar, irmão...
Brincou Jasper, nos guiando para fora de minha sala. E suavizando o clima. Era evidente que Emmett sabia que Jasper não era o motivo de meu choro. Ele nunca faria isso.
— E eu não estava chorando é só esse clima de chuva. Acho que estou gripando.
— Sei...
Passamos pela área administrativa, pelos corredores do fundo da loja até chegarmos à frente ainda com alguns clientes, mas perto da hora de fechar.
— Vão buscar Antony, eu fecho aqui. Mas, vou deixar o caixa para Jasper encerrar. Espere por ele. Está ameaçando chover, para variar, e não quero que perambule por aquelas estradas de chão, sozinha.
— Tá papai!
Sorri o abraçando e beijando seu rosto.
— Eu mesmo buscaria Antony, mas ele está me evitando e...
Passamos pelos balcões. Sorri para nossos funcionários e clientes.
— Amanhã, irmão. Jasper e eu aproveitaremos o momento a sós com ele para explicar algumas coisas sobre você e o bebê.
— Aliás, quando saberão o sexo do neném? Facilitaria nossa vida se soubéssemos que é uma menina.
Jasper ganhou um olhar mortal dele.
Emmett estava apavorado com a ideia de uma filha. Eu brincava que ele temia a cobiça dos outros pela sua filha quando crescesse.
— Mamãe hoje, depois de se inteirar de todos os assuntos do hospital, descobriria mais da nova obstetra e marcaria uma consulta para Leah amanhã mesmo. Se o bebê cooperar talvez essa informação venha logo.
— Tomara. Estou louca para começar a mimar nosso novo pequeno com muitas coisas.
— Não deixe Antony ouvir isso. Ou senão a ira dele se virará para você.
Emm me levou até a camionete e abriu a porta esperando que eu entrasse para depois fechá-la atrás de mim.
Jasper entrou do outro lado.
— Vou resolver isso. Prometo!
Coloquei minha mão por cima das suas, que se apoiavam em minha porta, e as acariciei.
— Eu sei que vai... Você sempre cuida. Te amo! Não demorem. Vamos esperá-los para o jantar.
Beijou minha testa e se afastou encarando com expressão de poucos amigos algo que só ele viu.
— Ah, se Edward soubesse que o maior problema dele atende pelo nome de Emmett, ele o mandaria flores todos os dias...
— Idiota!
Resmunguei dando partida e saindo.
— Ai!... Não me espanque, Bells. E só para te dizer... Não olhe agora, mas, estamos sendo seguidos.
— Merda!
Resmunguei olhando pelo retrovisor interno e vendo um “bendito Volvo” atrás de nós.
— Ele é paranóico? Ou está doente?
Dei seta virando à esquerda.
— Acho que ele está mesmo é apavorado de medo de que fujamos de novo.
— O alertei de que não faria isso.
— Acho que não foi bastante convincente. Quando vai falar com ele?
Mais uma vez virei à esquerda e mais duas à direita antes de estacionar bem de frente a escola.
O volvo estacionou duas vagas atrás de nós.
— Quando me sentir pronta para isso.
— Então quer dizer que está preparada para vê-lo os seguindo aonde for, não é? Porque parece que isso virou meta de vida para ele.
Dei de ombros já atravessando a rua, vendo pela visão periférica que ele encostava-se ao carro e cruzava os braços.
— Uma hora ele cansa, Jas.
— Rá! Só se mudou demais. Porque teimosia era um dos defeitos do Cullen.
Revirei os olhos parando ao lado do portão da escola.
— Mamãe!
Antony estava sentadinho, juntamente com outras crianças, a nossa espera.
— Oi amor.
Abaixai-me e o abracei, já me levantando com ele nos braços...
Edward
Imediatamente senti uma dor indescritível dentro do peito. Eram as “minhas vidas ali” unidas num abraço... Num momento em que eu queria participar.
Deus! Era o primeiro dia do meu filho na escola nova. Eu queria tanto estreitá-los nos braços e saber de tudo o que acontecera.
Mas... Não pude.
Dignei-me a ficar parado, só observando enquanto ele beijava a mãe e o tio. E depois, enquanto atravessavam à rua, Bella com ele no colo, conversava e conversava.
Inclinei o corpo para a direita, pronto para não perder nenhum detalhe daquilo. Eles logo entrariam no carro e eu voltaria a ter só os vislumbres roubados da vidraça de meu loft.
Se é que voltariam para lá...
Porém, de repente... Os olhos de Bella estavam em mim. E por dois segundos ela pensou... Antes de cochichar algo no ouvido do filho e colocá-lo no chão.
A surpresa dele só não foi maior do que a minha ao me encarar e depois correr, pela calçada, a meu encontro.
Dei a volta no carro e me abaixei para pegá-lo, exatamente como a mãe fizera minutos antes.
— Oi tio “Edwald”. O que faz aqui? Veio me vê na escola “tabém”?
O abracei com força e logo me coloquei de pé sentindo e apreciando o segundo melhor cheiro de todo o mundo: o do meu filho.
— Claro que vim. Queria saber como foi o seu primeiro dia?
Bella e Jasper se aproximavam, na certa para buscá-lo.
Eu ainda não estava pronto para soltá-lo.
— Foi legal! Só esse “luniforme” que é feio e quente. E que, mamãe disse, não “combilna” com meu chapéu. Sabia que não pode “usá” chapéu nessa escola, tio “Edwald”? E essa “glavata” me “apelta”.
Sem me conter, gargalhei e acariciei suas costas. Aquele era o momento máximo do meu dia de merda.
— É, sua mãe está certa, um chapéu não combina aqui.
Toquei seu colete.
— E a gravata aperta mesmo. Mas, te deixa mais bonito.
Brinquei beijando sua testa.
— Impossível, tio “Edwald”. Eu sou o lindão da mamãe lindona.
Era! Uma verdade incontestável.
— Ei, vamos agora? Temos que passar na loja ainda. E vovô não gosta que nos atrasemos para o jantar.
Bella o chamou.
— Tá bom, mamãe.
Deu uma piscadinha para ela e se voltou para mim.
Jasper se mantinha em silêncio, mas em posição de poucos amigos.
— Eu já vou, tio. Depois te conto tudo. Tenho um monte de dever. E “pleciso fazê” hoje ainda. “Polque” senão o vovô Char, não me deixa “ajudá” com os cavalos. O “senor” sabia que a escola lá do “Blasil” é muito mais legal?
Brasil?
— Não, eu não sabia.
Olhei para Bella e Jasper, que somente deram de ombros como se aquela informação não significasse absolutamente nada.
Deus! Era onde eles estavam e...
Meu cérebro absorveu aquela informação e logo eu tinha muitas perguntas para um certo detetive.
Maldito Jenks! Jéssica me informara, hoje de manhã, que ele estava no Brasil. Ele sabia! Algo agora se encaixava. Todos esses anos... Ele sabia.
— Vamos, amor?
— “Zamos”! Tchau, tio “Edwald”. Te vejo depois.
Deu-me um abraço apertado, que eu retribui, e antes que o deixasse cair, do tanto que se remexia, o coloquei no chão.
Correu, como uma bala, para os braços de Jasper.
Eu? Estava atônito, mas não alheio a situação.
— Bella?
Chamei quando já se viravam.
Ela não respondeu, só se virou e me olhou.
— Obrigado! Foi importante para mim.
Eu me referia a ter Antony nos braços mais uma vez.
— Não precisa agradecer. Só poderia parar de nos seguir, não é Cullen? Já te disse que não vamos desaparecer, sem te contar.
— Eu sei, só quero estar presente...
Olhei para Antony e Jasper que já se afastavam.
Eu mentia, mentia mesmo. O medo de perdê-los de novo era tanto, que nem sabia como sobreviveria com essas incertezas dentro de mim.
Ela prometia, e Bella nunca faltara com a palavra. Mas, Deus, eu errara tanto... Não merecia o perdão nem a presença deles, porém queria... Com todas as forças que queria.
— Meu filho vem em primeiro lugar, Edward. E ele merece ter um pai. Vou dar isso a ele, por ele. Só deixe nossas vidas firmarem aqui de volta. Não vamos embora! Não enquanto vovó precisar da gente, e se um dia partirmos de novo, você saberá onde ele está. Não sou assim, Edward...
— Não é, eu sei. E quero que me veja com sou agora. Quero conversar, Bella. Gostou das flores?
Ali, num piscar de olhos a expressão dela mudou, e eu sabia exatamente onde tinha cometido o erro.
— Vá para o inferno, Cullen! Volte a me mandá-las e juro que as desfaço, uma a uma, na recepção do seu belo consultório. Você quer Antony e terá, mas me deixe em paz. Você não me conhece!
Virou-se e foi embora, me deixando embasbacado e pronto para gargalhar do rompante bravo dela.
Deus! Eu amaria vê-la sujando minha recepção cheia, com pétalas de rosas, ia ser hilário e Jéssica surtaria.
Deus onde estava com a cabeça?
Talvez naquele vestido, (Deus! Outro vestido), ou talvez nas botas altas e de saltos. Ou só talvez em Jenks... No Brasil!
Bella
— Aí titio, todo mundo falou que eu falo “estlanho”. E a “plofessora”, que não é tia, igual lá no “Blasil”, disse que é “polque” eu “molava” num lugar “lonjão”.
Voltamos para a loja, agora fechada, e Antony falava e falava sobre como fora seu primeiro dia.
— Isso é porque você estava sendo alfabetizado em dois idiomas, pequeno. Português e inglês. Por isso do sotaque. Eles logo se acostumam.
— Eu sei. Mas, é chato as pessoas “ficalem pelguntando” como se fala as coisas lá.
— Tá bom, eu imagino. Agora por que não vai deixar a mochila na sala da sua mãe? Vou fechar o caixa e ela vai terminar de pegar algumas coisas e depois vamos para casa.
— Tá...
Saiu arrastando a mochila, de rodinhas, enquanto eu acionava o sistema de segurança.
— Isso, se fecha. É assim que começa, se lembra? Só que Antony é grande agora. Sabe que ele ainda precisa de você, não sabe?
— Não estou me fechando. Só não quero te contar que Emmett está com a razão. Que uma vez Cullen, sempre Cullen...
Jasper, já no caixa, me ouvia atentamente.
— Quer falar? Porque para concordar com Emmett, sem que ele esteja por perto, a situação tem que ter sido muito ruim mesmo.
E confessar que Edward mexia comigo da mesma maneira que sempre mexeu? E que se ele continuasse implorando eu logo marcaria a bendita conversa? Não! Essas palavras não sairiam de minha boca ainda, nem mesmo para Jasper.
— Não. Quero conversar com meu filho sobre Emmett. Feche aí, depois me diga que já temos o dinheiro para os boletos de amanhã e depois... Casa.
— Quer ajuda com Antony?
— Não precisa. Eu dou conta.
— Eu sei que dá. Mas, sabe que não está sozinha, não sabe?
— Eu sei. Obrigada por isso.
O deixei e rumei para minha sala, encontrado Antony sentado do outro lado de minha mesa, colorindo, com tranqüilidade e atenção, um grande avião com a letra A, embaixo.
Os pontilhados na letra maiúscula, minúscula e cursiva já estavam, milimetricamente, preenchidos.
— Olha! Parabéns! Está certinho.
Acariciei seu cabelo me sentando a sua frente e fechando os livros e receituários dispostos em minha mesa. Peguei também os orçamentos dos novos pivôs que mostraria a Charlie e Emmett.
— “Obligada”! Acho que vou ser um bom peão ou “advogato”, não é, mamãe?
— Se dependesse só da sua inteligência seria sim. Mas, sabia que para sermos bom em algo, se precisa de mais?
Ele me olhou rapidinho, depois pegou outra cor de lápis e voltou sua concentração para a tarefa.
— “Plecisa de esfolço, colagem e... Folça de vontade”. A vovó diz isso sempre.
— E ela está certa, mas ainda faltam algumas coisas... Educação, gentileza e carinho com as pessoas.
— Então eu “selei” bom. “Polque” tenho tudo isso aí, mamãe. Som um bom “galoto”. Todo mundo diz.
Isso sem falar da humildade. Pensei comigo mesma. Como pode ser tão convencido?
— Hummm! Não é isso que tenho visto acontecer com tio Emmett e tia Leah.
Dessa vez fui eu que comecei a colocar as coisas dentro de minha pasta.
Se o encarasse, ele escaparia da conversa com uma gracinha, eu o conhecia.
— Eu não “tô” fazendo nada com eles.
Parou de colorir e eu sabia que tinha sua total atenção.
— Tem certeza disso? Mentir também não é algo bonito. Não te ensinei isso e não faz de você bom em nada.
— Você tá “tliste” com Antony?
Cheque mate! Era a hora de lhe ensinar uma lição nova. Por isso, parei o que fazia afastei a cadeira e abri os braços para que ele viesse para meu colo.
— Mamãe está decepcionada. Eu não te criei assim. Já tio Emm e tia Leah estão sim tristes. Ainda mais porque agora que ela está grávida, esperávamos que você fosse ajudar muito, porque é isso que primos mais velhos fazem.
Encarei seus olhos, mostrando-o que falava muito sério.
— Eu não “quelo” um “plimo”, mãe. Só eu tá bom. Desde que titia Leah ficou com aquele “baligão” que ela não me pega mais. E titio Memmett fica todo bobo quando “convelsa” com a “baliga”. Como se ela fosse “lesponder”.
Revirou os olhos e foi sarcástico.
— Ah, mas, o bebê escuta. Ele não pode responder, mas escuta. E tio Emm quer que o neném saiba que todos aqui já o amamos.
— Eu não amo.
— Mesmo? Não ama um ser assim pequenininho...
Fiz com as mãos o tamanho de um recém- nascido.
— Que vai precisar de muito carinho e cuidado. Que vai te amar e te seguir aonde for. Que você vai poder ensinar a brincar no balanço e andar a cavalo.
— E que vai “tilar o tio Memmett” de mim.
— Não, que vai dividir o tio Emmett com você. Lembra quando a mamãe disse que no coração da gente cabe muitos amores?
Ele acenou em concordância.
— Então, o do titio já está se expandindo. O amor dele, por você, não diminuiu nem um pouquinho porque ele vai ter um neném.
— Nem um “tantinho” assim?
Mostrou pouca quantidade com o indicador e o polegar.
— Não. Mas, ele fica chateado cada vez que você o trata mal ou não se aproxima de tia Leah. E você acha certo depois, de tudo que ele faz por mim e por você, ficar chateado por algo que você está fazendo só por medo de perder um amor que não se pode perder?
Uma lágrima escorreu do rostinho dele e eu a sequei com um beijinho.
— Não. Eu amo o papai Memmett. Não gosto de “salber” que ele ta “tliste” com Antony.
— Então promete para mamãe, que vai fazer as coisas direito? Que vai ser o meu Antony lindão com tio Emm e tia Leah?
— Se eu “plometer” você não fica mais “delecepsionada” com Antony?
— Não fico mais decepcionada com o Antony. Ficarei muito, muito orgulhosa de você.
— “Plomessa” de dedinho?
Estendeu o mindinho e estendi o meu, juntando-os e balançando-os.
— Prometido!
— “Plometido”!
Dissemos juntos... E ali no silêncio de minha sala, num findar de um dia, com o melhor, de dois seres humanos nos braços, sorri abertamente pensando que eu tinha um problema a menos.
Porque sim, Antony cumpria suas promessas, assim como eu...
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