Quando o passado não te deixa viver

7 É assim que nasce uma Fênix- Parte I


Notas iniciais
Oi, passei rapidinho só para lembrar que esse capítulo e o próximo são todos do passado, ok? E, preciso ressaltar minha alegria pela linda recomendação e carinho que recebi da Emily Cullen. Fiquei emocionada e muito feliz. Obrigada! Esse capítulo é todinho dedicado a você. Beijinhos.

Alguns anos atrás...

Renée

— Que droga, Emmett! Eu preciso chegar mais cedo.

Tomei mais um pouco do meu café já me preparando para o embate.

Charlie abaixou o jornal e levantou a sobrancelha, me indagando, apenas com aquele gesto.

Dei de ombros. Eu não sabia qual era o motivo da discussão de hoje.

— Azar o seu, Bells. Já fui mais cedo com você ontem. Não sou seu chofer. Além disso, Leah não é obrigada a acompanhar seus horários loucos. Peça o seu namoradinho que te busque.

— Ah! Eu odeio você!

— Rá! Nem me importo.

Emmett estirou a língua para ela e se sentou ao lado do pai para tomar café.

— Posso saber o motivo da discussão a essa hora da manhã? Estão piores do que os bois do pasto.

— Bella, pai. Ela cismou que precisar ir mais cedo hoje de novo. Eu não vou! Quem mandou ficar de “birrinha” e não querer um carro. Ela que se vire.

— Baixe o tom, rapaz... Filha, vá com Jasper.

— Ele não vai, mãe. Só tem os dois últimos tempos hoje e decidiu ficar em casa.

— Vá a pé, então. Não tem um carro porque não quer.

— “Vá à merda”, Emmett. Não quero um carro, quero uma camionete. Meu pai prometeu.

Charlie, já perdendo a paciência com a gritaria, dobrou o jornal e olhou de um para o outro.

Bella continuava de pé encarando o irmão.

— Chega! Isabella, se falar mais um palavrão lavo sua boca com sabão. E Emmett, cale-se! Se comportem enquanto estão nessa mesa. Aqui não é casa de ninguém.

Escondi o sorriso. Emmett murchou na hora, ser repreendido pelo pai era algo que ele odiava, igualmente com brigar com a irmã. Mas, vira e mexe, eles “riliavam”.

— Querem saber? Eu desisto. Vou a pé mesmo.

Controlar Emmett e Jasper era fácil para meu marido, já Bella...

— Isabella!

Ela nem se deu ao luxo de olhar para trás, saiu andando a passos duros e bateu a porta da frente.

— Eu vou! Já está mesmo na minha hora.

Segurei o braço de meu marido quando ele ameaçou se levantar para ir atrás de nossa filha.

— Compre essa bendita camionete de uma vez, Charlie. Você prometeu. Se não o fizer eu mesma compro.

— Você não se atreveria. Ela terá um carro pequeno, seguro.

— Pague para ver... Ela terá a camionete que você prometeu. E ainda pago com seu cheque. Resolva isso. Ela merece o mesmo que os meninos.

Beijei a testa de Emmett que ainda encarava a porta por onde a irmã havia saído. Em seguida, também beijei meu marido.

— Ela não tomou café, nem se despediu.

— A irritem mais um pouco e ela se muda para a casa dos Cullen’s.

Não esperei para ouvir mais nada deles. Eu precisava me apressar, antes que minha teimosa filha resolvesse se embrenhar por algum atalho rumo a cidade.

— Teimosa feito o pai.

Resmunguei já colocando o carro em movimento e procurando onde “a criatura” havia se metido.

— Ei, mocinha. Entre aqui.

Ordenei parando ao lado dela e já abrindo a porta do passageiro. Bella já alcançava a estrada principal, fora da entrada de nossa casa.

Sem pestaneja, fez o que pedi. Essa era uma, das muitas qualidades de meus filhos, eles sabiam obedecer.

— Como está a garganta?

Introduzi um assunto, antes de pressioná-la mais.

— Está bem, mamãe. A azitromicina sempre funciona.

Deixou a mochila aos pés e olhou para o para o outro lado, evitando qualquer contato visual.

Ela me conhecia e eu a conhecia.

— Precisa se agasalhar melhor de madrugada, quando se levanta, filha. Precisa evitar a poeira dos silos e do curral. E precisa, mais do que tudo, parar de tomar banhos de chuva. Vai viver de antiinflamatórios e antibióticos, Bella.

— Vou parar, mamãe. Vou parar com tudo. Prometo.

Disse baixo esfregando uma mão na outra.

Há dias eu sabia que algo estava acontecendo. Bella andava diferente, distante. Algo a incomodava.

— Quer me falar o que está acontecendo? Não temos segredos, lembra? Sou sua mãe e amiga. É com Edward? Estão brigados?

Imediatamente ela olhou para o lado esquerdo constatando que passávamos em frente a Paraíso.

— Não. Nós não...

Passou nervosamente a mão pelos cabelos, presos em um rabo alto.

— Não sei, mãe. Sinceramente, não sei. Desde que nós... Ah, desde alguns dias atrás ele tem se comportado diferente. Está distante e quando pergunto o que há, ele diz que não é nada. Saímos de um sábado onde nos resolvemos de uma vez e passamos para uma segunda, onde ele... Mudou.

Soltei o volante e segurei sua mão. Minha pequena, sairia sofrendo nessa história. Charlie e eu tínhamos consciência disso.

Porém, como eu disse, Bella é teimosa na mesma quantidade que é inexperiente.

— Converse com ele, filha. Deve ter algum motivo para essa mudança.

— Rá, se eu conseguisse, mamãe. Ele vem me evitando. Só nos encontramos antes das aulas. Sempre tem algum trabalho ou precisa estudar.

Não era só isso. Algo mais a afligia, mas não me contaria. Não enquanto a inquietação não a dominasse completamente.

— Medicina é um curso complicado, amor. Precisa de dedicação quase que total.

Olhei atentamente a rodovia principal, antes de virar o carro e nos colocar nela. Já estávamos na nossa querida Forks.

— Pode me deixar no centro, mãe. Quero comer algo antes das aulas começarem.

Mentiu.

Crispei os olhos tentando adivinhar o que se passava naquela cabecinha.

Ela não me deu pistas.

— Compre o lanche, eu te espero. Ainda está cedo e...

— Não precisa mesmo, mãe. Vou comer aqui e depois vou caminhando. Preciso espairecer.

Mentiu de novo. E antes que eu sondasse mais, destravou o cinto, me beijou no rosto e saiu do carro.

— Tem certeza? Posso te esperar.

— Estamos a três quarteirões da universidade, mãe. Vou ficar bem.

— Certo. Então conversamos melhor mais tarde. Precisa de dinheiro?

Ela negou rapidamente.

— Não, senhora. A mesada não está nem na metade.

“A mesada” nem era tão mesada assim. Charlie havia assinado a certeira de trabalho de cada um deles desde que isso foi possível.

Emmett, Jasper e Bella trabalhavam na fazenda e eram remunerados por isso. Ou seja, recebiam salário pelos serviços que prestavam. Contudo, Bella, como boa altruísta que era, achava o valor desproporcional.

— Ok, querida. Estarei nos hospital. Qualquer coisa me ligue. Te amo.

— Te amo, mãe.

Fiquei mais alguns segundos observando-a enquanto entrava na padaria. Se eu soubesse que aquela seria a última vez que veria a minha menininha ainda inocente, feliz e ingênua, juro que a teria colocado no carro e fugido para bem longe...

Bella

Disfarçadamente e ganhando tempo para que mamãe se afastasse, me dirigi até o caixa, peguei um chiclete de hortelã, o único que andava acalmando meu estômago pela manhã, paguei e após conferir minuciosamente a rua, saí dali rumo a meu principal destino.

Precisava acabar, de vez, com aquela angústia. Era hora de assumir a inconsequência de meus atos, ou então, de poder voltar a respirar aliviada.

— Não seja covarde! Não seja covarde!

Murmurei baixo o mantra que me acompanhava desde ontem quando deixei que retirassem meu sangue para o bendito exame.

Eu havia feito isso sozinha. Quando dei por mim, pelo “atraso” e pelos sintomas, quis conversar com alguém, com Edward. Mas, ele mal teve tempo para me cumprimentar desde a nossa primeira vez. Sempre rodeado de Tânia, Rosie e seus amigos.

Eu estava sozinha, me sentia sozinha... Nem sei se ainda tinha um namorado. Algo estava errado.

Não sou idiota. Ouvia os murmúrios. As implicâncias de Rósalie e Tânia se intensificaram: Recebi áudios, fotos e até um pequeno vídeo de vezes em que Edward e ela estavam no mesmo lugar. Nada muito comprometedor, somente um apreciando a companhia do outro. O que não acontecia quando ele estava comigo.

Eu sabia... Era questão de tempo até que me deixasse de vez e ficasse com a amiga da irmã. Eu já me preparava para isso.

Mas aí, os sintomas começaram e agora a situação era outra.

— Não seja covarde...

Espantei a sensação ruim, andei até o fim da rua e, ofegante feito uma maratonista, parei na porta do único laboratório da cidade não conveniado ao Medical Forks.

Não precisava que mamãe ou tia Esme soubessem do resultado antes mesmo de mim.

— Pois não? Em que posso ajudá-la?

A recepcionista me olhou de cima abaixo, dando uma ênfase especial em minha barriga.

Ela sabia! Forks era do tamanho de um ovo. Todo mundo conhecia todo mundo.

Tive vontade de cruzar os braços por sobre o corpo, me escondendo.

“Não seja covarde! Não seja covarde”!

— Oi, sou Isabella Swan, vim pegar os resultados dos exames que fiz ontem.

Graças a Deus e devido ao horário, estávamos só nos duas ali.

— Ah, sim. Só um minutinho.

Vasculhou uma pasta entre tantas, e de lá retirou a folha que selaria meu futuro.

— Aqui está. Nossos envelopes personalizados acabaram, espero que não se importe.

Consenti, agradeci e peguei o resultado. O pagamento já havia sido efetuado no dia anterior.

— Isabella?

Meio atordoada, voltei minha atenção para a recepcionista.

— Parabéns!

Deus!

— O... Obrigada!

Sussurrei saindo dali o mais rápido que podia.

Era isso. Nem precisava abrir o maldito envelope. Na verdade, nem precisava ter feito o exame. Sabia o que enjôos matinais, indisposição e o sono frequente significavam: eu estava muito grávida.

— Por Deus, Isabella! Edward vai te matar.

Voltei a resmungar já a caminho da universidade.

A cabeça a mil pensando em como o explicaria que um simples antibiótico havia interferido no efeito de uma pílula tomada 48hs depois de uma relação, graças ao esquecimento de Alice de não me entregá-la.

— Charlie vai me matar!

O envelope queimava minha mão. A cabeça começava a latejar.

— Não seja covarde!

Segurei mais firme o papel junto ao peito. O ar fugia de meus pulmões e um gosto amargo tomava a boca.

— Ei, Swan! Cuidado. Olhe por ande anda.

— Desculpe.

Clamei, ao esbarrar em um aluno assim que adentrei os portões da universidade.

Agora a urgência me tomava. Precisava encontrar Edward e precisava agora.

— Não seja covarde!

A passos largos me dirigi ao estacionamento. Ainda estava cedo e seria um bom momento para conversarmos.

Ele entenderia. Por Deus! Tinha que entender. Eu não havia feito um filho sozinha.

— Droga!

Gemi de desgosto ao encontrá-lo encostado em seu carro rodeado por “seus amiguinhos” e com Tânia praticamente dependurada em seu pescoço. Eles gargalhavam.

— Não seja covarde!

Murmurei pela última vez antes de me aproximar.

— Edward?

Chamei assustando-o e trazendo a atenção de todos para mim.

Rósalie também estava entre eles. Mau sinal.

— Podemos conversar?

— Ah não, Ed!

A loira reclamou alisando o peito dele. E eu quis, mais do que tudo, arrancá-la de lá no tapa.

— Agora não, Isabella. Estou ocupado. Estamos resolvendo assuntos do TCC.

Era mentira. Deus, como uma pessoa podia ser tão inconstante? Onde estava o Edward que praticamente me implorara para que não terminássemos?

— É urgente.

Insisti e meu tom deve tê-lo alertado de que era sério.

— Ok, gente. Eu já volto.

— Edward!

Repreenderam-no a dupla de loiras irritantes: Rósalie e Tânia.

— Tá bom, já chega. Vou resolver isso de uma vez por todas, agora.

Beijou a testa da irmã e olhou intensamente para Tânia.

— Vamos.

Saiu andando a minha frente, nos encaminhando para os bancos na parte lateral do estacionamento, já quase chegando à floresta. Ninguém nos veria ou ouviria dali, o que era bom.

— Pronto! Sou todo ouvidos.

A voz soou rude. Sem prelúdios, sem um “bom dia” sequer.

— Preciso te mostrar isso.

Entreguei-lhe o envelope.

— O que é?

— Abra.

Influenciei.

Ele não me obedeceu. Virou-o e virou-o nas mãos mais de uma vez e por fim, o atirou de qualquer jeito dentro da mochila que segurava.

— Não! Chega de gracinhas, Isabella. Tenho adiado algo inevitável e já que tomou a iniciativa...

— Não, Edward, eu...

— Não! Cale-se! Vou falar tudo de uma vez antes que me deixe dominar mais uma vez por sentimentalismo barato.

Interrompeu-me nervoso, jogando a mochila ao chão e esfregando os cabelos com sofreguidão.

— Não dá mais, Isabella. Eu tentei, juro que tentei. Até achei que se você mudasse de curso, de vida, teríamos uma chance. Mas aí, caí na real. Você nunca será capaz de mudar totalmente. Essa coisa de “menina do interior” está embrenhada em você. E isso não serve para mim.

Soltou tudo de uma vez. Não fui capaz de falar nada. Sentia-me pequena, sozinha.

Cruzei os braços, abaixei a cabeça, me fechei, me senti derrotada.

— Preciso nos libertar um do outro. Por isso...

— Não, por favor. Me deixa falar.

— Não tem o que falar. Quero seguir meu caminho e quero fazer isso do jeito certo antes que cometa um erro com você.

— Tânia. Você está com Tânia.

Dei voz a minhas suspeitas.

Ele me olhou com algo que não fui capaz de identificar.

— Ainda não.

— Ainda não.

Sussurrei sua resposta.

— Mas, é questão de tempo. “Ela é perfeita para mim”.

Ah, Deus! Eu esperei tanto ouvir aquelas frase dele, se referindo a mim, na nossa primeira noite.

— Mas, Edward, nós...

— Não existe nós, Isabella! Está tudo acabado. E não sei como fazer isso sem te machucar. Sei que tem sentimentos por mim. Porém, não posso fazer nada em relação a isso. Espero que não tenha comunicado a reitoria nem a seus pais sobre a mudança de curso. Não quero que faça isso. Sua vida não me importa mais. Faça o que bem entender.

Quanto mais ele falava, mais eu sentia a dor excruciante em meu íntimo. Ele estava me matando.

As lágrimas desciam sem darem folga.

— Lamento, eu lamento. Mas, não há uma maneira fácil de fazer isso. Não somos compatíveis, Isabella. Será melhor para todos.

Agora, preciso ir. Tenho uma aula importante no primeiro tempo, não posso me atrasar.

Pegou a mochila quando o primeiro sinal soou.

Passou por mim e sem nem olhar para trás se afastou. Tânia o esperava perto dos primeiros bancos e acabou de me matar quando se jogou em seus braços e o beijou com fervor, na boca.

Imediatamente, me virei. Eu não precisava ver aquilo.

Esperei alguns segundos e quando soou o segundo sinal, ousei a olhar para trás, eles não estavam mais lá. Isabella Swan estava totalmente sozinha.

— E agora?

Dobrei-me ao chão, balançando para frente e para trás, sentindo a dor tomar conta de tudo.

Sozinha, completamente sozinha e com um filho no ventre. Edward me matara, nos matara.

Saia daí... Sai daí... Fuja!

Minha consciência gritava... E foi exatamente o que fiz. Sem saber para onde ia ou o que estava fazendo, comecei a andar a ermo rumo à floresta, me embrenhando cada vez mais. Sumindo cada vez mais... de mim, do mundo...

Renée

Assim que adentrei os limites da Sonho Azul respirei aliviada. Uma sensação ruim e um aperto no peito me acompanharam o dia todo me fazendo arrastar para que acabasse logo.

E agora eu só precisava sentar no sofá, esperar que Charlie massageasse meus pés, enquanto ouvia Emm, Jas e Bella contarem como foi seu dia. Eu só precisava da calmaria de sempre.

Contudo, no momento que desci do carro sabia que alguma coisa estava errada.

— Amor, cadê seu telefone? Onde estava? Bells está com você?

— Ei calma. Uma pergunta de cada vez.

Deixei minhas coisas no carro mesmo e fui até meu marido. Ele tinha urgência na voz e parecia muito preocupado.

— Meu celular está na bolsa, perdi o sinal assim que entrei na rodovia. E, não. Bella não está comigo. Por que estaria? O que está acontecendo?

Ele não me respondeu de imediato. Primeiro absorveu e processou cada palavra minha antes de ser capaz de fazer meu mundo desabar completamente.

— Isabella sumiu.

— O quê? Como assim? Eu a deixei na padaria hoje cedo.

Andei atrás dele pedindo explicações enquanto entrávamos.

Emmett e Jasper falavam, cada um, ao telefone.

— Ela foi vista na universidade hoje cedo, mas é só. Não estava esperando Emmett na saída, como sempre. Não atende o celular, não veio para casa. Os meninos estão ligando para cada amigo e colega de sala dela, mas ninguém tem maiores notícias. Ela nem compareceu as aulas.

Charlie apertou o chapéu, que usava, entre os dedos e o atirou longe.

— Edward. Liguem para ele. Devem estar juntos.

— Não estão.

Respondeu Jasper colocando o celular no bolso e vindo se postar ao meu lado.

— Alice disse que Edward confirmou que só se falaram rapidamente hoje de manhã. Eles estão vindo para cá.

— Emmett?

— Nada, mamãe. Sumiu, desapareceu. Ninguém sabe, ninguém viu. Precisamos comunicar a polícia.

Meus olhos se encheram de lágrimas mudas, as mãos começaram a tremer e as pernas fraquejaram. E desespero estava na borda e a sensação ruim retornara com tudo.

— A polícia não tomará atitude nenhuma enquanto não completarem 24hs de desaparecimento. Deus, onde essa menina se meteu?

— Irmão!

Esme, Carlisle, Edward e Alice entraram sem bater. Minha cunhada abraçou meu marido. E Alice, com olhos chorosos, correu para os braços de meu filho.

— Edward, filho, você a viu hoje de manhã. Aconteceu alguma coisa? Onde se viram? Ela estava estranha? Alguém os observava?

— Tia, eu... Eu... Eu não sei. Nós...

Meu coração sentiu mais o baque. O garoto parecia perdido, desnorteado.

— Vocês o quê? O que fez com minha irmã?

Emmett se colocou de pé e com três passadas se postou frente a frente com o filho de Esme.

— Nós... Conversamos pouco. Nós... Terminamos e...

Sussurrou baixinho olhando para baixo, encarando os pés. Parecia extremamente chateado e envergonhado.

— Ah, eu vou matar você!

— Emmett!

Jasper e Carlisle o seguraram.

Charlie me encarou e com aquele gesto pressupomos a mesma coisa: nossa filha devia estar arrasada em algum lugar.

Desde que esse relacionamento começou da primeira vez, há anos atrás, sabia que meu bebê sairia machucada. Edward não era para Isabella.

— Emmett, Jasper, juntem os peões. Sairemos em dez minutos à procura. Peça que tragam os cachorros.

— Charlie, o que está acontecendo? Onde está minha neta?

Dona Marie adentrou pela porta da frente. Era óbvio que veria a movimentação e escutaria alguma coisa.

— Pergunte ao filho de Esme, mãe. Vamos... Gritou para os meninos.

Os segui a cegas. Nem sabia o que fazer. Só sentia que sufocaria se continuassem sem fazer nada.

Bella

Caminhar... Caminhar e caminhar...

Escurecia.

Ao longe as corujas começavam a chirriar trazendo sensações horripilantes e de mau agouro para meu ser.

As lágrimas nublavam minha visão. E o esgotamento tomava meu corpo.

Por um instante, um uivo alto de um lobo, me fez parar. Eu estava aterrorizada.

Não estava perdida. Tinha noção de para onde ia, estava perto agora.

Havia passado o dia caminhando, atravessando a mata, para só então chegar em casa. Já estava em nossas terras, mas, ainda faltava. E meus pés não tinham mais condições de se levantarem. Eu me arrastava...

A fome e a sede já nem me incomodavam mais, haviam sido descartadas a segundo plano. As dores no corpo e a tristeza faziam a maior parte do estrago.

Caminhar, caminhar e caminhar...

Sentia-me sozinha, triste, um lixo de pessoa, que colocara a vida do próprio filho em risco. Porém quando me dei conta do que fazia, era impossível regressar. Já havia me embrenhado demais. Então eu precisava...

Caminhar, caminhar e caminhar...

Não podia parar. Não dava para passar a noite ao relento. Além de não ser seguro, eu sabia que todos já deviam estar preocupados. Eu já devia estar em casa.

Caminhar, caminhar e caminhar...

E quando meus olhos avistaram as primeiras luzes, não podia acreditar.

Logo latidos altos foram ouvidos e, eu tinha consciência, era questão de segundos até que os cães caçadores de Billy me encontrassem. Eu queria correr ao encontro deles, queria diminuir o sofrimento. Mas, não era capaz... Eu me arrastava.

Os pés descalços, porque as botas haviam sido retiradas quando feriram todos os meus dedos, estavam em carne viva e sangravam por cada pedacinho.

— “Faremos grupos de três pessoas. Dividiremos a área e quem achar alguma pista da minha filha, pare, acione os sinalizadores e solte foguetes que iremos a seu encontro imediatamente”.

Agora estava perto, já dava para ouvir e diferenciar vozes. Papai gritava ordens.

Eu só precisava dar mais uns dez passos e me fazer ver.

— “Eu vou também”.

— “E eu”...

— “Não, para as duas. Mãe, Renée alguém precisa estar aqui para o caso de Bella voltar e”...

— Bella! É a Bella!

Isso! Eu havia conseguido. Emmett me vira.

Eu podia sucumbir agora...

— Filha! Não!

Charlie gritou. Mas, já era tarde demais. Minhas pernas cediam. A visão só era capaz de identificar pequenas luzes, de lanternas, correndo a meu encontro.

Eu acabara de sair da mata, estava a uns duzentos metros de casa, mas o esforço cobrava seu preço. Havia gastado umas 10hs para caminhar 30 km em meio à vegetação fechada. E agora não precisava mais me esforçar.

— Não, Bells! Não caia!

Tarde demais, Emm. Tarde demais...

Notas finais
Na parte dois é que as coisas acontecem. Lembrem-se que amo as teorias de vocês. Beijinhos e até o feriado que é quando postarei a parte dois.