Quando o coração fala mais alto que a razão!
2 Capítulo 2 - O tão indesejado dia.
Estávamos caminhando descalços na areia fina da praia, algumas ondas vinham até nossos pés refrescando-os, sua mão entrelaçada a minha passava uma sensação de conforto e segurança, ele olhava para mim por entre algumas mechas de cabelos que insistiam em cair sobre seus olhos, os mesmos que me tiravam o folego com um simples relance, trazia um sorriso em seus lábios, aquele sorriso que eu tanto amava ver. Ele parou e olhou em meus olhos, nesse momento pensei que desmaiaria, pois todas as minhas forças pareciam estar abandonando meu corpo, o rosto dele se aproximava cada vez mais e cada milésimo de segundo que se passava pareciam minutos intermináveis, e quando finalmente nossas bocas estavam prestes a se selar em um beijo cheio de luxúria pude ouvir um som estridente preencher meus ouvidos e me puxar de volta para a realidade sem nenhuma piedade.
― Droga de despertador. ― Resmunguei ainda com a voz falha enquanto tentava desligar o alarme do celular com dificuldade por causa da vista embaçada devido ao sono que se recusava a deixar meu corpo.
Quando finalmente consegui desativar o alarme dei um logo suspiro e deitei minha cabeça novamente no travesseiro, praguejei mais um pouco aquele maldito alarme, afinal ele tinha não só me acordado do melhor sonho que eu tivera em meses, mas do sonho mais incrível que eu já tive com Jonas, o garoto mais lindo da minha escola e por quem eu estou completamente apaixonada. Mas antes que a raiva pudesse deixar minha mente uma cama vazia do outro lado do quarto, trazida por David há alguns dias, me fez lembrar que o dia que eu tinha desejado nunca chegar havia chegado e que em algumas horas aquela cama não estaria mais vazia em consequência meu quarto não seria mais habitado apenas por mim.
Permaneci mais alguns minutos deitada em minha cama desejando que tudo não passasse de um pesadelo e que logo eu iria acordar, mas foi inútil, eu sabia que ela ia chegar a qualquer momento daquele dia e eu não podia fazer nada para impedir isso nem mesmo implorar para minha mãe para nos mudar para uma casa maior, afinal eu já havia tentado inúmeras vezes e a mesma deixou bem claro que não ia se mudar por causa de nenhuma criancice minha. Então resolvi aceitar que era inevitável e tentei começar a pensar mais positivamente, afinal pode ser que ela seja uma pessoa legal e dividir meu quarto não iria ser tão ruim quanto eu estava imaginando. Então por alguns minutos enquanto eu me arrumava para ir à escola pensei que minha mãe estava certa e que talvez eu estivesse sendo infantil de mais.
― Filha, o café já está na mesa. ― Ouvi minha mãe dizer enquanto batia na porta do meu quarto. ― Se não se apressar vai acabar se atrasando.
― Já estou quase descendo. ― Disse enquanto tentava terminar de me maquiar o mais rápido possível porque sob hipótese alguma eu podia chegar atrasada na escola, hoje a primeira aula é de história e aquele professor, por algum motivo que ainda não compreendi, me odeia com todas as forças que ele tem e chegar atrasada na aula dele certamente seria meu fim.
Quando finalmente cheguei ao andar de baixo onde fica a cozinha cumprimentei todo mundo e comi o mais rápido que pude me despedi e praticamente corri até a escola, que não era muito longe ficava apenas a cinco quadras da minha casa, entrei na escola e fui direto para a minha sala dando qualquer desculpa e dispensando qualquer pessoa que viesse falar comigo pelos corredores, entrei na sala que parecia não estar faltando mais ninguém além mim olhei para frente e lá estava ele, César o professor de história, com sua expressão diária de raiva e tédio ao mesmo tempo. Três segundo após eu sentar na minha carteira o sino indicando o início das aulas tocou fazendo com que eu perceber que me salvei por muito pouco. Dei um logo suspiro de alívio e olhei para frente, juro que puder perceber a frustação no olhar do professor quando ouviu o sino tocar, mas alguma coisa me disse que não era porque ele não queria dar aula e sim porque ele estava esperando que eu me atrasasse, como se ele ansiasse por uma oportunidade de me prejudicar.
― O que ouve? Pensava que ia faltar hoje. ― Ouvi uma voz familiar sussurrar da carteira ao lado. Era a Lívia minha melhor amiga, nos conhecemos desde crianças e já passamos por muita coisa juntas então não era surpresa que ela estivesse desafiando o professor mais carrasco de toda a escola apenas para saber por que eu quase me atrasei.
― Depois eu te explico. ― Falei mais baixo ainda, não queria que César nos ouvisse afinal ser pego conversando na aula dele era o mesmo que pedir para ser expulso de sala ou pior. Peguei meu caderno e livro e virei para frente prestando atenção em cada palavra dita e anotando tudo que era relevante até o final da aula.
Assim que o sino indicando a troca de aulas tocou e César deixou a sala finalmente pude falar com a Lívia.
― Então o que aconteceu? Você nunca se atrasa. ― Falou com uma voz de surpresa e desentendimento enquanto me olhava como se estivesse esperando algo extraordinário sair de minha boca.
― Dormi demais, só isso. ― Pude ver um pouco de decepção no olhar dela. ― Seja lá oque você estava esperando ouvir, desculpa te despontar. ― Disse pouco antes de dar um sorriso sarcástico.
― Pensei que tinha esbarrado com o Jonas então começaram a se pegar e se esqueceram da aula. ― Devolveu o mesmo sorriso que eu havia dado.
― Eu já te disse que você tem a imaginação muito fértil? ― Sorri desejando que tudo fosse real e não apenas a imaginação da Lívia.
― Todo mundo diz. ― Respondeu com um tom divertido na voz. ― É hoje que ela chega não é? ― Percebi um pouco de preocupação no olhar que me lançava dessa vez.
― É sim, ela chega hoje. O voo dela está marcado para chegar depois do almoço. ― Dei uma pausa enquanto alguns pensamentos corriam pela minha cabeça. Lívia olhou para mim esperando que eu continuasse. ― Eu fiz toda aquela cena por não querer dividir meu quarto, mas hoje de manhã eu estava pensando que talvez as coisas não sejam tão ruins assim, acho que exagerei um pouco. ―Admiti me sentindo uma idiota por ter agido de modo tão imaturo.
― Fico feliz que não esteja mais pirando por causa da sua nova irmã. ― Suspirou e olhou-me com alivio. ― Mas espero que não fique toda amiguinha dela e se esqueça de mim. ― confessou com ciúmes.
― Você é minha melhor amiga desde meus cinco anos não vou sair te trocando por qualquer uma que aparecer. Pensei que isso já tivesse ficado bem claro ― Disse enquanto sorria e pensava no quão fofo era aquele ciúme repentino dela. Mas antes que pudéssemos prolongar a conversa o próximo professor entrou na sala falando algo sobre a prova que teria na próxima semana nos forçando a prestar atenção nele.
Mais algumas aulas se passaram e chegou o intervalo, Lívia e eu compramos nossa merenda e nos afastamos da cantina para um lugar mais quieto para jogar conversa fora como já é de rotina. Ao terminar o intervalo voltamos pra sala. As aulas estavam passando muito rápido hoje então antes mesmo que eu percebesse havia chegado a hora de ir para casa, me despedi de Lívia e segui pelo caminho que eu fazia todos os dias para ir e voltar da escola. Enquanto caminhava pelas ruas me peguei pensando da minha nova irmã de novo, o que havia se tornado bastante regular nos últimos dias, mas dessa vez não era desejando que o avião dela caísse, que por sinal foi uma coisa horrível de se desejar, e sim como ela se parecia e que tipo de pessoa era, pude sentir a curiosidade tomar conta de mim quando esse pensamento me ocorreu, afinal nunca havia visto nem um foto se quer tudo o que eu sabia sobre ela era que o nome dela era Micaela e que era um ano mais velha que eu.
Ao chegar em casa fui direto tomar um banho, hoje o dia estava mais quente que o comum então já previa uma tarde de calor infernal . Após terminar fui direto almoçar onde todos já estavam sentados esperando apenas por mim, mas não pareciam incomodados com minha demora, na verdade estavam animados até de mais, quando me aproximei pude entender o motivo de tamanha algazarra, David estava falando sobre a filha, como ela era e algumas histórias engraçadas de família, mas não falou muito, pois quando olhou para o relógio em seu pulso percebeu que se não se apressasse acabaria chegando atrasado ao aeroporto.
Eu preciso admitir que conforme os minutos vão passando mais curiosa eu fico e já nem me importava mais com a divisão do quarto, eu tinha passado tanto tempo imaginando que ela seria um pesadelo na minha vida que não havia considerado uma vez sequer que ela poderia ser alguém interessante, afinal a garota está vindo da Europa no mínimo deve ter algumas histórias legais pra contar.
David já havia saído para o aeroporto há alguns minutos, e agora era a vez de Daniel falar para o Edu sobre a irmã, na verdade era até engraçado o ouvir repetir a palavra incrível tantas vezes enquanto se referia a ela, pareciam que eles se davam muito bem juntos o que ajudou a reforçar a nova imagem que havia criado dela e é claro a aumentar minha curiosidade, nunca havia ouvido a palavra incrível ser usada pra descrever alguém tantas vezes.
― O que sua irmã é Daniel, algum tipo de super-herói? ― Perguntei em um tom que soou quase como deboche.
― Não, ela não é nenhum super-herói, mas com toda certeza você não chega nem aos pés dela, em nenhum aspecto. ― Ele cuspiu as palavras como se fossem facas prestes a me perfurar. ― Aliás, foi ela quem me ensinou a lidar com o seu tipinho ― Acrescentou orgulhoso.
― Meu tipinho? ― Não era nenhuma novidade que ele não gostava muito de mim, mas eu não estava esperando por aquilo, olhei para aquele garoto boquiaberta e por alguns segundos eu não acreditei no que ele tinha dito aquilo, mas respirei fundo e dei um sorrido forçado. Discutir com uma criança só pioraria a minha situação e provavelmente daria mais glória a ele.
Fomos para a sala ver tv enquanto esperávamos David voltar. O ar estava seco como eu imaginava que iria ficar e consequentemente minha garganta também, então fui até a cozinha beber um pouco de água, enquanto enchia o copo ouvi a campainha tocar. Não estávamos esperando ninguém então só podiam ser eles, no mesmo instante senti meu estomago revirar dentro de mim e uma ansiedade tomar conta da minha mente como se estivesse prestes descer da parte mais alta de uma montanha russa, o que na verdade foi estranho, afinal por que eu estava tão nervosa? Fiquei alguns segundos tentando entender aquele sentimento e quando percebi que não iria obter sucesso virei o copo de água na boca como quem vira um de vodka e me dirigi para sala ainda com receio do que poderia encontrar.
Logo ao chegar à sala vi David, meus olhos percorreram todo o lugar até encontrarem um Daniel chorando enquanto abraçava alguém com todas as forças que tinha, ela dizia para ele ficar calmo que agora ela não iria mais a lugar algum enquanto sorria e tentava secar as lágrimas dele. Quando ela percebeu que Daniel estava mais calmo, olhou ao redor até que nossos olhares se cruzaram e por um milésimo de segundo eu senti as batidas do meu coração falharem. Tenho que admitir não esperava que ela fosse tão bonita, era diferente de tudo que eu tinha imaginado, tinha os cabelos mais escuros que eu já tinha visto olhos azuis tão claros que pareciam o próprio céu, a pele dela parecia ser um pouco mais clara que a minha e o corpo mais torneado que o meu e um sorriso que por algum motivo lembrava-me o do Jonas. Então vi ela caminhar em minha direção, o que me deixou mais apreensiva.
― E você deve ser a Erica. ― Disse enquanto se aproximava cada vez mais de mim. ― Estava ansiosa pra te conhecer. Eu sempre quis ter uma irmã, quando minha mãe engravidou finalmente pensei que meu desejo ia se realizar, mas aí veio o Daniel. Sem ofensa irmãozinho. ― Deu um sorriso brincalhão enquanto fitava-o. Ele não pareceu se importar.
― Eu... Eu também. ― Tentei falar algo mais, mas minha voz parecia ter me abandonado, me fazendo gaguejar e parecer uma idiota. Odiei-me eternamente naquele momento. Então apenas sorri tentando fazer com que ela não achasse que eu sou uma retardada.
Ela olhou em meus olhos e se eu não estivesse tão desconcentrada poderia jurar que vi um pouco de malícia no sorriso que ela dirigiu há mim pouco antes de virar para o lado e ir falar com a minha mãe e o Edu.
Depois de cumprimentar todo mundo minha mãe pediu para que eu a levasse até o quarto que agora seria nosso. Um pouco mais calma guiei ela até uma porta no fim do corredor do segundo andar, abri-a e deixei que ela entrasse primeiro.
― Esse quarto é bem grande mesmo com duas camas. Espero não te atrapalhar muito. ― olhou para o quarto com um olhar de admiração e logo depois para mim.
― Não precisa se preocupar com isso afinal agora essa é sua casa também. ― Sorri um pouco sem jeito ao lembrar de todas as coisas horríveis que tinha imaginado sobre ela.
Ela se dirigiu até a cama que a esperava colocou uma mala pequena que trazia da viagem em cima e sentou, começou a analisar cada centímetro e cada detalhe do quarto o que me deixou intrigada, afinal o que ela esperava encontrar ali? Seus olhos param o percurso logo que chegaram a mim que ainda estava recostada na porta do quarto observando-a. Ela parecia analisar a mim dessa vez o que me deixou meio sem jeito outra vez. Depois de alguns segundo vi seus lábios se moverem como se estivesse prestes falar algo, mas antes que fosse capaz de dizer qualquer palavra David entrou no quarto trazendo o resto das malas que haviam ficado na sala e logo após Daniel a chamou para mostrar alguma coisa que não dei importância.
Alguns minutos depois Lívia me ligou perguntando se eu queria ir ao shopping com ela, foi isso que ela disse, mas conhecendo ela provavelmente queria apenas saber como era a Micaela. Aceitei já que não tinha nada melhor pra fazer. Pedi minha mãe para ir me deixar, ela relutou um pouco dizendo que era falta de educação, pois a Micaela havia acabado de chegar, mas respondi dizendo que ela ainda estaria aqui quando eu voltasse então não tinha problema, minha mãe me olhou com um cara de desaprovação, mas acabou cedendo. Chegando lá encontrei com uma Lívia inquieta na entrada do shopping.
― Por que demorou tanto? Pensei que não vinha. ― Reclamou enquanto fazia uma cara feia que eu já conhecia há anos.
― Calma, ainda tive que convencer minha mãe a vir me deixar e o trânsito também não estava dos melhores. ― Respondi em um tom suave tentando acalma-la.
― Então, como ela é? ― Perguntou como se precisasse da minha resposta para sobreviver.
― Ela é normal, eu acho. ― Respondi sem pensar muito
― Tá brincando comigo não é? ― Pôs-se na minha frente impedindo que eu continuasse a andar e me olhou com um olhar incrédulo. ― É só isso que você tem a dizer?
― Oque quer que eu diga? Ela tem uma cabeça, dois braços, duas pernas, igual a todo mundo que você conhece. ― Disse esperando ser repreendida pela resposta infantil que havia dado.
― Eu juro que se não estivéssemos em público agora eu te daria uma surra. ― Advertiu-me.
― Se você tivesse esperado mais um pouco talvez eu tivesse mais coisas pra te dizer, quando me ligou faziam apena alguns minutos que ela havia chegado, ainda não conversei direito com ela, não tenho muito que te dizer. ― Expliquei.
― Droga. ― Saiu da minha frente e voltou a caminhar ao meu lado com uma expressão de desapontada.
― Relaxa, por mais que eu quisesse a Micaela não vai a lugar algum ou esqueceu que agora eu vou dividir meu quarto com ela? ― Tentei animar ela outra vez. ― Mas tem uma coisa que eu posso te dizer. ― Vi a curiosidade brilhar em seus olhos novamente.
― Oque? ― Perguntou mais apreensiva do que nunca.
― Desde quando você é tão curiosa assim? ― Brinquei um pouco sabendo que a irritaria. E logo em seguida vi um olhar ameaçador me penetrar. ― Calma, se me matar nunca vai saber. ― sentei em uma das mesas da praça de alimentação e Lívia logo em seguida. ― Ela é mais bonita do que eu imaginava.
― Como assim bonita? Tem que dar mais detalhes. ― Ordenou insatisfeita.
― Ela... ― Tentei pensar em como descrevê-la, mas não conseguia. ― Eu não sei como dizer, ela é bonita e só.
― Qual é Erica, eu sei que você faz melhor que isso. ― Falou em forma de súplica.
― Está bem, me deixa ver. ― Pensei mais um pouco. ― Ela tem cabelo preto, olhos azuis, por alguns segundos pareceu que ela é mais gostosa que eu, mas não é, é mais alta que eu acho que uns sete centímetros e não é nem um pouco como eu imaginei na verdade ela parece ser uma pessoa muito legal. Ela é apenas um ano mais velha que eu, mas pareceu muito mais madura. Deve ser isso que a Europa faz com as pessoas. ― Dei uma leve risada.
― Realmente essa não condiz com a descrição que você me deu há alguns dias. Acho que foi “pesadelo”, ”vaca” e algumas coisas mais baixas que eu não quero repetir em público. ― zombou de mim.
― Eu sei que fui infantil então será que da pra pegar leve? ― Disse me sentindo culpada enquanto lembrava da Micaela que eu havia imaginado e da verdadeira.
Depois de muita conversa e muitas compras é claro, voltei para casa no final da tarde, eu e Lívia havíamos conversando tanto que nem percebi o tempo passar já estava de noite e com a ajuda do transito cheguei em casa na hora do jantar. Todos pareciam mais calmos do que quando eu saí principalmente o Daniel. O jantar foi repleto de histórias, lembranças e perguntas, eu apenas ouvi tudo, falei pouco, conversar com a Lívia durante uma tarde inteira foi o suficiente para mim. Quando terminamos David deu a ideia de vermos algum filme na tv nova de 47 polegadas que ele havia comprado há pouco tempo, todos concordamos e fomos ver Golpe duplo já que todo mundo parecia gostar do gênero. Durante o filme pude perceber alguns olhares vindos da Micaela, mas simplesmente os ignorava apesar de achar um pouco estranho. Pouco tempo depois de filme ter terminado estávamos vendo um programa de tv qualquer então cansaço começou a aparecer, não havia dormido muito bem noite passada e ter ficado a tarde inteira no shopping só o aumentava. Despedi-me de todo mundo e fui para o quarto, entrei no banheiro e enquanto escovava os dentes ouvi alguém entrar, a porta do banheiro estava aberta então pus minha cabeça um pouco para fora na tentativa de ver quem era e dei de cara com uma Micaela trocando de roupa, ela estava de costas e havia tirando apenas a blusa, mas foi suficiente para mostrar suas curvas, depois de alguns segundos voltei a encarar o espelho que estava a minha frente tentando desviar minha atenção antes que ela percebesse, terminei de escovar os dentes e me dirigi para minha cama.
― Já vai dormir também? ― Perguntei enquanto pegava alguns lençóis para mim e para ela e também na tentativa de quebrar o silêncio que insistia em se formar quando estávamos sozinhas.
― Vou, foi uma viagem longa, estou tão cansada que acho que dormiria até mesmo em pé. ― Ela sorriu para mim e eu sorri de volta.
― Aqui, pode usar esses lençóis. ― Entreguei-os para ela e fiz menção de ir me deitar, mas fui interrompida antes de dar qualquer passo em direção a minha cama.
― Posso te fazer uma pergunta Erica? ― Perguntou-me sem tirar os olhos dos meus e enquanto se aproximava cada vez mais de mim, mas antes de poder responder qualquer coisa fui interrompida novamente.
― Sei que cheguei hoje aqui e que nos conhecemos apenas algumas horas então eu não posso dizer muita coisa sobre você, mas eu tenho tido essas impressão então eu quero que me corrija se estiver errada. É impressão minha ou... Eu te deixo nervosa? ― As últimas palavras foram ditas pouco depois de ela parar bem na minha frente restando apenas alguns poucos centímetro nos separando e enquanto ela me lançava um olhar tão penetrante e indescritível que parecia estar devorando todas as minhas forças, deixando-me se nenhuma reação.
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