Quando o amor bater à porta
7 Valorize as pequenas coisas
Notas iniciais
Quando o amor bater à porta, valorize as pequenas coisas
— Minha mãe tem um namorado, acredita? — Sakura estava deitada com a cabeça apoiada no colo do Uchiha.
— Sério? Era por isso que ela não tava dormindo em casa? — Os dois estavam jogados no tapete da sala.
Era por volta das dez e por provisão divina, só tinham aula no período da tarde. Sakura ainda estava molenga de sono e depois de acordar foi buscar a companhia do moreno.
— Sim. Ela finalmente me explicou mais cedo, me enviou uma mensagem. A ideia de ter um possível padrasto não é muito atraente pra mim. — Murmurou aninhando-se ao lado do Uchiha.
— É sempre bom ter alguém pra amar e faz tempo que sua mãe não se envolve com ninguém, pelo que você me falou. — Itachi fazia carinho nas costas da jovem.
— Sim... Enfim. Namorado, estou com fome. Alimente-me.
— Eu deveria responder “Yes, my lady”? — O moreno ergueu as sobrancelhas e Sakura sentou no chão surpresa.
— Você bem que podia ser meu Sebastian particular hein. Eu não reclamaria.
— Namorada, vem me ajudar a cozinhar.
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Sakura chegou em casa por volta das sete da noite. Tinha sido um dia proveitoso, uma vez que só era necessário revisar as matérias da tarde. Quando abriu a porta, viu a mãe sentada no sofá vendo filme. Ao lado, o namorado. Sakura sentiu o coração apertar. Não gostou dele, de jeito nenhum. Talvez tenha sido o olhar sujo que ele lhe lançou assim que a viu combinado com o sorriso malicioso.
— Ah, Sakurinha. Esse é o Kazuto. — Sakura continuava parada na porta. Como a mãe não tinha percebido os olhares sujos daquele homem? Kazuto deveria ter uns quarenta anos, tinha cabelo preto e uma barba mal feita. Era alguma pegadinha. Só podia ser.
— Hum... Olá. Desculpa, preciso estudar. — Sakura passou pro quarto sentindo o olhar daquele homem. Assim que pisou no quarto, trancou com a chave e pegou o celular.
Itachi! Ele é horrível! O namorado da minha mãe... Eu não sei explicar
Estava prestes pra ligar pro Uchiha, mas ele ficou on-line para seu alívio.
O que aconteceu? Você já o conheceu?
Eles estavam aqui na sala. Ele parece ser uma pessoa horrível, ele me olhou como se eu fosse um pedaço de carne. Não gostei, não gostei mesmo.
Quer vir dormir aqui? Não gostei disso. Melhor, tentou conversar com a sua mãe?
Ela ainda tá lá com ele. Obrigada por não falar “isso é coisa da sua cabeça”, uma mulher sabe o que sente em relação a isso.
Eu entendo. Mas você quer vir dormir aqui? Não vai ter problema, posso te buscar quando eu sair da empresa.
Não... Tá tudo bem, eu tranquei a porta do quarto. Tenho um teste amanhã, preciso estudar. Obrigada por estar comigo, Itachi.
Sempre vou estar, meu bem. Sempre pode contar comigo. Amo você.
Acho que é a primeira vez que ouço isso com todas as letras hein... Na verdade, leio.
Bom, achei que já estava na hora. Você é a minha flor, Sakura.
E você é o meu senhor killer. Nossa, que brega. Ignore.
Conversaram mais alguns minutos e a menina começou a estudar. Por volta das três da manhã, decidiu que era o suficiente. O desafio agora era chegar na cozinha e comer alguma coisa.
Quando saiu no corredor, a sala estava silenciosa. Provavelmente a mãe estava dormindo e o cara estranho tinha ido embora. Foi andando tranquila até a cozinha, pegou alguns biscoitos e suco. Quando virou pra voltar pro quarto, ele estava no corredor.
— O-oi. — Sakura balbuciou segurando a comida. Ele estava só de bermudas e lhe lançou o mesmo olhar de antes. Sakura decidiu não se intimidar e foi em direção ao quarto.
— Você até que é deliciosa, Sakurinha. — Ele murmurou passando a mão pelos cabelos rosados. A Haruno gelou.
— Primeiro, olha a boca pra falar comigo. E se você acha que eu vou ficar quieta com essas palhaçadas você está muito enganado, você tem idade de ser o meu pai. E não encosta em mim porque eu não te dei permissão. — A voz não tremeu, o olhar não vacilou por mais que estivesse com medo. Ele se assustou com a repentina agressividade e a menina escapuliu pro quarto.
Largou o prato com os biscoitos de qualquer jeito e trancou a porta. Estava com medo, as mãos tremiam. O ar pareceu ficar pesado e não conseguia respirar direito. Não, ele não ia tocar nela. Não. A ideia lhe trazia náuseas. Pegou o celular e com trabalho conseguiu achar o número do Uchiha, as mãos não paravam de tremer. Ele atendeu no segundo toque.
— Vem me buscar agora. — Balbuciou e as lágrimas começaram a descer. — Não pergunta, só vem. Por favor.
— Em quinze minutos estou aí. Vai ficar tudo bem, ok? — Itachi ouviu um “ok” esganiçado e praticamente pulou da cama vestindo uma camisa. Foi com as calças do pijama mesmo.
Quando chegou no prédio, Sakura estava sentada nas escadas da entrada com uma bolsa do lado. Ela só chorava e tentava limpar as lágrimas com as mãos. O Uchiha saiu do carro em seu auxílio.
— Meu amor, o que houve? — Ele tinha sentado ao lado da jovem e ela só pediu por um abraço. Ele retribuiu sem hesitar e começou a fazer carinho nas costas dela. — Calma, tá tudo bem, tá tudo bem.
Sakura não sabia se conseguiria falar alguma coisa. Talvez pudessem pensar que estava exagerando, mas aquele homem a fez lembrar de uma situação que ocorreu na adolescência e agora não conseguia se acalmar. Itachi ficou alguns minutos ali e aos poucos o choro foi cessando. Ela ainda tremia quando ele a guiou até o carro.
Sakura não falou nada o caminho inteiro, nem tentou tocá-lo como sempre fazia. Itachi estava morrendo de preocupação. Quando entraram no apartamento, Sakura mostrou-se insegura. Itachi a amava, não amava? Ele não faria mal a ela, faria? Ele não a tocaria sem permissão, tocaria?
— Minha flor? — O Uchiha estendeu-lhe um copo com água e açúcar. A menina sentou na bancada da cozinha e bebeu a água ainda trêmula. Itachi percebeu como ela estava arisca, mesmo com ele. Então decidiu lhe dar espaço.
— O que aconteceu? Pode me contar? — Ele estava apoiado na bancada do lado do fogão. Sakura começou a chorar de novo em silêncio. — Se quiser não precisa...
— E-eu fui na cozinha comer e ele apareceu. — Começou a falar puxando o ar em grandes lufadas. — Ele me olhou d-daquele jeito nojento de novo. E me disse que eu “até era deliciosa”. E-ele passou a mão no meu cabelo.
Sakura nunca tinha visto o gentil Itachi tão transtornado como naquele momento. As mãos se fecharam em punho ao lado do corpo, a menina jurou ter sentido uma aura assassina ali.
— Ele não vai te tocar de novo. Entendeu? — Itachi deu um passo na direção dela. Sakura se encolheu. — Tem mais alguma coisa que você queira me contar? Você não quer ficar perto de mim.
Ela abriu a boca algumas vezes. Parecia estar lutando contra si mesma. Nunca tinha contado aquilo pra ninguém. E aquela experiência até então nunca tinha sido um problema. Itachi estava parado na sua frente com um olhar compassivo.
— Quando eu era mais nova, eu devia estar com uns quinze, eu tinha ido ao cinema com uma colega da escola. Lá ela me apresentou um garoto, só depois que fui saber que o combinado era um encontro de casais. Eu fui muito boba por não ter percebido as intenções dele. — Ela tinha o olhar perdido em memórias que não queria ter. — O filme começou, até então só tínhamos conversado bastante até a sessão começar, e ele me beijou. Eu fiz ele parar porque me assustei, eu não queria isso. Ele pareceu ficar chateado, mas respeitou. No meio do filme ele começou a fazer carinho no meu braço e começou a...a tocar em mim. Tocar onde não devia. Eu fiquei tão assustada que não tive reação.
Itachi a encarava compreensivo, enquanto ela olhava pro chão.
— Eu não quis mais ter qualquer relacionamento depois disso, até que você apareceu. E eu não tinha visto essa situação como um problema até agora, até algo parecido acontecer de novo. — Sakura engoliu em seco. O que ele pensaria dela? Que ela o achava um monstro como os outros. Estava com medo, era só isso.
— Sakura? Pode olhar pra mim? — Ele pediu gentilmente. A rosada foi levantando a cabeça até encontrar os olhos ônix.
— Eu nunca vou te tocar de uma forma que você não queira. Nunca. Você é pra mim como a flor mais frágil do mundo que pode se despedaçar com a mais leve brisa. Por mais que na verdade eu saiba que você é incrivelmente forte, no meu coração eu sei que devo te proteger. Então saiba que nunca vou ser como outro cara, porque eu amo você. Eu amo a garota gentil, espontânea e esforçada que você é. Eu amo a forma que você é determinada, sua persistência. Amo o coração grande que você tem, amo a forma com que você lida com a vida. E nada vai diminuir meu amor por você. Eu não vou te tocar se você não permitir, eu vou me contentar com a sua presença ao meu lado. Eu só amo você, minha flor.
Agora ela chorava mesmo. Como pensou que ele poderia ser igual aos outros? Esticou as mãos pedindo pra ele se aproximar e Sakura o abraçou. Como era feliz por ter Itachi ali. O sono começou a chegar à medida que relaxava nos braços do Uchiha. O moreno a pegou no colo e a levou até o quarto a colocando com cuidado na cama, quando ia sair, ela o puxou pra perto.
— Pode ficar? Não quero ficar sozinha. — Murmurou sonolenta. Ele assentiu e deitou ao lado da flor.
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— Sakura, isso é inconcebível. Faz duas semanas que você não coloca o pé em casa. — Naomi falou exasperada. Estavam no horário de almoço no hospital, depois de muito tentar Sakura finalmente conseguiu parar pra conversar com a mãe pessoalmente.
— Aquele cara que é inconcebível! Você não consegue entender? Ele simplesmente me falou essas coisas horríveis que você se recusa a acreditar. — A mais nova estava indignada com a descrença da mãe. — Eu sou sua filha! Estou na sua vida há mais tempo do que esse cara! Não é o certo!
— Baixe o tom pra falar comigo, Sakura! Só porque você acha que viu alguma coisa não significa que seja. Você pode ter imaginado, você estuda demais. — A mãe deu de ombros e continuou a comer. Sakura a olhou ferida. Como que a mãe não acreditava nela?
— Hoje vou pegar o resto das minhas coisas. Eu não vou colocar o pé lá enquanto esse cara estiver lá. — Levantou e saiu magoada.
Naomi viu a filha deixar o hospital. E se ela estivesse certa? E se tivesse tomado uma decisão errada? Não, Kazuto a amava. Ele não faria algo assim... Mas iria perguntar mais tarde, só pra consciência não pesar.
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— Acho melhor eu subir com você. — Itachi ponderou quando estacionou. Só a ideia daquele cara estar no mesmo cômodo que Sakura, lhe dava nos nervos.
— Não, pode ficar, qualquer coisa eu ligo. Ah! Olha só quem tá por aqui. — Sakura viu o casal de amigos do outro lado da rua. — Naruto! Hinata!
Os dois realmente pareciam ter vindo visitá-la.
— Já que você não tem mais tempo direito pra gente, resolvemos passar aqui. — Hinata sorriu cumprimentando-os. — Oi, Itachi.
— Vamos sair! Na verdade eu estou com alguns problemas em casa... Eu só preciso pegar algumas coisas lá em cima e eu desço.
— Posso ir com você, faz tempo que não vejo a tia Naomi — Naruto se ofereceu animado
— Não precisa, façam companhia pro Itachi. Eu já volto. — E ela foi embora deixando os três conversando.
Quando entrou em casa, tudo estava silencioso. Foi direto pro quarto e abriu a porta, já que desde que saíra o deixou trancado. Pegou uma mala e começou a colocar roupas e livros, queria acabar rápido. Se bem que poderia ter pedido ajuda de Hinata. Foi quando estava perdida em seus pensamentos que a porta da frente bateu. Escutou vozes altas. Era a mãe e o bendito namorado.
Imediatamente pegou o celular. Talvez eles estivessem ouvindo lá debaixo já que morava no segundo andar.
—...COMO VOCÊ PÔDE FALAR ALGO ASSIM PRA ELA? ELA É MINHA FILHA. — Naomi parecia indignadíssima. Eles não pareceram notar que ela estava em casa.
— VOCÊ QUERIA QUE EU MENTISSE? FOI UM ELOGIO! — Ele gritou de volta.
— Quero que vá embora. Não apareça mais na minha frente. — Sakura abriu a porta a tempo de ver Kazuto empurrar Naomi na direção da mesa de centro.
— PARA! VOCÊ TÁ MALUCO? — Sakuda correu pra amparar a mãe. O vidro tinha trincado e ela tinha cortado a mão.
— Você tá aqui então? — Ele parecia transtornado. Sakura tremeu quando ele simplesmente levantou a mesinha de centro e acertou na parede. O celular na mão discava o número de Itachi.
— Kazuto, vá embora! Você não tem mais nada pra fazer aqui. Vá embora antes que as coisas piorem. — A voz de Naomi pareceu deixá-lo com mais raiva ainda. Ele foi pro quarto da mãe. Sakura imediatamente a levantou e começou andar até a porta, precisavam sair dali rápido.
— Aonde pensam que vão? — A voz do homem cheia de ódio acompanhada do clique da arma foi o suficiente pra fazer as duas pararem. Kazuto estava armado. E as duas estavam sozinhas diante daquele homem.
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