Notas iniciais
Corações preparados? Nessa semana fiquei muito pensativa em relação a esse tema... Faz um ano que uma garota do meu campus foi assassinada por um garoto. Sonho que a cada dia possamos ser pessoas melhores, sem intolerância. Sonho pelo dia em que um "não" vai ser realmente um não sem custar a vida de alguém.

Quando o amor bater à porta, cuide e proteja

Sakura engoliu em seco. Mas que droga, por que aquele cara tinha que ser maluco? Ele apontava a arma pras duas, o sangue de Naomi já pingava no chão por causa do ferimento na mão.

— Calma... Você não quer fazer isso. — Sakura começou a falar pra ganhar tempo. Era questão de minutos pra Naruto e Itachi aparecerem na porta. Ah não, ele poderia atirar neles. O que faria? Precisava pensar rápido.

— Cala a boca! Eu só queria... Eu só queria... Você não precisava ter estragado tudo, garota! Eu só queria que ela me amasse! — Ele aponto trêmulo a arma pra Naomi que estava sem reação.

— Você só vai machucar mais pessoas. Só abaixa essa arma, por favor. — Sakura tentou parecer calma. Ele hesitou um instante.

E tudo aconteceu rápido demais.

Naruto e Itachi abriram a porta, Kazuto se assustou e atirou na parede. Naomi gritou pra ele parar enquanto Sakura simplesmente pulou em cima do homem. Eles rolaram no chão enquanto Naomi gritava e tentava afastar Sakura daquela arma.

Naruto e Itachi conseguiram entrar no apartamento e foram direto pra cima dos dois. Três disparos fizerem o tempo passar mais devagar. Itachi finalmente conseguiu tirar a arma da mão de Kazuto e a chutar pra longe, enquanto Naruto o imobilizou.

Sakura não estava ouvindo direito quando olhou Naomi. A mãe tinha uma expressão estranha no rosto, como se esperasse por aquele momento tão... Que palavra usaria pra definir aquela confusão? Naomi caiu de joelhos no chão e tombou para o lado.

Carmim. Por que aquela mancha vermelha aumentava? Sakura piscou algumas vezes vendo a mãe no chão. Por que ela tinha caído? Então, o som voltou. Naruto gritava pra Kazuto calar a boca e Itachi foi até Sakura que estava sentada no chão observando a mãe.

— Sakura! Sua barriga! — Itachi engoliu em seco. Não podia entrar em pânico. — Sakura. Olha pra mim. Preciso que você reaja. Agora!

Itachi deu-lhe uns tapinhas no rosto e ela piscou confusa. O que estava acontecendo?

— Você precisa reagir Sakura, eu não sei que horas o socorro vai chegar. Você precisa... — Itachi reparou então na sogra que não teve tempo de conhecer. — Droga! Sakura! Preciso de você agora! Ela vai morrer!

Como um clique, Sakura saiu do transe. Imediatamente se arrastou até a mãe ignorando a própria dor. A Sakura médica entrou em ação.

— Na cômoda no meu quarto tem gaze e talas. Traz agora. — Sakura virou a mãe de barriga pra cima e viu que ela respirava com dificuldade. Tinham duas balas alojadas no peito e na barriga. Droga. Itachi apareceu lhe jogando as coisas. — Preciso de uma toalha pra estancar. Tem na primeira gaveta do meu guarda roupas.

O sangue só aumentava, Naomi balbuciava sons que Sakura não entendia. Ela estava afogando no próprio sangue.

— Não. Não. Não. Não. Você não vai me deixar sozinha! Entendeu? Você não vai me deixar sozinha! — Sakura a colocou sentada tentando melhorar a respiração. As lágrimas embaçavam sua visão, mas lutava bravamente contra os próprios sentimentos. Itachi apareceu com as toalhas e Sakura o mandou pressionar um dos ferimentos.

— S-sinto m-muito. — Naomi falou com muita dificuldade para o desespero de Sakura. Os batimentos estavam mais fracos, não tinha o que fazer. O sangue só se esvaía.

— Mãe, fica comigo. Mãe. Eu ainda não te dei conforto, mãe. Eu ainda não me casei e nem te dei netinhos como você tanto falava pra mim, mãe você tem que viver! Você não pode me deixar. — Sakura falava desesperada e Itachi tentava fazer um bom trabalho, mas as toalhas só estavam se enchendo de sangue.

Naomi a olhou com carinho, aquele olhar de mãe que tem orgulho do filho e levantou a mão pra acariciar a bochecha da filha. Uma escolha mal feita resultou nessa situação. Uma escolha só. Se tivesse feito diferente... Esperava que a filha a perdoasse pela estupidez. Então não conseguiu mais puxar o ar precário, nem conseguiu sustentar a mão no ar. Os esmeraldinos de Naomi, os quais Sakura herdara, não mais brilhavam. A morte tinha levado sua vítima.

— NÃO! MÃE. MÃE. NÃO. NÃO. MÃE! — Sakura abraçava o corpo sem vida e o balançava tentando fazer a mãe acordar. Não, ela só podia estar brincando. O sangue manchava suas mãos, suas roupas e aquilo começava a lhe dar náuseas. — Mãe, volta. Por favor. Por favor.

Ela só chorava. Itachi a olhava desolado. Naruto arrastava um Kazuto também ensanguentado pra fora do apartamento — o loiro tinha batido muito no homem. As sirenes foram ouvidas na rua, alguns vizinhos apareceram no corredor preocupados. Mas já não havia nada a se fazer.

Quinze minutos depois os paramédicos chegaram e Sakura ainda estava agarrada no corpo esperando que milagrosamente Naomi abrisse os olhos de novo. Mas isso não aconteceu. Quando a separaram da mãe, Sakura começou a chorar alto como uma criança. Itachi a segurou quando ela tombou no chão, ainda tinha um ferimento de bala pra cuidar. Teve sorte, foi só de raspão na barriga.

— Precisamos dos depoimentos. — Um dos policiais se manifestou. Naruto se responsabilizou por resolver essa parte, enquanto Itachi continuava com Sakura em seus braços.

Um dos paramédicos decidiu que era melhor dopá-la para cuidar dos pontos. Itachi não contestou. Instantes depois, Sakura estava dentro da ambulância indo pro hospital. Itachi não a deixou sozinha um segundo sequer, por mais que ainda estivessem sujos de sangue. No hospital, havia uma grande balbúrdia — ninguém parecia acreditar que Naomi chegara ali morta e Sakura baleada. Quiseram ir atrás de Kazuto que estava sendo atendido por ter tido a mandíbula deslocada, mas os policiais impediram os funcionários. Mas isso não impediu dos enfermeiros causarem o máximo de dor que podiam. Naomi era boa, gentil. Não merecia aquilo. Ninguém merecia morrer por causa de um relacionamento. As pessoas não deveriam morrer por causa dos egoísmos de outras.

Em algum tempo liberaram Sakura, foram necessários só alguns pontos e um curativo. Ela sabia que estava dopada. Sabia que não conseguiria sentir o corpo direito pelas próximas horas e ficou feliz por isso, mas seu coração doía, doía como se estivesse sido esfaqueada muitas vezes. Tinha como diminuir essa dor? Ah, Itachi estava ali.

Sakura viu vagamente o rosto de Sasuke, parecia que ele tinha ido buscar os dois no hospital. Eles conversavam coisas que não ouvia ou que não fazia questão de ouvir. Só teve maior lucidez quando entrou no apartamento do Uchiha com Itachi sempre a amparando ao lado, a cabeça apoiada no peito do moreno.

Itachi a levou até o banheiro do quarto, que era mais espaçoso. Itachi a colocou sentada no vaso e se agachou ficando na altura dos olhos dela que agora pareciam tão perdidos.

— Sakura. Ainda estamos sujos, precisamos tirar esse sangue, ok? — Ele falou lentamente esperando que ela assimilasse a informação. — Você consegue sozinha?

Do que ele estava falando? Que sangue? De quem era o sangue? Foi então que viu suas mãos. Estavam sujas. Cor de ferrugem. Então lembrou da mãe morta em seus braços, das toalhas, do silêncio. Sakura levantou o mais rápido que conseguiu devido ao machucado e foi até a pia. Vomitou e começou a tremer ao olhar suas próprias roupas.

Itachi começou a lavar as mãos dela na pia mesmo tentando diminuir a agonia dela. Sakura fechou os olhos e deixou Itachi esfregar seus braços. Estava tonta, cansada. Queria chorar, mas não tinha forças pra isso.

— Vou tirar sua roupa. — Itachi com cuidado tirou a blusa e jogou no lixo, depois os jeans tiveram o mesmo destino. Ele não a viu como uma mulher naquele momento, mas como uma criança. Uma criança que precisava cuidar e proteger. O Uchiha a colocou debaixo do chuveiro e só molhou os cabelos para tentar lhe dar alívio, esfregou o resto dos braços e teve o cuidado de não molhar o curativo. A enrolou na toalha e a levou até o quarto. Ela estava gelada, não sabia se de nervoso ou se de frio mesmo. Ele a sentou na cama e a deixou de costas trocando o sutiã por um top sem vê-la. Vestiu-a com a blusa de vaquinha.

— Itachi, querido. Eu vim assim que Sasuke me avisou! — A voz de Mikoto surgiu na sala. Ela chegou no quarto e logo tomou a frente trocando a roupa molhada de Sakura pelo pijama.

Sakura deitou na cama. As lágrimas escorriam pelo rosto pálido e nem uma palavra saiu da boca da flor. Itachi ficou na sala junto com a mãe depois que ela pareceu dormir.

— O que vai acontecer agora? — Mikoto perguntou um pouco abalada. As coisas poderiam ter sido muito piores naquela noite.

— Naruto me disse que prenderam o cara, ele tinha histórico de agressividade. A polícia nem precisou de tantos depoimentos... Parece que um dos vizinhos depôs dizendo que eles brigavam de madrugada e que ele dizia que ia matar ela. — Itachi estava abatido, exausto. Precisava de um banho, pois só então reparou que ainda estava sujo. — Se ela acordar pode me chamar? Preciso tirar o resto desse sangue.

Mikoto assentiu e viu o filho se arrastar até o banheiro, sem deixar de passar em frente ao quarto e checar se ela estava dormindo mesmo. Ficou impressionada com a dedicação do filho por outra pessoa que não fosse da família. Ele realmente amava aquela menina.