Quando o amor bate a porta.
4 Capítulo III.
Notas iniciais
Elizabeth adentrou o salão e viu cada olhar vir em sua direção. Ela caminhava cautelosamente, tentava esconder os vestígios de medo que insistiam transparecer de seu olhar.
—Ora, ora, ora!- disse o rei com uma gargalhada- Se não é a nossa "dama selvagem". Achei que a essa altura, vosmecê, já estivesse além do limite do reino.
Elizabeth não respondeu apenas encarou o rei que a olhava de cima a baixo certamente se perguntando porque a moça estava coberta de feno da cabeça aos pés. Elizabeth ouvia os murmúrios do local, estremeceu ao perceber que ela seria o assunto da semana dos moradores do reino, ela ainda encarava o rei de cabeça erguida, não tirava os olhos dos dele, não iria baixar a guarda. Após alguns segundos sentiu mãos quentes a pegarem olhou de soslaio e viu que seu pai a puxava.
— Onde estava minha filha? Por acaso perdeste o juízo? E porque estas suja desse jeito? Oh, Elizabeth tenho tanta vergonha de ti. — o homem pôs as mãos no rosto e continuou — tamanha transgressão fizeste, não lhe digo nada se o rei não aplicar uma advertência a ti.
Elizabeth sentiu seus olhos marejados, ela havia envergonhado o pai e colocado seu nome na lama. Certamente os Broom seriam motivo de chacota a partir dali.
— Ora papai não diga isso, Elizabeth é apenas uma menina travessa, não fez por mal. Certamente o rei a perdoará — Elena se aproximou da irmã e depois virou para o rei fez mesura e continuou — meu rei perdoe a insolência de minha irmã, ela foi pega de surpresa com a notícia do casamento. Peço humildemente que nem o senhor e nem o príncipe a façam mal. Tentemos resolver isso de outra forma, meu senhor!
O rei a olhou desconfiado e depois olhou para o filho que permanecia calado. Não era ele quem tinha de resolver e sim o herdeiro oque fazer com a moça.
—Mrs. Elena não cabe a mim resolver oque fazer com sua irmã, mas sim a meu filho. Me diga Edgar oque queres fazer com a menina? Ainda vai querer se casar com uma moça tão insolente como ela?
Edgar pareceu pensar sobre o assunto e então levantou- se do trono e foi até Elizabeth, a pegou pela cintura firmemente e colou os seus lábios nos dela, depois a olhou e disse:
—Achas mesmo que me fara passar tamanha vergonha e sairá impune? Não! Vosmecê querendo ou não se casará comigo. Meu pai mande chamar o reverendo Lopes e diga que eu e minha bela noiva nos casaremos daqui seis meses e mande chamar também a melhor costureira do reino para fazer nossos trajes. Daqui seis meses serás minha e então aprenderá a se comportar — o príncipe respirou e olhou para o Duque- e para não ter perigo de acontecer como hoje, Mra. Elizabeth ficara no palácio sobre minha supervisão e de meus criados, peça a uma criada tua para trazer os pertences da senhora.
Elizabeth prendeu a respiração seus olhos se encheram de raiva. Quer dizer então que além de obriga-lá a se casar ele a manteria no palácio feito uma prisioneira? Ela balançou sua cabeça em forma de negação e então avançou no príncipe dando tapas e murros em seu peito.
— Está louco? Pretende me prender aqui como se fosse um animal? Nem a um animal se prende imagine a uma donzela! Acha que serei sua? Pois estas enganado!
O príncipe gargalhou e com apenas um movimento segurou suas mãos. Elizabeth estava ofegante seu peito subia e descia em busca de ar, ao ver a reação da moça um sorriso malicioso cresceu nos lábios de Edgar.
—Espero que na nossa noite de núpcias a senhorita libere esse lado selvagem que tem — falou e depois se afastou dela e voltou para o trono. — guardas leve Mra. Elizabeth para o quarto de hóspedes, logo ordenarei para que algumas criadas a sirvam.
Dois homens se aproximou e a pegou pelo braço, Elizabeth gritava e esperneava, tentava se soltar dos braços daqueles brutamontes. Enquanto era carregada Elizabeth olhou para o pai e para a irmã, o homem tinha uma expressão fria no rosto ele não olhava para a filha mais sim para algum ponto do castelo, já Elena chorava amargamente nos braços do marido, ela tentou negociar com o príncipe para que ele deixasse pelo menos a irmã ir para casa mas ele não deu ouvidos.
Elizabeth era conduzida por um corredor escuro, se não fosse por sua visão perfeita não tinha enxergado a riqueza do local. Diversos quadros pendurados na parede, cada um contava uma parte da história do reino de Merlutte. Guerras, ascensões, quedas, paixões. Elizabeth observava como era seu reino antes mesmo dela nascer, ficou impressionada com os detalhes de cada pintura e como era rico cada mínimo detalhe. Após o corredor dos quadros entrou em um outro corredor um pouco mais iluminado cheio de portas os guardas pararam em frente a uma porta e Elizabeth entrou.
La estava ela no grande quarto com paredes cor salmão e o chão composto de madeira clara. No centro havia uma cama de casal e aos pés da cama um grande baú do lado esquerdo um grande espelho e uma escrivaninha com alguns papéis em branco. Quando sentiu que a porta se fechou atrás de si deitou na grande cama e se encolheu, abraçou os joelhos e sentiu seu rosto ser encharcado pelas lagrimas quentes. Ela estava sozinha, sem a proteção do pai, o carinho da irmã e a companhia de Ellen. Ah Ellen, com certeza sentiria falta de sua ama e companheira, amiga de todas as horas. Em meio a pensamentos e lagrimas a menina adormeceu.
No dia seguinte algumas criadas foram servir o desjejum porém ela se recusou a comer, o príncipe foi avisado e foi até ela para tentar fazê-la se alimentar mas ela disse que não comeria e nem beberia enquanto não fosse libertada o príncipe então a respondeu que ela iria morrer de fome se esperasse ser libertada. Assim se passou uma semana, Elizabeth não bebia e nem comia, nem mesmo com a chegada de sua ama a menina baixou a guarda e a cada dia ela ia se enfraquecendo mais por causa de sua teimosia. Um dia o príncipe já cansado da situação foi até o quarto da noiva para saber se ela queria alguma coisa, ele sabia da resposta, certamente era diria que a única coisa que queria era a morte, mais ao perguntar se surpreendeu com a resposta. Com a voz serena Elizabeth contou que estava com saudade do campo e que gostaria de cavalgar um pouco, porém estava fora de cogitação ela sair sozinha mesmo que fosse para dar uma volta a cavalo, ela porém insistiu para que ele fosse com ela mas o príncipe tinha muitas coisas para resolver no reino e não poderia levá-la ao passeio.
Elizabeth então desabou a chorar e a praguejar contra sua vida, o príncipe então sugeriu que pediria a um de seus homens de confiança para acompanha-lá e ela aceitou de prontidão. A menina pôs sua roupa de amazona e foi até o estábulo ao chegar sentiu seu coração para r ao perceber que quem a acompanharia era o homem que impediu que ela fosse abusada. Elizabeth sorriu e o homem retribuiu o sorriso, ele a ajudou a montar e logo depois subiu em seu garanhão. Eles calvalgavam nos arredores do palácio, Elizabeth ia a frente, o homem admirou-se ao ver o quão bem ela cavalgava. Após uma hora de passeio eles pararam perto de uma cachoeira, o homem ajudou Elizabeth descer e depois amarrou os dois cavalos em uma mangueira que tinha no local.
Elizabeth estava impressionada com a beleza do lugar. Ela olhou em volta e observou as arvores, as pedras, tudo o que tinha ali, fechou os olhos e inspirou o ar fresco.
— É tão lindo- disse ela ainda com os olhos fechados- que saudade eu estava de sentir o vento em meus cabelos, que saudade es estava de me sentir livre!
O homem se aproximou e ficou ao lado dela ele não a respondeu apenas a observou e viu quão encantadora era a moça na qual ele escoltava. Os cabelos claros soltos caiam perfeitamente até as costas da garota que estava com um vestido cinza até dois palmos abaixo o joelho, ele observou suas curvas muito bem acentuadas e repreendeu a si mesmo quando seus olhos pararam nos seios avantajados da moça.
Elizabeth abriu os olhos e percebeu que ele a observava sentiu suas bochechas queimarem e então puxou um assunto qualquer com o homem.
— Como se chama?- perguntou
— Christian, minha senhora -respondeu abaixando o olhar.
Elizabeth andou até ficar de frente com o homem.
— És tu não é? És tu quem me salvou das mãos daquele cavaleiro que queria abusar de mim, não é? Não sabes como te agradeço por tal ato, gostaria de recompensa-lo, vamos me diga como posso recompensar tal ato de bravura e caráter?
— Minha senhora vosmecê não precisa me recompensar com nada. Apena fiz o que me pareceu certo, és a noiva de meu senhor e amigo príncipe Edgar, aquele dia não sabia disso, mas agora sei. Estou a sua disposição assim como estou a disposição de meu senhor.
Se fez silêncio, ouvia-se apenas o cair da cachoeira, o cantar dos pássaros, o coração dos dois jovens e o estômago de Elizabeth que estava sem receber nada a uma semana, ela olhou em sua volta e a única coisa que achou para enganar seu estômago era o pé de manga em que os cavalos estavam amarrados.
Elizabeth correu até a árvore e mesmo sem forças subiu para pegar algumas mangas. Christian foi atrás da menina e ao ver subindo na árvore a repreendeu dizendo que ela podia se machucar ou até morrer se caísse de lá. Elizabeth deu de ombros e pegou algumas frutas jogando-as no chão, ela gargalhou quando uma das frutas caiu na cabeça de Christian, quando viu que já tinha mangas suficientes para os dois cessou de colher e desceu da árvore de pressa. Ao todo cada um chupou quatro mangas e quando viram que já estavam satisfeitos cessaram. Elizabeth se deu conta que estava toda suja e então foi até a beira do lago e se lavou Christian a acompanhou. Apos terem lavado as mãos o rosto e os braços sentaram em uma pedra para descansar se fez silêncio mais uma vez. Após longos minutos de silêncio Elizabeth se levantou e foi ate uma pedra mais alta e mais próxima da cachoeira e sem temer subiu e subiu até ficar cada vez mais alta quando foi voltar para o chão seus pés escorregaram e ela caiu no lago. Quando Christian viu que ela não sabia nadar tirou sua camisa e pulou atrás dela ele a viu afundando e então se pôs a nadar mais rápido que um peixe, quando a alcançou puxou seu corpo até o dele e voltou a superfície. Ele a colocou em cima de uma pedra próxima ao lago ao ver que ela estava desacordada tentou reanima-lá dando vários tapinhas de leve em seu rosto mas nada adiantou, quando viu que sua pulsação estava ficando fraca percebeu que só uma coisa poderia salva-la.
Pediu perdão mentalmente a Edgar, e tomou os lábios da menina desacordada tentando mandar a ela o máximo de ar possível depois pôs as mãos em seus seios e tentou reanima-la , na terceira tentativa Elizabeth voltou a si jogando toda a água que engoliu fora, ainda meio tonta e com a cabeça doendo, olhou nos olhos de Christian, este suspirou aliviado por ver que ela finamente voltou a si. Elizabeth então percebera que mais uma vez só estava viva graças à ele. A partir daí ela o veria como um amigo, um refúgio, um salvador.
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