Quando o amor acontece
10 Se for uma rainha, não beba!
Notas iniciais
O sol tomou conta do meu quarto me fazendo acordar, provavelmante esqueci de fechar as cortinas. Me levantei e fui fazer minha higiêne pessoal como de costume, no espelho havia uma pessoa, a copia mais perfeita de mim mesma. Uma versão mais relaxada, com um blusão do bob esponja que ia abaixo dos joelhos e uma cara com marca do travesseiro. Tinha meu cabelo também, estava tão bagunçado que parecia uma juba de leão.
Depois do banho eu estava relaxada e renovada. Coloquei uma calcinha e fui até a cozinha tomar o café. No entanto, acabei me deparando com a pior das cenas. Naquele momento eu tive certeza, toda a minha dignidade havia sido jogada no ralo. Bryan estava encostado na bancada que dividia a sala da cozinha, ele bebericava uma xicara. Seus olhos estavam do tamnho de bolas de tenes, se não fosse pelos óculos com certeza teriam saltado para fora. Logo em seguida ele cuspiu meio litro de café pra fora. Fiquei dois segundos tentando entender o que estava acontecendo, o que esse idiota estava fazendo aqui? Como ele entrou? Mas o que me deixou mais intrigada, foi que Bryan tinha os olhos fixos mirando uma área um pouco abaixo do meu pescoço. Então notei que o único pedaço de pano que eu usava era minha calcinha, meus seios estavam totalmente nus e expostos. Era o fim!
— HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! — Nós gritamos ao mesmo tempo.
— PARA DE OLHAR! PARA DE OLHAR! — Arremecei minha pantufa de urso panda em sua direção.
— CALMA! Eu não vi nada. — Bryan desviou da pantufa.
— VOCÊ VIU SIM! EU MATO VOCÊ BRYAN. EU MATO. — Peguei a fruteira que estava na mesa e taquei três maçãs na sua cabeça.
— Ai! Ai! Para Paty, ai! Não tem nada pra eu ver aí, eu juro. — Ele tentava se defender das maçãs, mas com aquela ultima frase aquele nerd havia assinado seu atestado de óbito.
— QUEM VOCÊ ESTÁ CHAMANDO DE RETA? EU SOU UMA TABUA BRYAN? É ISSO? — Peguei a primeira coisa que vi e mirei em sua testa.
Só pude escutar Bryan hurrar de dor, imediatamente corri a té a sala e abracei uma almofada. Corri até a cozinha e vi Bryan sentado encostado na geladeira enquanto massageava a testa. Não pensei duas vezes e pulei em cima dele. Agora eu estava sentada em sua barriga, meus baços abraçavam forte a almofada.
— Ai! O que você está fazendo? — Ele ainda tinha a mão na testa.
— Não se preocupe. Depois de algumas pancadas você vai esquecer tudo o que viu hoje. — Mostrei um sorriso maléfico. Por um instante achei que ele iria me empurrar ou gritar comigo, mas tudo o que aquele nerd fez foi dar gargalhadas.
— O que é tão engraçado? — Perguntei confusa.
— Nada, é só que eu gosto dessa sua versão esquentada que bate em todo mundo por qualquer coisa. — Ele tinha um sorriso lindo.
— Não! Esse meu lado é horrivel, por que diz isso? — Fiz sinal negativo com a cabeça.
— Por que você não tenta ser perfeita em tudo, é apenas você mesma. E de certa forma eu me sinto previlegiado, já que sou um dos pouco que conhece esse seu lado. — Ele tinha um ar pensativo.
— Idiota! — Me levantei. — Você vai ir pra sala e vai grudar essa bunda no sofa, entendeu? Eu vou colocar uma roupa, nem pense em tentar sair desse apartamento.
Fui correndo até o meu quarto, coloquei uma regata branca e uma calça saruel cinza que eu vi jogada dentro do guarda roupa. Quando cheguei na sala Bryan estava sentado no sofa, ele observava um retrato dos meus pais comigo. Ele estava tão concentrado que nem percebeu eu sentar do seu lado.
— Eu tinha cinco anos quando tiramos essa foto. — Minha voz era suave.
— Você é bem parecida com a sua mãe. — Ele respondeu, mas seus olhos ainda davam atenção para o retrato.
— Ok senhor Bryan, agora eu posso saber o que você está fazendo aqui? E como entrou? — Perguntei.
— Como assim? Você que abriu a porta pra mim. — Ele me olhava curioso.
— O que? — Fiz cara de espanto.
— Tsc tsc tsc, não se lembra de nada não é? — Agora Bryan tinha um sorriso maléfico.
— Me lembrar do que? Tem algo que eu deveria me lembrar? — Eu tentava controlar minha voz, mas era impossivel esconder minha preocupação.
— Você ficou muito louca na festa ontem. — Ele começou a rir.
— Sério? Eu não acredito. — Levei a mão a cabeça. — Me diz que eu não fiz nada que comprometesse minha reputação? Pelo o amor de Deus, ninguém viu você me trazendo né? — Agora minhas mãos tampavam a boca, os olhos arregalados.
— Acredito que não. — Bryan me encarava.
— Ok. Agora me conta tudo o que aconteceu, por favor. — Eu parecia uma criança pedindo doce.
— Bom, digamos que você bebeu um pouquinho além da conta. Começou a gritar na festa "Desde quando herois vão a balada? Deviam estar lá protegendo a rainha e cuidando dela." e depois, começou dizer que tinha uma bruxa hipnotzando o heroi e que deviamos salva-lo. — Bryan falava pausadamente.
IMPOSSIVEL! EU NÃO DISSE ESSAS COISAS CONSTRANGEDORAS. Minha bochecha esquentava a cada palavra dita por Bryan. Confesso que fiquei encomodada quando vi ele com outra menina na festa, não é cíumes. Sei que não é. Apenas... apenas... nunca passou pela minha cabeça a idéia de que ele pudesse ter outra menina em sua vida.
— Eu disse isso? Hum. — Tentei não demonstrar supresa.
— Disse sim. — Ele sorriu.
— Droga! — Senti as lagrimas escorrerem. — Se eu disse isso na frente de todos, provavelmente estão me achando maluca. Tem ídeia do que é isso Bryan? Eu manchei minha imagem. Paty Pannes não chora, ela ri. Paty Pannes não perde, ela ganha. Paty Pannes não fica bebada, ela deixa os outros bebados. — As palavras saiam num tropeço.
— E Bryan Marralkcs não vê desenhos, vê anime. Bryan Marralkcs não assisti filmes, assisti movies. Bryan Marralkcks não agradece antes de comer, ele diz Itadakimasu. — Bryan completou.
— Sabe que não entendi nada, né? — Falei quase rindo.
— Sei sim, apenas entenda uma coisa. Eu vou te ajudar a sair desse tipo de situações, então tenha fé e para de ficar se preocupando atoa. Estresse demais deixa os cabelos brancos e você já tem um. — Disse ele enquanto apontava para um fio em minha cabeça.
— Sua Bund..... — Antes que eu pudesse completar a frase o telefone toca.
— Alô? — Bryan atende. — Sim, já estou indo.
— Indo? Pra onde? Espera aí, eu ainda preciso saber o que aconteceu na festa? — Levantei assim que ele ficou de pé.
— Agora não, depois a gente se fala. — Ele deu um beijo na minha buchecha e saiu pela porta me deixando com um ponto de enterrogação enorme na cara.
RAIVA. Passei a tarde toda dando socos no saco de pancadas, não acredito que aquele nerd idiota não me contou tudo. E ainda por cima deu pra entrar e sair do meu apartamento a hora que quiser — bufei. Eu estava bastante preocupada, pois hoje vai ter uma festa da piscina na casa da Becah, todo mundo vai estar lar. Pela primeira vez eu não sei o que vai acontecer, eu desejava com todas as forças que minha memória sobre ontem voltasse e quanto mais eu pensava sobre isso, mais eu chegava a conclusão de que minha reputação havia acabado. É impossivel o Bryan ter me levado em casa e não ter sido visto. E por que não foi o Thad que fez isso? Ele que é o meu namorado, essa responsabilidade é dele. Thad! Outro problema. Ele não me ligou o dia inteiro, imaginei se nós brigamos na festa. Aí sim, é o fim.
Estacionei meu carro em frente a casa de Becah, da esquina podia se ouvir a música eletrônica. Assim que entrei fui logo recebida pelas meninas e cláro, sercada por olhares. Não podia negar, eu adorava toda aquela atenção. Mau sentei e já tinha um rapaz me oferecendo bebida, obiviamente eu recusei. Sabe lá Deus, o que ele pode colocar na minha bebida, por tanto eu sempre pego o meu copo.
— Ainda bem que você chegou! — Disse Becah em tom firme. Nem tive a oportunidade de responder, ela pegou minha mão e saiu me guiando para dentro da casa.
— O que houve? — Perguntei, mas tive medo de ouvir a resposta. Algo me dizia que minha reputação acabaria ali.
— Apenas venha! — Becah continuava me guiando.
Ela praticamente me jogou para dentro do seu quarto, logo em seguida trancou a porta. Correu até a janela, que alías, dá uma vista linda da piscina. Becah encostou no parapeito e olhou para os dois lados, como se quisesse ter certeza que não estáriamos sendo observadas. Enfim, pegou na minha mão me fazendo sentar na cama. Ela ficou alguns instantes me encarando. Os cabelos dourados brilhavam com a luz do quarto e aqueles olhos meio acinzentados pareciam me dominar. Tomou algum folego de ar e finalmente começou:
— Amiga... do que você se lembra da noite de ontem? — Becah falava pausadamente.
AGORA SIM É O FIM! Becah viu o que eu fiz noite passada? Ai meu bom Jesus será que ela viu o nerd do Bryan me tirando da Num? Eu não conseguia encontrar respostas, vasculhei qualquer vistigo daquela noite em minha mente, mas só vi o breu. Senti meu corpo enrijecer, eu estava surtando. Provavelmente paguei o maior dos bafões e tinha muita gente da Arcati lá, foi idiotisse minha acreditar que o Bryan tivesse me tirado de lá antes que eu comprometesse minha imagem. Não tinha o que fazer. Agora era só aceitar os fatos e ouvir a pior noticia da minha vida.
— Desculpa Becah, mas eu não me lembro. — Sorri meio sem graça.
— Imaginei... — Becah falou num tom triste. Merda, realmente eu fiz alguma coisa ontem anoite.
— Você quer por Deus me falar o que aconteceu noite passada? — Esse suspense estava me matando.
— Tudo bem. Até que momento você se lembra? — Ela me olhava profundamente.
— Me lembro de estar no palco dançando. — Minha voz era rapida.
— Você bebeu demais e começou falar algumas coisas sobre heroi e bruxa, algo assim. — Odeio quando Bryan diz a verdade. — Acabou que eu tive que levar você ao banheiro pra vomitar e nesse meio tempo... bom... uma menina subiu no palco e começou a beijar o Thad. — A tensão era clara em sua voz.
Aquela ultima frase ecoou em minha mente, fazendo um barulho estrondoso nos meus ouvidos. Eu não queria acreditar. Meu deus grego me.... traindo? As lagrimas queriam descer, mas fui firme e segurei. Ficamos as duas em silêncio por uns dois longos minutos. Ser fraca era inadmissivel, meus pais não me criaram para ser fraca, não podia mostrar que estava abalada, não aqui.
— É uma pena, tinha tudo pra ser o numero um! — Falei enquanto olhava no espelho e retocava o batom.
— Caramba Paty, você não está brava? — Becah me encarava assustada.
— Nem sofro! — Menti.
— Paty, são sete meses de namoro. Sete! Não é possivel que você consiga ser tão indiferente assim. — Becah parecia desesperada.
— Esse é o meu jeito. Paty Pannes nunca corre atrás de macho, são eles que vem até a mim. — Sorri.
— Isso eu não posso negar. — As palavras de Becah foram companhadas com risos.
Por mais que eu tivesse feito todo aquele teatro, no fundo meu coração estava um caco. Não paravam de aparecer perguntas aleatórias na minha mente, tudo o que eu queria era entender o que aconteceu. Por que ele me traiu? Será que ela é mais bonita do que eu? Ha, isso é impossivel. Talvez ela seja mais educada, afinal sou um poço de ignorância. Não sei se ficava feliz ou triste, na noite de ontem não perdi minha reputação, perdi meu namorado. Pensando bem, perder o namorado é pior do que perder a reputação, agora todos sabem que Paty Pannes foi chifrada.
Meu relacionamento com Thad era o mais próximo de amor e carinho que eu tinha, nem com meus pais eu sou apegada assim. Sentei na beira da piscina e coloquei meus pés na água enquanto bebia uma caipirinha. A sensação era de estar em um museu, porém eu era obra de arte. Recebia varios tipos de olhares, maldosos, piedosos, invejos e cada um deles vinha seguido de um cochicho. Becah parecia um cão de guarda ao meu lado, lançava um olhar mortal pra qualquer um que se atrevesse olhar em minha direção.
— Thad deve ter perdido um parafuso da cabeça, essa é a unica explicação plausivel. — Simom sentou ao lado de Becah. — Só sendo louco pra trair você. — Simom terminou sua frase seguida de um "Ai!", ele havia levado um beslicão bem dado de Becah.
— Não esquenta com isso Simom. — Tentei devolver o sorriso mais doce.
— Amiga, não olha agora, mas o Thad acabou de chegar. — Becah levou a mão ao peito como se tivesse levado um susto.
Em mim surtiu o efeito contrario, imediatamente lancei meu olhar no meio das pessoas a procura da cabeça loira de Thad, não demorou muito e... BINGO! Meus olhos encontraram os seus, senti meu corpo travar, não por ver Tahd e sim por ver a pessoa que caminhava ao seu lado de mãos dadas. Aquele loiro escorrido era inconfundível, até por que eu ensinei ela a usar o cabelo assim. Valquiria andava ao seu lado, toda alegre e sorridente.
Foi o que bastou! Me levantei numa velocidade maior que o normal, minhas mãos formigavam, meu corpo ardia. Queria ver o sangue dela, ver ela urrar de dor. Antes que eu pudesse chegar até eles Becah segurou o meu braço, fiquei ali parada por alguns segundos o olhar fixo naqueles dois.
Com certeza eu tinha recebido um golpe duplo, se a facada da traição de Thad penetrou fundo meu coração, então a facada de Valquiria me atravessou. Então era dele que aquela vaca estava falando quando me ligou, já que não conseguiu me fazer ir menos bonita, aproveitou o momento que eu estava bebada. A raiva consumia cada centimetro do meu corpo. Senti Becah segura meu braço com mais forças, aqueles olhos acinzentados mais furiosos do que nunca. Eu estva tão atordoada que não percebi quando Thad se aproximou.
— Paty, precisamos conversar. — Ele tentou pegar na minha mão, mas eu não deixei.
— Não precisamos não. Já entendi sua mensagem. — Respondi seca.
Uma roda de pessoas começou a se formar, era tão grande que chegava ao outro lado piscina, não percebi que o Dj tinha parado com a música. Pra ser sincera, quando é a rainha que está envolvida, tudo para. Sentia os olhares curiosos em cima de mim, todos esperando que eu ou Thad perdesse a linha. Mas não daria esse gostinho pra eles.
— Espera aí, está me dizendo que não se importa? — Thad começava a ficar vermelho.
— Isso mesmo. — Menti.
— Viu querido, eu te falei. Ela não te ama, você precisa de uma mulher que te mereça. — Valquria abraçou Thad.
— Se queria tanto assim ficar com as sobras Val, poderia ter me dito antes. Eu deixava o caminho livro pra você. — Alfinetei.
— Acho que não entendeu. Eu roubei ele de você, admita que perdeu. — Valquiria soltava seus venenos.
— Pra ser sincera, você me fez um favor. Já tinha um tempo que eu queria terminar com ele, mas não sabia como fazer isso. — Menti denovo, dessa vez com um belo sorriso. As pessoas estavam de bocas abertas.
— COM O É QUE É? — Thad estava furioso. Eu sabia me defender muito bem, por isso aquilo não me assustava.
— Olha aqui ô garota. Você é uma patricinha mimada e futil, acha que só por que é rica e bonita pode desprezar as pessoas? — Acho melhor essa loira calar boca ou eu vou matar ela.
— Você está enganada, não sou esse tipo de pessoa. — Tentava controlar a minha voz.
— O Thad me contou que vocês não transaram. AÍ GALERA, ACHO QUE A PURITANA DA PATY É VIIIIRRGEM! — Valquiria tinha pegado pesado agora. Varias pessoas riam.
— CALA A BOCA A VAL! — Becah gritou.
— Tudo bem Becah, pessoas insignificantes não me atingem. Agora se me dão licença, preciso ir ao banheiro. — Assim que passei por Valquiria ela quase pulou em cima de mim, mas foi impedida por Thad. Mau sabe ele o bem que fez a ela.
Assim que entrei no banheiro tranquei a porta e sentei no vazo. Peguei a toalha de rosto e enrolei na minha mão esquerda e desferi um golpe na parede. Cada soco era uma raiva que eu descarregava, as lagrimas queriam cair, mas novamente eu impedi. Olhei pra minha mão esquerda que estava sem a toalha, ela estava bem avermelhada, sentia os musculos e ossos protestarem. Se eu não fizesse isso na parede, faria isso na cara de Valquiria e isso eu não queria. Ela bem que merecia, mas Paty Pannes não é uma brigona, desse meu lado ninguém precisava saber.
Estava de frente para o espelho, retoquei minha maquiagem e soltei bem o cabelo. Estava pronta para mostrar a minha superioridade para Valquiria e Thad. A festa ainda bombava, tinha alguns casais se pegando no sofá e nos cantos da casa. Do lado de fora tinha algumas pessosas deitadas na grama, Beach e outros estavam sentados na beira da piscina.
— Oi princesa, vamos tomar alguma coisa, dar uma volt... — Um rapaz alto de cabelos arrepiados me abordou assim que sentei ao lado de Becah.
— Nem tente ô Romeu, não sou pro seu bico. — Respondi antes que ele pudesse terminar a frase. Fiz sinal com a mão pra ele se afastar.
— Já está sendo paquerada? — Becah me olhou surpresa.
— Isso não é nenhuma novidade, Paty Pannes é sempre a primeira opção de alguém. — Sorri.
— É... os caras são loucos por você, todos querem te namorar. — Denise sentou ao meu lado. Seus caeblos curtos estavam bem molhados e jogados para trás, me perguntuava se ela tinha entrado na piscina.
— Olá Denise! — Eu e Becah dissemos juntas.
— Meninas, vocês sabem que eu adoro fofoca né? — Denise não conseguia conter a empolgação.
— Sabemos! — Nós rimos.
— Então segurem essa! É só um boato, mas parece que ontem alguém se vingou pela Paty. Depois que o Thad beijou a Val na frente de todos, alguém invadiu o palco e bateu nele. — Denise transbordava emoção.
— Isso não é um notícia, é um bomba! — Disse Becah.
Eu fiquei alguns segundos processando a informação. Exestia alguém louco o suficiente pra me defender? Impossivel. Pois a Vlaquiria tem razão, eu sou fria, mimada, indiferente, mas se eu quiser sobreviver nesse ninho de cobras, se eu quiser manter minha reputação, não tenho outra escolha a não ser assim. E em meio a tudo isso, existe alguém se importando comigo?
— Parece que a briga foi feia, ouvi dizer que até garrafa quebrada teve. Eu não sei como ficou a outra pessoa, mas o Thad saiu de lá babando sangue. — Denise falava baixo.
Não pensei duas vezes. Me levantei sem me despedir das meninas, todos me olhavam sem entender. Eu andava rápido. Quando dei por mim já estava dentro do meu carro. Peguei meu celular e disquei um numero, coloquei no viva voz e dei partida no carro. O telefone chamou até cair, olhei para o relógio, eram 2h30 da manhã. "Foda-se!", pensei comigo mesma. Assim que parei no sinal vermelho liguei novamente, por fim uma voz apreceu do outro lado da linha.
— Alô! — A voz estava sonolenta.
— Qual é o seu endereço? — Perguntei.
— Pra que raios você quer meu endereço? — A voz ainda estava com sono.
— Ai, só me passa. Anda logo! — Minha voz era firme.
— Tá, tá... é... deixe me ver. Rua Augusta, residêncial Aquarius, setimo andar, apartamento 701. — Com certeza a voz do outro lado lutava contra o sono.
— Ok, chego em quinze minutos. — Falei enquanto fazia uma curva.
— O que? — A voz do outro lado ficou supresa.
— Tchau! — Desliguei o telefone.
Lá no fundo eu tinha uma pequena ideia de quem tinha batido no Thad por mim, a probabilidade de ser essa pessoa era minima, ainda mais se tratando dela. Eu precisava confirmar ou não dormiria essa noite. Não demorou muito e eu já estava na portaria do residêncial, falei com o porteiro e depois de alguns minutos ele me autorizou a entrar. O lugar não tão maguinifico igual o meu prédio, mas até que era bonitinho. Apesar de estar escuro, era possivel ver os jardins. Peguei o elevador e finalmente eu estava em frente a porta com a numeração 701. Preferi não tocar a campainha pra não acordar ninguém, apenas mandei uma mensagem avisando que estava na porta. Depois de alguns minutos a porta fez um "Clanc" revelando a pessoa a minha frente.
Aquilo foi um choque! Senti minhas pernas tremerem, ele estava só de samba canção, a luz do corredor do andar estava acesa então dava pra ver seu peito nu perfeitamente. Estava com alguns ematomas roxos e pequenos cortes espalhados pela barriga e peito. Foi o que bastou. As lagrimas caiam sem parar, eu tentava controlar, cessar o choro, mas era impossivel. Estava fora do meu controle. Eu não sou nada legal com ele e esse doido fez isso por mim? Eu chorava com força, todo esforço que fiz pra me segurar na festa se foi aqui. E mais uma vez ele me viu em um momento não muito bom, por que é sempre na frente dele? Eu odeio mostrar fraqueza, mas parece que ser fragil na frente dele tinha se tornado um habito. Eu queria falar, mas nenhum som saia.
Então senti seus dedos enterrando em meus cabelos, ele afagava minha cabeça enquanto dizia algo como "É dificil, eu sei.", seu rosto estava bem proximo ao meu, sentia sua respiração. Eu estava em transe, parecia que tinha perdido o poder sobre mim, meu choro agora vinha seguido de soluços.
— Por que me potegeu naquela noite? Você não tem que ficar se machucando por minha causa. — Eu finalmente havia recuperado algum folego.
— Eu já disse. O heroi sempre protege a rainha. — A voz de Bryan soou doce como mel.
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