Quando o Coração Escolhe
1 Capítulo 01
CAMBRIDGE, INGLATERRA, 1816
Afastei um pouco a cortina para observar a grande movimentação de alguns transeuntes e vendedores que pareciam curiosos enquanto nossa corte passava pelas alamedas de Cambridge em direção ao castelo onde o Conde de Gaulle e sua família faziam residência.
Nossa comitiva real era guiada por uma linha de montaria composta pelo General Weiss e três soldados, depois vinham quatro luxuosas carruagens pretas adornadas de ouro com o brasão dos Alucard nas laterais.
Dentro da primeira diligência se encontravam meu pai Raymond (Rei de Yorkshire), Linc (Primeiro-Ministro e Arquiduque de Lancashire), Bertha (Conselheira Real e Duquesa de Lamonth) e sua filha Lady Lyanna McAyr.
Na segunda estavam minha mãe Carla (Rainha de Yorkshire e Duquesa de Northallerton), Elena (Arquiduquesa de Lancashire), seu filho Jamie (Conde de Preston), e eu (Princesa de Yorkshire, Duquesa de Carlisle e Condessa de Swansea).
Na terceira carruagem se encontravam minha irmãzinha Letícia (Princesa Infanta de Yorkshire e Condessa de Bamsley), Lady Lauren Baker (Dama de Companhia de minha irmã), Suzanna (Condessa de Wakefield) – irmã de Jamie – e Lady Samantha Bowers (Dama de Companhia de Elena).
Já na última estavam Lady Kathleen Darcy (Dama de Companhia de minha mãe), Lady Marina McRose e Lady Rose Thouless (minhas Damas de Companhia) e Sir John Thouless (Médico Real e marido de Rose).
Ao final da nossa comitiva formava-se mais uma linha de montaria composta por quatro soldados. Sinceramente não gostava de tanta demonstração de luxo, mas meu pai sempre dizia-me: “Quanto mais atenção tu chamas, menos desconfiança tu desperta”
Um lema perfeito para nós os Alucard que possuímos inúmeros segredos.
Olhei de relance para minha mãe e para a mãe de Jamie, ambas estavam concentradas em uma pequena discussão sobre qual vestido de noiva eu deveria usar. Ou de Elena ou de minha mãe. Elas poderiam fazer a gentileza de perguntar a mim com qual dos vestidos quero me casar, já que o casamento era meu.
Desviei meu olhar novamente para a janela e neste momento minha atenção voltou-se para a banca de uma vendedora de flores onde havia um belo rapaz de rosto bem definido e porte físico médio comprando um buquê de rosas.
Havia algo naquele humano que me fazia não desviar o olhar dele. Era como se fosse um magnetismo sutil e poderoso. Suspirei triste pelo fato de termos nos distanciado ao ponto de não conseguir mais vê-lo.
— Cansada? – Jamie sussurrou chamando-me a atenção.
Morávamos em Yorkshire no Castelo Howard e a viagem até Cambridge havia durado três dias.
— Um pouco – dei um leve sorriso para ele e Jamie pegou minha mão, afagando-a gentilmente.
— Veja Carla, que lindo casal eles formam.
— Verdade, Elena.
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— Mamãe? – a chamei minutos depois e ela sorriu para mim.
— Diga minha filha.
— A senhora me permitiria andar pela cidade? – perguntei ansiando que a resposta dela fosse afirmativa, pois só assim talvez conseguisse me encontrar com aquele belo rapaz que havia visto na banca de flores.
— Não. Se quiseres algo peça para Bertha que ela mandará alguns dos empregados irem comprar – ela respondeu em um tom autoritário.
Já deveria estar acostumada com essa proteção excessiva de meus pais sobre mim. Desde pequena sempre me mantiveram no castelo sob os olhos e cuidados de Bertha, pensei que ao completar 21 anos eles iriam deixar-me ser um pouco mais livre, mas infelizmente isso não aconteceu.
Nossas mães logo voltaram a conversar sobre o nosso casamento, agora discutiam sobre os arranjos da recepção. Tentei ignorar a conversa delas então me lancei numa com Jamie.
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CASTELO GAULLEDREW
CAMBRIDGE, INGLATERRA, 1816
O general gritou anunciando a toda corte que estávamos perto de onde seria minha prisão por um mês, este era o tempo que durava às reuniões do Alto Conselho Real Grã-Mystic realizadas em Londres quando estava acontecendo algo de grave entre os clãs.
Sempre que havia essas reuniões eu, Letícia, Jamie, Suzanna, Jack e Laura ficávamos em Cambridge enquanto nossos pais seguiam para Londres. O Conde de Gaulle juntamente com sua esposa e seus filhos Jack e Laura estavam a nos aguardar, ao pé da escadaria do imenso castelo.
Logo que a carruagem parou o cocheiro abriu a porta e ajudou Elena e minha mãe a descerem, Jamie desceu primeiro e ofereceu-me vossa mão. Segurei firme a saia de meu vestido e desci. Os quatro nos reverenciaram, os homens se curvaram para frente enquanto que as mulheres desceram quase até o chão.
— Anastasia, que saudade – Laura disse me enlaçando num breve abraço enquanto nossos pais se cumprimentavam a poucos metros de nós.
— Oi, Laura. Oi, Jack.
— Alteza – ele falou beijando minha mão.
— Vejo que Vossa Alteza Real está a tornar-se-á uma bela jovem – disse o Conde de Gaulle que se aproximou de onde me encontrava e curvou-se beijando minha mão em seguida.
— Obrigada, Conde.
Jack ofereceu-me o braço que o enlacei prontamente então subimos o lance de escadas e adentramos o lugar. Os empregados enfileirados na entrada começaram a fazer uma mesura à medida que íamos passando.
Meus pais juntamente com os pais de Jamie e Suzanna e de Jack e Laura se despediram de nós ao pé da escadaria principal, informando que tinha alguns assuntos para tratar sobre o Conselho.
Bertha levou sua filha Lyanna até a biblioteca do castelo para que terminasse suas lições de feitiços. Lady Baker conduziu Letícia e Suzanna para os aposentos enquanto que as outras Damas de Companhia orientavam os empregados sobre onde deveriam pôr nossas bagagens.
— Vós sabeis a causa para esta reunião do Alto Conselho? – indaguei enquanto Jack, Laura, Jamie e eu seguíamos para a ala onde se localizava os aposentos.
— Culpa da Laura – Jack disse então olhei para ela que se encaminhava atrás de nós junto com Jamie.
— Tudo bem, rendo-me – ela exclamou levantando as mãos sorrindo – Advinha, Anastasia?
— Se não contar-me, não saberei.
— Jamie me pediu em casamento, mas como ele está prometido com vossa pessoa, meu pai solicitou esta reunião para que ele possa interceder por nós perante todo o Alto Conselho Real Grã-Mystic – Laura sussurrou alegre.
— Fico feliz por ti minha amiga – a abracei – Honestamente não estava muito contente com este arranjo que meus pais fizeram. E tu senhor, porque não me contastes antes?
— Perdoe-me Anastasia, mas isso é para ser um segredo só entre nós.
— Eu e Jamie estamos completamente apaixonados e se tudo sair certo, papai ainda pedirá permissão para que me case antes de Jack, por que este meu irmão não quer saber de casório. Olha que pretendentes não lhe falta.
— Só que não estou apaixonado por nenhuma delas minha irmã. Quero me casar com alguém que amo. Assim como vós.
— Ficarás para titio – Jamie brincou e nós sorrimos.
Era tão bom vê-los novamente. Eu os conhecia desde pequena, Laura e Jamie eram 09 anos mais velhos que eu enquanto que Jack era 12 anos, mas eles não aparentavam tais idades, pois nós híbridos ao atingirmos os 21 anos paramos de envelhecer, diferentes de nossos pais que são de raças puras e envelhecem com o passar dos séculos.
Rose se aproximou e parou à nossa frente fazendo uma breve mesura.
— Vossa Alteza, terminamos de acomodar vossos pertences no aposento.
— Obrigada, Lady Thouless.
— Desejas algo mais, Alteza?
— Apenas que me prepare um banho relaxante com essências de rosas e me ajude com o vestido. Após terminar esse afazer, está liberada para passar à tarde com vosso marido.
— Obrigada, Alteza. Com licença.
Rose se inclinou novamente numa mesura e partiu.
— Jack porque tu não acompanhas Anastasia até os aposentos dela? – Jamie indagou sorrindo.
— Se ela me permitir – Jack olhou para mim e eu consenti.
Jamie e Laura se afastaram de nós conversando então seguimos pelo longo corredor e logo paramos em frente à porta do quarto destinado a mim.
— Levar-te-ei até o teatro para assistirmos a uma...
— Lamento estragar-lhe vossos planos, mas não posso ir a lugar nenhum.
— Tentaste falar com eles?
— Sim, porém o senhor os conhece – suspirei triste.
— Não se preocupe. Intercederei por ti perante vossos pais para que deem mais liberdade.
— Ficaria imensamente agradecida se o senhor fizesse isso por mim – olhei rapidamente para ambos os lados do corredor, constatando que estávamos a sós então me inclinei e o beijei no rosto.
— Sempre quebrando as regras não é Ana? – ele indagou sorrindo.
— O que posso fazer senhor, se sou assim – sorri travessa – E tu estás a repreender-me como sempre Jack.
— O que posso fazer senhorita, se sou assim – ele ergueu minha mão direita e depositou um beijo se despedindo de mim.
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