Quando o Coração Escolhe
3 Capítulo 03
— Está atrasado meu filho – Grace o repreendeu baixinho quando ele se aproximou de nós.
— Perdão minha mãe – ele sussurrou e virou-se para mim curvando-se um pouco – Perdoe-me pelo meu atraso, Vossa Alteza.
— Como já disseste a vossa mãe, o senhor deveras ter vossos motivos – disse sorrindo.
— Este é meu filho Christian – Grace nos apresentou então desci o degrau do palco e estendi-lhe minha mão que ele prontamente a beijou.
— Encantado, Vossa Alteza.
— Encantada, Senhor Trevelyan.
Ele deu um meio sorriso tão encantador que passarias o dia inteiro vendo-o sorrir daquele jeito. Me sentei na poltrona e logo o pai de Christian convidou todas as jovens para o centro informando-lhe que seu filho iria escolher uma moça para dançar a valsa de abertura.
Rapidamente as jovens se posicionaram em uma fileira de cada lado do salão. Algumas sorriam para Christian outras pareciam apenas que estavam ali obrigadas, com certeza por vossos pais. Christian andou por entre as filas cumprimentando cada uma, depois se posicionou novamente em frente ao palco.
— Todas são jovens adoráveis, mas só posso dançar com uma e a escolhida é... – ele de repente virou-se para mim – ...a princesa. Vossa Alteza, me concederia a honra desta dança? – perguntou-me Christian oferecendo sua mão.
Olhei rapidamente para Jack e fiz um sinal para ele que logo se inclinou um pouco então pus minha mão em forma de concha próxima ao ouvido dele.
— Será que devo, Jack? – sussurrei baixinho, ele deu um leve sorriso e acenou a cabeça em confirmação então me levantei e desci o palco – Será um prazer, Senhor Trevelyan.
Repousei minha mão sobre a dele e Christian me conduziu até o meio do salão. O som de uma valsa se fez ouvir pelo recinto e após fazermos a saudação começamos a nos movimentar. O cheiro de Christian era tão doce e convidativo que fez minha garganta arder de cobiça pelo seu sangue então me aproximei dele um pouco mais. Ao final da valsa todos nos aplaudiram.
Durante o baile dancei com o pai de Christian e também dei a honra de uma dança para alguns senhores e rapazes que ali se faziam presentes. No meio da festa consegui sair discretamente por uma porta lateral que dava acesso à varanda.
Estavas a observar o luar por alguns minutos até que senti alguém se aproximando então me ocultei nas sombras. Pelas roupas reconheci que era Christian, ele se encostou ao parapeito da varanda olhando o jardim beijado pela penumbra. Aproximei-me lentamente fazendo-o assustar-se.
— Perdoe-me senhor, não queria assustá-lo – falei num tom cortês parando ao seu lado.
— Está tudo bem, Vossa Alteza.
— Por favor, gostaria que me chamasse de Anastasia – falei com o olhar fixo no jardim, pois havia decidido nunca usar meu poder de Majestade nele.
— Seria justo que a senhorita também me chamasse de Christian.
Sorri e o olhei quando ele repousou uma das mãos sobre a minha que se encontrava em cima do parapeito.
— Meus sinceros cumprimentos pelo vosso aniversário, Christian.
— Obrigado, Anastasia.
— A propósito, quantos anos estás a fazer hoje?
— 25.
— E ainda não casastes?
Ele virou-se para mim pegando minhas mãos entre as suas e olhou-me intensamente fazendo minha garganta arder de cobiça como antes.
— Estavas a esperar a mais bela de todas as flores e acredito que minha espera teve fim.
Laura apareceu na varanda informando que já estava na hora da troca de roupa para me apresentar então desvencilhei-me de seu contato e Christian fez uma leve mesura, depois acompanhei minha amiga. Seguimos uma empregada até um dos aposentos da casa onde Lady McRose já me esperava.
— Notei que ficaste interessada no filho dos Trevelyan – Laura disse sentada na cama enquanto Marina desabotoava meu vestido.
— És tão evidente assim? – perguntei assustada e ela sorriu, me virei para Lady McRose – Responda-me, Marina. És evidente que pareço apaixonada?
— Sim, Alteza. E perdoe-me a ousadia, mas a senhorita nem parece mais aquela menina triste que vive trancada em vosso aposento. Vossa Alteza agora estás a sorrir mais.
— Obrigada, Marina.
— Por que não convida os Trevelyan para passarem o final de semana no castelo? – Laura sugeriu enquanto Lady McRose fechava o lindo vestido verde em seda acetinada com detalhes em ouro que ela acabara de me colocar.
— Meus pais nunca me permitirão ter algum relacionamento amoroso com um humano, nossas regras são bem rígidas – indaguei triste – Também não quero usar meus poderes em Christian, pois tenho medo de que ele descubra que sou um monstro.
— Convide os Trevelyan para passarem esse final de semana lá no castelo e não se preocupe, falarei com meu irmão. Com certeza, Jack a de te ajudar – Laura disse e sorriu – Estás linda minha amiga.
Olhei de relance para o espelho de corpo inteiro existente no quarto. Lady McRose havia finalizado o meu penteado deixando a parte de cima do cabelo presa e a outra metade solta em sutis cachos, eu havia trocado o vestido, o penteado, as joias e, por fim a tiara.
Quando descemos, o mordomo nos conduziu para outra sala e fui anunciada novamente. Todos se levantaram assim que entramos, andei calmamente pela passagem entre as cadeiras enfileiradas até o luxuoso piano.
Sentei-me ao banco e comecei. Havia tocado somente duas vezes aquela música, mas ela ficara tão perfeita que parecia que tivesse praticado por meses, após minha apresentação voltamos para o salão de festa. Estava sentada na poltrona observando alguns casais dançando, quando um rapaz chamado James Burgh se aproximou fazendo um cumprimento e convidando-me para dançar.
No começo da segunda valsa, fomos interrompidos por Christian que tocou firme o ombro do jovem Senhor Burgh, informando-o de que a última valsa eu havia prometido a ele.
— Perdoe-me, Senhor Burgh, mas tinha-me esquecido – falei gentilmente.
James fez uma mesura e saiu com raiva. Christian se posicionou segurando minha mão enquanto que a outra repousou levemente sobre minha cintura e iniciamos a dança.
— Não me recordo de ter prometido esta dança a vossa pessoa, Christian.
— Mas confirmaste ao Senhor Burgh minha fala.
— Tens toda razão – sorri um pouco envergonhada.
Minutos depois apenas nós dois bailávamos pelo salão e fomos aplaudidos ao término da nossa valsa. Christian conduziu-me até a poltrona no pequeno palco então dei um breve comunicado.
— Foi uma imensa honra está neste baile e conhecer pessoas adoráveis. Gostaria, por favor, que a família Trevelyan se aproximasse.
Assim eles o fizeram, então mandei que o pai de Christian desse um passo à frente.
— Para recompensá-lo pela hospitalidade e amabilidade que ofereceste a mim e a minha corte em vossa residência, convido o senhor, vossa esposa e vosso filho para passarem este final de semana em meu castelo.
— Será uma honra, Vossa Alteza – disse o Senhor Trevelyan.
— Obrigada, Vossa Alteza – a Sra. Trevelyan agradeceu entusiasmada pelo inesperado convite.
Christian apenas beijou-me a mão e deu aquele sorriso ao qual me encantara.
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