Quando menos se espera
12 Reconciliação
Notas iniciais
Após acordar com os braços enfaixados e uma dor horrível na parte de trás da cabeça, fiquei deitada refletindo sobre minhas ações.
Nunca tinha arrumado tanta confusão num período tão curto de tempo.
Devia ter pensado na possibilidade de haverem guardas na floresta para impedir minha saída. Como pude ser tão tola?
Agora além de infeliz, estava machucada.
Tirei as faixas brancas para ver a razão de elas estarem ali e me assustei. Havia marcas roxas nas duas. E chamavam muita atenção.
Não parecia que aqueles guardas tinham me puxado com tanta força naquela hora.
Levantei com dificuldade da cama e caminhei em direção á janela. Já era noite, mas o céu estava limpo e cheio de estrelas.
Desejava com todo meu coração estar fora do palácio.
O aconchego que ele emanava antes estava acabando. O quarto em que vivi durante toda minha infância não parecia mais o mesmo. Aparentava mais ser uma prisão e a única escapatória, seria o casamento.
Será que minha vida se resumiria a restrições, infelicidade e falta de amor?
Escutei uma batida na porta seguida por uma garota vestindo um vestido azul escuro com avental e um coque coberto com uma touca .Se não estivesse usando pareceria Madame Miressa. Ela entrou e parou segurando a maçaneta da porta aberta.
─ Que bom que vossa alteza está de pé. – disse com um sorriso forçado – Madame Miressa pediu que se dirigisse á biblioteca.
─ Por quê? Quem é você a propósito?
─ Suas tarefas vão ser retomadas. – informou ainda sorridente. Será que ela não sabe que é desnecessário e desconfortável? – Meu nome é Martha. Sua nova assistente pessoal.
Não acredito que ela realmente fez isso. Pobre Katy.
─ Mas é noite. Não deveria ser horário do jantar?
─ Madame mandou dizer que só iria fazer isso, após completar as tarefas pendentes.
─ Isso vai demorar uma eternidade! – exclamo irritada colocando as mãos sobre a cintura.
─ Madame sabia que diria isso – respondeu cruzando os braços – Ela sugere que comece logo. Venha comigo que irei te acompanhar.
Só podia ser brincadeira.
─ Não!
Cansei disso.
Meu pai nem se importa com a minha educação... Na verdade ele nem se importava comigo. Porque Miressa agia de modo tão severo? Pra me torturar?
O que de pior poderia acontecer? Já estou de saída mesmo.
Enquanto isso não acontecia, faria o que quisesse. Claro que dentro dos muros do palácio, já que obviamente não podia sair.
Passei pela garota sem dizer nada e desci as escadas com sua voz aguda atrás de mim me chamando.
Ninguém faria com que eu mudasse minha decisão.
Se não podia ser livre fora do palácio, seria livre dentro dele enquanto pudesse.
Agora... O que faria com minha liberdade nesse momento?
Parei no ultimo lance de escadas pensando no que fazer. Não devia ser tão difícil... Talvez andar a cavalo? O espaço era consideravelmente bom... Mas minha cabeça ainda doía. Queria um pouco de paz para organizar os pensamentos e relaxar.
O jardim leste ficava no lado mais afastado da entrada e perto dos muros. Quase ninguém ia até lá, a não ser que quisesse ficar sozinha, que é o meu caso.
Sim. Com certeza Iria pra lá.
(...)
Estava seguindo o corredor que levava a enorme porta de vidro dos jardins, quando topei com Daniel. Ficamos nos encarando por alguns segundos até que eu o empurrasse e continuasse seguindo meu caminho.
Ouvi ele me chamando, mas não tinha paciência pra lidar com aquilo no momento. Precisava de um tempo pra relaxar e se parasse pra conversar com Daniel não conseguiria.
Ignorei os guardas a postos nos dois lados da portas de vidro e saí para os jardins.
Ele era plano e aberto até chegar a uma área com arvores e arbustos ovais recheados de flores. Passei rapidamente por ali e caminhei até me aproximar do muro leste.
A grama naquele ponto não tinha sido cortada regularmente como o resto do jardim, então o volume era considerável e tornava um lugar confortável de deitar.
Após descansar por algum tempo, minha cabeça começou a se preocupar com coisas que nunca tinha pensado antes. Como por exemplo: filhos.
Esperava ter um menino logo para não ter nenhum conflito no casamento. A pressão de gerar herdeiros masculinos seria insuportável. Minha mãe deve ter sofrido por ter somente uma garota.
Será que o rei não suportava me ver por conta do fracasso que mamãe foi em não ter lhe dado um filho? – ele poderia ter mentido naquele dia.
E porque não se casou novamente, se estava tão insatisfeito? Não conseguia entender.
Me pergunto quem vai ser o próximo a governar... O Rei terá um árduo trabalho em encontrar e ensinar alguém adequado. Na verdade, ele já deveria ter feito isso á tempos.
─ Anna? – Chamou Daniel surgindo acima de minha cabeça atrapalhando a vista das estrelas.
Ele parecia nervoso e com razão. Ficou me ignorando por um bom tempo e agora vinha falar comigo.
Era melhor ter uma boa explicação para tudo isso.
─ Finalmente! – digo sorridente sentando na grama ajeitando rapidamente o vestido – Pensei que nunca mais teria a honra de falar com você – bato com a palma da mão no gramado ao meu lado – Sente-se.
─ Desculpe – disse seacomodando desleixadamente ao meu lado e baixando a cabeça. Seus cachos estavamum pouco úmidos por conta do suor de seu rosto. Realmente devia estar muitonervoso. – Sinto muito de verdade. Não sabe o quanto me arrependo. Se eu puder...
─ Pare – digo espalmando as mãos no ar. – Não quero ouvir o quanto está arrependido.
─ Então o quer que eu faça?
─ Dizendo o porquê disso tudo. – respondo tentando não deixar a curiosidade transparecer na voz – porque até agora estou com dificuldade pra entender. A única coisa que sei é que começou depois deter conversado com o rei. O que ele te disse pra te deixar tão transtornado naquela noite?
Um silêncio desconfortável pairou sobre nós por um longo momento, mas finalmente Daniel tomou coragem para falar.
─ Ainda nem acredito no que está acontecendo. Falar isso em voz alta é tão estranho...
─ O que? – questiono impaciente – Diga logo o que está havendo!
Ele se endireitou no chão e soltou um longo suspiro antes de contar.
─ Serei o próximo na linha de sucessão do trono. – revelou como se tivesse tirando um peso dos ombros.
─ Quê? – foi tudo o que consegui dizer.
Minha cabeça deu um nó.
Não tinha como ser verdade.
Nunca tinha visto pessoas fora da família real se tornar nobres da noite para o dia.
─ Por quê?
Tinha que haver uma explicação coerente.
─ Ele é meu pai. – respondeu com o rosto corado.
Quase engasguei com o ar.
─ Ele é o que? – repeti ainda não acreditando na informação.
Agora fazia sentido Daniel ter toda aquela atenção do rei. Talvez quisesse manter seu herdeiro longe de sabotagens ou tentativas de destronamento.
─ Sinto muito Anna. – desculpou-se baixando a cabeça novamente.
Fiquei sem reação. Não conseguia achar algo útil para dizer. Imagino o choque que foi para ele descobrir isso.
─ Espere. Por que sente muito? – Daniel deveria estar feliz.
─ Não percebeu? Sou filho de Miressa. Significa que o rei deve ter traído sua mãe durante todo casamento. Eu já era nascido quando se casaram e... – Daniel passava continuamente a mão no cabelo o bagunçando cada vvez mais.
Ele estava preocupado com que isso fosse me magoar?
─ Foi por essa razão que começou a me evitar?
Ele balançou a cabeça descontroladamente. Não o via perturbado desse jeito desde pequena.
─ Sim – disse ele com a voz tremula – Quando o rei me contou, só conseguia pensar no quanto tinha roubado de você esse tempo todo. Ele nunca conseguia ter tempo para te dar, mas estava sempre comigo. Minha mãe tem sido terrível desde que sua mãe morreu. Acredito que você passou a ser o obstáculo dela e por isso te trata tão mal e todas essas coisas te magoam tanto... Não consegui olhar nos seus olhos sem sentir vergonha.
─ Não foi culpa sua – digo suavemente — Foram escolhas de outras pessoas. Não tem que se sentir envergonhado e nem pedir desculpas.
─ Mas e o tempo que não teve com ele?
─ Daniel, foi melhor assim – digo me lembrando da conversa que tive com meu pai – Não estou brava. Pelo contrário! Não notou que somos irmãos de verdade agora?
Peguei em uma de suas mãos e a apertei olhando no fundo de seus olhos.
─ Estou muito feliz com isso! De todas as pessoas, tenho certeza que será um ótimo rei e ainda por cima poderemos nos comunicar com mais facilidade. O que aconteceu no passado não importa, ainda seremos amigos.
Sua expressão foi se suavizando aos poucos e logo ele parecia mais calmo.
─ Ainda há outra coisa que precisa saber. – o que mais poderia ser? – Rebeldes estão se revoltando contra a monarquia. Já invadiram dois reinos.
Ah é isso.
─ Eu sei – respondo de imediato – O rei me contou.
─ Está com medo?
─ Um pouco. Acha que tentarão invadir Eldora? – pergunto tentando não deixar o medo transparecer em minha voz.
─ È possível, mas não se preocupe – disse finalmente abrindo um sorriso — Edele tem o maior poder militar dos cinco reinos juntos. Nada vai acontecer.
─ Se você diz... – soltei sua mão e deitei novamente sobre o gramado para ver as estrelas – Como está se sentindo com toda essa história?
─ Confuso – respondeu se deitando ao meu lado com a cabeça próxima a minha – Há uma semana, estava estudando para ser administrador real, meu sobrenome era Flincher, meu pai estava morto e agora tudo mudou completamente.
─ Virou um Kasnier, agora será chamado de majestade, ganhou uma irmã e tem um pai! – completo – Dá pra entender sua confusão. No que mais tem pensado?
─ No quanto sentirei sua falta – murmurou – Estou deixando para lidar com essa história de realeza em outro momento. Não importa muito agora.
─ Entendo. Também sentirei a sua falta, apesar de ter me ignorado nessa ultima semana – provoco o cutucando.
─ Já pedi desculpas!
─ Eu sei, mas mesmo assim machucou...
─ Sinto muito – disse novamente – Prometo passar o restante desses dias tentando compensar meu erro.
─ Terá várias chances pra isso – comento abrindo um largo sorriso.
─ Como assim?
─ Decidi não seguir mais as regras da sua mãe.
─ Hum... Ela não vai aceitar isso muito bem.
─ Por que acha que vim me esconder aqui?
Soltei uma risada aliviada por nós termos voltado a nos falar novamente.
Ficamos lá olhando as estrelas por um bom tempo até o vento ficar mais gelado e nos obrigar a retornar de volta ao palácio.
Depois desse dia, Miressa passou a me infernizar constantemente para continuar as lições, mas permaneci firme em minha decisão. Faria somente o que quisesse.
Dormi até tarde, cavalguei bastante, comi MUITOS doces e passe todo o tempo que consegui com Daniel. Fiquei estudando sobre Edele para já de algum modo me preparar para a nova vida que esperava por mim.
Mesmo lendo continuamente aqueles livros, senti que não era o suficiente.
(...)
O tempo passou voando e o dia da chegada da família real começou com o alvoroço dos empregados que andavam de um lado para o outro tentando garantir que tudo ficasse na maior perfeição.
Enquanto isso acontecia, tinha sido deixada em meu quarto por que de acordo com Miressa, só os veria na recepção oficial. Mas a ansiedade me corroía por dentro.
Não faria muita diferença quebrar outra regra – pensei comigo mesma abrindo a porta devagar planejando sair escondida dali.
Dei um pulo no lugar ao notar que tinham guardas para impedir minha saída.
─ Princesa – Disse um dos guardas ao lado da porta com a voz grave – A senhorita deixou bem claro que está proibida de sair.
─ Eu sei – Ela sempre deixa as coisas bem claro – Só estava checando o movimento do corredor....
Fechei a porta novamente e caminhei bufando até a janela pra ver se algo do lado de fora me distraia, mas só havia guardas imóveis sem se mexer um milímetro do lugar.
Daniel logo entrou no recinto mostrando que agora estava finalmente aceitando seu novo status.
Ele usava um paletó preto cheio de finos detalhes de renda azuis quase imperceptíveis que deixava a peça ainda mais bela. O cabelo fora penteado e seus cachos estavam mais perfeitos do que nunca. Que ter cachos definidos também.
─ Sei que é um pouco exagerado, mas...
─ Nossa – interrompi caminhando em sua direção para analisa-lo mais de perto – Você está parecendo um verdadeiro príncipe!
Piada ruim. Sei muito bem.
─ Deve ser porque sou um agora – riu ele meio envergonhado. Ainda iria demorar um pouco pra se acostumar com tudo isso – E então? Está pronta?
─ Pra quê? – Será que nós tínhamos combinado de fazer algo e eu esqueci?
─ Não disse que semana passada que gostaria de ver seu noivo antes da recepção?
─ Sim , mas Miressa colocou guardas pra me vigiar. Não vou tentar fugir deles. Não depois do que aconteceu na última vez. – Meus braços ainda tinham leves marcas roxas da ultima tentativa.
─ Já cuidei disso – garantiu – Mandei os dois ajudarem na ronda lá embaixo nos jardins.
Não dava pra acreditar.
─ Olha só, já usando os seus poderes – brinquei – Sua mãe vai adorar isso.
─ Ah vai mesmo. Mas antes que ela fique sabendoé melhor você ir logo! – disse já saindo pela porta.
─ Ir aonde? Como vou vê-lo sem ser reconhecida?
─ Não se preocupe, vai dar tudo certo.
Geralmente quando alguém diz isso, nunca dá certo de verdade.
(...)
─ não acho que tenha sido uma boa ideia – O uniforme azul e a touca branca das criadas me sufocava de todas as maneiras. Meu cabelo foi preso num enorme coque que quase saia pra fora da touca — Estou ridícula.
─ Desculpe. Só encontrei desse tamanho – Enquanto caminhávamos na direção do corredor do ultimo andar.
─ Será que alguém vai me reconhecer?
─ Não se ficar de cabeça baixa.
─ E não seria estranho?
Ele balançou a cabeça negativamente.
─ Mostra que você respeita a pessoa que está servindo.
Tento fixar em minha mente a ideia de manter a cabeça baixa e não ser vista. Era difícil, já que desde criança tinha sido ensinada a fazer o contrário.
levanto a cabeça lentamente a fim de ver se havia alguém no fim do corredor e para minha surpresa, lá estavam um grupo de pessoas que mesmo de longe se destacavam no ambiente.
─ Veja! – digo retrocedendo alguns passos – lá estão eles!
Com eles num numero tão grande, seria difícil ninguém reparar em mim.
─ E então? Vai me acompanhar?
Não queria causar má impressão com a minha nova família. Talvez fosse melhor guardar a ansiedade e esperar até a recepção.
─ Eu...
─ Daniel – chamou a voz do rei atrás de nós.
Congelamos no lugar e Daniel sussurrou para que eu baixasse a cabeça antes de se virar e responder o chamado do rei.
─ Sim.
─ Estava indo recepcionar a família real?
─ Estava.
─ Vamos juntos então. Assim já te apresento como o príncipe. É importante que se dê bem com eles para ter apoio no futuro quando for rei – Ele nem olhou no meu rosto, apenas ordenou – E você, peça para a princesa se arrumar e participar do jantar conosco. Quanto mais cedo ela os vir, mais fácil será para se acostumar.
Vi o punho de Daniel se cerrar por causa do comentário. Ainda iria demorar muito para que ele conseguisse lidar com toda essa situação.
─ Certo – respondi engrossando a voz.
Retornei pelo mesmo caminho de onde tinha vindo com Daniel.
Não tinha conseguido vê-los claramente, mas só o fato de que iria participar do jantar, já me deixou empolgada.
Tinha que voltar correndo ao meu quarto para trocar de roupa e ficar mais apresentável.
Como seria meu príncipe? Ninguém nunca disse nada sobre ele até agora. Não queria ser exigente, mas gostaria que tivesse algumas qualidades como as que Daniel possuía.
Gentil, bonito, companheiro... Desde que não fosse igual ao meu pai, já agradeceria a Deus de joelhos.
Era melhor não criar muitas expectativas para não acabar se frustrando mais tarde, como sempre acontece comigo.
─ E vocês obedeceram? – ralhou Madame Miressa na dobra do corredor. Parei de caminhar imediatamente.
─ Ele é o príncipe herdeiro agora – disse um dos guardas que anteriormente estava na porta do meu quarto. — A autoridade dele é maior que a sua.
─ Imbecis! – exclamou irritada – Procurem pela princesa. Espero que ela não tenha feito nenhuma besteira.
Depois de ouvir isso,não sabia para onde correr. O caminho que levava ao quarto estava bloqueado por Miressa.
A única opção que me restava era o jardim. A porta de vidro ficava perto daquele mesmo corredor.
O clima do lado de fora era o melhor. O cheiro e as nuvens anunciando a chuva sempre ajudavam a relaxar. Só tinha que ter cuidado. Daniel disse mais cedo que havia vários homens de guarda no jardim.
Precisava fingir que estava fazendo algo útil para passar por eles despercebida.
Olhei ao redor e encontrei uma vassoura escorada na parede do palácio. Nunca tinha varrido nada em minha vida. Será que tinha um modo certo de fazer isso?
Fui forçando ela no chão tentando tirar folhas e pedrinhas do caminho quando alguém aparecia. Sempre de cabeça baixa. Meu pescoço já estava doendo.
No momento em que já estava a uma distancia considerável e sem mais nada para varrer, decidi entrar no palácio pelo único lugar com entrada mais direta. No jardim das plantas medicinais somente médicos da corte e curandeiros podiam entrar. Seria difícil ser descoberta por alguém lá.
Segui a trilha de mármore que era praticamente uma passarela no meio de todas aquelas belas flores que logo estariam murchas com a chegada do inverno e adentrei na estufa das plantas medicinais. Eram estantes pretas de metal maiores que eu, enfileiradas em corredores com prateleiras cheias de vasos de argila com mudas.
Caminhei apressada no corredor central que levava diretamente á porta. Ansiava por tirar aquela roupa infernal e me preparar logo para o jantar.
Quando estava quase chegando ao fim daquele extenso corredor, surgiu um homem vestido elegantemente de preto com detalhes verdes em seu paletó. Tropecei em meus próprios pés com o susto e caí na sua direção.
Graças a ele que conseguiu me segurar, não tivemos uma queda vergonhosa.
─ Você está bem? – questionou me ajudando a recuperar o equilíbrio colocando a mão em meu ombro.
Ergui o rosto para vê-lo melhor e agradecer, mas não consegui. O choque não permitiu.
─ Rael? – falei enquanto via a surpresa se espalhar rapidamente por seu rosto.
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