Quando eu te Abraço

3 Celui qui dit-elle ‘’Pas sentez trés pour moi. Sentez très pour vous’’ veut se venger


Notas iniciais
Voltei, Brasil sil sil sil... Mais uma vez aqui com episódio atrasado. O problema é que é bem carinho roubar wifi do shopping, mas okay. Esse é um dos episódios que vai ser narrado em terceira pessoa, coisas que aconteceram. Alguém já ouviu a frase "Para entender o presente, é preciso entender o passado?" então, é por aí. Bons Sherlocks, prestem atenção no título e nos pequenos detalhes. Boa leitura!


Tudo começou com luz. Que besteira. Tudo, pelo menos a vida, começou com um sim. Eva disse sim a Adão e juntos eles criaram o que hoje chamamos de humanidade. Mas, hoje, aqui, começou com luz. Uma batalha monstruosa contra um vazio, um nada repentino, uma clareza tão grande que causa desprendimento às suas vitimas. Uma lucidez perigosa.
Aquele verão em Angeles, Illéa, foi um dos mais quentes já registrados. Para escapar do calor, as pessoas inundavam as ruas, com água de coco ou sorvetes em ambas as mãos. Neste dias, o rei montara barracas em seu gramado. O recado estava dado: Picolés e sorvetes de graça. E fora com ânsia e gratidão que todos agora assistiam ao pequeno príncipe Dale dar-lhes sorrisos doces e abraços desajeitados. Abruptamente, sem mais nem menos, o tempo mudou. As nuvens comprimiram-se a volta da cidade, congelaram várias noites seguidas e obrigaram as pessoas a desenterrar seus casacos do fundo do armário. “Uma noite fria de verão” foi o que disseram os meteorologistas do canal cinco e sete. Era como se o anjo da morte tivesse passado por ali e congelado a estação.

Seria uma noite como outra qualquer, não fosse por um acontecimento.
As pessoas rodeavam o Hospital Geral Shalon Singer, que um dia fora a ala hospitalar do palácio. Embora estivesse fazendo um frio abaixo de zero, elas invadiram o lado de fora, a sala de espera, os banheiros e o estacionamento. Dizia a lenda de que a menina nascera sorrindo. Um sol brilhante no meio da tempestade, era o que diziam as testemunhas, mais tarde. Um bonito bebê, emanando saúde, de cachinhos loiros, como do próprio anjo Gabriel, e olhos cinza que mais tarde seriam de um azul tão profundo que alguns tinham até medo de olha-los abertamente. Tinham medo de ser hipnotizados.
Mas, o que este bebê tem de tão especial, além da beleza, que fazia as pessoas acotovelar-se na sala de espera por uma foto ou ao menos um olhar da pequena? Bem, ela nunca seria uma menininha qualquer, muito menos seus pais e isso é tudo.
Pois ela é filha de Maxon e America e isso foi sua primeira maldição.
A enfermeira está em algum lugar, buscando por fraldas condizentes ao tamanho da menina, pois nascera prematura. Enquanto isto, entra em cena ela. Ninguém, aposto que nem mesmo você, lembrava-se de sua existência. O que posso revelar aqui é que tinha esse ar francês, superior, rejeitado. Parecia mesmo uma legitima francesa, pois vestia-se com os mais belos trajes, portadora das mais caras joias e fogo no olhar. O que estaria ela, aquela mulher com ar da França, fazendo ali? Seria ela apenas mais uma das caçadoras da princesa, procurando por uma foto? Bem, eu lhe garanto que não.
Seu objetivo fora claro quando ela agarrara um travesseiro e comprimira-o contra o rosto angelical da pequena. Ela se debatia e debatia, mas isto não abalava a mulher, que apertava ainda mais o travesseiro, para que nem uma mínima quantidade de ar, nenhum grito se infiltre. O combate é muito desigual. A mulher tem anos e anos de frustração incontida, de várias rejeitadas afundadas na embriaguez e nas noitadas. A pequena era só uma bonequinha rosa que começara com a luz.
Um fato que poderia ou não ser uma mera fábula. Quem o contaria, anos após o ocorrido, seria a própria vitima, uma pessoa com um caminho como um deserto em que, vez ou outra, deixava-se cair por algumas miragens.
Chamaram-na de Charlotte. Mulher do povo. Ah, e Amberly, porque era o nome de sua avó – e porque, sejamos sinceros, ficava bonitinho com Charlotte. Deram-lhe um nome, mas afastaram-na dela mesma. Mesmo que seja difícil perde-se, ela se perdeu e agora, precisava achar um jeito de encontrar-se, mesmo no escuro, mesmo que achar-se significasse voltar à mentira na qual ela vivia. Mas o que mais ela queria, além de uma realidade inventada?
Naquele dia, estava formada a menina que se tornaria lenda. Charlotte Amberly Schreave. Não, ela não morrera. Pelo menos não naquele dia.
Entretanto, o que levou aquele mulher francesa, aquela de que ninguém mais lembrava, a tentar tirar-lhe a vida? Sua vingança, assim como a vida da humanidade começara com um sim. Mas não um sim qualquer, um sim especifico.
O sim do casamento. E acho que ambos sabemos de qual casamento.
Como toda mulher vingativa, ela adorava um mistério. E, para entender aquele passado, é preciso mergulhar ainda mais no passado.

Mas isso ficará para outra ocasião.
Dizem que vingança é um prato que se come frio. Dizem. Isso nunca a impediria de cozinhar sua vingança, envenenar seus inimigos e faze-los engasgar com a própria comida.
Ao contrário deles, ela saborearia seu prato lentamente.

A começar por Maxon.

Notas finais
Quem será? Bem, acho melhor vocês fazerem suas apostas. Quem amava o Maxon o suficiente para fazer isso? Bem, o jeito é suspeitar de outras trinta e quatro garotas. Bem, se querem uma dica, tem uma palavra chave aí, uma palavra que desvenda o assassino. Bom final de semana e au revoir!