Quando as Pétalas Caem...
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Natsu passava os primeiros dias do verão na escola, fazendo aulas de recuperação. Mas o rosado não conseguia parar de pensar na amiga que estava em casa com o ombro machucado.
— O que foi Natsu? Ainda preocupado com Lucy?- Levy perguntou, quando ele entrou na biblioteca.
— Estou sim. O pai dela é muito bravo. Não acho que ele gostou de mim.
— Se voce quiser eu posso ir visita-la e mandar algum recado.
— Voce faria isso mesmo?- a baixinha afirmou com a cabeça. — Valeu mesmo Levy.
Natsu ficou mais contente depois de saber que a amiga iria ter noticias de Lucy. Escreveu um bilhete e o entregou a baixinha. – Não espia tá bem? Entrega pra ela por favor.
— E eu tenho cara de que leio correspondência dos outros?
—Desculpe. Mas que dia voce vai? Quando vai entregar o bilhete? Vai hoje mesmo?
— Sim eu acho que posso ir hoje. Vai, termina de estudar essa matéria.
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— Senhorita Lucy, precisa sair desse quarto.
— Não quero Virgo. Não vou sair daqui nunca mais. – Dizia a loira com a coberta no rosto.
— Seu pai está mandando voce descer.
— Já disse que não Virgo, por favor, me deixe aqui.
— Se a senhora não descer não vai encontrar sua amiga.
— Amiga? Quem tá ai?
— Ela disse que é sua amiga da escola. Deveria ir logo senhorita Lucy, não é educado deixar visitas esperando.
A loira se arrumou o mais rápido que pôde e correu para chegar as escadas, onde ela viu uma garota esperando no hall de entrada. Pra sua surpresa era Lisanna. Lucy desceu as escadas séria, e disse:
— Amigas? Engraçado, no meu primeiro dia de aula voce me deu um tapa na cara. Não acho que depois disso viramos amigas.
— Eu só vim saber como estava seu braço. Não tive intenção de te machucar.
— Muito ne?
— Não. Eu só queria pegar sua faixa. Não imaginei que uma simples queda no chão iria te machucar tanto.
— Tenho um problema no ombro direito, qualquer simples queda pode deslocá-lo. – Lucy percebia que Lisanna estava lá se esforçando para pedir desculpas. Mas ela estava brava. Como aquela garota pôde dizer que eram amigas?
— Bem... eu só vim saber como estava e ... pedir desculpas. Não queria que voce se machucasse sério.
Houve um silencio entre ambas. A loira sabia que estava sendo muito dura com Lisanna mas estava com raiva. Ela então inconscientemente colocou a mão esquerda no pescoço, onde ficava a correntinha velha de sua mãe. Sabia que Laila perdoaria a atitude da albina e lamentou não ter sido mais gentil com ela desde o inicio.
— Tudo bem. Voce não fez por mal, não sabia das regras do jogo nem que eu podia me machucar. Não estou com raiva de voce por isso.
— Obrigada. Acho que é só isso. Melhoras. Boas férias.
— Pra voce também.
Assim que Lisanna saiu pela porta Lucy respirou, aliviada. Não acreditava que a garota que a odiava havia pedido desculpas a ela. Lucy saiu para o jardim e foi tomar um chá gelado na varanda. Enquanto estava lá, pensava em como havia perdido a sua correntinha, única ligação com sua mãe.
“ Procurei tanto no gramado e não consegui encontra-la. Pena que agora não tenho mais nada de voce, mãe. Mas obrigada por me dar forças hoje.” Pensou a loira. O gelo derretia no copo e Lucy viu uma cabecinha conhecida andando em sua direção. Mal acreditou quando viu Levy andando pelo jardim.
As duas conversaram durante horas. Lucy contou da inesperada visita que recebera mais cedo e como estava seu braço. Levy disse a loira que havia uma encomenda especial pra ela.
— Natsu pediu pra te entregar. Voce não sabe como ele está. A semana inteira cabisbaixo durante as aulas de recuperação. Como estou ajudando na biblioteca e com as aulas de reforço não pude vir mais cedo.
Assim que Levy foi embora, Lucy foi para seu quarto, ler o bilhete de Natsu. Com o papel amassado nas mãos, o coração de Lucy acelerava mais e mais, ao saber que o rosado havia escrito algo para ela.
“ E ai Lucy como vai? Espero que bem.
Seu ombro está doendo muito?
Estou nas aulas de reforço por isso não fui te ver, mas sábado estarei ai.
Melhore logo pra podermos aproveitar as férias de verão”
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Durante todas as férias, via-se um garoto deitado na varanda de sua casa, com preguiça e reclamando do calor. Natsu e Happy eram o conceito de que o animal imita o dono: os dois dormindo e se espreguiçando as tardes.
Já haviam se passado dias e ele não havia visto Lucy. No dia em que estava cuidando do jardim, a loira havia recebido a visita do médico da família, e por isso não se viram, no sábado pela manhã.
Mas ele estava confiante que nesse fim de semana poderia conversar com ela. Depois de duas longas semanas nas aulas de reforço o garoto havia conseguido passar nas matérias que tinha ficado em recuperação.
Lisanna observava o garoto deitado na varanda e se aproximou.
— Natsu, preciso ir ao mercado, vem comigo?
— Naahh!- resmungou Natsu.
— Mas preciso carregar muitas sacolas e eu não aguento sozinha. Deixo você escolher a carne do jantar de hoje.
— Sério? Então tá.
Assim, a albina convenceu Natsu a sair com ela. Todos os dias havia algum motivo para que Lisanna precisasse do garoto e assim, ela tentava se aproximar mais dele. A garota estava muito feliz por poder ficar com Natsu, que era apaixonada durante tantos anos, como antigamente.
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Lucy já estava enlouquecendo para que as aulas voltassem. Sentia falta de seus amigos, de estudar, jogar conversa fora, e principalmente ficar depois das aulas com Natsu, fazendo as tarefas dos representantes de classe. Após o acidente nos jogos escolares seu pai não permitia que ela saísse de casa, e quase não podia receber visitas.
Somente Ezra e Levy foram visita-la. Lucy se sentia prisioneira e não agüentava mais ficar dentro daquela mansão enorme.
— E o Natsu, já veio visitar você?- Levy perguntou, curiosa.
— Bem...- Lucy olhou para Virgo, querendo que a empregada desse privacidade para as garotas por um momento.
— Senhorita Lucy, vou trazer mais chá.
— Obrigada Virgo. – assim que a moça saiu, Lucy respondeu um sonoro “ não”.
— Nossa! Por que será? Eu entreguei o bilhete já faz tempo.
— Bilhete? Você leu Levy?- Lucy ficou perplexa.
— Bem, não li por que quis. Ele caiu aberto no chão.
— O bilhete estava dobrado.
— Mas foi o que aconteceu.
— Um bilhete heim? – Ezra interrompeu a conversa das duas. – Dizendo que iria vir te visitar?
— Sim, mas Virgo me disse que meu pai foi muito severo com ele quando me trouxe aqui.
— Hum!- Ezra bufou, enquanto comia um pedaço de torta de morango.
— Que foi Ezra? Sabe de alguma coisa?- Levy analisava a ruiva, que tentava disfarçar algo.
Com os olhares curiosos das garotas sobre ela, a garota não conseguiu se segurar.
— Está bem. Eu conto. Sei bem por que ele não veio te ver até hoje.- houve um silencio por alguns instantes. Então Ezra terminou de comer a ultima colherada:- Ele está saindo com Lisanna.
— Como assim? Levy perguntou, quase gritando. Enquanto a reação de Lucy foi de choque.
— Bem, eu os via quase todos os dias carregando sacolas de compras, conversando e rindo muito.
— Ezra, eles estavam fazendo só compras. Não precisava ter nos dado esse susto. Olha como a Lucy ficou.
— Estou bem, sério Levy. – mas Lucy não estava. Por dentro a garota se sentia traída. Enquanto ela estava aqui sozinha, Natsu passeava com Lisanna.- Eles podem estar só fazendo as compras, Ezra.
— Se vocês acham. Mas a Lisanna pode ser bem esperta. – elas continuaram conversando durante aquela tarde e as garotas foram embora. Lucy sabia que Lisanna estava se aproveitando da oportunidade da loira estar distante para de reaproximar de Natsu e quem sabe se declarar. Enquanto Lucy ainda tentava aceitar seus sentimentos pelo rosado, a noite caía.
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