Quando a morte ganha um coração
5 Capítulo 4: A proposta
Não muito distante dali, avistou um galpão abandonado. Estremeceu.
Suas pernas já não respondiam mais, o corpo arrastava-se grudada naquela mão, que, por motivo desconhecido, não soltava por mais que tentasse. Silenciosa, esgueirava-se pelo caminho, guiando-a entre caixas e os demais objetos que ali estavam acumulados na escuridão.
A escuridão lhe agradava. Ninguém a via, a julgava, a extorquia, ou abusava.
Chegaram até mais alguns metros onde ele a sentou e procurou algo para sentar também. Suas mãos, ou que poderia se chamar assim estava muito geladas, onde sem perceber, acabou por congelá-las. Ao ver Susana tentando aquecer suas mãos, estalou os dedos e propiciou naquela noite tropical uma pequena fogueira.
Fugindo da luz, refugiou-se no canto mais escuro que encontro, mas com os olhos bem abertos em cima de dela. E Susana, ajoelhou no chão e procurou a posição mais confortável para descobrir o que fazia lá e que perigos passou a correr.
O cheiro de carniça proveniente da morte já não lhe incomodava tanto, assim como o silencio que pairava aquele lugar. Não saia o quanto, mas aquilo estava atormentando.
Vendo suas mãos, quentes e macias outra vez, levantou-se e começou a apagar a fogueira. E sem medo, caminhou em direção a ela, pegando pelas vestes e fazendo com que caminhasse em sua direção.
Relutante, e confusa, a seguiu.
Puxou para si uma caixa onde se sentou e esperou pelo que a criança tinha a dizer. A noite acentuava mais o azul de seus olhos e com eles cheios de lágrimas, foi indagado com a seguinte questão:
— Se vai me matar, faça logo, o suspense fica para os filmes. – disse olhando fixamente para a morte.
— Pessoas ansiosas morrem mais cedo, se fosse você pensava nisso. – e com um sorriso sarcástico a empurrou para o banco.
— Por que estou aqui?
— Gostei de você, esperta, sagaz, fez despertar minha atenção.
E enxugando os olhos marejados, a encarava a fim de saber o que queria a morte, se não ia levá-la, o que queria dela?
Levantou-se, bateu as mãos onde havia sujado a calça de poeira, e seguiu rumo a saída. Em menos de um metro, viu-se por ago a agarrar. Era a morte pedindo se sua forma, que ficasse. A sentou e com um bafo frio com odores desconhecidos pelo homem disse:
— Quero te ajudar. Deixe-me mostrar do que sou capaz.
— Isso é loucura, eu falando com a morte e ela ainda querendo me ajudar?
— Você me remete a um passado muito distante, porém, bom.
Ambos se encararam, e a madrugada dava sinais de seu inicio.
E o tempo não para... Nem para Susana, tampouco para a morte.
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