Certa vez, em uma noite escura e deserta, havia alguém a espreita.

Vivia sobre a escuridão e ela, era sua única companheira.

Ouvia uma discussão. Pessoas estavam brigando com uma e esta, encurralada em uma parede em súplicas. Já estavam em quase em meia dúzia de pessoas onde se abriu caminho para que uma delas passasse. Olhou o suplicante e com um olhar maldoso, houve apenas um disparo. Pode se ouvir a distancia passos apressados que se paralisaram ao ver o corpo no chão.

Em movimentos rápidos, armas foram apontadas e iniciou um tiroteio. Era o que esperava paciente e atenta.

Uma a uma esperava suas vitimas. Hoje teve sorte. Acabara de presenciar uma noite bem agitada, mais de uma dúzia havia a sua espera, e após gritos e balas, começou o seu trabalho. Arrastando-se sobre seus calcanhares, e a procura de suas preciosas almas, almas aquelas que levava sem piedade ou pudor, criança ou velho, para ela não havia critérios.

Um sorriso maldoso aparecia em um vestígio de luz, vindo de um poste sobrevivente daquele massacre. Uma por vez, fechos de luz prateados saiam de seus respectivos corpos e com aparência confusa e assustada, desapareciam nos céu, que especialmente hoje estava muito estrelado.

Continua a caminhar.

Vestida sobre um manto longo, negro como a sombra mais escura que há, surrado do tempo e dos caminhos aos quais passou e vivenciou muitas coisas, pegajoso das almas que suplicavam por clemência, arrogante, carrega consigo uma grande lamina afiada sustentada por um grande cabo negro polido e pronta para o abate,e onde estiver... Ela o encontrará.

Após sua coleta inesperada, saca uma pasta poída pelo consumo e consulta, verifica informações que apareceram. Sorriu maliciosamente outra vez. Correndo seus dedos magros, consumidos por vermes e outros agentes naturais, verifica mais uma vez e constata algo que para ela é bom.

Começa a caminhar por uma rua iluminada apenas pela lua cheia que deixam evidentes apenas o rio de sangue, balas e os corpos atirados ao chão, agora totalmente sem vida. A rua deserta evidencia a ausência de testemunhas, até porque se houvesse alguma, esta já fazia companhia aos demais devidos ás cenas apresentadas anteriormente.

Silenciosamente, ela, caminha em busca de algo deixado para trás. Ouve gemidos implorando por clemência. Eis que apenas vê aquela foice afiada e cruel, termina por dar um imenso aperto no peito, coração acelerado, falta algo... Talvez coragem? As mãos clamam por levantar daquele buraco escuro, mas não consegue... esperar uma salvação? Mas aquilo era implacável. Ao final, o coração que antes acelerava para resistir, acaba de desistir da fuga e aguça sua curiosidade para ver o que acontecia em seguida.

A morte surda e inerte passa ao seu lado, e sem que a veja, escondida na escuridão e apenas seus grandes e cintilantes olhos azuis, curiosos e atentos para novos eventos, fica a espreita e espera que aquele que carrega consigo o temor dos homens, tome seu caminho de volta de onde veio.

Vendo que nada mais poderia fazer á aqueles que ali estavam, esgueirou-se do buraco feito pelo tempo e descuido daqueles que ali viviam, tomou cuidado e levantou-se devagar, olhando sempre para os lados em busca de alguma surpresa inesperada.

Com oito anos a pequena Susana, sabia o que acabara de ver.