Notas iniciais
Sim, eu amava Irene Adler ='(
R.I.P Irene Adler
Ah na boa? Mesmo quem gosta de Yaoi e tals, vão me dizer que não parte o coração quando Sherlock descobre que Irene foi morta?
Ain gente fria essa viu rsrs

Sua poltrona estava virada de fronte para a janela. Chovia como nunca na grande Londres, ele observava o horizonte, com o queixo apoiado sobre as costas das mãos e algumas vezes seguia com os olhos alguma pessoa que corria procurando abrigo. Estava quieto, tão quieto como nunca e não havia nenhum caso com que ocupar sua mente brilhante. E Watson sabia, algo estava errado. Fumava seu cachimbo com desprezo, talvez tivesse usado cocaína e nem seu violino prendia sua atenção. O jovem doutor aproximou-se dele e parou ao lado da poltrona, permaneceu um tempo calado, com os braços atrás de si.


– Sente falta dela, não é?! — Disse sem obter uma resposta imediata do companheiro.


– Não sei do que está falando Watson!


– Ela morreu e você nem ao menos deixou essa sua droga de orgulho de lado para estar com ela. — Watson olhou-o, esperando um olhar, um sorriso, mas nada veio.


– Acho melhor o assunto terminar por aqui! — disse então. Watson se espantou com a resposta, não era do feitio de Holmes usar grosserias.


– E continuar vendo-o dessa maneira? — Watson recuou um passo quando ele se levantou ainda olhando para fora. — É só confessar que sente falta dela!


– Eu já disse! Não quero falar sobre Irene. Não insista doutor ou serei obrigado a deixa-lo sozinho nessa sala.


– Quero poder ajudar, perder alguém que ama não é...


– Eu não amava Irene Adler. — Sherlock enfim o olhou, seus olhos estavam escuros, trêmulos e irritados.


– Amava Holmes... — Watson deu um passo a frente, a ponto de sentir seu perfume amadeirado e seu cheiro de fumo nobre. — Você amava Irene Adler!


– Ora deixe de tolices médico. Aonde quer chegar com isso? — Virou e encarou o jovem doutor que estava implacável a sua frente.


– Você é o detetive aqui. Descubra o que quero!


– Eu não vou chorar Watson...


– Sim, você vai. Irá chorar até limpar essa dor em seu peito. — Sherlock o encarou com seus cinzentos olhos angustiados. Pensava em Irene todo dia e doía a fato de não te-la mais. Seus olhos pesaram quando Watson desviou o olhar, do amigo para a janela. Foi o simples fato para Holmes deixar-se chorar, permitir-se a uma liberdade que jamais teve. Chorou. Em silêncio e aos litros. Sem soluçar, sem ficar vermelho ou apavorado. Chorou sereno, como um homem orgulhoso e até então frio como gelo. O loiro então arriscou-se em olha-lo. Para o moreno seria uma tortura se permitir ser visto em tal situação, mas era Watson que ali estava. Se aproximou devagar do detetive, ensaiando algo mais intimo. porém não precisou de esforço. Holmes deixou-se ser envolto por seus braços, deitou sua cabeça em seu ombro e deixou-se chorar de verdade, como um alguém que sofre, alguém que ama, como um ser-humano. Sim, Sherlock Holmes quis ser como um humano. Agora estava ali, nos braços do fiel companheiro, sentindo seu perfume, seu cheiro de roupa limpa, suas mãos acariciando suas costas. Uma forte atração de ficar ali para sempre, jogando a magoa de anos e de perda recente para fora. Sentindo-se confortável como nunca sentiu-se antes.


– Não se esqueça de que você nunca irá me perder, entendeu? — Watson sorriu encostando sua cabeça na do outro, que repousava em seu ombro. Holmes levou seus braços, que até então estavam soltos pelo corpo, por volta do amigo e o prendeu com força em um abraço.


– Nunca me esquecerei caro Watson... — foi seu sussurro rouco e fraco. Algo poderia mudar dali para frente, sentiu como nunca a sensação de confiança e conforto em seu fiel companheiro. Jamais esqueceria Irene. Mas sentiu que alguém poderia preencher o vazio que a "morte" causara.

A chuva estava tão forte, que parecia que jamais iria parar.

Notas finais
Eu quero a Irene de volta D'=
Snif snif snif
Gostou? Chorou? Odiou? Diz ai...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!