Notas iniciais
Wow, gente! Não acredito que com dois capítulos a história já tenha sido favoritada! Muito obrigada a Rosalie Potter, Manu e MinervaBlue por favoritarem :) Esse capítulo é dedicado a vocês!

Não precisou de mais que alguns minutos de jantar para que Elsa percebesse a arrogância, a prepotência do governante das Ilhas do Sul. Seus filhos não ficavam muito atrás, eram tão cheios de si que ela ficou imaginando se conseguiam enxergar muito além da ponta dos próprios narizes — com exceção do mais novo presente, Klaus. A Rainha Magda, no entanto, era quieta e observadora, porém não era assim tão paciente. Em determinado momento, um criado quase fez sua taça transbordar de vinho e, apesar dos pedidos de desculpas, aquele olhar da rainha evidenciava muito bem o que estava sentindo. Elsa sabia que não devia irritá-la se quisesse que o plano de Klaus funcionasse. Tudo que menos precisava era da atenção daquela mulher voltada para si.

— Então, me diga, Rainha Elsa... Está gostando do que viu das Ilhas do Sul? — perguntou o Rei Alexander.

Elsa não estava lá havia nem um dia e mal podia esperar para partir. Mas não poderia dizer aquilo, é claro, então deu um sorriso convincente, enquanto cortava a carne em seu prato.

— É certamente um reino único. Nunca conheci pessoas como os ilhéus do sul.

Bem, não era mentira.

O rei fez um grunhido de aprovação, voltando seu foco para a comida. Elsa estava para fazer o mesmo, mas a rainha continuou a conversa.

— Só é uma pena que sua primeira visita às nossas ilhas tenha uma razão tão... desagradável... Não concorda?

Elsa sentiu uma nota de prazer na voz de Magda, mas que havia sido tão sutil que não teve certeza. Olhou para a mulher de longos cabelos ruivos com pequenas faixas grisalhas e intensos olhos azuis. Sua expressão era praticamente impassível, qualquer um acharia que não havia feito o comentário por um motivo em particular. Porém, tendo sido avisada da natureza dos pais de Hans, Elsa desconfiou. Mas não podia levantar suspeitas, por isso, continuou com seu papel de boa hóspede.

— De fato, o motivo de eu ter vindo não é dos mais alegres... Gostaria que fosse diferente.

Após mais uns poucos comentários, todos prosseguiram com sua refeição normalmente. Entretanto, não Elsa. Ainda que evitasse transparecer, não podia refrear o horror que sentia ao assistir todos os parentes de Hans se comportando como se nada de especial estivesse para acontecer no dia seguinte. “É o filhos deles, o irmão dos outros... Como podem agir com toda essa frieza?” se esforçava para manter a expressão livre de emoções que a denunciassem.

“Será que é assim que é ser insignificante?”

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Tinha que prosseguir com o plano. Que alternativa havia? Se ficasse, sua única defesa — afinal, estava acompanhada de poucos de seus guardas reais — naquele reino estranho seriam seus poderes e recorrer a eles apenas resultaria em desastre, estava certa. A grande vantagem de agora aceitar seu dom é que podia controlá-lo à vontade. Mas sabia que nem todos compreenderiam e poderia ser mais difícil que da outra vez convencer a todos de que ela não era perigosa. Ali eles não eram como em Arendelle, seriam muito mais rápidos em julgar.

Era verdade que não estava muito contente por estar “sequestrando” um prisioneiro com data de execução já marcada, mas era o mínimo que podia fazer por Klaus por tê-la avisado do esquema traiçoeiro da família real.

Não havia descansado nada desde que chegara, mas a verdade é que sequer conseguia sentir o cansaço. Estava ansiosa demais, até mesmo um pouco aflita. E se desse tudo errado? O que seria dela, ou pior, de seu reino? Ah, e ainda acabara de lembrar que havia prometido estar presente no casamento de Anna! Jamais se perdoaria se ficasse ali presa... Até as notícias chegarem a Arendelle, Anna já estaria casada e provavelmente muito magoada pela sua ausência. Havia jurado a si mesma que nunca mais feriria os sentimentos de sua irmã.

Finalmente, o Príncipe Klaus veio buscá-la. Era de madrugada e todos estavam profundamente adormecidos no palácio. Ele colocou um dedo sobre os lábios, pedindo silêncio enquanto atravessavam os corredores. Estavam carregando como podiam a bagagem de Elsa, que felizmente não era tão grande assim. “Ainda bem que não sou do tipo que gosta de excessos...” pensava, prendendo até mesmo a respiração para não produzir som. Klaus cochichou:

— Sua guarda real já foi avisada. Devem estar esperando no navio. Consegui reunir a tripulação que veio com você, para evitar que pudessem ser torturados por alguma informação que não possuem. Nenhum arendelliano ficará para trás.

Elsa tinha que admitir, o príncipe pensava em tudo. Se estava sendo assim tão cauteloso, provavelmente tinha um imenso apreço por Hans.

Entraram por uma passagem oculta num corredor estreito. Após vários lances de escada, deram na saída e Elsa foi capaz de respirar o ar puro e renovador do lado de fora. Já não suportava mais o ambiente do palácio.

— Por aqui! — Klaus sussurrou, fazendo um gesto para que o seguisse.

Havia uma carruagem pequena e discreta à espera deles. Um homem que ela não conhecia, mas que devia ser um daqueles de confiança de que o rapaz falara, a ajudou com suas malas e, depois, a subir na sege.

— Infelizmente, não posso ficar mais nenhum segundo ausente do palácio, ou poderiam desconfiar que ajudei — Klaus dizia com ar de inquietação. — Não se preocupe, pois já está tudo acertado.

— Sabe que isso não é verdade — respondeu Elsa, séria. — Toda essa história vai resultar em um conflito ainda maior.

— Bom, pelo menos, terá tempo de se preparar desta vez e não será apunhalada pelas costas. Além disso, meu irmão estará a salvo... Digo, o destino dele está em suas mãos, mas sei que será mais justa do que foram.

Elsa suspirou, recordando-se de mais aquele problema. Francamente, não queria sequer pensar no que faria com Hans ao voltar a Arendelle. Quando a hora certa chegasse, ela iria refletir sobre aquilo com calma.

— Boa viagem, Rainha Elsa — foi a última coisa que a jovem ouviu Klaus dizer antes da carruagem entrar em movimento.

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— Majestade! — O capitão Georg veio correndo ao seu encontro quando a viu subindo em sua embarcação. — Que coisa terrível! É mesmo verdade o que nos foi dito?

Elsa anuiu com pesar.

— Infelizmente, sim. Mas estou aliviada que todos estejam aqui agora. Precisamos voltar o quanto antes, vai ser possível?

— Creio eu, Majestade. Os homens estão apenas fazendo os últimos preparativos.

Então, ela se lembrou de algo.

— E o... novo passageiro?

Georg soube de imediato a quem ela se referia.

— Já está a bordo.

— Quero vê-lo.

O capitão assentiu, fazendo um gesto para que o acompanhasse.

Elsa estava um pouco nervosa. Havia muitos meses que não via o Príncipe Hans e não sabia o que sentiria ao olhá-lo novamente. Para começar, não achou que fosse um dia acontecer, mas agora não tinha importância, pois tudo que ela pensava ser improvável estava se mostrando bastante real.

Enquanto caminhava, ficou supondo que sentimentos a dominariam. Raiva? Ressentimento? Preferia pensar que era melhor que isso, mas seria capaz de sentir ódio pelo rapaz que estava para ver? “Não, isso não. Mesmo com tudo que aconteceu, não o odeio. Se fosse o caso, dívida nenhuma me forçaria a trazê-lo comigo.”

— Aqui está ele, Majestade.

O homem ergueu a lanterna a gás, iluminando aquela cabine que estava mais para uma cela, com grades separando Elsa do interior.

Foi então que o viu. À primeira vista, achou que talvez estivesse morto, metade do corpo pendendo para fora da cama de ferro como se tivesse sido colocado de qualquer jeito ali, feito um boneco. A luz bruxuleante mostrava apenas vagamente como estava magro. O rosto parecia ser só pele, sem aquele vigor e saúde de outrora. As roupas que usava pareciam ser largas demais para sua figura, e ainda estavam imundas. E, além disso tudo, devia haver muito tempo desde a última vez que tinha se barbeado. Elsa não saberia distingui-lo de um triste mendigo.

Hans deu um gemido, incomodado pela súbita luminosidade, seu primeiro sinal de vida. Elsa fez um gesto ao capitão para que baixasse um pouco a lanterna.

— O que fizeram com você? — ela se pegou murmurando.

Então, deu-se conta do sentimento que predominava: a pena.

Não podia olhar mais. Virou-se e se encaminhou para o deck de cima, onde ficava sua cabine particular.

— Georg, por favor — ela chamou o capitão. — Quero encontrar o Príncipe Hans em roupas limpas e alimentado pela manhã. Não acredito que tenham deixado que ele chegasse a um estado tão lamentável...

O homem concordou e se retirou com uma mesura.

Elsa se lembrou do que havia dito ao rei mais cedo e suspirou de modo infeliz.

— É, acho que nunca conheci um reino como as Ilhas do Sul... E espero não voltar a conhecer tão cedo.

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Quando Elsa acordou, o sol estava quase a pino no céu, indicando que devia estar perto do meio-dia. A princípio, se perguntou como havia conseguido dormir tanto, então lembrou que não tinha descansado nada no dia anterior. Vinte e quatro horas antes, estava chegando ao porto. Agora, estava em alto mar. Levou alguns minutos até que recordasse como tudo acontecera.

“É claro que já posso esperar por uma declaração de guerra na minha mesa daqui uns dias, quando chegar”, ela inspirou fundo, adquirindo coragem para enfrentar o dia que teria pela frente.

Trocou-se, mas não queria comer nada ainda, o movimento constante do navio a deixava sem fome. Decidiu subir para o convés. Logo viu todos bastante ocupados com suas tarefas no navio, correndo de um lado para o outro. Sempre que a avistavam, os tripulantes a cumprimentavam educadamente.

Foi apenas conversar com o capitão sobre as condições do tempo e em quantos dias deviam alcançar Arendelle, então foi visitar Hans. Esperava encontrá-lo em um estado um pouco melhor desta vez.

Havia apenas um guarda em frente à cela, mas que ficou no fim oposto daquele corredor, dando licença à rainha para conversar com o prisioneiro. Será que ainda era um prisioneiro? “Bom, ele não pode ser simplesmente absolvido de todos os seus crimes” ponderou Elsa, chegando à conclusão de que de uma forma ou de outra, ele ainda não estava livre. Portanto, sim, era seu prisioneiro.

Hans estava acordado, ao contrário da outra vez que o vira. Estava com uma aparência um pouco mais decente, porém continuava com um aspecto de que fora maltratado. Quando ele a notou, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.

— Se não é a toda poderosa Rainha Elsa de Arendelle... — foi o que ele disse.

Elsa ergueu uma sobrancelha.

— Me poupe do seu sarcasmo, Príncipe Hans.

— O quê? Vossa Majestade não soube? Não sou mais um príncipe, fui destituído de todos os meus títulos e propriedades.

— Muito bem, então. Só Hans — ela deu um sorrisinho de ironia.

Ele deu uma risada seca.

— Adora me ver nesse estado, não é? Já é o suficiente para preencher sua vontade de vingança?

Elsa ficou com a postura ainda mais ereta.

— Pelo contrário, Hans. Acho seu estado bastante triste. E de nada serve vingança, por isso, vê-lo assim não tem nenhum efeito positivo sobre mim.

— Nenhum mesmo? Vamos, depois de tudo que fiz?

Ela manteve sua expressão neutra.

— Nenhum.

Hans deu alguns passos à frente, com um semblante cético.

— Não é verdade. Porque, se for, a rainha é mais tola do que eu esperava.

Os olhos de Elsa o encararam com seriedade.

— Melhor tomar cuidado com a língua. Você não é um convidado aqui, caso tenha se esquecido.

— Pois é, sobre isso, pode me lembrar de novo como vim parar aqui? Não que eu estivesse muito animado com a perspectiva de perder a cabeça, mas ontem eu estava dormindo numa masmorra e hoje estou em alto mar... Uma mudança e tanto de cenário, não concorda?

Será que ela devia contar toda a verdade a ele? Bom, já estava envolvido de todo modo e o que ele poderia fazer com a informação estando de algemas e no meio do mar? Mesmo sendo um prisioneiro, ele tinha certo direito de saber o que se passava.

— Pode agradecer ao seu irmão Klaus por ainda estar respirando. Ele me avisou de um esquema que sua família estava tramando contra mim e pediu que eu o levasse comigo como uma espécie de compensação.

— Klaus? Por que ele faria isso? — Hans fez uma careta de estranhamento.

— Bom, suponho que seja amor fraternal. Não espero que entenda, é claro, já que da última vez também foi esse tipo de amor que salvou meu reino e foi justamente com esse detalhe que você não estava contando.

Hans revirou os olhos, impaciente.

— Ugh, de novo essa conversa... E você tem razão, eu não entendo.

Elsa deu os ombros.

— Como eu imaginava.

— E de que esquema você está falando?

— Um que felizmente não foi bem sucedido. Os detalhes não são importantes, o que interessa é que Arendelle não será anexada às Ilhas dos Sul tão cedo.

O rapaz franziu o cenho, reflexivo.

— Entendo... Bom, mas quanto a mim, o que tem em mente para minha punição no seu reino? Trabalhos forçados? Exílio? Uma combinação das duas coisas, talvez?

— Tudo é muito recente. Nada foi decidido ainda, mas pode ficar tranquilo que você ficará sabendo — Elsa falou com certo deboche.

Ele apoiou os braços contra as grades na altura da cabeça, com um pequeno sorriso de lado.

— Você não é mais uma garotinha assustada com uma coroa e um trono, não é, Rainha Elsa?

— Bem que você gostaria, hein?

— De jeito nenhum. É muito mais interessante quando não está criando um inverno eterno. Mas, tenho que admitir, o seu novo “eu” é bem mais difícil de lidar.

— Ora, Hans, nem perca seu tempo tentando me manipular. Não vai funcionar. Conheço sua verdadeira face agora.

— Espero que seja verdade, seria muito estúpida se não aprendesse com seus erros.

— Acho que isso vale muito mais para você que para mim. Não sou eu que estou atrás das grades.

— E, mesmo assim, eu e você sabemos que pessoas como eu não aprendem com os erros. Pessoas como eu nunca mudam.

— Todos podem mudar se quiserem.

— Não, nem todos.

E, com isso, Hans se afastou das barras da cela, se sentando na cama no fundo cômodo. Elsa percebeu que não haveria mais diálogo entre eles, então foi se virando para caminhar até a saída daquele deck. Mas foi impedida.

— Rainha Elsa? — Hans chamou lá de dentro. Elsa voltou-se para poder olhá-lo.

— O quê?

— Talvez, sendo a generosa monarca que tanto dizem que é, poderia me conceder alguns minutos de ar fresco? É só que faz tempo desde a última vez que vi a luz do sol e um homem pode enlouquecer assim.

Elsa o fitou por mais alguns segundos e, sem dar uma resposta, continuou o seu caminho. Antes, entretanto, parou em frente ao guarda da cela no fim do corredor.

— O prisioneiro tem permissão para ficar uma hora por dia sob o sol, desde que tenha supervisão o tempo todo e esteja algemado. Entendido?

— Sim, Majestade.

Elsa subiu as escadas com um sorriso e também ar de superioridade.

“Acontece que sim, Hans, sou uma mulher bastante generosa.”

Notas finais
E aí, o que estão achando? Eu não sei se tinha avisado, mas enfim, a Elsa e o Hans nesse início de fic não estão exatamente muito felizes em se ver e pode levar algum tempo para que os sentimentos mudem. Bom, a situação é meio complicada, né? Pessoalmente, acho que é necessário que tenha esse confronto no começo, mas que aos poucos possa acabar se transformando em outra coisa... Espero que continuem comigo, pois ainda tem muita história pela frente! Até mais! :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.