She caught the melting sky
(Ela pegou o céu derretendo)

It burned but still the winter passes by and by
(Queimava, mas ainda o inverno passava)

To the other side
(Para o outro lado)

O céu está cinza.

Mas é assim que ele sempre está. Todos os dias eu olho para o céu, e todos os dias ele está cinza, e eu nunca posso ver adiante. Meu país é tudo que se há para ver.

E está sempre nevando.

Há alguns anos eu não ligava para isso. Se era tudo que havia para ver, que fosse. Mas meu coração não consegue mais ficar em paz.

A slow parade of wind
(Um desfile lento de vento)
That blows through trees
(Que sopra através das árvores)
That wilted with the season’s children
(Que murcharam com as crianças da temporada)

Uma nova geração de crianças acabou de nascer no País do Gelo. Todas mulheres do gelo, que nasceram da mesma forma – sem a interferência de um homem – e terão o mesmo destino: viver, dar a luz a mais gerações de mulheres do gelo, e morrer neste inverno que não termina.

Dizem que o inverno precisa de nós. Ou seremos nós que precisamos do inverno?

Are we saved by the words of bastard saints?
(Nós somos salvos pelas palavras de santos bastardos?)
Do we live in fear or faith?
(Nós vivemos com medo ou fé?)
Tell me now who’s behind the rain
(Diga-me agora quem está por trás da chuva)

Minha mãe não teve esse mesmo destino.

Minha mãe desafiou as regras e manteve relações com um homem. Por isso, deu a luz a mim e ao meu irmão. Por isso, ela morreu.

Quando uma mulher do gelo tem relações com um homem, dá a luz a uma criança do sexo masculino e morre no parto. Essa criança, segundo dizem, com certeza será maligna e matará todas as outras mulheres.

A criança maldita. Foi por isso que meu irmão foi jogado do penhasco. Porque ele representava o fim da certeza de que tudo ficaria como está. A certeza de que nada mudaria, de que a neve não derreteria com o fogo maligno que o protegia, de que continuaríamos vivendo nossas vidas da mesma maneira que há mil anos, sem nenhum contato com o mundo exterior.

Essa mesma certeza que inquieta meu coração.

Minha mãe, apesar de saber que morreria, desafiou essa certeza. E ela sabia que além de sua morte, deixaria uma criança cujo destino seria destruir o País do Gelo e a todas nós.

A maze of tangled grace
(Um labirinto de graça emaranhada)
The symptons of “for real” are crumbling from embrace
(Os sintomas de "realidade" estão se desfazendo do abraço)
But still we chase
(Mas nós ainda perseguimos)
The shadows of belief
(As sombras da crença)
A new religion clouds our visions of the roots
(Uma nova religião turva nossa visão das raízes)
Of our souls
(Das nossas almas)

Eu acho que minha mãe estava certa. Esse país está morto e cego para o que acontece à sua volta, para além das fronteiras e da neve eterna. E ela não se importou de morrer para provar isso, para provar que poderia fazer o que quisesse.

Só há a maneira delas de ver as coisas, e qualquer um que pense o contrário ou deseje o contrário deve ser expulso. Elas têm medo é de perder a certeza de seu destino monótono, pois sem ele não saberiam o que fazer.

Are we ashamed o four own fate
(Estamos envergonhados do nosso próprio destino?)

Or play the fool for our own sake
(Ou nos fazemos de bobos para o nosso próprio bem)

Tell me who’s behind the rain
(Diga-me quem está por trás da chuva)

Jogaram meu irmão do penhasco porque ele poderia mata-las. Eu também desejaria mata-las se me jogassem de um penhasco. Ou talvez elas não valham a pena, e por isso ele não voltou até agora.

Não posso mais suportar ficar aqui. Quero ir para onde a neve derrete, para onde ela não é tão branca, nem tão pura, e se mistura com a sujeira e o sangue dos crimes cometidos – e não os recobre, como aqui. Quero ir para onde eu não tenha mais certeza de nada.

What do we need?
(Do que nos precisamos?)

Where do we go
(Para onde nós vamos)

When we get where we don’t know?
(Quando chegamos onde não sabemos?)

Why should we doubt the virgin white of falling snow
(Por que deveríamos duvidar do branco virginal da neve que cai)

When faith’s our shelter from the cold?
(Quando a fé é nosso abrigo contra o frio?)

Eu duvido.

Duvido da pureza da neve, do inverno, do frio, de que nada vai mudar, de que tudo está bem. Duvido de todas as certezas. Duvido que meu irmão está morto.

Por isso eu vou atrás dele, e se ele quiser me matar, que seja. Não quero ter a certeza de que vou viver e morrer aqui. Eu vou embora.

Quero ver o que acontece depois que a neve derreter.

Notas finais
Quando ouvi a música, tive a ideia de fazer uma fic sobre a Yukina, já que nunca tinha feito e faz tempo que não volto ao fandom de Yu Yu. Espero que tenham gostado. Obrigada por ler, e não se esqueça de deixar um comentário. ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!