Quando Te Vi
53 Tudo em pratos limpos
Notas iniciais
CAPÍTULO 53
TUDO EM PRATOS LIMPOS...
Por um momento os meus olhos não acreditaram no que eles viram... Ela teve mesmo coragem de fazer aquilo? Simplesmente se jogar escada abaixo? Fui tomada por pânico e não consegui me mexer, continuei ali, no topo da escada imóvel, vendo tudo acontecer enquanto lá em baixo, começava um verdadeiro burburinho, ouvi os gritos histéricos de Leah e o falatório que se seguiu...
– Ai... tá doendo muuiiiito...
– O que aconteceu? — Ela estava ladeada por Carlisle, Jasper e Emmett.
– Ai, eu não sei o porquê dela ter feito isso... snif,snif,snif... Não sei o porquê de ela querer tanto o mal assim, para comigo e o meu bebê... snif,snif,snif... Leah chorava doloridamente, copiosamente.
– Ela quem? — Carlisle perguntou já aflito.
– A... Be... Be... Bella... — Finalmente ela disse com a voz entrecortada e alta o suficiente para que eu escutasse de onde me encontrava.
De repente Carlisle, Jasper e Emmett olharam escada acima e nossos olhos se encontraram, eu podia ver nos olhos deles que estavam muito surpresos.
– Meu Deus, o que foi isso? — Era tia Esme, agora todos estavam voltando da cozinha, inclusive Edward que correu e se ajoelhou diante de Leah que agonizava, a minha mente não conseguia se desligar de um questionamento impar: Mas como ela pode fazer uma coisa dessas!?...
– Leah o que aconteceu?
– B... Bella... — Ela disse chorando e vi quando Edward olhou para os lados, com certeza me procurando, então ele olhou para cima e compreendeu exatamente o que Leah queria que ele compreendesse, que eu a havia empurrado escada abaixo, todos estavam pensando a mesma coisa, inclusive Alice, eu sentia o olhar questionador dela, como se estivesse perguntando:Bella, por que você fez isso?
– Ai, ai... Está doendo muito.
– Calma...
– Meu Deus, eu estou sangrando, Edward o nosso bebê, por favor, o nosso bebê. Por que ela fez isso? — Leah agora estava aos gritos.
– Calma, vamos levar você para o hospital. Tudo vai ficar bem. — Edward tentou acalmá-la.
– Emmett tire o carro da garagem, Edward e Jasper peguem Leah e a levem para o carro com todo o cuidado, vou trocar de roupa e já desço. — Carlisle tomou a frente da situação.
– Vou com vocês! A minha tia seguiu logo atrás.
Eu continuei exatamente onde eu estava. Carlisle passou por mim, entrou no quarto e um minuto depois saiu abotoando a camisa, não deu uma palavra sequer comigo, desceu as escadas correndo e saiu para se juntar aos outros.
Eu continuei parada diante da escada, lá embaixo só ficaram Alice e Rosalie, não agüentando mais a pressão, eu caí de joelhos, me tremendo toda. Como ela pode fazer uma coisa daquelas? Como ela teve coragem? Essas eram perguntas mortas em meu pensamento e que eu não conseguia verbalizar de tão chocada que eu estava.
– Bella, você está bem? Fale comigo, Bella... — Alice estava ao meu lado juntamente com Rosalie, eu nem percebi quando as duas subiram as escadas.
Vendo a minha situação, Alice pediu a Rosalie que fizesse o favor de buscar um copo de água para mim.
– Claro, só um momento. — Rosalie desceu as escadas rumo à cozinha.
– Na... não... não... eu ... não... não empurrei ... eu não empurrei Leah, não empurrei... Ela se jogou...
– Aqui está a água, beba Bella.- Rosalie me entregou o copo, quando eu o peguei, eu estava tremendo tanto que metade da água caiu.
– Bebe Bella, beba só um pouco, por favor... — Alice insistiu. Beba querida...
– Eu não a empurrei! Vocês têm que acreditar em mim, ela se jogou! Ela simplesmente, se jogou! — Eu falava como uma vitrola arranhada.
– Como assim? — Rosalie parecia confusa. — Ela se jogou?!!!!
– Foi... nós estávamos discutindo e então ela se lançou escada abaixo.
Rosalie apenas me olhou.
– Vocês não acreditam em mim, não é? — Fiquei desesperada.
– Eu acredito Bella. — Alice disse prontamente, mas eu pude perceber que Rosalie estava meio cética em relação a minha declaração, então imediatamente eu voltei o meu pensamento aos outros, todos deviam estar pensando o mesmo, que eu em uma crise de ciúmes havia empurrado Leah para fazê-la perder o bebê. Ao chegar a essa conclusão o desespero tomou conta de mim novamente.
– Meu Deus, ela conseguiu o que queria, todos estão pensando que sou uma maluca ciumenta, a minha tia, Carlisle, os meus primos... Edward... — Levei as mãos ao meu rosto de tão desesperada que eu estava — Edward...
– Calma Bella, eles não estão pesando nada disso...
– Olha Bella, eu acredito em você também. — Rosalie declarou, mas pude perceber que ela estava falando mais para me agradar do que realmente porque acreditava em mim.
– Eu estou falando sério, eu não a empurrei, ela se jogou. Meu Deus que loucura! — Levantei-me rapidamente e desci as escadas indo direto para o meu quarto, peguei uma mochila e comecei a jogar algumas roupas e objetos de higiene pessoal dentro dela.
– Bella o que você está fazendo?
– O que você acha?
– Bella...
– Alice, todos estão pensando que eu empurrei Leah escada abaixo, se ela perder o bebê, imagina como vai ser...
– Você não pode fugir. Tem que enfrentar a situação sem medo, você tem que falar para eles o que realmente aconteceu, contar a verdade.
– Que verdade? Quem vai acreditar? Ela fez direitinho. Ela me fez brigar com ela várias vezes, se fazendo de vitima, de coitadinha, o tempo todo devia estar armando para mim... E eu caí como um patinho...
– Eu acredito, eu acredito em você!
– Você é a minha melhor amiga, me conhece desde que eu nasci. Essa minha nova família me conhece há o quê? Alguns meses apenas. Eles não sabem nada sobre mim, você viu a cara da Rosalie? — Assim que falei Rosalie entrou no quarto.
– Bella o que você está fazendo? Rose argüiu.
Parei o que estava fazendo e a encarei.
– Rosalie pode me dizer a verdade, você acredita mesmo em mim? — Ela hesitou, fez-se um silêncio desconfortável antes que ela respondesse. — Si... Sim...
– Tá vendo? Você quer acreditar, mas não acredita.
– Bella... eu ... sei lá, vocês duas não suportavam uma a outra, pode ter sido em um momento de raiva, essas coisas acontecem, você estava sob pressão... Eu no seu lugar...
– Você tem razão, eu não a suporto, mas deixa eu te dizer uma coisa... Eu não a empurrei! Ela se jogou! Ela se jogou! — Peguei a mochila e sai em direção à sala.
– Para que essa mochila?
– Vou embora! Eu não suporto mais ficar aqui! Um lugar onde todos acham que eu sou uma ciumenta maluca, uma doida varrida. Eu não quero mais isso para a minha vida. Chego de drama! Eu quero paz! Paz...
– Bella, não faça isso. Espere o pessoal chegar e diga a ele o que realmente aconteceu.
– E quem vai acreditar, hein? Diz-me...
– Para onde você vai? — Rose quis saber.
– Para a fazenda...
– Para a fazenda?
– É, local de onde eu nunca deveria ter saído. Lá é o meu lugar, a minha verdadeira casa.
– Você não pode sair assim sem se despedir, sem contar para eles a verdade... — Agora era Rosalie quem ponderava.
– Dizer a verdade?! Eu disse a verdade para você e você não acreditou. A única verdade Rosalie é que eu não empurrei Leah, se eu disser algo diferente disso, aí sim, eu estarei mentindo.
Rosalie ficou em silêncio, o que me fez ter mais certeza ainda de que eu estava tomando a decisão correta.
– Alice se quiser ficar eu vou te entender.
– Claro que não, eu vou com você, espera só um pouco, eu vou pegar as minhas coisas.
– Rosalie você pode nos levar até o aeroporto?
– Bella...
– Por favor, mas se não quiser eu vou entender. Nada do que você disser vai me fazer mudar de idéia.
– Claro, imagina eu levo sim...
Alice voltou alguns minutos depois puxando a sua mala enorme.
– Pronto! Tá tudo aqui, ainda bem que eu não desfiz a minha mala completamente.
Quando estávamos atravessando a porta, o meu celular tocou, o meu coração acelerou ainda mais, assim que vi o nome de Edward no identificador de chamadas.
– Não vai atender? Quem é? — Alice quis saber.
– É Edward! E eu não vou atender. Muito provavelmente, ele deve estar ligando para me censurar, para saber o porquê de eu ter feito aquilo... Vamos, por favor, agora... Eu não agüento mais isso, não agüento mais...
Entramos no carro e o meu celular tocou novamente, tocou repetidas vezes... Eu desliguei o aparelho imediatamente, então o celular de Alice tocou.
– É Jasper. — Ela anunciou.
– NÃO, não atende! É melhor você desligar o celular.
– Mas Bella...
– Por favor!
Alice desligou o celular assim como eu havia pedido, então foi a vez do celular de Rosalie tocar.
– E o urs... Emmett...
– Não atenda, por favor! — Rosalie nem discutiu, ela simplesmente desligou o seu celular. Eu suspirei em alivio.
– Bella eu realmente acho que...
– Rosalie... Por favor...
– Tudo bem!!!
Quando chegamos ao aeroporto, Rosalie estacionou o carro e fomos direto para o guichê de uma das agencias de viagens, existente ali, para comprar as passagens. Apesar de ser final de ano, eu estava esperançosa de que iríamos conseguir comprar as passagens imediatamente.
– Em que posso ajudá-las? — Uma atendente da companhia aérea nos perguntou solicita.
– Por favor, queremos duas passagens para o Mato Grosso.
– Para quando?
– Para o próximo vôo disponível...
– Deixa-me ver no sistema. Eu não sei se ainda temos vagas... — Ela ficou digitando e fazendo verificações, o meu coração estava quase saindo pela boca.
– Vocês deram sorte, tem um vôo saindo às nove horas e há apenas duas vagas disponíveis. Porém este vôo possui varias escalas. Vocês só chegariam ao Mato Grosso às cinco da manhã. Tem algum problema em ser este?
– Não, tudo bem! Nós queremos este mesmo... — Falei aliviada e lhe entreguei o cartão de credito e os documentos necessários para a compra dos bilhetes de vôo. Eu de repete me lembrei que foi em um vôo cheio de escalas como este que eu vim para o Rio de Janeiro...
– Bella não faça isso... — Rosalie tentou me dissuadir mais uma vez.
– Eu preciso Rosalie. Tente entender, eu preciso...
– Mas, por favor, me ligue para dizer que chegou bem.
– Pode deixar. — Nós nos abraçamos em despedida.
– Até mais...
– Até... Ah, Bella? — Rosalie me chamou.
– Sim?
– Eu acredito em você, de verdade, me desculpa se eu fiquei relutante a principio, mas é que foi tudo tão estranho. Eu acredito em você. Pelo que eu conheço da Leah, ela é capaz de fazer de tudo, principalmente se o Edward estiver envolvido. Acho de verdade que você não deveria ir... Que você deveria ficar e enfrentar... Ao bem da verdade, você deveria desmascarar essa... essa...essa garota... — Fiquei comovida com a declaração dela e pude ver no fundo de seus olhos que ela realmente acreditava em mim.
– Não tenho forças para isso agora, quero ir para casa, desde que cheguei aqui, tem sido uma batalha atrás da outra... ...eu estou cansada.
Rosalie não tentou me convencer, depois de nos despedirmos, eu e Alice entramos na sala de embarque para esperar o nosso vôo.
...
Chegamos às cinco horas da manhã, mas não tivemos que esperar, pois Jacob já estava nos esperando lá com o carro para nos levar para casa. Alice havia ligado para ele, avisando de nossa chegada, ainda quando estávamos na sala de embarque no Rio.
– Oi Bella. — Ele se manteve distante.
– Oi Jacob.
– Alice, já de volta? Eu pensei que tinha comprado uma passagem só de ida. — Ele disse brincando.
– Engraçadinho.
Jacob olhou para a minha mochila.
– Tem mais alguma bagagem?
– Não.
– Deixa que eu leve para você.
– Não está pesada! Eu mesma posso carregar, obrigada.
– Não eu levo.
– Aproveita e leva a minha também. — Alice foi andando e deixou a mala para Jacob levar.
– Sua folgada!
– E Bella, também?
– Alice! — Eu tentei parecer brava.
– Bella é a patroa. — Ele falou em tom de brincadeira, mas confesso que não gostei muito, porém deixei pra lá...
Durante todo o trajeto do aeroporto até a fazenda, Alice não fechou a matraca, passou o tempo todo provocando Jacob, com perguntas do tipo...
– Jack, Como Reneesme deixou que você viesse nos buscar? — E assim por diante...
– Ela não manda em mim. — Ele respondeu bravo.
– Não manda?! Tente convencer outra, eu vejo que você come na mão dela...
– Já falei para parar de dizer isso.
Alice olhava para mim e ria, eu tentei rir também, mas confesso que o meu pensamento estava no Rio... O que será que deve ter acontecido? Apesar de tudo, eu mantive o celular desligado e pedi a Alice que fizesse o mesmo.
Quando estávamos em frente à minha casa, Jacob abriu a porta pra mim e perguntou...
– Está tudo bem?
– Sim! — Menti. — Só saudade de casa. — Fitei o meu amigo lindo, mas logo desviei os meus olhos, então vi a sua aliança de noivado... ...teria sido tão mais simples se fosse ele, eu pensei, mas agora era tarde demais.
Já dentro de casa, eu logo vi a mãe de Alice, ela estava terminando de orientar a sua ajudante na arrumação da casa, ela abriu as janelas e me deu um sorriso acolhedor, então ela apontou para a mesa, que já se encontrava posta com um belo café da manhã, com tudo aquilo que ela sabia que eu gostava, apesar de adorar tudo que ela preparava, eu não consegui comer muito.
– Estou muito cansada, vou me deitar um pouco.
– Vá sim! — Alice me incentivou. Para o meu alivio, ninguém me questionou sobre nada.
– Faz um favor para mim Alice?
– Claro!
– Peça para Jacob mandar selar Arizona e trazê-lo até aqui, daqui à uma hora.
– Pode deixar...
Entrei em meu quarto e fiz a única coisa que eu queria fazer desde que tudo aconteceu. Chorei, chorei muito...
...
Uma hora depois, assim como eu havia solicitado, Arizona estava selado me esperando em frente da minha casa. Eu me aproximei dele e comecei a acariciar a sua crina, como eu sabia que ele gostava, ele me retribuía o carinho olhando para mim e me reconhecendo como a sua pessoa preferida no mundo. Foi à melhor sensação há tempos, a única que eu queria naquele momento. Um alívio, na verdade. Eu até senti a minha alma mais leve, era exatamente naquele lugar que eu queria e deveria estar... Montei em meu cavalo e começamos a cavalgar, me inclinei até perto de sua orelha e lhe disse carinhosamente...
– Me leve Arizona, me leve para bem longe, hoje eu só quero esquecer... — Não me esperem. — Disse a Madalena, mãe de Alice e a ajudante dela que eu realmente não lembrava o seu nome, as duas apenas acenaram afirmativamente para mim.
Sei lá quanto tempo cavalguei, só sei que foi muito tempo, parei na beira do lago para que Arizona bebesse água, então aproveitei para dar um mergulho... Olhei para ver se tinha alguém por perto, como eu sempre o fazia... ...daí, eu tirei a roupa e fiquei só de calcinha e sutiã e entrei na água, fiquei lá por bastante tempo e quando finalmente saí da água, Jacob estava sentado em uma pedra me olhando, eu imediatamente tentei me cobrir usando as minhas mãos, a minha combinação era branca, o que deixava muito a mostra, Jacob me fitou em silêncio e percebi quando ele correu os olhos rapidamente sobre o meu corpo, antes de me estender a minha camiseta.
– Obrigada. O que está fazendo aqui?
– Alice e minha mãe estavam muito preocupadas com você. Sabe como é que é a minha mãe, né? Ela fez o almoço e quando você não chegou no horário, ela ficou num pé e no outro e só se acalmou quando eu falei que iria sair atrás de você.
– Eu estou bem, só aproveitando um pouco.
– É, eu pude perceber... Quando eu saí para vir atrás de você, eu sabia exatamente onde te procurar, você sempre vem aqui quando as coisas não estão muito boas...
– Jacob...
– Não precisa me contar se não quiser, mas não acreditei muito em você quando disse que estava de volta para matar a saudade... ...me desculpe....
– A vida podia ser tão mais simples. Eu era tão feliz aqui com meus... — Eu iria dizer meus pais, mas um bolo se formou em minha garganta. — Com vocês, meus amigos queridos.
Ele ficou me olhando enquanto eu me vestia. Primeiro a camiseta e depois a bermuda. Tentei parecer o mais natural possível, pelo fato de Jacob ter me visto praticamente nua.
– Mas a vida não é simples! Se fosse, eu teria me apaixonado por você, nos casaríamos, teríamos filhos e juntos tomaríamos conta da fazenda, temos tanto em comum... Eu disse melodramática.
Ele continuou me olhando sem dizer nada e eu continuei a falar.
– Mas não, eu fui me apaixonar por meu primo mulherengo e complicado... E você vai se casar com Reneesme e vão ter um lindo bebê — Olhei para a mão dele, especificamente para a aliança em seu dedo anular.
– Bela, o que aconteceu? Ele te fez algum mal? Eu fiquei sabendo que ele... Que tem uma garota grávida dele...
– Tem e ela se jogou escada abaixo e todos devem estar pensando que eu a empurrei.
– O quê!?
Já tinha dito muita coisa, não tinha porque esconder mais nada, então contei tudo a Jacob, ele me ouviu pacientemente.
– Que barra Bella! Essa mulher é louca! Como ela pode ter feito uma coisa dessas?!
– É a mesma pergunta que eu venho me fazendo desde ontem, como ela pode ter feito aquilo...
– Como ela está? E o bebê...
– Não sei, eu simplesmente fugi e aqui estou eu... — Abri os braços, como quem estava se rendendo... Acho que Jacob sentiu pena de mim, ele se levantou e me pegou de surpresa me dando um abraço, no começo eu fiquei um pouco desconfortável, mas depois senti que era simplesmente um abraço de amigo...
– Tudo vai ficar bem você vai ver. Eu acho melhor voltarmos, estão todos muito preocupados e acho que já passa das quatro.
– Nossa tudo isso, eu realmente perdi a noção do tempo.
Montei em Arizona e ele montou no cavalo dele, para só então partimos de volta.
– Fiquei sabendo que vocês marcaram a data do casamento.
– Marcamos, vai ser no mês que vem.
Fiquei em silêncio, não queria ultrapassar nenhuma barreira, não me sentia confortável em relação a esse assunto, e ele percebeu.
– Tudo bem Bella, eu acho que estou mesmo gostando daquela danada.
– Sério? — Me senti mais aliviada.
– Sério... No começo fiquei puto, mais ainda comigo mesmo do que com ela. Eu não queria que tivesse acontecido, uma criança é muito importante para ser concebida sem responsabilidade e sem amor, mas com a convivência... Ela é uma garota muito legal e me ama muito, vamos ter um menino.
– É mesmo? Alice não me disse nada, aquela danadinha.
– Ela não sabia. Só fizemos uma ecografia ontem.
– Parabéns! Fico feliz por você, por tudo está se encaminhando para um final feliz.
– Final não, começo feliz!
– É mesmo, você tem razão, começo feliz. — Eu puxei o ar, soltei bem devagar e fiquei curtindo a brisa batendo em meu rosto, Jacob percebeu que eu estava curtindo o momento e fez como eu... Ele não falou mais nada, apenas sentiu a tranqüilidade e o sabor do momento.
Quando chegamos a casa grande, Alice, Madalena e uma Reneesme não muito amistosa, desceram as escadas em direção a nós, eu ainda não tinha descido do meu cavalo, quando Alice começou a falar.
– Nossa Bella, onde você estava?
– Dando uma volta.
– Que volta demorada, nós estávamos todos preocupados. — Enquanto Alice falava, eu percebi que Jacob puxou Reneesme para um canto, ela não parecia muito feliz pelo fato de nós termos chegado juntos.
– Desculpe-me, não era a minha intenção preocupar vocês. — Falei olhando em direção a Jacob e Reneesme que continuavam discutindo baixinho. Ela estava com os braços cruzados em frente ao peito e uma cara nada amigável. — Ele está encrencado?
– Tá nada! Ela é muito ciumenta só isso. Pode deixar que eles já, já vão se entender. — Me senti menos culpada e olhei para a minha amiga.
– Eu só queria ficar sozinha, pensar um pouco... — Tirei o celular do bolso, ele estava desligado desde a noite anterior, eu o liguei para saber as horas e quando vi que já era quase cinco horas da tarde comentei...
– Eu realmente perdi a noção do tempo. — Continuei olhando para o visor e vi que tinha umas cem chamadas não atendidas e varias mensagens, quase todas de Edward, por impulso, cliquei em uma, sei lá, só por uma curiosidade mórbida, só podia ser e para minha surpresa me deparei com a seguinte mensagem...
Eu me comprometo...
O meu coração doeu, essa havia sido a nossa promessa de alguns dias atrás, mas não foi o suficiente. Desliguei novamente o celular.
– Me dá licença Alice, eu vou tomar um banho.
– Bella. — Alice me chamou quando eu já tinha subido as escadas.
– O quê? — Me virei para ela.
– E que...
– Alice... — Eu a interrompi. — Dá para a gente se falar depois? Eu estou casada e preciso mesmo tomar um banho.
– É que...
– Depois tá?
Entrei em casa e não acreditei no que os meus olhos estavam vendo.
– Edward?!!!!!
– Sereia...
– O que você está fazendo aqui? Humm, já sei, veio me chamar de assassina, não foi?
– O quê?!
– É isso que vocês estão pensando, não é? Que eu sou uma assassina, que empurrei Leah! Uma mulher grávida, escada abaixo. Mas eu não a empurrei, eu não a empurrei... Ela se jogou, foi isso o que aconteceu! Ela simplesmente se lançou escada abaixo... Mas claro que vocês não vão acreditar em uma ciumenta maluca... — Falei tudo sem tomar fôlego.
– Mas claro que vamos!
– Vocês vão ficar... O que disse?
– Que acreditamos em você, que acreditamos que não faria uma coisa dessas.
– Como assim?
– Bella, quando eu disse que me comprometia, eu estava falando sério. Há algum tempo eu estava desconfiado que houvesse algo de errado, sabe, a resistência de Leah em querer ir ao médico, eu sabia que tinha...
– O que aconteceu com ela? — Eu o interrompi, eu precisava saber.
– Perdeu o bebê.
– O quê?! Sinto muito. — Eu me senti muito mal com a notícia, não gostava nenhum pouco de Leah, mas não desejava esse mal a ela, ao mesmo tempo em que fiquei compadecida com a situação, senti uma necessidade brutal de me defender. — Eu não a empurrei, ela se jogou...
– Ela não perdeu o bebê por conta da queda.
– Não?! Como assim?!
– Na verdade, ela perdeu o bebê há alguns dias, em um aborto espontâneo. — Fiz uma cara de quem não estava entendendo nada.
– Ela sofreu um aborto espontâneo, isso é muito comum, principalmente na primeira gravidez, porém, ela simplesmente não contou, resolveu esconder.
– Eu não acredito nisso, como ela pode? Como você descobriu?
– A levamos a emergência do hospital, não foi difícil descobrir a verdade, a ecografia apresentou um colo do útero limpo, totalmente diferente do colo de alguém que acabasse de sofrer um aborto. O sangramento apresentava cor e textura completamente diferentes do sangramento provocado por um aborto, enfim havia um monte de características que não batiam com o quadro que ela deveria estar apresentando naquele momento.
– Que coisa louca...- Eu sussurrei abismada.
– Mesmo com todas as evidências, ela ainda continuava negando, chorando e acusando você, tivemos que dopá-la, ela estava descontrolada. Eu percebi que o único jeito de fazê-la assumir a verdade era procurar o médico dela.
– Como você o encontrou?
– Por coincidência, ele é amigo da Doutora Ângela, quando eu mencionei o nome dele, ela se prontificou em nos colocar em contato com o médico.
Fiquei olhando para Edward na expectativa.
– Enfim, ele me contou que ela o tinha procurado há alguns dias por conta de um sangramento e ele detectou que ela havia perdido o bebê.
– Nossa, ela é maluca mesmo.
– Quando eu a questionei, ela tentou negar, mas não conseguiu sustentar a versão, depois que eu disse que o médico dela havia confirmado nossas suspeitas... Então, ela confirmou que havia mesmo perdido o bebê há algum tempo, mas que a parte em que você a havia empurrado escada abaixo era verdadeira. Ela chorou, fez cena, disse que era ela e não você quem tinha que ficar comigo, e blá, blá, blá... Quando ela finalmente percebeu que ela não estava sendo convincente, ela confessou tudo! Confessou que provocava você para que vocês brigassem e um monte de outras coisas que eu não quero nem me lembrar. Na verdade o que eu mais quero agora e beijar você. — Ele disse isso olhando nos meus olhos.
Não tive como resistir, pulei nos braços do meu amor e o beijei desesperadamente, lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
– Não chora amor. — Ele passou o polegar pela minha face.
– Eu pensei... pensei... que... tudo tinha... acabado... — Falei entre soluços.
– Não fala isso, nada acabou... Tudo está apenas começando.
– Eu estou morrendo de vergonha.
– Por quê?
– Por ter fugido como uma covarde, mas eu não sabia o que fazer.
– Ninguém te acha uma covarde.
– Eu sou uma covarde e agora estraguei a festa de Natal de Tia Esme e separei Alice de Jasper...
– Não fale assim, além do mais, não vamos perder festa nenhuma.
– Como não? Já são mais de cinco horas e se não me engano, hoje é dia 24 de dezembro... A festa é daqui a seis horas.
– Sim, e apesar de estar morrendo de vontade de fazer amor com você... Sabe muito bem que eu adoro sexo de reconciliação... Vamos ter que adiar, você tem que subir e tomar um banho rápido, nós temos um avião para pegar.
– Como assim?
– Eu comprei nossas passagens de volta.
– Não vai dar tempo de chegarmos ao aeroporto.
– Vai sim! Eu já providencie tudo, você só precisa tomar um banho.
– Eu preciso falar com Alice. Eu estraguei tudo para ela, ela tinha feito tantos planos visando passar as festas de fim de ano com Jasper...
– Já falei com ela, fica tranqüila, está tudo arranjado. Tome logo o seu banho...
Tomei o banho mais rápido da minha vida, vesti a primeira roupa que tirei da minha mochila, eu não tinha mesmo muitas opções. Quando desci Alice e Edward estavam a minha espera.
– Edward não vai dar tempo, daqui até o aeroporto são umas duas horas de carro e...
– Quem disse que vamos de carro, hein bobinha?
– Como assim, e vamos de quê?
– Eu contratei uma empresa de serviços aéreos, o helicóptero já deve estar chegando.
– O quê? Você é maluco. Isso deve ser super caro.
– Eu usei as minhas economias, além do mais, eu tenho uma namorada muito rica, ela vai me dar uma força se eu precisar, até eu receber a minha próxima mesada... Ah, e eu estou partindo para um estágio pago no próximo semestre. Viu só? Tudo muito bem arranjado...
– É... Definitivamente, você é maluco.
– Por você...
– Hei, eu adoro a maluquice de vocês, mas vamos logo, não podemos perder mais tempo, uma bela festa nos espera. — Alice falou enquanto dava pulinhos e batia palmas.
Edward me estendeu a mão que eu não hesitei em segurar. Despedimos-nos de todos e subimos no helicóptero, foi muito interessante, além de emocionante é claro! Chegamos ao aeroporto e embarcamos quase que imediatamente, era um vôo sem escalas e duas horas e meia depois, já estávamos no Rio. Lá, nos esperando, estavam os meus primos queridos, Emmett e Jasper. Ele recepcionou Alice com um beijo apaixonado e Emmett não perdeu tempo, já foi logo dando umas tapinhas nas costas do irmão enquanto dizia entusiasmado...
– Esse é o meu mano!!!
Em pouco tempo chegamos a nossa casa, eu me senti um pouco envergonhada por ter fugido e por tudo o que havia acontecido, mesmo que não tivesse sido a culpada.
A casa estava toda arrumada, a mesa posta, tudo feito com muito bom gosto, eu parei diante da porta e Edward se inclinou para mim e sussurrou ao meu ouvido...
– Não vejo à hora de ver você dentro do seu vestido maravilhoso.
Eu o encarei nos olhos e me perguntei se ele tinha visto o meu vestido, mas não houve tempo de questioná-lo.
– Bella meu amor, você chegou, eu tive medo de que Edward não conseguisse chegar a tempo, sinto muito por tudo o que aconteceu.
– Tia eu... Desculpa-me...
– Você não tem que pedir desculpas, nada do que aconteceu foi culpa sua, mas não vamos falar sobre isso agora, hoje temos uma festa. Eu só quero alegria. — Ela me deu um abraço bem apertado, logo em seguida fui abraçada calorosamente por Carlisle e depois por Rose, ela aproveitou e apresentou os pais dela para mim e Alice. Estavam todos muito elegantes.
– Acho que eu devo ir me vestir...
– Isso mesmo meu amor, vá se arrumar agora. Ainda temos mais meia hora antes da meia noite. Edward eu já separei a sua roupa e a deixei em cima da sua cama. As meninas podem se vestir aqui embaixo, afinal, a sua roupa está no quarto de baixo, não é? — A minha tia me perguntou.
– É.
Eu é Alice tomamos um banho, e nos vestimos rapidamente, ela me ajudou a fazer um penteado simples, porém elegante no cabelo. Ficou bem legal! Eu fiz uma maquiagem bem leve e coloquei um batom vermelho, achei o resultado muito bom. Alice também fez uma maquiagem leve, como o cabelo dela é curtinho, foi mais fácil ainda, ela só passou um pouco de gel e depois usou as mãos para moldá-lo, a minha amiga ficou muito linda.
Quando saímos vestidas e cheirosas, todos já estavam com taças nas mãos, Edward veio até mim e estendeu a sua mão, que prontamente eu peguei.
– Você está simplesmente maravilhosa! — Pelo olhar que ele me deu, eu pude perceber que ele realmente não tinha visto o vestido ainda.
– Obrigada. — Agradeci enquanto ele me entregava uma taça. Jasper fez o mesmo com Alice e não pude deixar de notar que estávamos todos em casais... Alice e Jasper, Eu e Edward, Emm e Rosalie, os pais dela e os meus tios.
– Cara eu tenho que falar uma coisa... — Emmett se pronunciou e todos nós ficamos um tanto quanto apreensivos. — Nós somos os filhos da puta mais sortudos do mundo, nossas mulheres são as mais bonitas. — Dessa vez ele não levou nenhum tapinhas e todos os homens presentes concordaram com ele. Fizemos brindes e comemos, foi tudo muito especial e a meia noite, trocamos os nossos presentes, Edward adorou a maleta que eu comprei para ele, eu havia mandado gravar o seu dele no presente, realmente ficou lindo.
– Amor eu adorei a maleta, ela é muito bonita. — Ele pegou a maleta e a segurou todo imponente. — Como estou? Pareço um médico de respeito.
– De respeito eu não sei, mas posso garantir que é o médico mais lindo que eu já vi.
– Esse é o seu presente. — Eu congelei quando vi que se tratava de uma caixinha aveludada, o meu coração quase parou quando eu abri a caixa e lá dentro vi um anel e uma aliança de prata.
– Edward!!!
– Calma, é só um anel de compromisso. Ele só vai sair do seu dedo para ser substituído por um anel de noivado. — Eu não pude deixar de rir pensando se de agora em diante, as centenas de piriguetes de plantão, iriam se tocar e aceitar que ele é um homem comprometido. Edward tirou o anel da caixinha e colocou no meu dedo e me deu a aliança para eu colocar no dedo dele. Todos bateram palmas e continuamos conversando, comendo e bebendo madrugada a fora.
– Eu estou muito otimista, acho que de agora em diante as coisas vão entrar nos eixos, tudo está se resolvendo perfeitamente.
– Eu também estou sentindo isso. — Falei olhando e admirando o meu anel. — Isso deve ter sido bem caro.
– Eu só posso te dizer que eu sou um cara falido, mas feliz...
– Não esquenta, eu te banco. — Falei brincando.
– Prima, eu também estou falido. — Emmtt brincou.
– Cara sai fora! Bella é a minha namorada e ela só banca a mim.
– Nossa, irmão! Eu achei que a gente fosse mano, um ajudando o outro...
Caímos na gargalhada.
Já era quase de manhã quando resolvemos fazer algo louco.
– Quem topa ver o pôr-do-sol na praia e dar um mergulho? — Só podia ser mesmo idéia de Emmett, mas dessa vez, eu até achei a sugestão dele bárbara! Eu realmente queria mergulhar e sair da água me sentindo renovada.
– Eu topo!
– Essa é minha priminha rica... Emm falou maroto.
– Eu também topo! — Alice assentiu logo depois de mim. Jasper não perdeu tempo em topar também.
– E você coelhinha?
– Claro que eu vou ou você acha que eu vou te largar solto por aí, todo gostosão desse jeito?
Todos nós olhamos para Edward que ainda não tinha se pronunciado.
– Só se for agora... — Ele falou e deu aquele sorriso que eu tanto amo.
–Tia, vocês não querem vir?
– Não meu amor, nós vamos deitar e dormir, estamos exaustos. — Os pais de Rosalie já haviam ido embora. — Vocês não vão trocar de roupas antes de sair?
– Não mãe. Vamos entrar no mar assim mesmo! Bem chiques...
Saímos e fizemos o que combinamos, vimos o pôr-do-sol e entramos na água usando as roupas que estávamos, foi maravilhoso!
– Bella.
Olhei para o homem mais lindo do mundo ao meu lado.
– Eu te amo.
– Eu também te amo.
Nos entregamos a um beijo apaixonado e sedento de amor...
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