Quando Te Vi

1 Capítulo 1 - Rumo ao desconhecido


Notas iniciais
Oi meninas, aqui estou eu com mais uma história, espero que gostem, não sei se a sinopse vai fazer jus a história, eu não consegui ter uma ideia melhor para ela, caso eu tenha uma luz criativa eu reescrevo. Bom eu gostei muito dessa ideia e acho que o primeiro capitulo está bem legal espero que gostem.
Ps. Eu tentei fazer uma capa mas na hora de inserir eu não consegui, mas continuarei tentando.
Ps 2. Só poderei postar uma vez por semana, e acho que farei no domingo, fica mais fácil para mim, pois durante a semana eu estou muito ocupada.

O dia lá fora estava perfeito, o por do sol no outono simplesmente não podia ser descrito com palavras, pois não faria jus a sua perfeição. Tenho passado os meus dias olhando pela janela, por do sol apos por do sol, vivendo um dia de cada vez, ou melhor sobrevivendo, um dia após o outro.

Eu costumava amar a fazenda, era o meu lugar preferido no mundo, andar pelos campos, cavalgar com Arizona, meu cavalo, tomar banho de rio, tudo por aqui é muito bonito e saudável, tudo é muito livre... Mas isso mudou a seis meses atrás, quando minha vida de repente acabou, é, essa é a palavra, acabou, não no sentido literal, eu ainda estou viva, respirando, andando... mas a seis meses, a minha essência se foi. Foi exatamente em uma noite chuvosa, lembro-me bem, meus pais saíram para jantar fora na cidade, como faziam vez ou outra, eu não fui, por que mesmo? Ah! Porque estava estudando para minhas provas finais. Lembro-me de cada detalhe daquela noite, cada palavra dita...

“ – Tem certeza de que não quer ir filha?”

“- Tenho mãe, vou ficar, tenho prova a semana inteira, se quiser mesmo ser uma veterinária tenho que ralar, e o primeiro obstáculo e terminar o segundo grau.”

“- Ok, eu e seu pai vamos então, será bom também você não ir, assim podemos namorar um pouquinho. – Ela deu um sorrisinho malicioso e eu como sempre ficava constrangida”

“- Mas vocês namoram, mesmo comigo presente, é constrangedor sabia disso?”

“- Nós nos amamos, meu amor, e é assim que as agem as pessoas que se amam. – Apesar de já estarem casados a mais de vinte anos, meus pais estavam sempre se beijando, se agarrando pelos cantos da casa, fazendo carinho um no outro, as vezes me sentia incomodada com tanta pegação. Minha mãe dizia que eu era muito retrograda para minha idade, que eu devia me soltar mais, arrumar um namorado, mas eu sempre fui muito reservada e jamais ficaria me agarrando na frente dos outros, na verdade eu nunca tive um namorado firme, só alguns paqueras.”

“- A Alice vem pra estudar comigo, vai passar a noite aqui, por favor nada de barulho quando chegarem, rizinhos e gemidos, por favor.”

“- Filha, não é só porque somos pais que não tran... – Não deixei minha mãe terminar a frase.”

“- Comportem-se.”

“- Comportem-se vocês.”

Foi a última vez que falei com a minha mãe, com meu pai não falei nada, só acenei, pois ele já estava no carro. Eu e Alice ficamos estudando até tarde fizemos um lanche e fomos dormir, acordamos de madrugada com batidas fortes na porta, quando abri era o Jorge, pai de Alice o administrador da fazendo e braço direito do meu pai, assim que o vi senti algo em meu coração e corri para o quarto dos meus pais...eles não estavam lá, nunca mais estariam...

— Dona Isabella, suas coisas já estão todas no carro, quando a senhora estiver pronta podemos ir.

— Jorge, já disse pra não me chamar de dona nem de Isabella, me chame de Bella por favor, é estranho demais .

— Bella... – Jorge fez cara de resignado.

— Ok, quando eu estiver pronta chamo você, onde está a Alice?

— Em casa, ela esta inconsolável, disse que não vai conseguir se despedir de você.

— Por favor Jorge, diga para ele vir, não posso ir sem me despedir, e além do mais vai ser por pouco tempo logo, logo ela vai se encontrar comigo lá, tenho certeza que ela vai passar no próximo vestibular.

— Pode deixar, que eu vou avisar a ela.

Alice é a minha melhor amiga, nascemos no mesmo ano, formos criadas praticamente juntas, fazíamos e fazemos tudo juntas, ela é filha de Jorge, o a administrador da fazenda e de Madalena , são pessoas responsáveis e honestas, que trabalham na fazenda desde antes de eu nascer. Alice é bem diferente de mim, muito divertida, espirituosa, lindíssima. Seu maior sonho e viver na cidade ela odeia o campo e tudo que tem nele, não suporta cavalos, uma de minhas paixões, temos uma belíssima criação aqui na fazenda de puros-sangues, meu pai me presenteou com um cavalo quando eu tinha doze anos, eu o chamei de Arizona, amo meu cavalo, cavalgar nele é a coisa que mais gosto de fazer, me sinto livre Alice o odeia, tem medo, nunca quis montar nele e nem em um outro cavalo, eu insisti varias vezes, disse que seria bom assim nós cavalgaríamos juntas, mas não obtive sucesso, as vezes eu penso como podemos ser tão amigas, se temos tão pouco em comum, se nossos gostos são tão diferentes, realmente eu não sei... Enfim Alice não vê a hora de passar no vestibular e partir rumo a cidade para nunca mais voltar, a não ser é claro para visitar os pais eventualmente.

Hoje eu estou deixando a fazenda, passei no vestibular, vou estudar veterinária, meu objetivo depois de formada é voltar para cuidar de tudo, dos animais, pretendo me especializar em cavalos e aumentar a criação que temos, enfim... estou indo morar com a minha tia, esse era o plano inicial que eu tracei com meus pais, eles não se sentiriam confortáveis de eu morar sozinha, então minha mãe conversou com a minha tia e ela adorou a idéia, segundo minha mãe, era também um jeito de reaproximarmos as famílias. Minha tia Esme é meia irmã da minha mãe, fruto do segundo casamento do meu avô, ela sempre vinha a fazenda com seu marido Carlisle e seus três pirralhos, mas a seis anos pararam de vir, segundo ela os filhos não gostam do campo, acham muito monótono, preferem férias mais agitadas em praias ou para o exteriror, essas coisas, eu particularmente achei ótimo porque meus primos eram muito chatos, implicavam muito comigo, principalmente os dois mais velhos. Eu fui poucas vezes a casa deles, a ultima vez que os vi eu tinha doze anos, lembro-me porque foi o ano em que eu ganhei o Arizona, eles estavam aqui exatamente no dia, era o meu aniversário, eles aprontaram tanto e quase estragaram a surpresa que meu pai tinha preparado para mim.

Foram até a coxia e montam meu presente, quando meu pai me levou para ver a surpresa, o cavalo não estava lá, foi um deus nos acuda, todos pensamos que o cavalo tinha fugido, até que minha tia deu por falta dos filhos e juntamos dois mais dois, todos os empregados da fazenda foram convocados para procurarem os pirralhos, que só foram encontrados a noitinha. Eu chorei muito, pois tive que esperar que eles fossem encontrados para cortar o bolo e finalmente ter o meu presente. Eu os odiava. Não sei como eles estão, não mantivemos contato, hoje somos completos estranhos, somente minha tia e minha mãe continuaram se comunicando, e vez ou outra marcavam de se encontrar. A última vez que eu a vi foi no dia do enterro dos meus pais, ela veio sozinha os filhos estavam viajando e o marido não consegui folga do trabalho. Foi bom ela ter vindo, apesar de ter muitos amigos ao meu redor, os funcionários eu precisava ter alguém da família por perto.

...

— Não chore Madalena, eu não estou indo embora para sempre, e virei sempre que possível, em todos os feriados e nas férias.

— Essa casa... – Ela falou entre lágrimas. – Nunca mais será a mesma.

— É verdade, nunca mais. Alice ainda não veio, já está quase na hora de eu ir.

— Jorge foi chamá-la, mas ela disse que não quer se despedir.

— E o Jacob?

— Jacob saiu cedo, pegou o cavalo e foi verificar como está as redondezas. Mas eu tenho pra mim que ele também não quer se despedir.

— Que bom, vou embora e meus melhores amigos não vem se despedir de mim. – Senti um nó na garganta e meus olhos lacrimejaram.

A hora de partir estava cada vez mais próxima.

— Por favor Madalena, mantenha a casa sempre arejada, sempre que puder abra as janelas e você sabe, as coisas que estão encaixotadas no meu quarto vão depois, eu contratei uma empresa para transportar, oriente-os.

— Pode deixar minha menina. – Nós abraçamos ternamente. – Não deixe de entrar em contato, nos ligue sempre, quero saber como você está, e se alimente e tenha cuidado, a cidade grande é muito perigosa.

— Pode deixar... então adeus! – Soltei um suspiro profundo, depois puxei o ar como se quisesse me energizar com o ar puro, olhei pro meu quarto pela última vez, a tempo de ver o por do sol da janela, o por do sol mais lindo do mundo... e disse baixinho. – Adeus. — Passei pelo quarto dos meus pais, que estava exatamente como sempre, minha pernas enfraqueceram, eu evitava entrar lá, mas hoje eu precisava me despedir , quando senti que as forças me faltaram um a mão forte me segurou ajudando a manter o meu equilíbrio, impedido que eu caísse, era Jacob, assim que o vi, fiquei agradecida. imensamente agradecida. Assim como Alice ele é lindo, moreno, cabelos negros, alto, corpo atletico, é mais velho do que eu, acho que uns quatro anos, se não me engano, diferente de Alice ele ama a vida no campo, ama a fazenda quase tanto quanto eu, formou-se em veterinária e meu pai o contratou para cuidar dos animais. Alice sempre me diz que ele é louco por mim, mas não sei... ele nunca transpareceu nada, ela disse que eu sou cega.

— Pensei que não ia ter ver antes de ir.

— Não poderia deixa-la ir sem me despedir e desejar tudo de bom.

— Obrigada. – Ele continuou me amparando, dei uma última olhada no quarto e fechei a porta, mas não consegui me segurar e comecei a chorar, como eu faço todos os dias a seis meses.

— Shhhh! Não chora... – Scott me abraçou forte, depois segurou minha cabeça com as duas mãos, uma de cada lado, e com os polegares tentou enxugar minha lágrimas, ele me olhou no olhos e por um minuto eu achei que ele fosse me beijar , mas ele recuou.

— Eu ... estou ... bem ... agora!

— Eu vou levar você ao aeroporto, meu pai concordou.

— Tudo bem. – Falei meio sem graça, o clima realmente tinha ficado um pouco esquisito.

— Onde estão suas coisas?

— Seu pai já colocou tudo no carro.

Andei até o carro e antes de entrar virei-me para a grande casa onde cresci, onde passei os melhores e os piores dias da minha vida.

— Adeus Jorge, cuide bem de tudo por favor.

— Claro Bella, pode deixar. – Jorge é um homem muito reservado, não abraçou-me, penas deu um aperto de mão.

Quando eu já estava dentro do carro escutei os gritos de Alice me chamando.

— Bella ... Bella... – Ela vinha correndo feito uma louca.

Sai imediatamente e nos abraçamos chorando...

— Achei que não viria se despedir de mim.

— Eu também achei, mas não deu , eu tinha que me despedir sim, a gente vai ficar um tempão sem se ver.

— Pouco tempo, o próximo vestibular está perto e tenho certeza que você vai passar.

— Será que sua tia vai me aceitar na casa dela?

— Claro que vai, e se não aceitar, até lá nos já estaremos com dezoito anos e podemos morar sozinhas. – Falar isso fez Bella se sentir traindo a mãe, afinal morar na casa da tia Esme era uma combinação das duas, claro que mais da mãe do que dela, mas era isso...

— Eu te amo amiga!

— Bom, eu não quero interromper a melação das duas, mas temos que ir, caso contrário você vai perder o vôo. – Jacob pigarreou.

— Não era o papai que ia leva-la?

— Era, mas achamos melhor eu levar, a estrada não está muito boa e papai não está acostumado, enfim eu vou levar.

— Eu vou junto então. – Fiquei feliz ia ser muito bom ficar mais um pouco com Alice, alem do que ia ficar meio desconcertante eu ficar sozinha com Jacob, principalmente por causa das coisas que Alice disse sobre o que ele sente por mim.

— Adeus então. — Olhei pela última vez e entrei no carro, acompanhada por Alice, Scott fechou a porta pra mim.

Quando o carro atravessou a porteira um nó na garganta se formou, eu estava indo rumo ao desconhecido.

...

O percurso de mais ou menos três horas da fazenda até o aeroporto foi tranqüilo, com Alice as coisas nunca são entediantes, ela falou sobre muitas coisas, ligou o som do carro, Jacob pareceu visivelmente incomodado e apenas dirigia, vez ou outra fazia careta para algo que Alice falava.

-Bellita, não acredito que você não agarrou o gato do Mike, ele estava louco por você.

— Alice, por favor! Vamos mudar de assunto.

— Eu não ia perder tempo, com um gato daqueles atrás de mim, eu levava ele pro cantinho e...

— ALICE! Eu estou aqui. – Jacob lembrou. – Não me sinto a vontade de ouvir as peripécias amorosas da minha irmãzinha.

— Jacob, você e Bella fazem o par perfeito, são dois bundões, deviam ficar juntos.

Eu e Jacob nos olharmos sem graça.

...

Finalmente chegamos ao aeroporto, Alice estava impossível, colocando eu e Jacob em saia justa, com seus comentários pra lá de sem noção.

— A que horas é o seu vôo? – Jacob perguntou.

— As 23 horas.

— Então vamos fazer o chequim e depois de despachar sua bagagem podemos tomar um café, agora são quase 10 horas temos um tempinho.

Foi o que fizemos, enquanto eu estava fazendo o chequim, não pude deixar de perceber que Alice e Jacob estavam conversando, ou melhor cochichando algo que estava deixando ele visivelmente nervoso, ele passava as mãos pelos cabelos pretos.

— Pronto, está tudo resolvido, já despachei minhas malas, podemos tomar o café agora.

— Cla...ro. – Jacob falou desconfortável

Enquanto procurávamos um lugar para sentar no café, Jacob e Alice se encaravam como se estivessem travando uma discussão silenciosa. Quando chegamos a mesa, Jacob puxou a cadeira para mim e um garçom veio nos atender.

— Aqui estão os cardápios.

— Obrigada.

Alice ficou logo de olho no garçom, que era muito bonitinho, quando ele saiu para pegar os pedidos Jacob a repreendeu.

-Você não tem jeito mesmo Alice, flertando com o garçom.

— Melhor do quer ser travado como você, se é que você me entende?

Jacob desconversou... Tomamos no nosso café e a inevitável hora da despedida chegou.

— Não esquece de me ligar, mandar E-mail, mensagens no facebook todo dia, quero fotos dos seus primos, quero saber se são gatos. Quero relatório completo de tudo, tudo mesmo, nos mínimos detalhes. – Alice falou de uma vez sem respirar.

-Tá bom Alice, calma, uma coisa de cada vez, vamos manter contato todos os dias eu prometo.

Nos abraçamos forte e demoradamente, assim que nos soltamos Alice olhou nos olhos de Jacob, deu um tapa nas costas dele e o empurrou em minha direção, seu corpo trombou com o meu e ambos olhamos pra Alice, que falou quase aos gritos e em lágrimas.

-Não seja covarde... é agora ou nunca.

Jacob virou-se para mim e como fez mais cedo olhou me nos olhos e segurou minha cabeça com as mãos afastando meus cabelos do rosto e sem dizer nada me beijou, um beijo suave mas firme, sua língua pedindo passagem, sem pensar suas vezes abri a boca levemente, minhas mãos foram para seus braços, depois para seu pescoço, nossas línguas saboreando um ao outro, só paramos quando não existia mais ar em nosso pulmões, e antes de me soltar sussurrou em meu ouvido.

— Eu te amo, sempre te amei... vou te esperar...

— Eu apenas olhei pra ele atordoada, realmente não estava esperando por isso, meus olhos piscaram sem parar, olhei para Alice que pulava e batia palmas.

— Esse é o meu irmão, dali Jacob.

— Eu preciso ir, estão chamando meu vôo...

Notas finais
E ai, gostaram?
Merece comentários?
Lembrando que são os comentários que impulsionam a vontade de continuar escrevendo. Comentem OK, conto com vocês.
Esse foi o primeiro capitulo, mais introdutório para que possam entender o que está por vir ... e eu garanto muita coisa vai acontece, coisas interessantes, a vida da Bella vai mudar de pernas por ar.