Quando Se Assume Um Sentimento
11 O que foi feito por cada um as vésperas da viagem
- Então não teve problemas em criar a poção? – Diana pergunta para o Senhor Destino do outro lado de seu comunicador
- Obviamente não – ele responde orgulhoso – Você e Shayera podem vir buscar quando quiserem.
- Iremos hoje mesmo então, mais tarde. Amanhã já é a viagem
- Para onde essa missão vai levá-los?
- Austrália
- Belo lugar. Bom, venha à hora que achar melhor – o mago diz calmamente
- Tudo bem Kent, até mais tarde
Diana desliga seu comunicador auricular e o coloca em cima da mesa na varanda de sua casa. Debruça-se sobre o parapeito do prédio e fica ali, pensando. O sol brilha forte no céu, mas um vento forte faz seus cabelos esvoaçarem e seu corpo arrepiar. Usando apenas um baby-doll rosa claro coberto por um roupão de seda azul bebê não é de estranhar que sinta frio. Na grande avenida abaixo de si o movimento de carros é grande, mas poucas pessoas andam por ali. Ela olha para um prédio empresarial do outro lado da rua, com suas janelas de vidro fume e no topo do mesmo vê um relógio digital de números vermelhos marcarem 10h00min. Normalmente Diana acorda mais cedo, mas o número de noites sem dormir que passara essa semana acabou mexendo com sua rotina. A semana passou rapidamente ao todo, e maioria dessas noites ela ficou na Torre da Liga. Por incrível que pareça não vira Bruce nenhuma vez lá.
Ela suspira profundamente e se espreguiça. Precisa ligar para Shayera, falar que elas precisam ir à casa de Destino ainda hoje. Mesmo deduzindo que a Thanagariana deve estar dormindo, ela pega seu comunicador e aperta um botão que dá ligação direta para a mulher alada. Enquanto não é atendida, entra em seu apartamento e se dirige ao seu quarto, descalça. Passando pela sala, vê o calendário pendurado em uma parede e lembra-se de quando falara a Bruce que faltavam apenas seis dias para irem a Austrália. Ela sorri enquanto se recorda. Agora falta um único dia.
- Shayera na escuta – ouve a voz do outro lado da linha um pouco sonolenta
- Aqui é a Diana. Shayera, só estou ligando para avisar que Destino já fez a poção. Temos que buscá-la hoje
- Certo. É amanhã que saímos em missão não é?
- Sim, J’onn já até reservou as passagens de avião
- Então nos encontramos na Torre da Liga umas seis horas da tarde tudo bem? Tenho coisas a fazer o resto do dia
- Pode ser então
- Até mais – a Mulher Gavião diz finalizando a ligação
Diana desliga seu comunicador também e caminha até o banheiro. Chegando lá se olha no espelho e assenta os fios rebeldes de seu cabelo. Decide tomar um banho e como vê sua toalha já posicionada no cabide do lado da banheira, vai até a porta e dali, joga seu comunicador na cama. Ela abre a torneira para encher a banheira, retira seu roupão e seu baby-doll rapidamente e novamente se arrepia de frio. Quando acha que a quantidade de água é o suficiente, fecha a torneira e entra. Pega seu sabonete liquido de rosas e joga uma boa quantidade do liquido. A água, quentinha e agora cheirosa, fazem-na relaxar. Enquanto se ensaboa vai pensando em quanto o dia será longo.
- Como o dia está demorando a passar – Ollie comenta de frente para os computadores na bat caverna
- Ansioso para alguma coisa? – Bruce pergunta enquanto digita algumas informações
- Na verdade não. Mas você deveria estar não? Afinal amanhã vai para Austrália
- Não faz diferença
- Se você diz – o Arqueiro concorda sorrindo maroto – Conseguiu alguma coisa?
- Ainda não. Não se entra facilmente no sistema do Arkham
- Mesmo você tendo a lista com todos os criminosos mantidos lá tem certeza que há necessidade de fazer isso?
- Sim, mesmo sendo arriscado. Se conseguirmos acessar as informações sobre o Ladrão das Sombras direto da fonte pode ser de grande ajuda
- Entendo – Ollie concorda calmamente
Os dois heróis ficam em silêncio por alguns minutos. Nenhum deles usa as roupas que protegem suas identidades, assumindo assim seus alter-egos humanos. Ollie observa seu companheiro atentamente. É a primeira vez que vê o sem máscara, nessas circunstancias pelo menos. Ele olha para as horas marcadas no canto inferior direito de uma das telas dos computadores de Bruce e percebe que já esta na hora do almoço. Não que ele se ligue tanto em rotina, nenhum herói que se preze deve fazer isso, mas dessa vez a fome começa a apertar em sua barriga. Pensa se Canário fez o almoço e deduz pessimista que não. Ela também não se ligava em rotina e parava menos em casa do que ele próprio
- Consegui – ouve a voz do morcego que chama sua atenção – Está vendo isso... Parece que o Ladrão das Sombras não foi registrado como fugitivo no Arkham
- Por qual motivo encobririam isso? – Ollie pergunta intrigado
- Tenho a impressão que fizeram isso, porque a fuga dele é benéfica de algum modo
- De que modo? O cara é um ladrão assassino! – Ollie retruca indignado – A não ser que... Eles tenham feito um acordo com esse tal Jason
Bruce vira sua cadeira para ficar de frente para o Arqueiro. Os dois ficam se olhando, sérios, pensando em que tipo de acordo seria esse
- É provável – o morcego começa a falar passando a mão em sua escassa barba – Vamos pensar. Esse tipo de acordo seria para matar ou fazer mal a alguém levando em conta as características de Jason
- Sim, e obviamente o alvo seria... – Ollie vai finalizando a linha de raciocínio
- Você! – os dois falam em uníssono como se tivesse combinado
Uma pausa cheia de dúvidas é feita e um tempo depois a voz do Arqueiro se manifesta
- Por que seria eu?
- Depois de mim Ollie, você é o justiceiro que mais coloca criminosos no Arkham. Mas não estou me excluindo
- E nem deveria. Você já se encontrou com Jason certa vez
- Sim, mas não vem ao caso relembrar isso no momento. Um de nós pode ser o alvo, os nós dois
- O que me intriga é o motivo de alguém de dentro do Asilo Arkham querer algo desse tipo
- Concordo. Mas isso explica como a fuga de Jason foi tão simples. Alguém deve ter desligado as luzes que limitavam seus poderes
- Bem, o que podemos fazer agora? – Ollie pergunta curioso
- Tomar o máximo de cuidado possível e continuar investigando. O Ladrão das Sombras deve ter deixado alguma ponta solta, só temos que achá-la
- Você vai viajar amanhã. Enquanto fica fora eu seguro as pontas por aqui
- Certo
- Vou indo Bruce. Tenho que ajeitar algumas coisas. – Ollie comenta enquanto se dirige a saída da caverna – Nos vemos amanhã na Torre da Liga
- Você vai estar lá?
- Sim, quero ver a partida do grupo dinâmico. E também preciso falar com Shayera, acho improvável vê-la hoje
- Até amanhã então
Ollie acena de costas para Bruce e chega ao ar livre. Sem a máscara no rosto e suas flechas nas costas pensa em algum lugar para almoçar calmamente.
Bruce observa seu colega partindo. Pensa no quão útil Ollie está sendo até agora e que sua ajuda pode aumentar com o passar do tempo. Agora que descobriram que o Arkham está envolvido de alguma forma com a fuga de Jason e que isso pode ter sido feito para pega-los, precisam realmente unir suas forças. Ele vira sua cadeira para os computadores quando a figura de Ollie some de vista e lembra-se da pesquisa que queria fazer sobre o homem misterioso que encontrara próximo a casa de Diana. Começa então a digitar o nome que o homem havia dado no centro de pesquisa de seu computador, mas é atrapalhado quando seu celular começa a tocar no seu bolso
- Alô – atende rapidamente quando reconhece o número. Estão ligando de sua empresa
- É o senhor Bruce Wayne que fala? – pergunta a voz masculina na outra linha
- Sim, sou eu. O que houve?
- Só estou ligando para lembrá-lo da reunião marcada hoje à tarde com seus acionistas Sr. Wayne
- Estou ciente disso. Estarei ai em algumas horas
- Certo. E também gostaria de perguntar se o senhor pode vir mais cedo, pois tem um número de papéis que somente o dono da empresa pode assinar
- Tudo bem. Já estou de saída
- Vou separá-los então, até daqui a pouco
- Até – Bruce fala e desliga o celular
Levantando-se de sua cadeira não tem outra escola além de ir para a cidade. Resolve deixar para outra hora sua pesquisa, mas não esquece que isso é prioridade. O morcego aperta um botão no teclado de seu computador e o mesmo trava na hora. Como está vestido casualmente com uma calça jeans escura, sapatos e uma camisa esporte vermelha, decide antes de sair trocar de roupa. Começa a se dirigir as escadas quando vê Alfred descendo
- Patrão Bruce. Já servi a mesa do almoço – o mordomo fala calmamente
- Pois pode tirá-lo Alfred, não tenho tempo para isso agora.
- Vai à empresa?
- Sim – Bruce concorda com a cabeça e passa por ele, subindo as escadas – Como amanhã vou viajar e ficarei alguns dias fora tenho que resolver tudo hoje
- Entendo – seu mordomo e amigo retruca a suas costas
O morcego termina de subir o jogo de escadas que leva ao primeiro andar da casa e se dirige rapidamente a seu quarto, no andar de cima. Quando chega lá, abre seu grande guarda roupa com portas de correr e sem demora pega uma camisa social azul clara, uma calça preta social também e seus Mocasins. Decide não tomar outro banho, pois já fizera isso de manhã e troca de roupa rapidamente. Vai até o banheiro conectado a seu quarto e se olha no espelho, próximo a banheira. Molha os cabelos lisos e sem muito trabalho os coloca para trás. Alguns fios retornam e caem no seu rosto e ele dá de ombros. Bruce não demora muito para fazer tudo isso e vai até sua cômoda, pegando as chaves de seu carro. Pouco tempo depois desce as escadas e sai pela porta da frente de casa. Já lá fora, sente o sol bater em seu rosto e fecha os olhos. Um pouco a esquerda encontra seu Aston Martin estacionado em sua garagem coberta e apertando o botão para destravá-lo vai até ele. Entra no carro e sai em disparada. Enquanto dirige, mexe com uma das mãos livres em um compartimento secreto no carro e lá dentro pega seu comunicador auricular
- J’onn, aqui é o Batman – diz com o objeto no ouvido
- Bom dia. Fale – ouve a voz do marciano na outra linha cumprimentá-lo
- Quero saber o horário que das passagens de avião amanhã
- São 9 horas da manhã. Eu estava pensando em deixá-los ir com a nave da Mulher Maravilha, mas como faz parte da missão se passar como civis achei melhor dessa forma
- É melhor mesmo pegarmos o avião no aeroporto. Sabe me dizer se Diana já pegou a poção com o Senhor Destino? – Bruce pergunta intrigado enquanto para em um farol em uma avenida movimentada
- Ela me informou que vai buscá-la hoje à noite – J’onn responde rapidamente – Eu gostaria de te perguntar se...
Bruce vai perdendo a atenção à pergunta do amigo quando percebe o movimento na faixa de pedestres. Ele repara em um homem que passa vestido com um sobretudo escuro. O desconhecido fica olhando para ele, como se o conhecesse e o morcego não consegue visualizar bem o seu rosto.
- Batman, está ai? – ouve a pergunta do marciano que o trás a realidade
- Estou sim J’onn – responde prontamente enquanto segue o estranho homem com os olhos. Bruce desconfia
- Você pode vir para cá então?
O morcego dessa vez presta atenção na pergunta do marciano e o farol abre. Ele muda a marcha do carro e sai.
- Não agora. Estou indo resolver algumas coisas – responde olhando pelo retrovisor para a estranha figura que fica para trás – Posso dar uma passada mais tarde, mas não é certeza
- Tudo bem então. Ao todo amanhã nos veremos
- Até lá – Bruce se despede de J’onn e desliga o comunicador
Ele deixa sua mente vagar e seus pensamentos vão diretamente aquele homem na faixa de pedestres. O morcego tem a impressão que já o viu em algum lugar e mexendo no fundo de sua mente lembra-se do homem perto da casa de Diana
- Seria o Senhor Shadows? – pergunta a si mesmo intrigado – Se for por que está me seguindo?
Com essas e outras perguntas e deduções na cabeça, Bruce avista o prédio empresarial das indústrias Wayne. Dirige seu carro até a garagem subterrânea do mesmo e estaciona na primeira vaga que encontra. Ainda dentro do carro ele pega uma espécie de pano preto e cobre todo seu rosto menos os olhos, prendendo-o na cabeça. Pega também um objeto pequeno e retangular que prende em seu pescoço, cobrindo-o também com o pano que era grande. Vendo que não tem ninguém por perto, sai de seu Aston Martin, aperta o botão para travá-lo e quando escuta o som do alarme começa a se afastar. Ao invés de ir ao andar superior do prédio pelo elevador de dentro, resolve sair da garagem e ir pela entrada principal de fora. Precisa ter certeza se uma idéia que surgiu em sua cabeça. Ao chegar lá fora vê várias pessoas apressadas andando pelas ruas e pega o caminho de muitas delas para as indústrias Wayne. Percebe que nenhuma pessoa parece se incomodar em vê-lo com aquele pano no rosto e deduz que seja por causa da crise de gripe que estava se alastrando pela cidade. Muitas pessoas andavam assim como ele e admite que fora uma boa idéia. Bruce anda mais olhando para a calçada do outro lado da rua do que para frente, disfarçadamente. Uma grande avenida corta as duas e os carros passam de um lado a outro. Como se já esperasse por isso, quando se aproxima do prédio da empresa, vê do outro lado da rua uma pessoa parada como se estivesse esperando alguém ou vendo alguma coisa. O morcego reconhece na hora o mesmo sobretudo escuro e o jeito estranho.
- Senhor Shadows – diz baixinho para si mesmo
Bruce atravessa a rua, um pouco distante de onde o homem está parado e quando chega à outra calçada começa a caminhar em sua direção. Antes de alcançá-lo e vendo que o sujeito nem parece reparar nele, o morcego aperta o dispositivo em seu pescoço. Isso serve para mudar sua voz e como foi projetado por ele mesmo, tem certeza que nem Diana conseguiria reconhecê-lo. Pergunta-se por que usara a princesa como exemplo.
O morcego vai se aproximando do homem de aparência estranha e passando bem perto dele, esbarra fingindo que foi sem querer e diz:
- Desculpe senhor. Eu estou um pouco apressado
- Tudo bem. Mas tome mais cuidado – o homem responde parecendo bravo.
Bruce percebe que mesmo olhando para ele de perto não consegue sequer ver seu rosto. O sujeito também usa um pano para cobrir sua face e além do mais, óculos escuros. Mesmo assim o morcego deduz que seja o mesmo homem do outro dia por causa de sua voz rouca e obviamente o mesmo de minutos atrás
- O senhor pode me dar uma informação? – Bruce pergunta como se estivesse perdido
- Diga
- Sabe onde fica o prédio das indústrias Wayne?
- Infelizmente não – o homem balança a cabeça, cínico
- Ah, que pena. É que eu vim de longe para uma entrevista de emprego, se bem que nem sei se eles vão querer me entrevistar porque peguei essa maldita gripe que está alastrando a cidade – Bruce inventa rapidamente uma história para jogar outro verde – Você também pegou não é? Está cobrindo o rosto também
- É por ai. Bom, deixe-me ir, estou atrasado – o homem retruca já dando as costas para Bruce
- Tudo bem. Mas antes me diga o seu nome, foi um prazer conhecê-lo
- Johnny – a voz rouca do homem diz seriamente – E o seu?
- Robert
Bruce observa a expressão dele que apenas assente com a cabeça e vai embora a passos rápidos. O morcego fica intrigado com as mentiras que ouviu. Primeiro quando ele falara que não sabia onde era o prédio das indústrias Wayne sendo que estava de frente para ele e segundo por se apresentar com outro nome. Isso significa que o Senhor Shadows, ou seja lá qual for o seu verdadeiro nome, estava mesmo o seguindo. A questão é: Por qual motivo?
Enquanto vai pensando nas possibilidades, Bruce percebe que o homem já sumiu e estranha não vê-lo nem de longe, pois a avenida é grande e não apresenta travessas. Desconfiado que o mesmo pode estar o observando de algum lugar o morcego começa a agir normalmente e atravessa a rua. Chegando do outro lado, passa pelo o prédio da empresa e volta a caminhar na mesma direção que veio. Não sente nenhum olhar sobre si e quando chega novamente à garagem olha de um lado a outro. Vendo que não tem ninguém por perto, destrava seu carro e entra nele. Enquanto tira o pano do rosto e o dispositivo do pescoço seu celular toca
- Senhor Bruce, só estou ligando para avisar que... – ouve a voz de seu secretário vinda do aparelho e diz, interrompendo
- Já cheguei. Estou subindo
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