Diário de Rorschach. 28 de setembro de 1985.

03h40min. Eu a encontro morta no beco em que nos reencontramos. Ela esta sangrando muito, tão pálida e fria com marcas de mãos em seus braços e pernas, seu rosto contêm hematomas feitos por mãos, — mãos masculinas— ela provavelmente sangrou até a morte pelos ferimentos de bala no abdômen, — Feito por um Webley & Scott Mark IV, em calibre 455 para ser mais preciso— sim eu sei que arma foi usada no crime, porque o imbecil filho da mãe que a matou e a assistiu sangrar até a morte deixou o revólver cair enquanto fugia de mim, mas eu sei quem é e para onde ele foi.

— Beckman!

Nunca havia gritado tão alto em toda a minha vida. Nunca havia chorado tanto em toda a minha vida.

20h00min. Passei o dia no túmulo de Nina, chorando com tantas mais lágrimas a derramar, mas agora meus olhos estão secos assim como a minha alma e os culpados pela morte dela vão sentir na pele as rachaduras do solo seco que me tornei. Walter Kovac morreu mais uma vez e

eu garanto que é a última. Agora só há Rorschach.

Estou na casa de Jacob Beckman o esperando a meia hora, quando ele finalmente chega não esta sozinho e sim acompanhado de uma prostituta bem mais nova que ele. Para o azar dele eu estou morrendo de pressa para acertamos às contas então eu apareço interrompendo o boquete pelo qual, segundo o senhor Beckman, ele esperou o dia inteiro.

A mulher grita e Jacob cai no chão na tentativa de se esconder e se recompor. Vou até a mulher e a intimido.

— É melhor sair daqui se não quiser que a pericia tenha trabalho em dobro.

Ela foge aflita e chorando. E por falar em lágrimas, Jacob parece um recém-nascido encolhido no canto e chorando.

— Pensei que estivesse morto, você tinha desaparecido.

— Estou mais vivo que a mulher do beco.

— Que mulher? Eu não sei de nada.

Ele fez cara de desentendido, mas eu vou fazê-lo entender.

No meu bolso esta o revólver dele. Eu o jogo no chão a frente dele.

— Você matou Nina, a secretaria de Veidt para encobrir seus negócios sujos.

— Não, não! Eu jamais faria mal a ela eu nem sabia que ela estava morta!

— Mentira!

— Olha se você quer culpar alguém pela morte dela porque não começa pelo namorado ordinário que ela tinha arranjado?!
— Namorado ordinário?

— Sim. Ela achou o cara nas ruas e do nada o levou para dentro da própria casa, sério teve uma vez que ela chegou com o olho quase preto no serviço coitada deve ter sido aquele babaca.

Peguei a arma e atirei nos testículos dele três vezes. Jacob gritou.

— Vai para o inferno seu filho da puta! Quer saber eu matei mesmo aquela puta! Ouviu? Eu a matei! Tirei ela do meu caminho de uma vez por todas porque nada vai me impedir de ter o prestigio que mereço! Nada! Eu serei mais poderoso que o Veidt!

Atirei novamente nos testículos dele.

Jacob Beckman morreu de tanto levar soco na cara. Eu o esmurrei até literalmente quebrar os ossos da face dele e depois disso continuei até a cabeça dele virar gelatina...

E então eu fui embora, porque Nova York é grande, com tantos para punir e tão pouco tempo.

...