Quando O Futuro Vem Dos Céus - The Lost Tales
2 Rukia & Ichigo - Confissões do Passado II
Notas iniciais

BLOOD Plus — 14 — BLOOD+ Grand Theme
Um portal se abre sobre o céu da Seireitei de onde Ichigo surge saltando e caindo em direção à cidade, ele pousa sobre uma casa e fica em silêncio olhando ao redor por um momento.
— Soul Society... Mesmo depois de anos ela não mudou nada...
O ruivo olha diretamente para Rukongai e fecha os olhos.
— Rukia... Não consigo sentir sua reiatsu... Ela deve estar muito afastada...
Ichigo não gostava daquela sensação estranha. Por algum motivo desde o momento em que ouviu falar do incidente com Rukia seu coração batia pesado e sua garganta parecia mais seca que de costume.
— Acho melhor eu encontrar logo com os outros, não gosto deste mau pressentimento que estou sentindo... — sussurra sumindo com um shunpo.
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No comando geral os capitães conferenciavam sobre o incidente e o clima era bastante pesado, especialmente para Byakuya e Renji.
— Não podemos arriscar, as últimas leituras são alarmantes, sem estratégia perderemos mais homens. — Hitsugaya diz.
— Os últimos soldados enviados não retornaram e nem entraram em contato, significa que seus destinos já foram selados. — Komamura lamenta.
— Mas não podemos deixar Kuchiki sem apoio! — Ukitake braveja.
— Mas também não podemos ignorar a última mensagem que ela nos enviou... — Shunsui lembra.
— Byakuya, você não vai falar nada!? É sua irmã lá fora correndo perigo! — Ukitake braveja novamente.
— Se acalme capitão Ukitake, todos nós estamos tentando encontrar uma solução, eu conheço a minha irmã, ela não mandaria uma mensagem daquelas se não tivesse certeza que correríamos riscos se agíssemos sem pensar. — Byakuya comenta tranquilamente, mas por dentro ela estava nervoso.
— Comandante, por favor, deixe que eu vá, mesmo que seja arriscado pelo menos um capitão precisa confirmar o que realmente está acontecendo! — Renji praticamente suplica a Yamamoto.
— Negado.
— Tsc! Mas eu...
Um mensageiro adentra o recinto e sussurra palavras no ouvido de Yamamoto que parece ficar surpreso.
— Mande-o entrar.
A porta da sala de reuniões abre e Ichigo entra com expressão séria.
— Ichigo?! — Renji exclama surpreso.
— Ichigo-kun? — Shunsui diz.
— Kurosaki Ichigo! — os outros também pareciam apreciar a presença do ruivo.
— Kurosaki Ichigo seja bem vindo de volta à Seireitei. — Yamamoto o cumprimenta.
— Jii-san... Cadê a Rukia? — ele pergunta sem delongas.
O silêncio do velho comandante deixa Ichigo irrequieto e ele passa a olhar para os presentes.
— Então é assim? Quando a Soul Society precisa todo mundo é importante e vale a pena salvar, mas quando ela precisa vocês ficam aqui discutindo que caminho seguir para não pisar em pedras?! — ele diz um pouco alterado.
— Acalme-se Ichigo-kun, você não está sabendo de todo o problema. — Shunsui toca em seu ombro.
— O quê? — Ichigo se vira para ele.
— Nós recebemos uma mensagem de Rukia-chan e o conteúdo dela é muito sério. — o capitão olha para Yamamoto e ele faz sinal para mostrar a mensagem.
Ele põe um dispositivo de vídeo e uma tela surge na lateral da sala, a mensagem possuía muita estática e mal dava para enxergar Rukia na tela.
— Rukia! — Ichigo exclama quando vê a amiga no monitor. — Ela estava de cabelos compridos e não vestia seu Haori de capitão no momento, sua companheira se encontrava muito ferida e com um corte profundo na testa, mesmo sua voz parecia cansada e ela falava com certa dificuldade.
— Aqui é a capitã Kuchiki Rukia do ...tzzz... Esquadrão do Gotei 13, na missão de reconhecimento nº 03 pelo distrito 80 ao ...tzzz... Rukongai. — Rukia parece engolir saliva para conseguir continuar a falar. — Interceptamos um sinal ...tzz... Não identificável com padrões ...tzz... ollow ...tzzz...
Ichigo começa a apertar seus punhos com força.
— Conforme o protocolo padrão de reconhecimento ...tzzzz... Missão, nos deparamos com uma entidade desconhecida ...tzzzz... Não é um Espada ...tzzzz... Droga muita interferência ...tzzz... Isso também é culpa dele seu poder faz isso com os comunicadores ...tzzz... Comandante não venham... Muito Forte... ...tzzz... Dizimou.... Esquadrão.... Menos de um dia ...tzzz...
Shunsui olha para as mãos de Ichigo e vê que sangravam.
— Ichigo-kun...
— Isolem a área, não há mais o que fazer ...tzzzzzz... Alimenta-se de reishi, preparem-se para o pior... ...tzzz... Lutarei até o fim... Sinto muito Renji... Perdão Nii-sama... tzzzz... — Rukia dá um close na tela parecendo melancólica. — Adeus... Ichigo... Tzzzzzzzzz...
A estática toma conta da tela e não se pode mais ouvir nada dando fim à transmissão.
— Kuchiki nos deu a idéia que se trata de um único inimigo, porém com poderes nunca antes visto e de um padrão não reconhecido, ela pressentiu o perigo que seus poderes representavam e conseguiu nos enviar esta última mensagem nos alertando sobre o que deveríamos fazer. — Soi Fon diz.
— E vai ficar por isso mesmo? — Ichigo pergunta de cabeça baixa.
— Nós estamos resolvendo isso agora, mesmo que tenhamos poder para invadir o local não podemos arriscar a vida de incontáveis shinigamis por...
— Nem ouse falar o que eu penso que vai falar... — Ichigo olha cheio de ódio para Yamamoto. — É DA RUKIA QUE ESTAMOS FALANDO AQUI! — grita explosivamente olhando para todo mundo.
— Se acalma Ichigo, não comece uma confusão agora! — Renji o segura.
— Eu não posso ficar calmo! — Ichigo pega Renji pelo colarinho. — Que merda você pensa que está fazendo que ainda não correu atrás dela!? Ela é sua amiga de infância! — Ichigo olha para Byakuya. — E você droga, ela é sua irmã e tudo o que faz é ficar aqui parado? — Pergunta ainda alterado.
— Acha que eu me preocupo menos que você com a minha irmã? — Byakuya olha frio para Ichigo. — Se você conhece Rukia sabe que ela não mandaria uma mensagem como aquela se não se preocupasse com a nossa segurança. — os olhos de Ichigo e Byakuya se encontram. — Foram de nossos nomes que ela se despediu naquele vídeo, como acha que eu me sinto?
Ichigo olha surpreso, suas mãos ficam trêmulas e ele larga o colarinho de Renji.
— Rukia jamais me perdoaria se eu arriscasse minha vida à toa depois de tudo o que fez para nos manter a salvo... — Byakuya vira o rosto pensativo.
Ichigo fica mudo e continua de cabeça baixa.
— Yoruichi-sama e o capitão Kurotsuchi Mayuri estão trabalhando na ampliação da área de comunicação para não temos problemas ao nos deslocarmos para o local, eles estão em uma localidade mais próxima à região de isolamento, poderemos deslocar um contingente de shinigamis ao ponto de controle para criar um grupo de contenção.
— Faça isso, agora devemos nos focar no campo de vigília dos distritos vizinhos e na manutenção da guarda da Seireitei, eu também quero que os capitães...
— Eu vou. — Ichigo interrompe Yamamoto.
Todos olham para ele.
O ruivo ergue o semblante parecendo assustadoramente sério.
— Eu estou indo salvar a Rukia.
— Kurosaki não aja sem pensar, não podemos arriscar que você vá sozinho! — Hitsugaya fala.
Yamamoto e Ichigo se encaram.
— Não vou permitir que arrisque sua vida sem planejamento, você é um importante aliado da Soul Society, irei pará-lo aqui mesmo se preciso! — Yamamoto se levanta de sua cadeira.
Ichigo dá as costas para Yamamoto e olha de relance para ele ainda com o mesmo olhar desafiador.
— Tente.
Ichigo some em um piscar de olhos da sala de reuniões.
— Aquele... Idiota!
— Deixe Yama-jii. — Shunsui olha divertido para o velho capitão. — O senhor sabe melhor do que ninguém que se alguém é capaz de sobreviver a isso, esse alguém é o Ichigo-kun.
— Além do mais o senhor tem outras coisas para se preocupar agora não é mesmo? — Ukitake acrescenta.
— Aquele idiota é assim mesmo. — Renji olha para a porta arrombada por onde ele saiu como um furacão. — O tipo de pessoa que busca respostas abrindo o seu próprio caminho não importando os tipos de obstáculos que encontrar.
— Eu estou cercado de capitães idiotas! — Yamamoto parecia furioso, mas seus capitães apenas sorriem ou riem com o estresse do velho que já esperava aquilo.
— Parece que com ele por perto nada consegue ficar parado... — Byakuya sussurra fechando os olhos e sorrindo discretamente com a borda dos lábios
— Yamamoto faz um sinal de ordem com a mão direita. — Entre em contato com a Central 46 e diga para começarem a aprovar o protocolo de emergência geral da Soul Society, eu quero isso para ontem!
— Sim senhor — o mensageiro desaparece.
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Bleach OST: Incantation (Parte C Opus 1)
Ichigo voava pelos céus de Rukongai com uma velocidade tão absurda que seus cabelos pareciam estáticos para trás como se estivessem duros por causa do uso de gel, ele rangia os dentes nervoso e preocupado.
Quando a mensagem de Rukia havia sido enviada? Por que não o avisaram mais cedo? Será que não era óbvio que se tratando de Rukia ele automaticamente viria? Ela havia falado que lutaria até o fim, mas o tom de despedida de sua voz e os machucados que ele conseguiu ver naquele vídeo tornam a respiração de Ichigo mais pesada e ele respirava como um touro procurando quebrar algum muro para descontar o estresse explosivo em sua cabeça.
— Não ouse morrer Kuchiki Rukia...! — suava nervoso e com voz e expressão trêmulas. — Por favor, resista até eu chegar...
Acelera ainda mais em direção ao octogésimo distrito.
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Longe dali a shinigami corria enquanto ar quente saia pela sua boca, ela exasperava olhando para trás e ao finalmente encontrar um local para se esconder se joga sentando escorada em uma parede de casa ainda em pé.
Rukia puxava longas golfadas de ar tentando se acalmar, seu braço estava com um corte muito profundo que doía e sangrava sem parar, mas ela não podia estancar a hemorragia com gelo nem reiatsu, isso a denunciaria e com certeza seria seu fim.
A shinigami arranca outro pedaço de sua roupa e começa a rapidamente amarrar em seu braço, assim como a batata de sua perna e pescoço sua testa também tinha ataduras improvisadas que já tinham consumido praticamente todo seu haori de capitã.
Ao terminar o serviço Rukia encosta a cabeça na parede segurando o braço dolorido e olhava para cima atenta a qualquer som.
Barulho de passos a deixam em alerta e a capitã olha afiada para o lado, os passos eram firmes e ela prontamente os reconhece.
— (É ele...) — pensava suando fria. — (Eu não posso desistir ainda, quanto mais tempo eu conseguir mantê-lo focado em mim, melhor para o Gotei 13 que conseguirá se preparar). — Rukia levanta apoiando as costas na parede, ela olha para sua mão direita enfaixada e com atadura embebida em sangue. — (Há quanto tempo estou lutando contra ele? Dois dias? Três? Já não faço idéia, mas só sobrei eu agora, meus homens morreram pelas mãos deste desgraçado). — a capitã começa a andar devagar em direção contrária à reiatsu que sentia. — (Espero que não tenham contatado Ichigo, ele com certeza viria sem pensar para cá e não quero vê-lo lutar contra esse monstro...).
Os passos se tornam mais pesados e repentinamente param, assim como Rukia que volta a ficar atenta aos movimentos.
— (Que engraçado, mesmo nessa situação eu consigo me preocupar com os outros mais do que comigo mesma). — ela sorri ao lembrar-se da bronca que havia levado do próprio ao vir resgata-la na Soul Society anos atrás. — (Ichigo... Espero que esteja bem...).
Um estrondo joga Rukia no chão e ela se arrasta escondendo-se atrás de um caixote.
— (O que ele está fazendo? Será que cansou de brincar e agora vai começar a me perseguir com mais afinco?). — A idéia não agradava muito a capitã.
Um ruído chama sua atenção e Rukia olha para o lado ficando surpresa. Duas crianças olhavam horrorizadas para a capitã escondidas atrás de barris de palha.
— (Essa não! Crianças, elas não sabem como esconder as suas presenças!). — grita em pensamentos.
Tarde demais Rukia vê a sombra se aproximando das crianças e chutando os barris revelando as pequenas que começam a gritar pedindo por socorro.
— PORCARIA! — Rukia ruge correndo e sacando sua lâmina. — Mae, Sode no Shirayuki! — A capitã pisa forte no chão apontando a lâmina para a sombra intimidadora. — HAKUREN!
A rajada de reiatsu branca arrasta a criatura como uma avalanche que cristaliza em seguida. Ela aproveita a distração para pegar as pequenas pelas mãos e empurra-las em uma direção.
— Fujam daqui, não olhem para trás não importa o que aconte...!
Audiomachine: Mercy in Darkness
Um cero perfura Rukia pelas costas transpassando seu peito pelo lado direito, a capitã cospe sangue surpresa pelo ataque repentino, a shinigami estava tão fraca que não havia sentido a intenção maligna do inimigo, ela ainda se mantém miseravelmente em pé e faz sinal para as crianças correrem que assustadas com a visão obedecem. Assim que vê as pequenas sumirem Rukia cai de joelhos no chão apoiando-se com a ponta da espada e olhando para frente.
As muralhas de gelo vão fragmentando ao passo que a criatura de aspecto humanóide surge, Rukia sabia que não era hollow, pois não tinha buraco em lugar nenhum, lembrava um vizard que era humano, mas tinha reiatsu e poderes hollows, porém, a capitã sabia que aquele monstro era algo mais profundo... Algo mais... Abissal...
A criatura se aproxima de Rukia e fica olhando para a shinigami.
— Desistiu de fugir? — a voz era igual à de uma serpente metálica falando.
— Na verdade não, mas eu acabei tropeçando em uma pedra sem querer e você acabou me ouvindo. — Ela brinca com sangue escorrendo pela boca e tremendo de dor por causa do buraco no peito que segurava com a mão livre.
Rukia leva um chute e jura sentir o pescoço quebrar, a capitã voa arrancando casas pelo caminho e um pedaço de madeira perfura sua barriga empalando-a pelo trajeto, ela grita ao sentir seus órgãos sendo perfurados e fica rolando no chão devido à dor lancinante.
A criatura se aproxima de Rukia e a pega pelo pescoço apertando-o com força e começando a absorver sua reiatsu que sobrara.
— Cento e doze horas e quarenta e sete minutos, este foi o tempo que fiquei brincando com você.
Rukia estava ficando sem oxigênio.
— Teste nº01 realizado com sucesso. — A criatura por fim diz e joga Rukia no ar atirando um cero em seguida que explode jogando-a chamuscada no chão, ao ver que tinha terminado o serviço a criatura começa a ir embora.
Rukia não conseguia ver nada, seu corpo não doía mais e nem se mexia, mesmo assim ela sentia o sangue quente que escorria pelas várias feridas de seu corpo e em poucos minutos tudo acabaria.
— Não consigo ouvir nada... Ele está vindo para cá finalizar o serviço? Não sei... Não sinto dor...
A shinigami sentia como se o seu corpo flutuasse.
— Será que deu tempo de se prepararem para ele? Espero que sim...
A imagem de Ichigo surge em sua cabeça, as discussões que eles sempre tinham as broncas que ela dava, as línguas de lagartixa que ele mostrava apenas para irritá-la, o curry de Yuzu, as brincadeiras de Isshin, as atitudes imorais de Kon, Karin brincando de bola na frente da casa da família Kurosaki... Ichigo novamente... E novamente... Novamente... Sumindo...
— Ichigo...
Os olhos de Rukia fecham.
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Hunter X Hunter_OST II_01 — Requiem Aranea
A reiatsu de Ichigo vacila e ele sente um mal estar no peito sufocante e pára sem motivo no ar, começa a chover e por Deus como Ichigo detestava qualquer tipo de chuva, ele aperta ainda mais os passos.
— Não, não, não! — Voa como nunca antes feito na vida.
Algum tempo depois Ichigo pousa sobre o distrito completamente destruído, ainda saia fumaça de algumas casas e ele começa a andar receoso pelo lugar.
— RUKIA! — grita.
O ruivo não via nenhum corpo e nem sentia qualquer presença por ali, seu coração começa a ficar mais acelerado conforme sua busca se intensifica.
— RUKIA SE PUDER ME OUVIR RESPONDA POR FAVOR! — grita com mais força ainda.
Ichigo pára de andar. Ele enxerga um corpo jogado no chão sendo banhado pela chuva e envolto em uma poça de sangue e lama, sua visão treme e sua cabeça dói fazendo-o levar a mão à têmpora, suas pernas pesam e sua respiração se torna difícil conforme se aproxima e passa a reconhecer os traços daquela pessoa.
A primeira lágrima desce quando chega diante dela ao passo que o peso de suas pernas o fazem cair de joelhos no chão sujando-o de lama e com o sangue dela.
— Kia...? — ele engasga. — Ru... Kia? — ele toca no rosto da pequena.
Rukia não se mexia e seu corpo estava congelando, nem o gelo de sua zanpakutou que normalmente a recobria para conservar suas feridas estavam ali fazendo Ichigo se desesperar ainda mais, o coração do ruivo queria sair pela boca, mas ele grita antes que isso aconteça.
— RUKIAAAAAAAA! — o nome da pequena sai em um tom desesperador e sofrido enquanto ele a pega nos braços apertando-a com força e chorando sem controle. — Rukia acorda, por favor, abre esses olhos! — ele não a largava de jeito nenhum. — Por favor, não faz isso comigo...! Tantas coisas... Tem tantas coisas que eu preciso te dizer...! — Enterra seu rosto no pescoço da capitã e soluça puxando golfadas de ar sofríveis e espasmódicas. — Rukia... Por que...? Por que... — enterra o rosto no peito da amiga desconsolado.
(Batida de coração)
Ichigo abre os olhos e fita a companheira.
— Rukia? — olha surpreso e volta a pôr seus ouvidos sobre o peito da amiga.
(Batida de coração)
Ichigo olha mais surpreso ainda. Não restavam dúvidas, era o coração de Rukia batendo, mas eram batidas fracas, porém constantes.
— RUKIA! Aguente firme, sou eu o Ichigo. Rukia! — grita para a amiga, mas ela obviamente não iria responder. — Eu vou levá-la até a Seireitei... — Não ia dar tempo e ele logo se toca disso. — Não...! O que eu faço? Eu não sei usar Kidous! — Isso faz o ruivo ficar desesperado. — Eu preciso fazer alguma coisa! — olhava de um lado para o outro e logo uma idéia surge.
Ichigo pega Rukia no colo e sai correndo atrás de abrigo, ele demora a achar uma casa que estivesse de pé, mas entra e põe Rukia no chão correndo atrás de algum pano seco que pudesse aquecê-la.
— Achei! — seus olhos brilham ao encontrar algumas roupas e o que pareciam lençóis velhos cheios de remendos, ele volta até Rukia e fica olhando para a shinigami, ele tira suas roupas e põe uma das calças velhas que havia encontrado, em seguida olha para Rukia e começa a tirar as roupas da shinigami morrendo de vergonha, mas o desespero de perdê-la fala mais alto e ele a cobre com o lençol. — Vamos lá Rukia...
O ruivo parecia impaciente como se esperasse o corpo de Rukia esquentar, mas nada de diferente acontecia.
— Qual é?! Esquenta logo! — braveja chutando as suas roupas.
Ele fica olhando para Rukia e logo seu rosto fica sério, Ichigo pega Rukia no colo e senta escorado na parede do recinto onde estavam e os cobre com os lençóis pondo Zangetsu ao seu lado e passando a montar vigília enquanto gradativamente passa a esquentá-la com sua própria reiatsu.
— Não vou deixar você morrer nem que seja a ultima coisa que eu faça Rukia... — olhava sério para o rosto ferido da amiga inconsciente. — Porque eu... Ainda tenho uma promessa que não cumpri e preciso de você para cumpri-la está me ouvindo... — sussurra perto de seus ouvidos enquanto fecha os olhos voltando a se emocionar ainda com medo.
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Os shinigamis corriam de um lado para o outro se preparando para atacar uma criatura de proporções humanoides que se aproximava do distrito onde a guarnição em que se encontravam Yoruichi e Mayuri estava. Ele vinha empunhando uma espada rústica.
— Teste subjetivo nº02: nível de tolerância alpha, eliminar alvos restantes e prosseguir para Seireitei.
— Bloqueiem a passagem com as barreiras! — Yoruichi grita e alguns shinigamis que estavam no céu jogam espécies de teias emaranhadas de reiatsu que forma uma muralha de energia.
A criatura chega próximo à muralha e curiosamente põe a mão levando um forte choque de repulsão e fitando a mão queimada que começa a regenerar.
— Não podem me deter. — ele segura sua espada em posição de combate e desfere um corte transversal que corta não apenas uma boa parte da barreira, como alguns shinigamis que estavam em cima dela.
— Rukia tinha razão... Ele é muito mais forte do que um simples Espada! — Yoruichi corre até o monitor de comunicação. — Comandante Yamamoto métodos de contenção não será suficiente, prepare o canhão de Kidou!
— O protocolo ainda está em andamento. — ele responde.
— Maldita Central 46! — Yoruichi bate nos teclados. — Eles demoram a aprovar porque não são eles que vão morrer aqui salvando a pele deles! — braveja.
Yamamoto concordava com aquilo, mas uma briga com as leis e autoridades superiores à dele próprio era a última coisa de que o velho comandante precisava naquele momento.
— Os capitães já estão a caminho. — ele avisa.
— Já era para eles estarem aqui! — a primeira explosão faz Yoruichi olhar alarmada para trás. — Tente agilizar tudo Comandante ou o senhor lutará sozinho muito em breve! — Yoruichi encerra a comunicação e inicia outra.
— Yoruichi-san? — a voz do loiro surge surpresa.
— Kisuke, como está indo? — ela pergunta com voz de urgência.
— Ainda vai demorar Yoruichi-san, onde está Kurosaki-san?
— Não sei, ninguém sabe, mas se ele encontrou com esse monstro que está nos atacando agora e com o poder reduzido que tinha eu não tenho muito o que achar Kisuke!
— Isso não é nada bom! — Urahara parece suar nervoso. — Não vou conseguir aprontar em menos tempo Yoruichi-san você vai ter que fazer alguma coisa.
Yoruichi fita Kisuke com seriedade.
— Então por prevenção creio que é melhor eu dar um adeus. — ela fala séria.
— Yoruichi-san isso não e coisa que se diga...!
— Adeus Kisuke.
— Yorui...!
A morena faz um sinal apertando o botão de encerramento e olha para os shinigamis.
— O que estão olhando!? Vamos! — Ela salta usando shunpo e os shinigamis urrando a seguem em seguida.
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Final Fantasy Chronicles Carol (scat)
Quando o corpo de Rukia começa a aquecer ela passa a tremer bastante e Ichigo fica sem saber o que fazer, mesmo aumentando sua reiatsu aquilo não era suficiente restando a conclusão que a tremedeira se devia à perda de sangue, com passar do tempo ela fica mais calma e Ichigo se sente aliviado ao conseguir sentir o fraco calor da respiração de Rukia, ele monta vigília até cansar, mas devido o barulho da chuva e calor que dividiam o ruivo acaba adormecendo.
As mãos de Rukia mexem um pouco e Ichigo acorda novamente.
— Rukia? — ele fica atento.
Alarme falso, ela apenas geme e vira o rosto dormindo escorada em seu peito. Àquela altura Ichigo já havia improvisado ataduras limpas às feridas de Rukia e ele sentia a reiatsu dela voltando e estancando a hemorragia inconscientemente com o poder de Sode no Shirayuki, ela não tinha mais aquela cor pálida por causa do frio, mas tinha febre indicando que seu organismo começava a tentar reagir aos ferimentos.
Ichigo sorri e passa a dedilhar os traços do rosto de Rukia, ele tinha sentido tanto medo horas atrás que só era comparável à dor de perder sua própria mãe, mas agora ele podia se permitir esperar e ver aqueles olhos violetas abrindo novamente.
Quais seriam suas primeiras palavras?
O ruivo ri sozinho ao imaginar que provavelmente ela o insultaria como de costume.
Ele estava feliz, não restavam dúvidas que a figura única de Rukia causava a exteriorização de diferentes emoções ao rapaz que sem pensar acaba abraçando-a forte.
— Obrigado por estar viva... Rukia...
Ichigo adormece novamente e totalmente alheio ao fato de que sua atitude impensável e milagrosa faria surgir um novo poder dentro dos shinigamis que ia muito além do amor que ainda descobririam sentir um pelo outro...
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Continua...
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