Quando O Futuro Vem Dos Céus - The Lost Tales

1 Rukia & Ichigo - Confissões do Passado I


Notas iniciais
No Conto 01 narraremos como Ichigo e Rukia confessam seus sentimentos um ao outro após uma batalha de vida ou morte ainda na dimensão pertencente ao futuro de Hisana e antes dos eventos que culminariam com a destruição de seu futuro.Este Conto será sobre este dia em especial...

ABERTURA DE THE LOST TALES

—_____________—_________________________________

Bleach — Always Be With Me in Mind (Instrumental)

Após as inúmeras batalhas vencidas e a paz ter finalmente sido reconquistada Karakura vivia não somente seus dias de glória como também momentos de alegria no qual era possível se construir as melhores lembranças.

Ishida agora era residente do hospital de seu pai e um dia trabalharia ali sob sua supervisão, era o caminho que ele havia escolhido e que pretendia seguir e suceder o mais rápido possível, Inoue Orihime estava voltando à Karakura e ele queria mostrar que era o homem que ela procurava.

Inoue havia recebido uma bolsa para estudar na universidade de Tóquio e fazia magistério, seu sonho de tornar-se professora estava próximo e ela contava os dias para retornar à Karakura e ver seus amigos, especialmente Ichigo por quem ainda era apaixonada e Tatsuki que havia se tornado mestra da academia onde ela e Ichigo um dia treinaram.

Sado termina o ensino médio e viaja para o exterior, lá ele faz faculdade de engenharia civil, Ichigo e seus amigos nunca mais haviam visto o latino, porém sabiam que ele estava bem e que namorava. Ela se chamava Andressa e era mexicana, nada tão surpreendente, exceto pelo fato dela ter sensibilidade espiritual acentuada e já ter visto shinigamis em seu país.

Ichigo era estudante universitário cursando seu último ano e tinha um sonho: Continuar ajudando as pessoas que amava. Mas não seguindo os mesmos passos que seu pai ou o pai de seu amigo Ishida e sim estando nas ruas lado a lado daqueles que precisavam de sua ajuda imediata. Por isso ele fazia o curso de direito. Por isso Ichigo queria ser policial.

O ruivo tinha 21 anos e devido as notas que recebera no ensino médio terem sido medianas por causa de seu trabalho como shinigami ele resolve cursar em uma universidade próximo a sua cidade, ele nunca deixara de lado o seu trabalho de shinigami, principalmente depois da escolha que havia tomado anos atrás...

—_______________________________________________

Todos olhavam estupefatos para Ichigo na sala do comando geral do Gotei 13, o ruivo havia tomado uma decisão que não necessariamente agradava a todos os presentes.

— Tem certeza Kurosaki? — Hitsugaya pergunta.

— Sim. — ele responde à Hitsugaya sem olhá-lo, mas sorria para Yamamoto à sua frente com sinceridade.

— Se fizer isso Ichigo-kun poderá haver riscos, está ciente disso? — Kyoraku pergunta.

— Sim eu estou não quero ir para o esquadrão zero e viver no palácio real, posso ser um shinigami, mas sou um humano antes de tudo, agora que o mundo está em paz não precisam mais de mim aqui, além disso, minha família me espera e não quero ficar longe deles, por isso, sacrificar a parcela do poder que me impede de viver como um humano normal é justo se isso me der a oportunidade de realizar meu sonhos. — responde.

— Ichigo... — Rukia baixa a cabeça, mas sorri com a sinceridade que lhe cabia no momento.

Renji olha para Ichigo e ambos sorriem enquanto ele assente com a escolha do amigo.

Os capitães respeitam a decisão de Ichigo e uma quantidade imensurável de poder é selada no shinigami. O ruivo precisa ficar alguns dias na Soul Society para se recuperar dos efeitos colaterais do selo e aproveitava para bagunçar com Renji que era mais um novo capitão do Gotei 13.

— Vou andar por ai, até mais capitão abacaxi. — se despede.

— Vai pro inferno tangerina estropiada!

Ichigo sai gargalhando do quartel do 5º esquadrão, mas assim que dá as costas ele fica um pouco melancólico, o shinigami andava distraído pela Seireitei olhando de forma saudosa para os locais que já havia visitado, ele sente um reiatsu familiar lhe chamando e olha em direção à grande muralha da Seireitei, ele estava proibido de usar reiatsu enquanto se recuperava do procedimento e por isso demora um pouco para chegar onde pretendia.

Ele olha para a pessoa que lhe aguardava.

— Uma ajudinha para subir até que cairia bem sabia? — pede sem graça.

A pequena desce e segura sua mão.

— Desculpe, tinha me esquecido que não pode usar sua reiatsu. — ela lamenta e Ichigo percebe a mesma melancolia em seus olhos.

— Não precisa se desculpar Rukia.

Com um rápido shunpo ela pula no topo da muralha e ambos sentam podendo vislumbrar toda a cidade, assim como Rukongai logo atrás.

Eles ficam calados apenas observando a paisagem, mas logo Rukia inicia uma conversa.

— Você salvou a todos nós Ichigo e eu lhe agradeço por isso.

— Não fale como se eu tivesse feito tudo sozinho, você também fez muita coisa, assim como os outros que lutaram e perderam a vida protegendo a Soul Society.

— É... Tem razão...

Eles voltam a ficar em silêncio, Ichigo olha para o lado e percebe que Rukia parecia triste, não que ele estivesse diferente. Muita coisa havia acontecido desde o dia que se conheceram e no final o que sobrava de todas as suas aventuras era mais uma triste despedida.

Rukia suspira.

— O capitão Ukitake deseja que eu me torne uma capitã do Gotei 13, ele disse estar conversando com outros capitães sobre essa possibilidade.

Ichigo olha surpreso.

— Isso parece bom, afinal você se tornou alguém muito poderosa, não é surpreendente que receba essa indicação dele, Byakuya deve estar muito feliz não é mesmo?

— É... — Rukia responde melancolicamente e volta a ficar calada.

— Você não parece muito feliz. — Ichigo olha para ela.

— Se eu me tornar capitã não poderei mais ir a Karakura como costumava ir antigamente, vou ter muitas restrições e ficará difícil visita-los como de costume...

—... Entendi...

Ichigo fica triste.

— E então o que vai fazer? Vai aceitar?

Rukia olha rapidamente de relance para ele e baixa a cabeça.

— Eu ainda não sei... Não faz nem muito tempo que me tornei tenente e do nada já me querem como capitã... Não sei se consigo, acho que é muita responsabilidade para mim Ichigo.

— Bobagem, você consegue sim Rukia, você é a pessoa mais competente que eu conheço, já fez coisas que até o Reio duvida, se você se tornar capitã não tenho dúvidas de que o seu esquadrão estará em boas mãos. — o ruivo sorri.

Ela sorri com a borda dos lábios em retorno.

— Obrigada.

A conversa não fluía nada bem, algo remoía dentro de ambos, Rukia sabia que Ichigo não era mais aquele garoto de quinze anos, ele tinha outras responsabilidades agora e como ser humano ele teria que seguir em frente... Ela como shinigami teria que seguir por outro caminho...

— Nossa como eu fiquei surpreso quando disseram que iriam guardar um lugar para a Inoue e o Sado no Gotei, eu fiquei boquiaberto você viu?! — ele tenta mudar de assunto e animar um pouco a pequena.

— É eu também fiquei, mas todo mundo cresceu durante a última guerra e tanto Sado quanto Inoue se tornaram importantes aliados da Soul Society, não é de se admirar que tenham recebido uma recomendação para exercer futuramente o posto de capitão.

— Mas eles também recusaram pelo mesmo motivo que eu... — Ichigo lembra.

— Sim... Acho que no final a Soul Society não tem o direito de intervir nas escolhas dos humanos, principalmente em pessoas tão jovens quanto vocês, mesmo que tenham poder para isso... Destino é uma coisa muito forte, é difícil ir contra...

— Eles vão perseguir os sonhos deles e eu perseguirei os meus, acho que é o mais correto a se fazer. — o ruivo faz uma expressão sonhadora enquanto inclina o corpo e se deita no chão.

Rukia olha para ele.

— Seus sonhos? Quais são?

Ele fica com vergonha e deita de lado evitando olhar a morena.

— Não vou contar você vai rir.

— Eu não vou rir, prometo. — Ela diz, mas já com um sorriso nos lábios.

—... Eu... Eu quero ser policial.

— Policial? — ela olha surpresa.

Ele assente.

— Agora que tudo está em paz eu quero voltar e me tornar policial, assim eu vou poder continuar ajudando as pessoas e como vou manter boa parte de meus poderes eu vou tentar ajudar o máximo de pessoas que precisarem de mim.

Rukia ri.

— Olha ai! Não disse que você ia rir! — Ichigo senta zangado.

— Não é isso. — ela se desculpa colocando as mãos tentando se defender. — É que isso que acabou de dizer, o seu sonho... É tão você Ichigo. — ela sorria. — Mas você disse “sonhos” o que mais pretende fazer?

Ele fica com vergonha novamente e volta a deitar de lado.

—... O outro é que eu não vou contar mesmo...

— Conta vai... — ela tenta atiça-lo cutucando sua cabeça.

— Não.

— Conta vai... — Ela não desiste.

— Tsc! Tá bom, mas se você rir eu vou embora. — ele ameaça sentando e cruzando os braços de costas para ela.

— Haaaai! — ela faz sinal de juramento com a mão.

— E-Eu... — Ichigo fica desconcertado.

— Ichigo?

— E-E-Eu quero ter uma família. — a expressão dele tremia enquanto sua face esquentava de vergonha.

Ichigo não ouve qualquer reação da companheira, muito menos seu riso, então olha de relance para saber o que ela estava fazendo.

Rukia olhava surpresa para ele, aquelas eram palavras bem inesperadas vindas dele ao ponto de deixa-la sem reação. A morena sorri e desvia o olhar para a Seireitei.

— Tenho certeza que você vai constituir uma família muito feliz Ichigo e eu vou torcer por isso.

Ichigo olha surpreso e coça o pescoço também sentando para olhar novamente para a Seireitei.

— Assim eu espero... Mas dada a minha personalidade vai ser bem difícil encontrar alguém por lá.

— Seu tolo, já tem alguém que ama você ao seu lado. — Rukia responde sorrindo para ele.

Ichigo fica vermelho.

— Que... Quê? — ele engasga.

— Seu bobo, não percebeu que Inoue é apaixonada por você?

A expressão de Ichigo treme.

— Que... Quê? — ele engasga novamente.

Rukia suspira.

— É por isso que eu vivo te batendo, tem horas que você é muito burro Ichigo... — uma veia raivosa surge na têmpora da shinigami.

Ichigo fica calado para não somente levar uma tapa da companheira, mas para pensar ou tentar raciocinar direito o que tinha acabado de ouvir.

— Eu entendo que por causa da vida agitada que teve você não teve tempo para pensar em seus próprios sentimentos, quanto mais nos sentimentos dos outros, mas assim que voltar para Karakura você não terá que se preocupar com o que acontece por aqui, por isso Ichigo... — Rukia olha para ele e toca em seu ombro. — Comece a prestar mais atenção naqueles a sua volta e passe a buscar sua própria felicidade, esse é o propósito mais importante do ser humano, é por causa dessa felicidade que queremos dar a vocês que nós shinigamis existimos. — Ela olha com ternura.

Ichigo fica calado e sua expressão vacila quando Rukia lhe diz isso, seu coração fica acelerado e sua temperatura aumenta, ele vira o rosto e baixa a cabeça pensativo.

— E-Eu vou tentar Rukia... Mas se eu não gostar dela? — pergunta.

— O importante é não desistir de tentar ser feliz e continuar procurando por aquela que vai ser a pessoa mais importante de sua vida, esse é um dos seus sonhos afinal de contas, não é mesmo? — ela sorria para o ruivo.

Ichigo apenas assente.

— Ma-Mas se... Se eu já tiver alguém que considero mais importante?

— Então diga o que sente por ela antes que perca a chance, pode não haver outra sabia? — Rukia se levanta e estende a mão para ele. — Vamos você precisa descansar mais um pouco antes de voltar para casa, eu levo você.

Ichigo não tinha ouvido.

— Ichigo?

— Uhm? — ele olha para cima. — O quê?

Rukia sorri.

— Já está tarde, você precisa descansar.

— Tá... — ele se levanta, mas antes de partir olha para a pequena.

— Né Rukia... E os seus?

— Meus o quê?

— E os seus sonhos, quais são eles?

Rukia cora um pouco e desvia o olhar.

— Eu disse os meus sonhos, agora você vai ter que dizer os seus para ficarmos quites! — ele põe as mãos na cintura e começa a encará-la.

— Ah...! — ela se afasta um pouco quando Ichigo chega perto demais.

— Rukia!!! — Ichigo a pressiona falar.

— Tá, eu vou falar se acalme! — ela o empurra.

— Então?! — ele fica emburrado.

Rukia faz bico zangado e vira o rosto ficando corada.

— E-Eu também... — Ela suspira e toma coragem de uma vez. — Eu também quero ter uma família.

Ichigo olha surpreso.

Ela continua de costas, mas sua voz flui mais naturalmente.

— Antes de conhecer meu Nii-sama o mais próximo de família que eu já tive foram meus amigos de Rukongai e o Renji que sempre esteve comigo, mesmo assim o sentimento é diferente... — ela se vira para Ichigo e continua corada. — O calor de “ter uma família” é diferente do calor de “se constituir” uma família, você passa a ter obrigações diferentes e sua atenção se volta a se esforçar para tornar a quem ama feliz, além do mais você cria um vínculo com aqueles que fazem parte de um mundo criado por você mesmo e nesse pequeno mundo... — Rukia olha para sua mão. — Você se torna o pilar daqueles que compartilham deste mesmo sonho.

Os dois ficam calados.

— Argh!!! Tá vendo o que você me obrigou a dizer Bakamono?! — Rukia se vira zangada e desconcertada. — Agora você vai ter que dar o seu jeito de descer daqui como castigo por causa disso! — Rukia some com shunpo não conseguindo mais encarar Ichigo.

Porém o ruivo estava perdido em pensamentos e aparentemente não tinha prestado atenção na revolta da companheira, ele fica de cabeça baixa digerindo aquelas palavras.

— Parecidos... Somos parecidos... Rukia...

Ichigo olhava em direção ao horizonte ainda perdido em pensamentos.

Bleach — SUIT~2nd Mov. Going Home

Rukia não conseguia dormir naquela noite, assim como Ichigo que revirava na cama. O ruivo estava hospedado na mansão Kuchiki e ficava incomodado com o pensamento que lhe remoía repetindo as palavras de Rukia como uma reza em sua cabeça.

Já Rukia pensava no porquê de ter falado aquelas coisas para Ichigo, ele provavelmente deveria estar achando que ela era uma grande idiota e com certeza estaria zangado por tê-lo deixado sozinho na muralha da Seireitei, ela não parava de se remexer na cama até que:

— Argh! — ela levanta esfregando os olhos e sai do quarto tentando não fazer muito barulho, então fica sentada em frente ao seu quarto aproveitando o sereno.

O quarto de Byakuya ficava ao lado do quarto de sua irmã e ele percebe que havia algo errado, por isso se agasalha e também sai.

— Rukia.

— Ihii! — ela arrepia feito um gato ao ouvir a voz fantasmagórica. — Nii-sama!? Vo-você me assustou... — ela segurava o coração tentando acalmá-lo.

— O que faz acordada?

— Ah... Bem... Eu estive pensando sobre aquela proposta...

— De se tornar capitã?

Ela confirma com a cabeça.

— Você não precisa aceitar se não se sentir preparada, no momento não existe shinigami com capacidade para exercer este posto que não seja você, por isso o Gotei 13 vai esperar o tempo que for necessário até que você se sinta preparada para exercer tal função... Mas isso você já sabia... — Byakuya senta ao lado de Rukia. — Por isso sei que não é apenas isso que a incomoda...

Ela fita o irmão de relance e passa a olhar melancólica para a lua.

— Sei que não sou o melhor ouvinte e talvez nem a pessoa mais apropriada para estar aqui, contudo eu...

— Estou com medo Nii-sama...

Byakuya olha para Rukia que continuava olhando para cima.

— Estou com medo de perder os meus amigos e nunca mais poder vê-los ou participar de suas vidas... — Rukia se encolhe abraçando os joelhos. — Eu acho que fui a primeira shinigami na história a fazer amizade com seres humanos e também a que mais causou problemas com a entrada deles em minha vida, nunca pensei que me sentiria tão mal ao vê-los partir para viver suas vidas e pela primeira vez eu realmente me sinto distante deles... Talvez seja por causa disso que os shinigamis foram proibidos de se aproximar dos humanos... Porque no final isso só nos faz sofrer... — Uma lágrima silenciosa desce do olho esquerdo de Rukia.

—... Entendo...

— Nii-sama eu vou ficar mais forte, vou dar bastante orgulho ao nome Kuchiki e às memórias de Hisana nee-sama, então vou aceitar o posto de capitã como você deseja.

— Rukia, você não precisa provar mais nada para mim, já passou da hora de fazer suas escolhas não porque é o melhor para os outros, mas sim porque é o melhor para si, não quero que você se sinta presa como em uma gaiola sem poder ser livre... Sua irmã nunca me perdoaria... Eu nunca me perdoaria...

— Nii-sama...

— Por mais que algumas escolhas futuramente sejam difíceis de serem tomadas as faça com apenas um único propósito: Ser feliz. — Byakuya toca no ombro da irmã e começa a levantar. — Já passou da hora de você começar a viver em um mundo onde é livre para fazer suas próprias escolhas, você é uma Kuchiki e também o orgulho dessa família.

Rukia olha surpresa e Byakuya sorri discretamente.

— Vá descansar em algumas horas você precisará se despedir de seus amigos.

Rukia se levanta e parecia mais aliviada.

— Por que será que nunca paramos para conversar assim? — ela sorria.

— Porque não era eu quem mais estava por perto. — ele responde entrando no quarto sem dar espaço para mais argumentos.

— Nii-sama...

Bleach — SUIT~1st Mov. Going Home

Na manhã seguinte o Senkaimon estava aberto e Ichigo pronto para partir com Inoue e Sado.

— Boa sorte Sado. — Renji cumprimenta o latino com um forte aperto de mãos.

— Uhm! — Ele assente.

Ishida ajeita os óculos.

— Tente não exagerar Abarai-san.

— Olha quem fala. — o ruivo fita de relance. — Se cuide quatro olhos.

— Q-quatro olhos!? — uma veia surge na testa de Ishida

— Até a próxima Inoue! — Renji rapidamente muda a direção do diálogo e se despede da ruiva que o abraça forte.

— (Ignorado!) — Ishida gritava em pensamentos.

— Até a próxima visita Renji-kun! Boa sorte como capitão!

— Pode crer! — ele abre um largo sorriso e se vira para Ichigo.

— Ichigo seu idiota qualquer dia desses eu passo lá para chutar a sua bunda.

— Nem inventa de aparecer perto de mim seu cabeça de nabo vermelho eu vou estar muito ocupado estudando para ser alguém na vida e por isso vou fingir que nem te conheço, especialmente se você vier vestido de cowboy como da última vez!

Renji ri alto.

— Minha nossa tem alguém filmando o que você está dizendo?!

Matsumoto mostra a câmera discretamente.

— Oras seus...!

Os dois começam a brigar.

— Ichigo.

Eles param e o rapaz de cabelos laranja olha para frente. Rukia sorria serenamente para ele.

— Nos veremos em breve... Até lá eu me tornarei uma nova capitã do Gotei 13 e você realizará aquilo que me disse. — ela estende a mão para cumprimentá-lo. — Então se cuide “garoto”.

Ichigo sorri.

— Você também “shinigami”. — ele a cumprimenta.

Eles continuam de mãos apertadas até que Shunsui toca nos ombros dos dois.

— Creio que chegou a hora não é mesmo?

Ichigo e Rukia ficam corados e dão um passo para trás.

— Abram o portal. — Yamamoto ordena.

O esquadrão de Kidou abre o enorme portal dimensional e Inoue, Ishida e Sado atravessam sendo muito aplaudidos.

— Boa sorte pessoal! — gritavam alguns shinigamis.

— Sejam felizes! — Hanatarou gritava.

— Façam uns bebezinhos para me apresentarem depois! — Grita Matsumoto.

— Matsumoto... — Hitsugaya a repreende.

Ichigo conversa com Byakuya e outros amigos que ele fez no percurso de sua vida, então sorri para aqueles shinigamis que fizeram parte das incontáveis batalhas e aventuras e se despede com um gesto simples de mão.

— Se cuidem pessoal. — ele anda em direção ao Senkaimon.

Rukia olhava Ichigo partir e seu coração ficava mais acelerado à medida que seus passos os separavam ainda mais, até que por impulso ela corre.

Ichigo adentra o Senkaimon que começa a fechar.

— ICHIGO!

A voz de Rukia o deixa surpreso e ele olha para trás.

— RUKIA?

Ela olhava ofegante para ele que parecia ter alguma coisa entalada na garganta assim como ela.

— Ichigo eu...!

O portão se fecha e a última coisa que ela consegue ver são seus olhos serenos em despedida ao contrário dele que enxerga seus olhos marejados.

—_______________________________________________

Bleach — Torn Apart

Ichigo andava pela universidade após lembrar-se de tudo o que tinha acontecido, Rukia mandava cartas e às vezes ligava contando as novidades. A Soul Society estava passando por um processo de reconstrução. Não apenas daquilo que havia sido destruído durante a guerra, mas suas leis pareciam estar mudando também, pouco a pouco, mas o suficiente para tentar fazer da Soul Society um lugar melhor.

Rukia havia se tornado capitã como havia prometido e em sua última carta ela explica estar envolvida em incontáveis missões por escolha dela mesma em eliminação de focos de resistência ainda presentes da última guerra e na segurança de distritos mais distantes outrora esquecidos pela Soul Society.

Sem querer a nova capitã do Gotei 13 fazia fama por causa de suas ações e por ser ex-moradora de um distrito tão violento como Inuzuri não demora e novos shinigamis surgem querendo seguir o seu exemplo.

Isso deixava Ichigo muito feliz, vez sua companheira seguindo em frente lhe dava mais motivação em perseguir seus próprios sonhos, mas com o passar dos anos as cartas e ligações de Rukia diminuem e ele fica sem saber o motivo.

Urahara entra em contato com Ichigo dias depois e o ruivo se dirige à loja do cientista, lá ele explica que a capitã estava ocupada com uma importante investigação e que por causa disso não podia entrar em contato com ele, não porque não queria, mas porque estava há semanas sem voltar para a Seireitei.

— Como assim Urahara “semanas sem voltar”? — Ichigo não estava nada contente com a notícia.

— Kuchiki-san partiu com um esquadrão semanas atrás em uma missão de reconhecimento no distrito 80 ao Norte de Rukongai, ela mantinha contato regularmente sobre o andamento da missão, contudo há alguns dias a Seireitei perdeu contato completamente com seu esquadrão.

— O quê?! — Ichigo levanta do chão olhando nervoso. — Mas que missão é essa?

— Uma reiatsu desconhecida tem circundado os distritos mais isolados e fronteiriços de Rukongai, o 12º esquadrão vem monitorando as fontes dessa reiatsu, mas ela se locomove muito rapidamente e sempre que está para ser diagnosticada ela desaparece. — Urahara mostra alguns papéis com leituras que Ichigo não conseguia entender. — Isto é uma leitura de pico de reiatsu ela é constante, mas sempre há um decréscimo quando está para desaparecer e ela sempre some próximos dos distritos de 78 a 80 ao Norte de Rukongai.

— Então Rukia se prontificou a investigar e há alguns dias perderam contato com ela? — Ichigo estava sério.

Urahara assente.

— Yoruichi-san já está trabalhando no caso, assim que Byakuya-taichou entrou em contato conosco Kurotsuchi-taichou despachou um grupo de pesquisa para analisar a situação junto com a equipe de Yoruichi-san, em breve teremos notícias.

— Urahara-san abra o Senkaimon para mim, eu estou indo para a Soul Society agora mesmo.

— Mas Kurosaki-san e seus estudos?

— Ligue para o Kon e mande que ele vá às aulas por mim e faça as anotações. — Ichigo pega sua bolsa. — Eu me viro depois.

— Mesmo assim...

— Rukia é uma companheira importante para mim Urahara-san, eu não posso ficar divagando em decisões que não preciso pensar em tomar para saber que preciso agir! — ele responde antes que Urahara complete sua pergunta.

O cientista sorri.

— Tudo bem, eu vou preparar o Senkaimon imediatamente e não se preocupe com nada aqui, eu cuidarei de tudo enquanto estiver fora.

— Obrigado. — Ichigo pega o emblema de shinigami dentro de sua bolsa e fica olhando durante um instante. — Já faz algum tempo que não vou até a Soul Society...

— Não se preocupe, o máximo que acontecerá é ficarem felizes em vê-lo outra vez.

Ichigo usa o emblema e seu corpo cai no chão, ele se dirige ao porão da loja e lá aguarda ser enviando para a Seireitei.

— Aguente firme Rukia, eu já estou indo! — diz enquanto cerra os punhos muito preocupado com a companheira.

Assim tem início uma nova batalha para Ichigo...

—_______________________________________________

Continua...

—_______________________________________________

Notas finais
Alguns Contos serão quase mini arcos com mais de dois capítulos, outras serão one-shots e algumas não terão relação alguma com a cronologia original de QFVDC, mas servirão para desenvolver o relacionamento de alguns personagens à parte das temporadas que já escrevo e poderá existir Hentai...Como a narrativa não dá espaço para desenvolver estes momentos importantes "Tales" terá este propósito e eu espero que com ela vocês possam ler a fanfic com novos olhos.