Quando O Amor Acenar
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Notas iniciais
Capítulo Dois
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Por pouco Sakura não chegou atrasada no hospital e assim que entrou na portaria, correu pelos corredores em direção à um escaninho cinza, onde ela guardava uma pasta cheia de folhas e notas e seu jaleco incrivelmente branco e dobrado. Era assim que Sakura Haruno funcionava: Tudo em seu devido lugar, funcionando do seu devido jeito. Sempre foi assim. Vivia numa caixinha de conforto e sair de lá era algo tão desesperador, que não era nem se quer uma opção.
Mas, por mais que seu nome fosse chamado várias vezes por enfermeiros que ajudariam no plantão, seu subconsciente estava chateado pelo o ocorrido na padaria. Aquele rapaz alto e extremamente bonito em que se esbarrou, olhou-a de forma tão fria! Parecia que a existência da rosada fosse desprezível. Como se ela estivesse completamente errada em encostar em seu braço levemente: Parecia uma ofensa. Sakura fingia desconhecer o motivo para começar o dia abatida, mas odiava essa sensação de ter deixado algo passar.
Nesses momentos, por mais sem querer que fosse, a rosada desejava poder voltar no tempo e não fazer nada: na hora que esbarrasse nele, simplesmente continuaria andando e nem olharia; como se aquilo não valesse o esforço. Mas, ela sabia que não conseguiria, pois era a famosa "Testuda fraca", como Ino costumava chamá-la.
"Que idiotice", pensou.
Vários quarteirões longe dali, Ino estava deitada com o cobertor debaixo das axilas, enrolado em seu corpo como uma deusa grega. A loira gostava daquilo, gostava de se sentir bonita e poderosa e nem percebia que talvez, estaria com Gaara exatamente por ele passar essa sensação e não por amor. E enquanto isso, o ruivo estava ao seu lado, com o peitoral malhado de fora e braços atrás da cabeça — encostado na cabeceira da cama com sua feição indecifrável.
Gaara estava pensativo. Olhava para um cobertor mais fino que cobria seu colo e tentava manter uma linha de raciocínio fixa que parecia mais confusa e emocional.
Estava suado e cansado pelo sexo que teria feito. Aquele sexo sujo e com ódio que acontecia normalmente depois de uma discussão besta. Ele não sabia muito sobre relacionamentos para poder dizer se aquilo era normal e saudável ou não, afinal, Ino fora a primeira pessoa que se apaixonara por completo.
Ino surgira na vida do rapaz como uma amiga de um amigo seu. No momento em que apertaram as mãos, o ruivo ficara tão surpreso que não conseguia tirar os olhos da loira, fazendo-a corar e abrir um sorriso de dez mil watts. Por outro lado da situação, Ino sentira-se de certa forma intimidada e cativada com Gaara a sua frente e gostava da sensação que o rapaz lhe passava. No momento em que se apresentaram, sentiram como se a cena estivesse congelada por 3 segundos e por mais clichê que isso pareça; se apaixonaram.
Ambos queriam poder voltar naquela época para descobrir onde eles erraram e como criaram essa situação "bomba relógio". Parecia que os dois limitavam as palavras e tudo tinha um fim, pois se rendesse demais poderiam acabar tocando em assuntos frágeis e iniciar uma discussão. Eles sabiam que estavam desgastando uma relação de muito potencial, mas não sabiam como evitar ou solucionar isso.
A Yamanaka era uma recém psicóloga com planos de montar seu consultório logo e ter mais pacientes fixos. No momento, ela tinha só um que o visitava uma vez por semana e fazia um pagamento bem medíocre considerando o luxo que a loira gostaria de ter. Gaara não gostava muito desse cara e a última briga do casal teria sido exatamente por causa desse tal de Sai.
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O hospital em que Sakura trabalhava estava muito cheio e isso de certa forma foi muito bom para que ela não distraísse com coisas bobas. Quando não estava trabalhando, estava sempre tomando xícaras de preocupação super desnecessárias, sem contar quando filosofava demais sobre sua vida ou a vida de Ino — sua única amiga que era muito próxima.
A rosada sentiu algo vibrar em seu bolso e não pôde deixar de se surpreender com o telefone no bolso interno do jaleco. Costuma deixar ele desligado ou no silencioso junto com suas coisas, mas seu cérebro estava funcionando mal naquele dia. E como estava muito curiosa, convenceu-se rapidamente que estava tudo bem e deu uma olhada nas notificações.
"Sakuraaaa-chan!!! Preciso te ver URGENTE. Notícias novas!"
A garota revirou os olhos. Soube quem era no exato momento em que leu, porque, afinal, somente Naruto Uzumaki seria capaz de escrever "notícias novas" como se isso fizesse algum sentido. A garota riu consigo mesma e isso a afogou em outra série de pensamentos.
Uzumaki Naruto era um amigo de muito tempo e bastante leal, gostava muito do rapaz quando ele não era inconveniente dando em cima dela (o que até acontecia bastante). Ela tinha total noção de que aquele urgente dele não significava algo realmente URGENTE, se não teria ligado — algo que o Uzumaki não era muito chegado a fazer. E antes de colocar o telefone no modo avião, enviou uma mensagem para sua amiga.
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Yamanaka Ino agora encarava o teto enquanto seu namorado dormia ao seu lado. Tanta coisa passava em sua cabeça que não conseguia organizar os pensamentos e isso fazia com que suas mãos e axilas suassem frio. Respirava fundo quando queria dar uma pausa naquela maratona de sentimentos de culpa, angústia e fadiga.
A loira não sabia o porquê passava por aquilo. Por que culpa? Aquilo não fazia o mínimo sentido, nunca se quer mostrara interesse pelo seu paciente e traição estava fora de cogitação.. Mas, talvez e apenas talvez sentia uma pequena atração proibida pelo seu paciente. Ino ainda mantinha muito da sua adolescência e ser irreverente ainda era uma de suas características fortes, então aquilo que sentia por seu paciente era mais como uma adrenalina imatura. Digo, aquilo não era uma atração de verdade, era só um jogo que seu cérebro fazia e ela aceitava.
Enquanto a ansiedade colocava uma corda no pescoço da garota, esta ouviu o toque de mensagem do seu telefone e se surpreendeu, já que ainda estava muito cedo e todo mundo que conhecia estava no trabalho. Tirou o telefone e viu uma mensagem de Sakura:
"Naruto-kun veio falar comigo O: Disse ser urgente? Devo ficar preocupada ou claro que não??"
Ino se surpreendeu, não conseguia pensar em nada que faria Sakura sair das suas horríveis manias que não tinham sem sentido algum, mas ao invés de julgá-la, respondeu assim que pôde com um sorriso de surpresa estampado em seu rosto.
"Risos. Ele tá sendo dramático. Mas descobre o que ele quer AGORA!!!"
Passaram-se alguns minutos e não houve resposta. Sakura não tinha nem se quer recebido e isso indicava que teria desligado o telefone e deixado aquilo tudo pra lá. Ino voltou a ficar sozinha com seus pensamentos, o que era bem mais assustador que qualquer emergência. Virou-se para o lado em que Gaara dormia e o observou com certo carinho e encanto nos olhos, ela era tão sortudo de estar com um cara daqueles, então porque sentia-se assim?
Aquela teria sido a primeira vez que, mesmo inconscientemente, teria pensado em Sai (seu paciente) de alguma outra forma que não fosse a atual relação dos dois e isso a fazia arrepiar até o último fio de cabelo. Sabia que não era normal e nem aceitável e se esforçou muito para reprimir aquilo antes que se tornasse um desejo proibido (o que a faria ficar ainda mais interessada).
Ino revirou os olhos. Como queria ser psicóloga se não levava os própios conhecimentos à serio?
O relógio no pulso de Gaara apitou, fazendo-o despertar de um sono bobo porém necessário. Acordou como uma criança e antes de abrir os olhos, levou a mão até esses para coçá-los e depois espreguiçar. Ino o observou com um sorriso idiota no rosto e deu um beijo na testa do namorado.
— Fica mais tempo comigo... — Ino fez voz manhosa, enroscando os braços no pescoço de Gaara e aproximando-se. — A gente pode fazer um segundo round.
Ela falou risonha dando selinhos no rapaz.
— Por mais que eu queira... — Gaara afastou-se um pouco dela e sentou-se na beirada da cama alongando as costas. — ... Eu tenho uma reunião no almoço e não posso adiar. — O rapaz pegou o telefone que estava na escrivaninha próxima e viu as notificações. — E bem... provavelmente chegarei tarde hoje.
Aquela seria mais uma tarde de segunda dentro dos padrões. Para ambas garotas, aquela segunda-feira seria mais uma tortura que um dia de semana, e por mais que Ino quisesse muito passar o dia deitada em sua cama, teria que levantar e continuar o processo do seu consultório. As duas amigas tinham diversas diferenças e uma delas era que Ino procrastinava muito e Sakura sabia exatamente quando tinha que fazer algo e o porquê precisava fazer, e mesmo assim, as duas não conseguiam se ajudar quando precisavam.
E assim que Gaara arrumou-se e deixou a casa, Ino pegou os materiais que tinha (inclusive os papéis do arquiteto que planejou o consultório inteirinho) e saiu desanimada para a mesa da copa. Ela estava toda preguiçosa, era possível ver pelo seu jeito de sentar, seu cabelo e seu ânimo no rosto e assim que se olhou no espelho que havia pendurado ali perto, soube que precisava urgentemente de um banho.
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