Quando Nossos Caminhos se Cruzaram

8 Onde a Dúvida Encontra o Desejo


Notas iniciais
Mais um capitulo para vós filhinhos!!

Os dias haviam passado, e as oportunidades de ver Suellen eram poucas. Ruan a via de longe, nos corredores da escola, mas o contato sempre parecia se perder na distância entre eles. Por mais que quisesse se aproximar, ele sentia que não podia forçar nada. Algo estava acontecendo, mas ele não conseguia entender o quê. A impressão de que havia algo entre eles, algo mais profundo, ficava em sua mente constantemente.

Sentado diante de sua tela, com um código em andamento, Ruan parou por um momento. Suellen tinha se tornado uma constante nos seus pensamentos, mesmo que ele tentasse focar no trabalho. Aquele sorriso que ela escondia, aquele olhar tímido... tudo parecia familiar, mas ao mesmo tempo distante. Ele pensou na última conversa que tiveram e como ela tinha ficado estranha ao não querer falar com ele, como se houvesse algo mais que ela não queria dividir.

"Será que realmente havia algo acontecendo entre nós?", pensou ele, passando a mão pelo cabelo. "Ou sou eu quem estou me iludindo com uma história de fantasia que sempre sonhei em ter?"

O dilema persi stia. Ele tentava se manter centrado, mas seu coração parecia ter um ritmo próprio quando pensava nela. A cada olhar furtivo dela, o seu desejo de entendê-la aumentava. Mas por que ela o afastava? E por que ele, de algum modo, sentia que algo mais estava por vir?

Foi quando ele ouviu o som da porta se abrir. Suellen entrou na sala, parecendo hesitante. Ela olhou ao redor, buscando por algo ou alguém, até que seus olhos se encontraram com os de Ruan.

Os dois ficaram em silêncio por um momento. Suellen parecia diferente, um pouco mais tranquila, mas ainda com aquele ar de insegurança. Ela respirou fundo, como se estivesse se preparando para algo.

Ruan, sentindo o impulso de finalmente quebrar aquele silêncio, se levantou e caminhou até ela.

— Oi, Suellen — ele disse, tentando soar natural. — O que você está fazendo aqui?

Ela olhou para ele com um olhar de dúvida antes de falar, sua voz suave, quase hesitante.

— Eu... eu queria pedir desculpas pela forma como agi naquela vez — Suellen começou, a voz falhando um pouco. — Eu não queria ser rude, mas... você me pegou de surpresa. Não sei bem como explicar, mas... tudo o que eu senti na hora foi medo.

Ruan ficou surpreso, mas sentiu uma leve onda de alívio ao ouvi-la falar assim, mais aberta. Ele sorriu, tentando aliviar a tensão.

— Não precisa se preocupar. Eu entendo... é que eu não sabia se tinha feito algo errado. Só queria conversar.

Ela olhou para ele com os olhos suavemente penetrantes, e uma expressão de vergonha passou por seu rosto.

— Eu sei, e eu realmente aprecio a sua paciência — ela continuou, mais confiante agora. — O que eu queria te pedir... é que me ajudasse com algo.

Ruan levantou uma sobrancelha, interessado e se questionou.

“Ela acabou de pedir desculpas, e já veio pedindo coisas? Que garota intrigante” pensava dando leves risadas

— Claro, o que você precisa?

Suellen hesitou por um momento, e então se aproximou mais, os olhos desviando um pouco para o lado. Ela parecia realmente desconfortável, mas ao mesmo tempo determinada.

— Eu tenho um trabalho da escola que envolve tecnologia. Algo sobre criar um sistema de rede para o laboratório de ciências, e eu... — ela fez uma pausa, ainda parecendo não saber como falar sobre isso. — Eu realmente não entendo muito sobre isso. Acho que você é a pessoa certa para me ajudar com isso. Eu... não queria pedir, mas pensei que talvez você pudesse me ajudar.

Ruan sorriu, a tensão se dissipando. Ele estava feliz em poder ajudar, e esse pedido fez seu coração bater mais rápido, mas de uma maneira boa. Havia algo ali. Uma chance. Uma oportunidade de se aproximar mais de Suellen.

— Claro, eu adoraria ajudar. Vamos sentar e ver o que você precisa fazer — ele disse, com um sorriso.

Eles se sentaram lado a lado em uma mesa, com Ruan mostrando a ela algumas ideias e soluções para o trabalho. Enquanto isso, ambos estavam cientes de que essa interação estava se tornando mais do que apenas uma ajuda técnica. A conversa fluía com naturalidade, e a proximidade entre eles parecia mais confortável a cada segundo.

Suellen On

Enquanto trabalhava ao lado de Ruan, não pude deixar de me perder nos meus próprios pensamentos. Eu sabia que estava agindo de maneira confusa, dividida entre o que sentia por ele e o que minha vida havia se tornado. A pressão do meu pai, as expectativas sobre o que eu deveria fazer, tudo parecia girar em torno de um futuro que eu não tinha certeza se queria. E, no meio disso, havia Ruan, com sua paciência e gentileza.

Olhei para ele discretamente. O jeito como ele falava sobre tecnologia, o sorriso quando explicava algo, tudo parecia tão certo, tão seguro. Mas, ao mesmo tempo, me sentia tão insegura. Como eu poderia me permitir sentir algo por ele? Eu sabia que estava vivendo em um mar de incertezas, e se permitisse que meus sentimentos por Ruan crescessem, isso poderia trazer mais complicações para minha vida.

"Será que eu posso me permitir isso?", pensei. "Será que devo me afastar ou me aproximar mais? O que ele representa para mim, realmente?"

Me perdi por um momento em minhas próprias inseguranças, até que fui puxada de volta à realidade quando Ruan disse algo para mim, quebrando o silêncio.

— Ei, o que você acha disso? — ele perguntou, olhando para o projeto na tela do computador.

Sorri, tentando disfarçar meus sentimentos conflitantes.

— Eu acho ótimo. Muito melhor do que eu imaginava. — Tentei manter o foco no trabalho, mas minha mente ainda estava nublada pela dúvida. Eu não sabia o que o futuro reservava, mas por agora, queria aproveitar aquele momento.

Ao final do dia, me despedi de Ruan com um sorriso tímido, agradecendo pela ajuda. Caminhei até a porta, mas antes de sair, olhei para ele uma última vez.

"Será que eu realmente posso me entregar a isso?", pensei.

No corredor, Beatriz me esperava, com um olhar curioso.

— Ei, Suellen, tudo bem? — Beatriz perguntou, com um sorriso malicioso. — Eu vi você com o Ruan ali. Estava mais tranquila, né? Ele ajudando com o trabalho, né?

Suspirei, mas sorri de volta.

— Sim, ele foi muito gentil — respondi, sentindo um peso em meu peito. — Mas, não sei, Beatriz... Eu ainda não sei o que pensar sobre ele.

Beatriz me observou atentamente, percebendo a insegurança em mim.

— Você ainda está com medo dele, é? — Beatriz perguntou com um olhar de compreensão.

Mordi o lábio, pensativa.

— Não é medo dele. É medo do que isso pode significar. Eu... eu conheci o Ruan há muito tempo, quando eu era só uma criança. Ele apareceu num dos dias mais difíceis da minha vida e foi gentil comigo. Aquele tipo de gentileza que a gente não esquece, sabe?

Beatriz arregalou os olhos.

— Espera aí... você tá dizendo que vocês já se conheciam antes de tudo isso?

Assenti, com os olhos marejados de emoção contida.

— Eu tinha apagado essa memória. Mas ela voltou com tudo esses dias. E agora, ver ele de novo, mais maduro, mais gentil ainda... me confunde. Meu pai sempre me disse que eu não podia me envolver com ninguém. Que isso me distrairia, que só atrapalharia minha vida. Ele me controla demais, Beatriz. Não me deixa ter espaço pra viver de verdade. Se ele souber que eu tô me aproximando de alguém, ainda mais alguém como o Ruan, que é totalmente fora da bolha que meu pai acha certa... eu não sei o que pode acontecer.

Beatriz segurou minha mão.

— Você merece ser feliz, Suellen. E ninguém, nem mesmo seu pai, pode tirar isso de você. Eu sei que você tem medo, mas talvez... só talvez... o Ruan seja exatamente o que você precisa pra encontrar esse espaço que tanto procura.

Abaixei a cabeça, uma lágrima escorrendo silenciosa.

— Eu só queria... que fosse mais fácil.

Suellen Off

(continua...)

Notas finais
Espero que tenham gostado!!