Quando Mortais encontram os Deuses
3 Bem vindo ao Colégio para Esquisitões!
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte meia hora antes do despertador de tão ansiosa que estava, tomei um banho, coloquei uma calção jeans, com uma camisa da Minnie e sandália preta com um laço dourado em cima. Peguei minha mala que arrumei ontem a noite, ou seja, tirei as roupas do armário joguei na mala junto com a foto da minha mãe. Desci as escadas correndo ate a cozinha
– vai com calma, assim acorda ate os mortos!
– desculpa pai, mas eles estão perdendo esse café maravilhoso!
A mesa estava divina, torradas, panquecas com calda, frutas, bolos, broas, pão doce, pão Frances, pão de queijo, bacon, ovos mexidos, sucos, café, Nescau e, claro, misto quente!
– a mesa esta linda Martha, pra q tudo isso? Você convidou o Obama pra tomar café aqui?
– não, é que como você vai embora e eu só vou te ver nas ferias, eu queria fazer algo especial -ela respondeu com os olhos cheio d'água.
– awn... — dei um abraço nela -não fica assim, parece ate que você não esta acostumada com isso.
– eu sei querida, mas toda escola nova é assim, você sabe.
Foram 7 escolas, uma para cada ano, todas internato, ser dislexia é uma merda!
– eu sei, mas chega de choro ta? Vamos aproveitar esse café antes q esfrie OK?
– pois é, venham antes que eu acabe com as panquecas — disse meu pai com a boca cheia da quarta panqueca do dia.
Sentamos na mesa e caímos dentro, peguei o misto com suco de laranja e separei ovos mexidos com bacon
– ta tudo pronto Cecília? A mala está arrumada?
tudo certo, só to preocupada com o resto das minhas coisas.
– fica calma que quando chegar eu levo para você, agora termina rápido que vou te levar na escola.
Terminei de comer, escovei os dentes peguei a mala e fui esperar na sala
– to pronta pai!
– to indo! Martha, se alguém aparecer me procurando anota o recado, se for as nossas coisas fala pra colocar aqui na sala tudo bem?
– pode deixar Seu Gregório, entendi tudo! -então se virou para mim e disse — e você mocinha, comporte-se lá
Dei um abraço nela e confesso, fiquei com os olhos cheios d'água
– tchau Martha, cuida do Azeite para mim ta?
– vou jogar aquele bichano na rua na primeira oportunidade q eu tiver — respondeu sorrindo entre um soluço e outro.
sorri para ela, peguei minha mala e fui para o carro, que tinha chegado ontem a tarde, um pouco depois de nos. Meu pai entrou no carro e partimos sem cerimônia. Eu odeio despedidas.
Viajamos em silencio, um silencio desconfortável, mas a viajem foi curta e em 15 minutos estávamos em frente a escola
– bem, chegamos... — disse meu pai, ele odeia despedidas tanto quanto eu
– é, chegamos.
– olha meu Pingo de Ouro, não fique tímida por você ser estrangeira, não combina com você. Mostre que você é uma brasileira de respeito!
– pode deixar pai, vou sentir saudades, te amo!
– calma aí q eu não terminei de falar — falou apressado e eu me calei com um sorrisinho
– sei q não é a primeira vez q você vai para uma escola assim, mas aqui é o EUA e pode ser diferente, por isso quero lhe entregar isso — ele estendeu a mão e dentro tinha um colar de ouro, e o pingente era uma flor feita com fios pratas entrelaçados
– pai, isso é lindo... to sem palavras!
– era da sua mãe.
Fiquei muda, com olhos arregalados, eu nunca tinha ouvido falar desse colar...
– ela dizia q era o amuleto da sorte dela, quem sabe te traga alguma?
– pai, muito obrigado, eu amei — disse enquanto colocava o colar. O abracei e lhe dei um beijo
– agora vai, antes que se atrase. Te amo filha
– também te amo pai
Saí do carro e fiquei olhando até ele virar na próxima rua.
Mal sabia eu q seria a última vez q veria meu pai naquele ano...
O colégio parecia simples, grande, mas simples. O muro era todo pichado e o portão rangia, o jardim da frente era bem cuidado e tinha umas flores bonitas, entrei no prédio principal e perguntei para uma secretária q estava no balcão:
– com licença, bom dia, sou nova aqui, acabei de me matricular.
– bom dia flor, qual seu nome completo? — ela tinha uma voz meio aguda e alta, cabelos castanhos curtos e estava mascando um chiclete de boca aberta.
– Cecília Mendes de Sá
– prazer, sou Beth — ela respondeu apertando minha mão
Depois de alguns minutos olhando os arquivos no computador ela disse:
– ahá, achei, você tem q se apresentar no salão principal às 10h, como são 9 horas ainda vou de mandar pro dormitório, você está hospedada no 243, o segundo prédio, aqui está a chave, na entrada do prédio terá um instrutor para te auxiliar, entendeu?
– entendi sim Beth, muito obrigada!
Peguei as chaves e fui para os prédios q ficavam meio isolados numa parte do terreno. Andei uma calçada margeada por rosas, lírios, lavanda e outras q só a Martha conhece.
Cheguei aos prédios e vi q eles estavam dispostos em forma de meio círculo, todos dando para uma pequena praçinha comum, era 6, todos iguais: cinza, e todos os andares tinham uma pequena varanda.
Cheguei ao segundo prédio e tinha um menino na porta
– olá, Bom dia, estou procurando o quarto 243.
– olá, nova por aqui? Sou o estagiário Clayton, você é?
– Cecília, Cecília Mendes de Sá
– prazer, deixe-me olhar na lista aqui para ver se é esse prédio mesmo — ele pegou uma prancheta e em um segundo achou o nome — aqui, isso mesmo, Cecília Mendes de Sá quarto 243, assine aqui por favor — eu assinei e ele respondeu
– ótimo, é no quarto andar, terceiro dormitório, só subir essa escada, sua colega de quarto já chegou.
Sorri pra ele e subi as escadas.
O local parecia mais uma faculdade do que um internato de adolescentes no ensino médio. As paredes cheia de quadros de avisos, a escada toda pichada, levei um tempo para ler, mas decifrei algumas frases: "beije o sapo" "não há vitoria sem um bom charuto", "filho, eu sou seu pai" e outras tantas. Meninas e meninos sentados nos degraus,conversando e fumando, cheguei no meu quarto o mais rápido que pude.
O quarto era relativamente grande, uma janela, duas camas, uma em cada parede, no meio tinha um tapete circular,ao pé de cada cama havia um baú e um criado mudo, atrás da porta, tinha um armário imenso e na do outro lado do quarto tinha duas portas, uma, pelo cheiro, era o banheiro e a outra eu imagino levar a sacada.
Minha colega de quarto estava deitada na cama lendo um gibi, era esbelta, tinha o cabelo ruivo amarrado num rabo de cavalo, usava óculos preto e tinha sardas nas bochechas e nariz. Ela me viu e sorriu, ficou de pé e estendeu a mão
– Oi! Sou Jasmine, sou colega de quarto.
– ola, sou Cecília, prazer!
– hum... pelo sotaque e pelo nome você é Brasileira.
– como sabia? — perguntei rindo -
– ah... meu antepassado era o Sherlock Holmes — ela me respondeu com uma piscadela. Rimos juntas e eu vi o gibi na cama.
Ta lendo o que? — perguntei sentando na cama dela
– a melhor invenção humana no quesito literatura: um gibi! E não é qualquer gibi, esse é um gibi dos Vingadores, os maiores super-heróis da Terra!
– hum... pelo sorriso estampado no rosto e pelo entusiasmo que você falou, você é fã de Gibis, acertei?
– certíssimo, como sabia?
– ah... meu antepassado era o Sherlock Holmes
Rimos mais até minha barriga começar a doer
– Jasmine, você vai na audiência as 11 horas?
– vou né, é obrigatório...
– Então vamos que eu não sei o caminho e está quase na hora.
– é fácil, vamos indo que eu te explico
Descemos e fomos andando pela calçada enquanto a Jasmine me explicava
– olha, a academia é dividida em blocos, o Bloco A são os dormitórios, 6 ao todo, do 1 ao 3 são femininos e do 4 ao 6 são masculinos.
– uma pergunta, como funciona essa numeração dos quartos?
– vou usar o nosso como exemplo, 243 significa q o quarto fica no segundo prédio, quarto andar, terceira porta
– agora faz sentido, mas continua a explicar
– O Bloco B são os prédios de aulas, são 3: o prédio de Letras, o Prédio de ciências exatas e o Prédio de conhecimentos gerais. E o Bloco C é a área de lazer, tem o ginásio, que é para onde estamos indo, tem a quadra de beisebol e futebol americano e ao lado tem uma pequeno parque para o nosso tempo livre, que não é muito.
– poxa, organizado o negócio, a ultima escola que eu estudei era toda desorganizada, parecia q um bebe gigante tinha brincado de LEGO.
Ela riu enquanto passávamos no Bloco B, os prédios eram muito parecidos, fora o letreiro na entrada identificando o prédio. E todos eles davam para um pequeno jardim q tinha uma fonte. Na entrada do prédio de letras uma mulher, uma professora eu acho, estava parada me olhando fixo, ela estava na sombra e não conseguia a ver direito, senti um arrepio atravessar minha espinha e desviei o olhar continuei andando, mas sentia o olhar dela nas minhas costas.
O ginásio estava cheio de estudantes, uns trocentos adolescentes conversando, era tanto barulho que eu não entendia nada, só um zumbido alto. Uma mulher na faixa dos sessenta anos bateu com o dedo no microfone e começou a falar
– bom dia alunos, eu sou Matilda Fair, sua diretora...
Ela continuou a falar, mas não prestei atenção, posso culpar minha TDAH por isso. Quando ela terminou de falar nos liberou em fila para recebermos nossos horários, e uniformes. Quem estava distribuindo eram uns veteranos com crachás, o que me entregou estava com cara de: Hey meu nome é John e eu sou um máximo!
Peguei minhas coisas e fui pro meu quarto.
O resto da semana passou como um borrão, minhas coisas chegaram no dia seguinte e passei o resto do dia guardando tudo. Passei o resto da semana acordando as 7h fazendo tour pela escola e indo para a cama das 22h e ate que enfim chegou o primeiro dia de aula.
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