Quando Duas Almas se Encontram
3 Quando duas almas se encontram
Notas iniciais
Os olhos abertos de Robert são apenas um disfarce. Na verdade, ele não está ali. Cambaleante com suas emoçoes e com seu andar tropego, ele peregrina nas ruas da grande cidade. As arvores tapam o sol causticante que teima em o seguir por cima da cabeça. Nos intervalos das arvores ele sente o sol queimar sua cabeça. Ele ganhou a tão sonhada liberdade, mas o que fara com ela agora? No momento da adrenalina a decisão fora tão facil, mas quando o tempo passa todos nos vemos as besteiras que fazemos. O remorso agora estocava o coração dele. Mas ele não queria voltar, de jeito nenhum! Duas decisoes agora precisavam ser feitas. Ele preferiu adiar. Quando seus olhos voltaram a realidade ele viu um banco de uma praça. O destino o fez sentar.
*****
Ela não tem remorso. Apenas de ter vindo ao Japão. Não de ter saido do inferno. Mas o que faria ela agora? Morreria num pais distante do seu? Loren tinha medo, de tudo. Com todos aqueles hematomas, achar emprego seria dificil. Apenas de andar pelas ruas e ver as pessoas com seus carros e coisas ja lhe dava medo. Talvez devesse voltar para os EUA e tentar achar uma familia que ela nao tem mais. Talvez devesse acabar logo com o sofrimento, alias, na morte existe a serenidade. Mas não. Apenas o pensamento de olhar para os proprios pulsos sangrando ja dava medo. Ela não gostaria de sentir remorso no ultimo momento e nao poder nem se salvar. Medo. Rodou a praça e procurou um lugar para sentar. Achou, ao lado de um jovem cujo nome era Robert.
*****
Eram 7:00 AM quando o destino os juntou. Um banco relativamente pequeno abrigou as duas almas juntas. Os dois se olhavam com o cantos dos olhos. Ja ouviram falar em amor a primeira vista? Com eles foi o contrario. Uma repulsão terrivel abalou os dois no momento. Um asco inexprimivel que pairava sobre a mente dos dois seres. Cada um olhava com preconceito para o outro esperando uma reação estranha. Os dois esperavam a retirada do outro. Robert aparentava ser um jovem rico, pelas roupas que usava e o jeito de se portar. Ja Loren era mais informal, com uma roupa, digamos, pouco normal e seus hematomas. Cada um bombardeava o outro com os mais ridiculos pensamentos. Mas, num momento crucial, depois de um silencio esmagador, os dois disseram simultaneamente:
- Bom dia.
O sol começava a raiar naquela hora e os olhos dos dois se iluminaram com a luz que irradiava. A repulsão havia se dissolvido diante do embaraçoso momento. Agora os dois se entreolhavam sem nada a dizer. Afinal, as vezes o silencio e mais revelador que as palavras. Naquele momento a praça não existia mais, e, não se sabe porque, eles provaram da liberdade. Para Loren o medo havia desaparecido; para Robert o remorso não existia mais. Por ironia do destino eles tinham que se encontrar. Robert estedeu a mao:
- Robert, muito prazer.
Ela exitou. Para que apertar a mao de um estranho? O que ele poderia ajudar. Ele nao a conhecia, nao sabia de nada. Por que? Ele mentira. Depois daquele momento os preconceitos voltaram quase que imendiatamente. Ele disse "muito prazer" mas ele nao estava gostando de estender a mao para ela. Apenas queria provar aquela sensação de liberdade denovo, apenas. Ele nao abaixou a mao ate que Loren, meio desconfiada, a apertasse.
- Loren.
Enquanto o silencio novamente ditava o ritmo daquele encontro eles sentiram um arrepio. Aquela sensação denovo. AQUELA sensação. Os dois soltaram as maos, e voltaram a olhar para o horizonte. Mas por pouco tempo, a conversa tinha que continuar.
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