Qual A Senha Do Wifi?
7 Resolvendo a situação.
Notas iniciais
Steve aceitou o conselho de seu velho amigo e decidiu esperar a tempestade se acalmar. Não havia desistido do vizinho e estava preocupado que ele voltasse a beber, e ficasse mal como no dia que o encontrou, mas os dois precisavam de espaço e o loiro iria respeitar o de Tony.
Passou a semana seguinte dividindo seu tempo entre trabalhar e matar as saudades de Bucky, que apesar das afirmações de Steve de que eles poderiam dividir o apartamento como antes, estava procurando um próprio pela vizinhança. Sabia que havia magoado o amigo quando se mudou e não poderia deixar o passado dos dois atrapalhar o futuro de Steve. O moreno era quem mais falava em suas conversas, já que era o único que realmente tinha novidades entre os dois; apesar de sempre querer saber como o velho amigo estava se sentindo, nunca interrompia quando Steve estava trabalhando, não porque o loiro precisava de tanta concentração, mas porque sabia que são nesses momentos em que ele pensa de verdade, o loiro refletia suas atitudes e acontecimentos e pensava em como poderia resolver seus problemas.
Tony se arrependeu do que disse no momento em que Steve fechou a porta, queria ir atrás do outro e entregar a chave e seu coração, mas sendo um Stark só conseguiu se entregar ao orgulho. Suspirou tentando se livrar do peso que o vazio lhe dava, fechou as cortinas que claramente Steve havia aberto e praticamente se arrastou para o quarto, nem pensou em ligar para o serviço e dizer que estava doente quando se deixou cair na cama.
Deixou a melancolia tomar conta de si durante a semana, mal saia do quarto, e por vezes sentia como se fizesse parte da mobília: um objeto inanimado, outras vezes desejava fazer parte da mobília: um objeto sem sentimentos para o afogar. Pensava em como havia sido estúpido, se Steve tinha dormido com Bucky na noite do encontro deles, no dia seguinte ele tinha dado carta branca pro loiro voltar para o ex. Não só tinha expulsado o amor de sua vida, mas tinha jogado uma das maiores amizades que teve no lixo. Talvez essa fosse sua vida, seu destino, viver sozinho na companhia das garrafas de uísque.
Na quinta-feira a noite deixou a razão voltar a si. Se fosse para perder Steve, que perdesse o deixando saber o que sentia, que Steve soubesse o que ele também estava perdendo; pelo menos isso era o que dizia a si mesmo, no fundo só tinha esperanças de pelo menos salvar a amizade. Pensou em ir imediatamente ao apartamento do vizinho, mas não queria encontrar o ex-atual, nem que Steve o visse como estava (uma semana sem mal ver o chuveiro ou espelho, Tony sabia que parecia miserável e na verdade ele estava). Levantou-se e foi para o banheiro, se iria falar de seus sentimentos para Steve, iria falar estando mais estonteante do que o loiro jamais havia visto.
Na sexta de manhã, Steve iria ao escritório da Marvel Comics entregar os desenhos da próxima edição de Academia Vingadores. Estava falando com seu chefe sobre os próximos trabalhos quando a secretária bateu suavemente na porta.
— Sr. Rogers, tem um senhor que gostaria de vê-lo. -
Assim que Karen terminou de falar Tony entrou na sala vestindo um blazer branco e segurando um buque ridiculamente grande com rosas laranja, lírios vinho, lavanda e algumas folhas compridas. O queixo de Steve caiu em uma expressão confusa e descrente, o que diabos ele está fazendo?
— Eu sou o senhor... Caso não tenha ligado uma informação a outra. Podemos conversar? -
O loiro balançou a cabeça ainda surpreso e foi para uma sala vazia com o outro. Apesar da aparência calma, Tony estava suando por dentro, Steve não tinha dito nada, nem um oi ou algo do tipo e isso deixava o moreno nervoso. O vizinho sempre fora muito educado, não havia pensado no fato de ter expulsado o amigo de sua casa depois dele o ajudar e se isso o havia deixado magoado.
— Desculpe por aquele dia, eu fui um idiota... Não foi sua culpa eu ter saído daquele jeito e eu não deveria ficar bravo por voltar com seu ex e... São pra você. -
Forçou um sorriso quando lembrou de que estava segurando as flores e as estendeu para Steve que pegou o buque hesitante.
— De qualquer forma... Eu entendo que Bucky é o grande amor da sua vida e eu não tenho direito de fazer disso um grande caso, nós som- éramos amigos, só tivemos um encontro no qual eu nem te convidei direito e se não fosse pelos beijos ia pensar que você nem sabia que era um encontro... Eu só queria que você soubesse que sua amizade é muito importante pra mim e sim... Eu queria que nosso relacionamento fosse para um nível além da amizade, mas eu entendo que tem muita coisa acontecendo na sua vida e não quero atrapalhar isso, então... Amigos? -
Tony andava de um lado para o outro divagando rapidamente. Steve acabou não entendendo algumas partes, mas acompanhou a lógica do moreno, mesmo não fazendo sentido algum para ele. Colocou o buque em cima de uma mesa e o puxou para um abraço apertado.
— Você sempre vai ser meu amigo, Tony, assim como Bucky; a única diferença entre vocês é que apesar de eu conhecer ele há muito mais tempo, meus sentimentos por você são mais fortes... Eu não voltei com ele, Bucky só vai ficar em casa até encontrar um apartamento pra ele. Também queria que nosso relacionamento evoluísse. -
Separou um pouco para olhar para o rosto de Tony enquanto falava, os olhos do moreno brilhavam mais a cada frase; seu coração não cabia no peito, ouvira que Steve sentia o mesmo por ele, e que Bucky não passava de um amigo de infância e Tony algo mais. Mal escutou o resto, mas deixou Steve terminar antes de beijá-lo, o loiro retribuiu com a mesma intensidade, segurou o vizinho pela cintura e o prendeu contra a mesa onde havia deixado o buque.
— Tony, eu nem trabalho aqui... -
Steve quebrou o beijo com um riso baixo e se afastou um pouco, Tony riu também e se apoiou na mesa, ainda não acreditava que Steve tinha dito tudo aquilo e que realmente tinham se beijado.
— Mal posso esperar pra esfregar isso na cara do seu amiguinho. -
Tony pegou o buque e entregou de novo para Steve e balançou a cabeça sorrindo, sentira falta do humor do moreno.
— Bucky sabe como me sinto, não vai ser uma surpresa... -
Tony cerrou os olhos para essa frase, havia esquecido a parte em que Steve disse que eles ainda eram amigos.
— Pelo menos ele vai se mudar e você vai ter o apartamento inteiro só para você de novo. -
O loiro corou, apesar de achar não ser uma boa ideia contar para Tony que na verdade ele havia pedido pra amigo ficar, não queria sentir como se estivesse escondendo algo do outro.
— Yeah... Mas bem que eu queria que ele ficasse, sabe... Ele é meu melhor amigo e o apartamento é mais dele que meu...— Quando compramos ele já tinha um emprego e eu tinha acabado de começar minha carreira, mas como freelancer, então não era sempre que tinha dinheiro, ele pagou a maioria das prestações. -
Continuou quando Tony fez uma cara confusa quanto o apartamento ser mais de Bucky que de Steve, mas entendeu o que o loiro sentia, é uma pessoa que está do lado da justiça e para ele não era justo Bucky sair do apartamento e comprar outro só para não atrapalha-lo.
— E se... Ele continuasse no apartamento e você se mudasse?! -
Foi a primeira ideia que veio a mente do moreno e esperava que Steve não interpretasse errado, o que havia acontecido pela expressão surpresa do loiro.
— Tony, eu gosto muito de você, mas não acha isso apressado de mais?-
O tom assustado dele fez Tony rir e balançar a cabeça, o que ele esperava que Steve entendesse depois de tudo?
— Não, quis dizer, como colegas mesmo... Seria como quando nós trocamos as chaves, já passávamos as noites juntos mesmo, a única diferença é que vai ser no meu apartamento e... Vamos estar em uma relação amorosa. -
Steve considerou a proposta e sorriu. Não era uma má ideia e gostava de ter Tony ao seu lado de manhã, de saber que o moreno conseguia dormir só por estar perto do loiro. Aproximou-se e o beijou ainda sorrindo.
— Ok, mas Peggy vem comigo. -
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