Steve sentia frio, o vento era congelante e a neve que entrava nas botas de esqui não ajudava nem um pouco, tentou se esconder melhor na jaqueta de penas e sorriu com o pouco sucesso que obteve em aquecer mais o corpo. Olhou novamente em volta, via apenas arvores, montanhas brancas e uma silhueta, sentiu que mesmo distante conhecia a pessoa que se aproximava com facilidade, a neve não tornando nem um pouco difícil a tarefa de andar. Sua respiração ficava cada vez mais densa, o coração batia mais forte e quando os olhos finalmente se encontraram Steve não sentiu mais frio, pelo contrario, ele sentiu como se estivesse queimando de dentro para fora, como se o fogo viesse de seu coração.

Bucky... ?!

O nome saiu como um sussurro, e o outro sorriu e Steve não pôde conter o próprio, assim que o moreno estava próximo o bastante eles se abraçaram, o loiro quase escondendo o velho amigo e parceiro em seus braços. A falta que Bucky fazia era maior do que Steve gostaria, ele se sentia vazio, como se apenas existisse, muitas vezes pensava em como não fazia diferença para o mundo, se ele sumisse a única que iria notar seria Peggy, mas ela não iria fazer algo pra trazê-lo de volta ou fazer sua lembrança algo honroso, ela só iria seguir em frente, arranjar outra casa onde pessoas lhe cuidariam como ele ou até melhor. No meio de tanto nada branco, apenas com a única pessoa que ele já pôde chamar de amigo, que sempre escutou seus desabafos e pensamentos dramáticos, que na verdade não estava realmente ali, Steve percebeu que apenas existia, "havia um homem loiro, chamado Steve, no meio do nada branco, e por simplesmente haver no nada, nada ele se tornou."
Os braços de Bucky apertaram em sua volta tirando Steve de seus pensamentos solitários e depressivos, o cheiro do moreno embriagava o loiro, ele sentia o companheirismo, a paixão e o amor crescendo novamente e tinha medo de que se soltasse o outro se esvairia, seria levado junto com a neve pelo vento. Mas isso não impediu que Bucky fizesse o movimento, ele se afastou olhando para Steve com o mesmo sorriso de antes, passou a mão pelo rosto do loiro e sem dizer nada o beijou. O loiro não pensou que poderia ficar ainda mais quente, ele sentia o toque do outro queimar sua pele, diferente de tantas outras vezes que se beijaram, dessa vez ele realmente sentiu as famosas ondas de choque por seu corpo.

— Você é bom nisso, vizinho. -

Steve ouviu depois que se separaram, se assustou quando ao invés de Bucky ele viu Tony, o moreno sorria do jeito orgulhoso dele.
O loiro acordou assustado, ofegante e sem ideia do que havia acontecido, o que diabos esse sonho significava? Ele sabia que amava Bucky e que Tony era um homem atraente, mas por que ele havia assumido o lugar de Bucky em um momento tão íntimo?
Com a cabeça cheia de perguntas que não iriam se responder tão fácil e sem conseguir voltar a dormir, Steve se levantou com um miado de protesto de Peggy, e foi até a cozinha para pegar um copo d'água, estava tão desnorteado que nem percebeu a luz da cozinha já acesa, quando encontrou Tony sentado, com as mãos segurando uma caneca preta sobre a mesa, pensou estar dentro de outro sonho, passou a mão no rosto esfregando os olhos. Estava se sentindo da mesma forma que no sonho, um calor inexplicável, mas dessa vez as ondas vinham dele mesmo e do outro.

— Tudo bem, Steve? Eu tenho problemas com insonia... Espero que não se importe, mas vi uma cafeteira e não resisti. Quer um pouco? -

Apenas depois da fala do outro o loiro se lembrou de que era seu hóspede para a noite, sentiu-se ainda mais envergonhado e balançou a cabeça indo para a geladeira. O clima entre os dois estava estranho, parecia haver uma tensão inexplicada no local.

— Você está bem? Parece meio... Vermelho -

Steve tomou a água direto da garrafa ainda sem olhar para o outro, então respirou fundo, fechou a geladeira e se virou para ele.

— Estou bem, só tive um sonho estranho... -

Se forçou a sorrir sabendo que não tinha convencido o vizinho que o olhava curioso, ele sorriu de forma divertida e levou a caneca aos lábios.

— Palhaços ou anões? -

Dessa vez o riso de Steve foi mais do que verdadeiro, Tony nunca o vira rir assim e algo dentro do moreno o fez sorrir bobo para o evento.

— Acho que meus sonhos conseguem ser mais confusos que os cinco primeiros minutos de Supernatural. -

Os dois riram novamente, o ar agora estava confortável em volta deles, o sorriso de um completava o de outro.
Conversaram por horas, não se importaram com o sono que na verdade não chegou para nenhum dos dois, nem para os raios de sol que passavam pela cortina da cozinha diretamente para o rosto deles, apenas aproveitaram a vista, os olhos de Tony brilhavam junto com seu sorriso marcante enquanto falava e o rosto de Steve iluminava o ambiente mais do que a própria luz solar. Quando era hora de Tony ir ao trabalho eles levantaram e se despediram antes de Tony entrar novamente no banheiro e Steve voltar para a cama. Dessa vez sem nenhum sonho que o perturbasse.