Sarah Swan tinha oito anos quando descobriu duas verdades importantes sobre a vida.

A primeira era que óculos podiam cair do rosto no pior momento possível.

A segunda era que Jacob Black sempre aparecia logo depois.

— Sarah, cuidado!

O aviso chegou tarde.

O tênis dela prendeu no próprio cadarço, seu corpo se inclinou para a frente e, durante um segundo inteiro, Sarah ainda pareceu acreditar que conseguiria desafiar as leis da física. Abriu os braços, tentou recuperar o equilíbrio, deu dois passos desajeitados e caiu de joelhos no gramado.

Os livros que carregava voaram para todos os lados.

Seus óculos escorregaram pelo nariz.

E a pequena caixa de suco que estava em sua mão terminou esmagada contra sua blusa.

Jacob parou diante dela com as mãos na cintura.

Aos nove anos, ele já possuía uma expressão de desaprovação impressionantemente parecida com a de um adulto cansado.

— Como você consegue?

Sarah empurrou os óculos de lentes grossas de volta para o lugar.

— O chão estava torto.

Jacob olhou para o gramado perfeitamente plano.

— O chão.

— Exatamente.

— Você tropeçou no seu cadarço.

— Que estava no chão.

Ele fechou os olhos por um instante.

— Portanto, a culpa é do chão?

— Finalmente você entendeu.

Jacob tentou manter a expressão séria.

Não conseguiu.

Começou a rir.

Sarah fez uma careta para ele, deixando à mostra o aparelho ortodôntico que ocupava boa parte de seu sorriso.

— Em vez de ficar rindo, podia me ajudar.

— Eu avisei.

— Depois que eu já estava caindo!

— Porque você estava andando e lendo ao mesmo tempo!

— Eu consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo.

Jacob olhou para ela caída.

— Evidentemente.

Sarah pegou um livro e atirou nele.

Jacob desviou, ainda rindo.

Então estendeu a mão.

Sarah segurou-a.

Era assim desde que conseguiam se lembrar.

Jacob estendia a mão.

Sarah segurava.

E os dois continuavam.


Aos onze anos, Jacob descobriu que havia coisas das quais Sarah não conseguia rir.

Eles estavam no corredor da escola quando ouviram as gargalhadas.

Sarah caminhava alguns passos atrás dele, abraçada aos livros. Estava um pouco mais gordinha que as outras meninas da turma, os cabelos presos de qualquer maneira e os óculos pareciam ter ficado ainda maiores conforme seu rosto crescia.

Naquela manhã, ela também usava um aparelho extrabucal que odiava profundamente.

— Ei, Swan!

Sarah parou.

Jacob também.

Três meninos estavam próximos aos armários.

Um deles apontou para ela.

— Você consegue pegar sinal de rádio com isso?

Os outros riram.

Sarah apertou os livros contra o peito.

Jacob conhecia aquele gesto.

Ela fazia aquilo quando alguma coisa machucava.

Ele se virou imediatamente.

— Repete.

Sarah segurou seu braço.

— Jake...

— Não. — Ele se soltou delicadamente. — Quero ouvir de novo.

O menino perdeu parte do sorriso quando Jacob se aproximou.

— Foi só uma brincadeira.

— Então conta outra.

— Jacob.

Dessa vez Sarah falou mais firme.

Ele olhou para trás.

Ela estava vermelha de vergonha.

Aquilo bastou.

Jacob voltou para perto dela, pegou seus livros sem pedir permissão e começou a caminhar.

Sarah o acompanhou.

— Eu não precisava que você me defendesse.

— Eu sei.

— Sei me defender sozinha.

— Também sei.

— Então por que fez aquilo?

Jacob deu de ombros.

— Porque eu estava lá.

Sarah ficou olhando para ele.

— Essa é uma justificativa muito idiota.

— Funcionou.

Ela sorriu.

— Obrigada.

Jacob bateu de leve no aparelho que envolvia o rosto dela.

— E, para sua informação, isso é bem útil.

Sarah estreitou os olhos.

— Para quê?

— Se algum dia ficarmos perdidos, você pega a frequência da polícia.

Ela ficou boquiaberta.

— JACOB BLACK!

Ele saiu correndo.

Sarah correu atrás.

Ou tentou.

No terceiro passo, tropeçou.

Jacob voltou imediatamente.

— Eu não acredito!

Sentada no chão, Sarah começou a rir.

— Dessa vez tinha uma pedra!

— Era uma pedrinha!

— Pedra é pedra!

Ele a levantou novamente.

E foi assim que Sarah aprendeu outra verdade importante sobre Jacob Black:

Ele podia fazer piada com ela.

O resto do mundo, não.


Aos quinze anos, Sarah percebeu que seu melhor amigo estava ficando bonito.

Não bonito como alguém dizia que um menino era bonito.

Bonito de verdade.

Irritantemente bonito.

Ela estava sentada na cozinha da casa dos Black fazendo um trabalho de matemática quando Jacob entrou depois do treino.

Sarah levantou os olhos.

E esqueceu completamente a equação que estava resolvendo.

Jacob havia crescido.

Muito.

Os ombros estavam mais largos, os cabelos negros caíam desordenadamente sobre a testa e havia alguma coisa diferente em seu rosto.

— O quê?

Sarah piscou.

— Nada.

— Você está me encarando.

— Não estou.

— Está sim.

— Estava pensando.

Jacob abriu a geladeira.

— Isso explica a fumaça.

Sarah atirou a borracha nele.

— Idiota.

Ele riu, pegou uma garrafa de água e sentou-se ao lado dela.

— O que está fazendo?

— Tentando descobrir onde errei.

Jacob olhou para a folha.

— Aqui.

— Não.

— Sim.

— Não foi aí.

— Sarah, você colocou sete vezes oito igual a cinquenta e seis e depois escreveu sessenta e quatro.

Ela olhou.

Fechou os olhos.

— Certo.

— Você está estranha.

— Estou cansada.

Jacob aproximou o rosto.

— Está doente?

O coração de Sarah bateu mais rápido.

Ela recuou.

— Para!

— O quê?

— Nada!

Jacob franziu a testa.

Sarah voltou desesperadamente para a equação.

Foi naquele dia que percebeu que havia um problema.

Um problema enorme.

Ela estava apaixonada pelo melhor amigo.

E não fazia ideia do que fazer com aquilo.


Aos dezessete, Sarah descobriu que garotas bonitas também haviam percebido Jacob.

E elas eram muitas.

Bonitas, magras, populares, bem vestidas.

Exatamente tudo aquilo que Sarah acreditava não ser.

Ela começou a assistir de longe às primeiras namoradas.

E Jacob começou a descobrir que nenhuma delas gostava muito de Sarah.

— Você vai mesmo levar ela?

A pergunta veio de uma garota com quem Jacob estava saindo havia poucas semanas.

Sarah estava perto o suficiente para ouvir.

Jacob olhou para a namorada.

— Ela tem nome.

— Você sabe o que eu quis dizer.

— Não. Não sei.

— Jacob, nós vamos ao cinema.

— E daí?

— Era para ser um encontro.

— Paul e Emmett também vão.

— Eles são seus amigos.

Jacob franziu a testa.

— Sarah também.

Sarah decidiu interferir antes que aquilo piorasse.

— Eu posso ficar em casa.

Jacob virou-se imediatamente.

— Não pode.

— Posso, sim.

— Você escolheu o filme.

— Posso assistir depois.

— Sarah.

Ela conhecia aquele tom.

— Jacob.

— Você vai.

A garota cruzou os braços.

Sarah suspirou.

E, mais tarde, enquanto caminhavam até o carro, disse:

— Você precisa parar de fazer isso.

— Isso o quê?

— Me colocar no meio dos seus namoros.

— Você não está no meio.

— Estou sempre no meio.

Jacob abriu a porta do carro para ela.

— Você estava aqui antes.

Sarah riu.

— Isso não ajuda em nada.

Para Jacob, aquela frase era simples.

Para Sarah, significava outra coisa.

Ela era a amiga.

A menina da infância.

Quase família.

As outras eram as garotas que ele beijava.

E Sarah aprendeu a conviver com isso.

Ou pelo menos fingir que havia aprendido.


Os anos passaram.

E algumas coisas mudaram.

Jacob Black cresceu e se tornou exatamente o tipo de homem que Sarah temia que se tornasse.

Alto.

Forte.

Confiante.

E absurdamente bonito.

Quando entrou definitivamente para as empresas de Billy Black, ternos pareciam ter sido inventados especificamente para irritar Sarah.

Mulheres olhavam para ele.

Funcionárias olhavam para ele.

Clientes olhavam para ele.

Garçonetes olhavam para ele.

Uma vez, uma mulher bateu contra uma porta de vidro olhando para ele.

Sarah riu durante quinze minutos.

— Não teve graça — Jacob reclamou.

— Teve muita graça.

— Ela podia ter se machucado.

— Eu sei.

Sarah respirou fundo, tentando parar de rir.

— Mas agora você sabe como eu me sinto.

— Você bate em portas sem precisar olhar para ninguém.

— Detalhes.

Jacob mudou.

Sarah...

Bem.

Sarah também havia crescido.

Só não exatamente da maneira que as pessoas esperavam.

Os óculos continuavam enormes.

O tratamento ortodôntico se prolongara muito mais do que ela gostaria e, em determinadas fases, ainda precisava usar um aparelho extrabucal em casa — informação que Paul e Emmett consideravam material inesgotável para piadas.

Ela continuava acima do peso.

Seus cabelos tinham enorme potencial e nenhuma orientação.

E suas roupas...

Alice Cullen considerava as roupas de Sarah uma afronta pessoal.

— Você faz isso de propósito — Alice declarou certa manhã.

Sarah olhou para a própria roupa.

Saia marrom.

Camisa estampada.

Casaco verde.

Sapatos confortáveis.

— O quê?

— Isso.

— Isso o quê?

Alice apontou para ela inteira.

— Isso!

— Seja específica.

— Eu não consigo. Existem crimes demais acontecendo simultaneamente.

Paul, passando pelo corredor, analisou Sarah.

— Eu gostei.

Alice virou-se lentamente.

— Claro que gostou.

Emmett apareceu atrás dele.

Olhou Sarah de cima a baixo.

— Minha avó tinha uma cortina parecida com essa camisa.

Sarah sorriu.

— Foi dela que eu roubei.

Paul começou a rir.

Emmett bateu na mesa.

Alice fechou os olhos.

— Eu odeio todos vocês.

Sarah pegou sua pasta.

Virou-se.

E bateu contra a porta.

Os papéis voaram.

Paul apontou.

— E temos o encerramento perfeito!

— Cala a boca, Paul!

Jacob apareceu exatamente naquele momento.

Parou.

Olhou para Sarah ajoelhada recolhendo papéis.

Olhou para a porta.

Olhou para Paul e Emmett quase chorando de rir.

E suspirou.

— O que aconteceu?

Sarah levantou um dedo.

— A porta se mexeu.

Jacob começou a sorrir.

— Claro.

Ele se abaixou para ajudá-la.

Como fazia desde os oito anos.

— Você está bem?

— Minha dignidade sofreu danos irreparáveis.

— Essa morreu faz tempo.

Sarah abriu a boca, indignada.

Jacob riu.

Ela bateu nele com a pasta.

— Idiota.

— Desastrada.

— Metido.

— Perigo público.

Os dois ficaram se olhando.

Sarah sorriu.

Jacob também.

Por um instante, todo o resto desapareceu.

Paul observou os dois.

Depois olhou para Emmett.

Emmett levantou uma sobrancelha.

Alice, alguns metros atrás, cruzou os braços.

Os três sabiam.

Talvez todo mundo soubesse.

Menos Sarah.

Porque Sarah Swan continuava absolutamente convencida de que Jacob Black a enxergava como a menina dos óculos enormes que ele passara a infância inteira protegendo.

Sua melhor amiga.

Sua quase irmã.

E Jacob nunca encontrara coragem para explicar que ela estava errada.

Muito errada.

Naquela época, nenhum dos dois poderia imaginar que chegaria o dia em que Sarah desapareceria da vida dele.

Que Jacob passaria dezoito meses desejando ouvir novamente aquela risada alta, aquela voz implicante ou até mesmo o estrondo de alguma coisa sendo derrubada no corredor.

Nem que Sarah voltaria usando outro nome, outro corpo, outras roupas e uma segurança que precisaria representar todos os dias.

Naquele tempo, Emma Taylor ainda não existia.

Existiam apenas Sarah e Jacob.

A garota que vivia caindo.

E o menino que sempre estendia a mão para levantá-la.

Nenhum dos dois sabia que, muitos anos depois, quando os olhos já não fossem suficientes para reconhecer o que havia mudado, seria justamente aquela antiga familiaridade que começaria a revelar a verdade.

Porque algumas pessoas aprendemos a reconhecer pelo rosto.

Outras, pela voz.

Mas existem aquelas que ficam tão profundamente gravadas dentro de nós que, mesmo quando tudo parece diferente, alguma coisa continua dizendo que elas voltaram.

Muito antes de a razão compreender.

Muito antes dos olhos terem certeza.

O coração reconhece.