Pó de Fada

1 Pedaço de paciência


Notas iniciais
Caro Leitor, muito obrigada por gastar seu tempo lendo essa história que eu já tenho vontade de escrever há dois anos. Aviso: Esse capítulo é uma introdução a alguns personagens que serão importantes na história, esse capítulo não terá nenhum fato que será importante no enredo.

Acordou de manhã, viu que a sua esposa estava dormindo ao seu lado, ficou uns minutos admirando a beleza dela, sem falar uma palavra, levantou de fininho para seus ouvidos afiados e seu sono leve não a acordar, colocou suas pantufas, que a sua esposa havia comprado para ela, mas no tamanho errado, ele foi para a cozinha fazer um café, pegou a leiteira, colocou a água na leiteira e começou a cantarolar, colocou a água em fogo alto, junto com duas colheres de açúcar, ele olha pela janela vendo a neblina do amanhecer, dando para ver o parque infantil, perde a noção do tempo e começou a ferver a água, colocou umas duas colheres recheada de pó, e colocou no coador de pano, sentiu o cheiro de cafeína, na sua alma, era umas das únicas coisas que ele mais amava de tomar, e como ele amava esse cheiro.

Quando ele foi pegar o pão para passar manteiga, mas por sua surpresa, não tinha mais nada na sacola, teve que pegar toda a sua coragem e a chave de casa, colocou um jaleco por cima para ir na padaria, todo desarrumado com cinco reais todo amassado no bolso da frente foi ele sem celular, abriu a porta com toda delicadeza, andou pelo corredor, teve que esperar o elevador, ele entrou, clicou para ir ao térreo, quando olhou para frente viu a Amélia a vizinha de reputação questionável e colega de trabalho, a super fofoqueira, quando ela notou que o Afonso estava no elevador, saiu correndo em direção ao elevador, ela até esqueceu de rebolar, saiu correndo desesperadamente, quase tropeçando em seus saltos desgastados. Ele com medo que ela entrasse, teve o reflexo de ficar clicando várias vezes no botão de fechar a porta, quando começou a fechar, ele suspirou de alívio, mas quando estava prestes a fechar, ela jogou a bolsa que impediu do elevador de fechar, ele voltou a abrir as portas, e o Afonso voltou a revirar os olhos.

De resposta a reação dele, selecionou todos os andares entre o quinto, em que eles estavam e o térreo, onde que ele ia, para conseguir ter mais tempo para ficar ao seu lado e ainda, querendo puxar assunto disse:

— Bom Dia Doutor Afonso…Tudo bem? – Ele, com ódio, respondeu com educação.

— Bom, Amélia, muito bom. – Olhou para o relógio e voltou a olhar para os andares selecionados, olhou para seu pé e percebeu que ainda estava com a pantufa, deu nos ombros, ela reparou,

— Eu fiz uma calda de chocolate com canela quentinha, se quiser podemos ir lá na minha casa para tomar... um pouquinho, vai ser muito incrível, vamos poder estrear o sofá novo que eu ganhei da minha irmã, ele não é realmente novo, porque ela usava, mas para mim é novo, uma coisa muito legal que me aconteceu. – mordendo os lábios ela faz um sorrisinho sarcástico e batendo o salto desgastado de oncinha rosa no chão. Com a porta se fechando, com um olhar implorando socorro, ele continuou falando:

— Eu deveria fazer mais exercícios… – A Amélia volta a responder toda entusiasmada como se a sua opinião fosse a única que importava:

— Eu também, não brinca, somos tão iguais! Mas o meu achocolatado, como eu posso falar, ela é fitness! Eu aprendi a fazer ele quando tinha cinco anos, não é incrível? Eu sou muito fã de bombeiros malhados, policiais, médicos. Mas tem que ser os Topzeras, como você. Sabe, homens de uniforme, então eu fazia chocolate quente para dar para eles, isso tudo era só para ver eles sem camisa. – Ele olhou para a cara dela verificando a veracidade dessa informação que ela estava querendo falar, mas a única coisa que teve reação para dizer foi um:

— Entendi. – Falou ele só para não deixar ela no vácuo já que ele não estava prestando atenção no que ela estava falando.

Quando o elevador abriu a porta pela primeira vez ele saiu resmungando

— Eu vou pela escada. – Ele saiu do elevador, e ela começou a gritar pelo seu nome, fazendo um escândalo alegando que ele a abandonou e de maneira super dramática, ele andou pelo corredor e abriu a porta vermelha contra incêndios, e começou a descer incansáveis cinco andares, resmunga a si mesmo. “Porque escolhi morar em um prédio?” Chegando no térreo todo suado, e pensou. “Sorte que aquela insuportável não está aqui.” Quando abriu a porta, anti-incêndio se deparou novamente com Amélia, conversando com o porteiro, se jogando em cima do balcão, debruçando os peitos sobre ele, querendo o máximo possível que ele olhasse para ela, e empinando a bunda e a balançando de um lado para o outro e esfregando o dedo indicador no balcão e o porteiro olhando para o teto, com uma cara implorando por socorro, só faltava chorar o coitado.

O Afonso passou pela portaria, de fininho para que ela não visse, faz um joinha para o porteiro, conhecido também como o cara do joinha, ou Severino, e saiu do condomínio, sorrindo com uma cara de vitória por ter se livrado dela, atravessou a rua em pulinhos, quase foi atropelado por não ter faixas de pedestre na cidade e nem calçadas, chega na padaria na frente de sua casa, viu uma fila de três pessoas, e começou a puxar assunto com um vizinho, era o menino, que se chamava Miguel, morava no mesmo prédio, o garoto tava com uma cara de sono que era contagiante só de olhar, ele já estava com o uniforme da escola.

— Bom dia. – O menino olhou para ele e logo reconheceu.

— Bom dia sr Afondso, tudo bem com o senhor? – O Miguel disse olhando para os pés de Afonso segurando uma risada, abriu um sorriso com alguns dentes de leite faltando.

— Gostei das pantufas. – Diz o garoto não conseguindo segurar o comentário.

— To bem, muito obrigado por me perguntar, é essa e a última moda essa, é com você menino? – Todo bobo pela educação dele, e com admiração e inveja, pois sonhava em ter uma criança para passar seu tempo ensinando e o ajudando.

— Eu to bem senhor! A mamãe me pediu para comprar, agora eu não me lembro o que era. – Ele fez uma cara de choro pois sabia que ia receber esporro.

— Fica assim não, tenta se lembrar o que ela pediu, lembra da onde a Dona Maria estava, quando te pediu. – Falou ele olhando que já seria o próximo da fila o menino.

— Ela tava me acordando, me ajudou a me arrumar, e mandou eu arrumar a bolsa da escola, e ela disse que tava faltando, então ela pediu para comprar, acho que era pão mas eu não sei. – Ele foi chamado, agradeceu pela conversa, o Afonso ficou com o coração partido vendo o menino comprar os pães com incerteza, ele pediu cinco pães de sal e ainda ficou olhando as balinhas morrendo de vontade de pegar uma de menta. Ele pagou o padeiro e não conferiu o troco e foi indo para casa. O padeiro olhou para ele e o chamou.

— O senhor vai querer o que? – Diz o padeiro com um sorriso no rosto, já cansado de tanto trabalhar. O Afonso responde.

— Quero somente dois pães doces.

— Para já! – O padeiro sai, e vai pegar os pães, mas no meio do percurso ele dá meia volta com a sacola de papel na mão.

— Desculpa, você vai querer o que mesmo? – Diz ele com um sorriso desajeitado, com medo de uma possível revolta.

— Eu quero dois paes. – Diz o Afonso sendo o máximo compreensível o possível.

— Certo! Mas que tipo de pão?

— Doce… – Afonso abriu um sorriso, respirando fundo por aquilo estar acontecendo. O padeiro retorna, pega dois pães, como pedido.

— E quanto cada? – Afonso pergunta querendo saber quanto seria para pagar.

— Quanto o que? – O padeiro responde confuso olhando para os lados tentando descobrir o que ele queria.

— Os paes. – Diz o Afonso achando que já era óbvio o que ele queria saber.

— O pão de sal é 1,20 já o doce com o recheio… – Ele é interrompido pelo Afonso.

— Eu só quero saber do pão doce. – Falou ele perdendo a paciência.

— Ah, tá! Podia ter me dito antes, os pães vão dar quatro reais. – Diz ele sorrindo.

— Então o pão doce simples é dois reais na unidade de pão doce? – Pergunta ele querendo descobrir.

— Não, é 1,50. – O padeiro responde.

— Então a compra não seria três reais? – Diz o Afonso já com cara de maníaco.

— Nossa, é mesmo, verdade, desculpa senhor. – Ele entrega os dois reais amassados e recebe de troco somente um real, ele olha aquilo, já sem paciência e aceita para não perder sua sanidade, respirando fundo, acaba se virando e com os pães e apertando a moeda forte na mão, sai da padaria, esperou um carro passar, atravessou a rua e voltou para o seu condomínio.

Pegou o elevador, dessa vez sem nada para poder tirar mais a sua paciência, voltou para o andar da sua casa, abriu a porta de fininho e se deparou com sua esposa acordada, ele sorriu ao ver ela, e ela sorriu de volta ao ver ele, logo ela perguntou em língua de sinais: “Onde você foi, meu amor”.

— Ah, desculpa, eu queria levar café da manhã na cama, mas não tinha pães, então eu fui na padaria comprar. – Ela sorri e vai em direção dele e o abraça.

— Desculpa não ter te avisado. – ela se afasta dele e responde em língua de sinais: "Tudo bem, obrigada por se preocupar, eu achei que tinha acontecido algo de urgente no hospital”.

— Aconteceu nada não, vamos, vamos tomar café. – Ele coloca os pães na mesa, pega manteiga na geladeira, ela senta na cadeira e começa a colocar a preparar a mesa, ele chega em uma mão a garrafa, na outra os talheres e xícaras, e embaixo do suvaco com a manteiga aproveitando a viagem. A Maria começa a cortar o pão, e passar manteiga, quando prepara, ela enfia o pão na boca e pega o jornal, ele senta na cadeira a o lado e começa a servir o café puro.

— Qual é a notícia do momento. – Afonso pergunta a sua esposa e ela pega o jornal, coloca sobre ele, e coloca o dedo em cima indicando.

— É esse? “Atropelamento, pedestre não identificado, foi atingido por um modelo A de Henry Ford que fugiu sem prestar socorro”, nossa que terrível! – Ela balança a cabeça afirmando, e ainda bate o dedo novamente em cima do texto fazendo entender que ele deveria voltar a ler, com a atitude dela, ele faz uma cara feia e ela riu e ele logo falou:

— Ta! Ta! eu vou ler, tira esse dedo daqui! “O acidente aconteceu na rua 19 de Novembro em Vitória nesta quinta-feira assustou os moradores locais. Os especialistas da polícia militar acham que o acidente aconteceu por conta das mudanças climáticas que aconteceram no litoral serrano, os policiais não quiseram dar mais informações e ocultaram o nome do motorista que fugiu sem prestar atendimento. A atropelada é uma jovem mulher que andava a noite sozinha”. Que estranho uma mulher assim a noite, deve ser uma imperatriz. Mas… Tá estranho, acho que ela será minha paciente, pelo o que eu vi no prontuário o bebe ainda está vivo. – A Maria arregalou os olhos e disse: "Sério? O que será dessa criança?".

— Não sei, ela teve morte cerebral, mas continuam cuidando dela por conta do bebê. – Maria o respondeu com muita piedade: "Misericórdia, se o governo não ajuda nem os trabalhadores quem me diga ela. Deve ir a um orfanato coitada". Afonso regala os olhos e pede em sinais para ela não falar assim do governo, lembrando que eles vivem em uma ditadura. Ele volta a ler só para fingir que estava tudo normal e nada havia acontecido.

— “Ela foi socorrida na hora e levada para o hospital ainda respirando, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos e morreu, mas a perícia continua analisando a situação. De acordo com uma testemunha ocular, que afirma que a área é bem movimentada, mas que nunca aconteceu algo do tipo, e ainda disse que: ‘Ela uma mulher bonita e bem arrumada daquela, jamais deveria estar sozinha, e deveria ser mãe solteira pelo marido não ter se pronunciado ainda, mas se ela soubesse o nome da vítima colocaria ela em suas orações’.” – Ele fica calado em choque com a descrição gráfica do ocorrido. A mulher dele fica em silêncio com um aperto no coração.

— Como pode, existem mulheres que podem engravidar, poderiam ser uma boa dona de casa, uma ótima esposa e gastam a sua vida assim. – A Maria começa a se culpar por não conseguir gerar um filho. Começou a rolar uma lágrima do rosto, Afonso levantou da cadeira e começou imediatamente a consolar ela, se ajoelhando aos seus pés.

— Não! Não! Não fique assim não, eu te amo, eu não quero que você fique assim eu só disse da boca para fora. – Ela cai no choro e o abraça, fica feliz por ter um homem moderno que aceita ela do jeito que ela é.

— Eu sei que você queria ser mãe, mas você não pode ficar se culpando. – Ela limpa o choro. E ele olha para ela e fala em libras: “Eu te amo, você mora no meu coração”, ela sorriu e o respondeu: “Obrigada, você também mora no meu coração".

— Eu deixei tudo de lado para ficar com você, eu briguei com meu pai, abdiquei na minha herança, só porque ele não queria que eu ficasse com você, mas o meu amor é muito maior que isso. Eu estou disposto a passar toda minha vida com você, e eu vou ser muito feliz assim. – Ela se jogou no pescoço, e deu um abraço super forte, ela sabe que ele estava disposto a fazer muito mais coisas para eles ficarem juntos.

Notas finais
Esse capítulo é um teste, por favor leitor, digite sua opinião para eu conseguir melhorar!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.