Pó de Estrela
1 Febe
BIG GUY
“Corremos por Deus, pelo destino
Pelo amor, pelo ódio
Pelo ouro, pela ferrugem
Por diamantes e pela poeira” — Love Runs Out
CORRER. CORRER. Fugir das enfermeiras do IPJC — Instituto Psiquiátrico para Jovens de Cabo — era minha atividade favorita. Eu era uma das poucas pessoas que tinha uma enfermeira própria, porque a minha ala — DPEC, Distúrbios Psiquiátricos Especialmente Confusos, como eu chamo — era vazia, exceto por mim. Eu me sentia como um rato de problemas de matemática do, sei lá, sétimo ano. Correndo do gato, mesmo sabendo que a qualquer momento seria pega.
As enfermeiras do Instituto se classificavam geralmente em três belos tipos. Eu gosto de compara-las com diferentes tipos de pessoas que compõem um exército.
1. As auxiliares de alistamento, que cuidam da clínica e da internação. Não precisamos evitar, pois elas nunca dão as caras na parte dos Internos.
2. As cozinheiras que cuidam da comida e as que cuidam da farmácia. São doces e sempre têm jujuba e tic tac quando você precisa. Elas ainda fofocam sobre os psiquiatras e sobre as notícias lá de fora.
3. As fortes da linha de frente. As enfermeiras das alas. A DPEC tem apenas uma, já que há uma única paciente, mas algumas como a DDP — Doidos de Pedra, como apelidamos — possuem uma a cada dois pacientes. Eu corro delas sempre que posso. São as que administram alimentação, quando você precisa tomar privadamente, assim como idas ao médico e às sociais e a medicação.
De qualquer modo, o segundo tipo era o melhor. Eu fiz amizade rápida com uma das responsáveis da cozinha, Angelina. E quando eu e Candy precisávamos escapar, ela estava lá para nos dar uma noite fora às escondidas. Mas não as que cuidavam da DPEC. Eram onze e meia da manhã, eu acho, porque ela apareceu para me dar o almoço — fruto de minha última tentativa de fuga descoberta, o corte de convívio no horário das refeições — e eu comecei a correr através da porta aberta, pelos corredores que conhecia melhor que minha própria casa.
Eu já estava no corredor da clínica, que ficava bem mais ao fundo. Foi quando eu bati em alguém e caí. Um garoto estava caído ao meu lado, usando jeans e uma camisa azul clara, roupas normais.
— Sabe, o hospital dos cegos é do outro lado da cidade — eu comentei enquanto me levantava e ele pareceu me notar. Parecia ter chorado recentemente. — E o dos mudos também, onde está a sua educação?
— Eu... Eu não sou... Louco. — ele disse, ignorando minha reclamação.
Mais um recém-chegado.
— Claro que não, Big Guy — eu respondi sarcasticamente. Não costumava ter muita paciência com pessoas em fase de negação. — Ninguém aqui é. Acabou de sair de uma consulta?
— Eu fugi — ele me encarou pela primeira vez.
— Hm, ele sabe falar com coerência. Bem, não devia sair correndo por aí. Poderia encontrar algum interno, e sabe, eles não são legais.
— Você é o quê?
— Uma garota. Sua mãe nunca te ensinou a não falar com estranhos?
— Eu sou Andersen — ele estendeu a mão.
— Ok, acho que você é meio surdo. Então, sabe — eu ouvi passos e imaginei que a enfermeira nova estava chegando — eu adoraria continuar conversando sobre loucura, mas tenho que ir.
Continuei na minha pequena fuga, mas dei apenas uma olhadinha para trás, bem a tempo de ver um Andersen de costas e indeciso entre qual direção seguir.
— Mas que traseiro lindo, hein? — gritei fazendo-o se virar confuso na minha direção. Ah, novatos... Sempre divertidos.
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