Notas iniciais
Bom, é absurdo o que eu gostaria de escrever aqui, e o quanto eu quero agradecer a cada um de vocês que acompanharam a fic durante esse tempo todo. Mas finalmente, chegamos no último capítulo. Espero que gostem, boa leitura.

Era uma manhã muito fria, Annabel usava um gorro e cachecol, e mesmo coberta de blusas ela continuava estilosa. Quando sua mãe dos deixou na porta do colégio ela segurou minha mão e me acompanhou até a mesa dos meus amigos.

– Bom dia, casal. — Rick cutucou Travis e riu.

– Bom dia, casal. — eu respondi e Travis me deu um empurrão no braço. Annabel cumprimentou-os e ficou sentada ao meu lado, sem soltar minha mão. A conversa era boa, estava tudo bem, eu estava feliz e destraído brincando com os dedos de Annabel, Rick falava sem parar, eu ouvia tudo como uma voz de fundo, sem realmente prestar atenção. De repente o clima pesou, os meninos pararam de falar.

– Bom, acho que vou indo para minha sala.- ela levantou-se beijou meu rosto, acenou para os meninos.

– Já? — perguntei.- Quer que eu vá com você?

– Não precisa, Christian.

– Te vejo depois, então.- ela sorriu, mandou um beijo e continuou andando. Foi então que percebi que Kick vinha na nossa direção, mas ele não vinha sozinho. Ah não. Lindsey estava com ele.

– O que ela está fazendo aqui?- perguntei.

– Então, cara...

– Fala logo.

– Ela tá estudando com a gente, de novo.- Trav respondeu.

– E vocês só me avisam essa merda agora?- eu me levantei ficando de frente para eles. Rick me puxou pelo braço.

– Relaxa, Chris, não tem nada que...

– Isso é ridículo, eu não tenho que engolir essa porra.

– Olha pra mim. — ele apertou meu braço, eu tentei soltar, em vão. — Esse é o nosso último ano, o último ano nessa merda. A gente quis isso nossa vida toda, eu tive que assistir essa menina estragar a sua vida nos últimos três anos, e dessa vez eu não vou me dar ao luxo de sentar e ficar vendo tudo acontecer, então eu não vou deixar o seu egoismo, ou o do Kick ou o daquela vagabunda estragar o nosso ano. Tá legal?

– Cara, eu...

– Você me entendeu?

– Entendi.

– Ótimo.

Quando voltamos para perto dos meninos eu cumprimentei Kick, que hesitou ao apertar minha mão, e quando fez me abraçou em seguida. Não olhei para Lindsey.

– Oi Chris.- ela disse.

– Oi.- eu respondi ao ver que Rick me olhava feio.

Minhas preces eram atendidas enquanto eu andava pelos corredores do colégio agradecendo que Lindsey não ficara na minha sala. Entrei no banheiro, chequei meu celular e lavei meu rosto para espantar o sono. Quando saí, alguem me chamou.

– Chris. — era Lindsey, encostada na parede logo atrás de mim. — Precisamos conversar.

– Acho que conversar é o que menos precisamos.- ela se aproximou e entortou os lábios.

– Olha, me desculpa.- ela disse

– Tudo bem, posso ir agora?

– Eu não devia ter te deixado dessa forma, eu sei disso...- ela falava lentamente, e eu não sentia a menos necessidade de prestar atenção. — E o Kick foi a melhor forma que eu consegui para poder me aproximar de você de novo.

– Pera aí. O Kick o que?- eu perguntei transparecendo minha frustração. Ela respirou fundo e tocou minha mão, eu me afastei.

– Chris, eu nunca deixei de gostar de você. Eu ainda te amo.

– Cala a boca, garota.

– Não, por favor. Me escuta. — ela puxou meu rosto deixando bem perto do dela.- Eu não te valorizei quando podia, mas eu valorizo agora.

– Você não entende? Tem alguma noção do que fez comigo? — eu tirei suas mãos do meu rosto, segurando seu punho com força. — Era nosso aniversário de namoro, Lindsey. Eu estava indo para a sua casa, te dar um presente. E o que você fez?

– Chris, eu...

– Me responde, o que você fez?

– Eu não sabia o que estava fazendo, eu estava confusa.

– Confusa? Você trocou anos do nosso namoro por uma aventura ridícula. — ela começou a chorar e baixou o rosto. — Olha para mim. Eu nunca mais quero ver você na minha frente, e se você tentar falar comigo mais uma vez...

– Mas eu ajudei você! Você só conhece seus amigos por minha causa, eu te apresentei o Rick, eu fiquei com você quando você não tinha mais ninguém...

– Escuta com carinho o que eu vou te dizer agora. — eu segurei seu queixo com força, aproximando seu rosto do meu.- Eu não quero você perto de mim, não quero você falando comigo ou com os meus amigos, e acho melhor você dar um fim nesse seu namoro com o Kick e contar pra ele suas verdadeiras intensões.

– Mas...

– Se você não acabar com isso, eu faço por você. Entendeu direitinho?

– Eu...- ela hesitou. As lágrimas rolavam seu rosto.- Entendi.

Segui o corredor até a sala de aula, ouvindo soluços baixos do choro de Lindsey. Foi inevitável chorar. Chorei lágrimas doloridas, as lembranças escorriam dos meus olhos, eu as limpava com raiva e continuava a andar.

Annabel sumiu o restante do dia, meus amigos estavam se reunindo na casa dos gêmeos, mas eu não estava com a menor vontade de ficar perto de alguém. Deitado na minha cama, eu revivi a cena com Lindsey de novo e de novo, me questionava se peguei pesado demais ou se exagerei demais, mas ainda sentia raiva por tudo o que ela me fez passar. Tentei ligar para Annabel. Nada. Tentei novamente. Nada. Dormi até o dia seguinte.

***

Quando estava sentado com meus amigos, eu procurava Annabel com os olhos sem parar, tentei ligar e mandar mensagem e ainda sim não obtive nenhum tipo de resposta. Não gostava de não entender o que estava acontecendo, isso me deixava nervoso, me tirava do sério. Kick estava sozinho hoje, contou que Lindsey terminara com ele na noite passada.

– Puts, cara. — comentou Rick sobre o ocorrido.

– Puts, cara. — repetiu Travis de uma forma irônica, que me fez rir.

– Você é um escroto, Travis. — Kick levantou-se com lagrimas nos olhos e correu. Rick olhou para nós com olhar desprezível.

– Ele mereceu. — comentei.

– Pode ser. — Rick respondeu.
***

Duas semanas. Nenhuma notícia de Annabel. Fui até a casa dela, era um domingo. Chovia muito. Fui mesmo assim.

– Sim? — uma moça de avental abriu a porta.

– Oi, eu procuro Annabel...

– Ah sim, a família está numa viagem. Voltam só semana que vem no sábado.

– Viagem? Pra onde?

– Eles foram para Bahamas, aproveitar a folga do Sr. Watters.

– Ah sim, claro. Bahamas.

– Quer entrar e tomar alguma coisa?

– Não, obrigada.
***

– Annabel, sou eu. Você tá bem? Eu sei que foi para Bahamas, mas estou com saudades. Sei que essa coisa de mensagem é meio cliche, mas mesmo assim... Bom, só me mande notícias.
***

Annabel voltaria no dia seguinte. Na sexta-feira, eu pretendia dormir cedo e acordar tarde no sábado, quando poderia ver Annabel e abracá-la. Eu estava sozinho em casa e me enrolava nas cobertas por volta as sete horas da noite. Até que a campainha tocou. Pensei em Rick, que insisitra para que eu fosse com eles à uma festa. Abri a porta.

– Oi, Christian.

– Annabel? — ela sorriu, puxando-me para um abraço delicado. Quando abracei percebi uma picape estacionada na frente da minha casa, com uma menina de cabelo bem curto, alaranjado encostada nela. Annabel olhou para mim e entregou um envelope.

– Eu preciso ir. — ela acariciou meu rosto.

– Ir? — perguntei.

– Eu sempre soube de tudo, Christian. O tempo todo. — ela apontou para o envelope.- Só leia quando eu já estiver dentro do carro.

– Annabel, eu não estou entendendo.

– Tchau, Christian. — ela beijou meu rosto.

– Onde você vai? — eu segurei seu braço quando ela tentou se afastar.

– Me solta. Eu preciso ir agora.

– Você tem que me dizer pra onde vai, Annabel. — eu segurei com força seus braços.

– Para, tá machucando... — A menina de cabelos alaranjados avançou na minha direção, de punhos cerrados e me deu um lindo e caprichado soco. Bem no meio do meu rosto e eu caí no chão como se estivesse bêbado.

– Beatrice! — Annabel exclamou e segurou a garota. — Ele só está confuso, só isso.

– Eu sei, eu sei. — Beatrice respirou fundo e estendeu a mão para mim. Recusei. Permaneci no chão.

– Me desculpe.- Annabel beijou minha testa e entrou no carro com Beatrice. E se quer me movi. Avistei o envelope, amassado. Metade embaixo da minha perna, segurei em minhas mãos, tentado desamassá-lo. Abri com cuidado e retirei um papel roxo de dentro. Uma carta escrita a mão.

Querido Christian.
É complicado ter que escrever algo que foi planejado durante meses em uma só carta, mas acho justo que você tenha uma explicação.
Assim que me mudei para cá, fiz planos com Beatrice. Minha ex namorada, (ainda lembra dessa história?) marcaríamos uma data para desaparecer do mundo e eu precisava de uma desculpa para tudo isso. Meus pais nunca entenderam minha situação, eu não poderia ficar com eles mais, Beatrice me ajudou a manter o foco, e eu prometi que faria o que fosse possível, e o que não fosse, para ficarmos juntas, não importa quem eu tivesse que prejudicar.
Eu conheci você, o alvo que eu precisava. Me aproximar de você e dos seus amigos foi mais fácil do que imaginava e toda a história da Lindsey foi realmente favorável para que meu plano fosse possível. Você caiu na minha armadilha como uma mosca cai na teia de uma aranha, tão simples e clichê. Seus amigos foram legais e hostis comigo, não precisei de muitas bebidas para fazer com que Rick me contasse tudo, mas por favor, não o culpe, faço questão de atribuir a completa responsabilidade pelo o que fiz.
Quando eu achei que era impossível a situação ficar ainda mais fácil para mim, nossas mães eram amigas, e eu te teria por perto sem precisar fazer nenhum tipo de esforço. Sua bondade quase me deixou com peso na consciencia. Quase.
Nesse momento, meus pais estão voltando de Bahamas, provavelmente estão dentro de um avião imaginando que eu esteja em casa, trancada no meu quarto ou cuidando do meu irmão. Quando na verdade, Beatrice estava me ajudando a fazer as malas e a roubar o dinheiro necessário para que pudessemos completar nossa viagem com um conforto mínimo (não se preocupe com meu irmão, ele está seguro e quentinho, provavelmente minha tia gorda está entupindo-o de doces).
Na noite seguinte em que você dormiu em casa, conversei com a minha mãe, tive uma longa e sentimental conversa, onde admitia entender o porquê dela ter me afastado de Beatrice, disse também que estava apaixonada por você e que tudo o que passamos juntos tinha realmente me mostrado o quanto não passava de uma fase o ocorrido no Arizona. E você foi a prova perfeita de todo esse teatro, você foi a evidencia que eu precisava para poder ganhar a confiança dos meus pais novamente, e eles (assim como você) acreditaram no meu ''desapego''.
Lindsey foi uma ótima atriz quando precisei. Viramos amigas antes mesmo de você imaginar, consegui convencê-la a ficar com o Kick. Eu sabia que precisava de uma forma para você sentir um ódio irreversível dela, caso contrário você poderia acabar se destraindo e eu não podia correr o risco de você voltar pra ela, e nós dois sabemos que você voltaria.
Não pretendo alongar mais essa carta, mesmo já tendo abusado o bastante da sua burrice, digo, bondade, eu tenho mais um pedido. Peço para que não morra de raiva de mim, você pegaria trauma de meninas e não conseguiria mais ficar com ninguém, e nós dois sabemos que esse tipo de drama é desnecessário para um menino de 18 anos. Acho que você deveria escrever sobre isso, escreva um livro em forma de diário (afinal, quantas vezes isso acontece com alguém?), e digo mais, acho que você deveria começar de uma forma dramática, comece colocando a culpa na Lindsey ou algo do tipo, contando do como seu coração foi partido em milhares e milhares de pedaços por ela. Imagina só a cara do leitor quando ele chegar nesse ponto do diário. Provavelmente ficará com uma cara de troxa e com os olhos esbugalhados enquanto percebe o que foi que aconteceu nesse tempo todo, assim como você.
Tenha uma vida feliz,
Annabel.

Notas finais
Muito obrigada por todos os comentários, acompanhamentos, favoritos e recomendações. E principalmente por terem lido atá aqui. Espero que tenham gostado da fic. Vocês são demais. Até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!