Páginas Desconhecidas
5 27 - Inútil.
Notas iniciais

É cansativo isso.
É loucura aguentar tudo isso. Nem mesmo sei como o faço, mas estou muito cansado.
É tanta coisa jogada sobre meus ombros. Tantas decepções. Tanta culpa que empurram para mim. E eu quero morrer, sabe.
Não estou mais aguentando. Eu quero por um fim nisso que chamam de vida. Para mim, isso não é nenhuma 'vida'. Meu pedaço de existência é apenas... Inutilitário.
Eu queria poder ser visto como útil alguma vez, ser amado por quem sou, ser bonito e legal da minha forma.
Eu queria que me vissem, queria que minha mãe me compreendesse, ou ao menos tentasse uma vez; por que eu tentei, eu não fui tão longe por que eu nunca parecia ser importante para ela. Era sempre meu irmão, sempre ele quem estava acima de tudo, mesmo que nunca fizesse nada.
E eu já estou cansado disso tudo. Eu sei que às vezes se deve persistir mais um pouco, mas existem vezes que o melhor a se fazer é simplesmente desistir de tudo. Da Vida.
Eu me pergunto sempre como Giotto suportou tudo, mas a forma como ele é tratado me faz questionar se ele, mesmo que uma única vez, chegou a passar pelo que suporto todos os dias.
Mas agora, nada disso importa mais. Eu sempre quis saber como seria a vida das poucas pessoas que eu conheço, sem mim.
Posso não descobrir, mas garanto que o leitor desta carta logo, logo poderá saber.
Por que, pela primeira vez na minha inútil vida, eu tive realmente vontade e coragem – e até utilidade – para fazer algo.
Mesmo que esse algo seja tirar minha própria vida, por que, a vida dói muito mais do que a morte.
Do inútil,
Sawada Tsunayoshi.
Fale com o autor