Puzzled Mind - Um Conflito Comigo mesmo
2 Capítulo 2
A viagem de carro fora bem tranquila, passamos por estradas com vistas lindíssimas, e a que mais me chamou atenção foi quando passamos por uma elevação que dava vista inteira da minha cidade. Nunca tinha percebido, mas todos os telhados eram azuis, as casas perfeitamente infileiradas e a quantidade de árvores era bem grande, isso me fez pensar que eu realmente morava numa cidadezinha linda.
Não era a primeira vez que vinha em cidades mais urbanizadas que a minha, entretanto eu não me lembrava de serem tão magníficas, vários prédios de dez andares ou mais, um comércio extremamente ativo, e tudo mais. E com tudo isso é claro que meu lado consumista se instalaria instataneamente, e como pré combinado, dei um simples prejuízo ao meu pai de cerca de cinco mil reais, entre roupas, dois livros para a viagem, um iPod e para completar um Notebook.
Cheguei no aeroporto bem em cima da hora, mal pude me despedir. No avião fiquei meio nervoso, era minha primeira vez, mas o nervosismo passou na mesma hora que vi a beleza do avião, as cadeiras todas cobertas por veludo azul, eram extremamente macias, cercado por um branco que parecia nunca acabar, era incrível. Pra minha sorte, ou não, sentei bem na janela, e como uma criança que acaba de ganhar um pirulito, meus olhos começaram a brilhar e fiquei imaginando como seriam as paisagens que veria.
Após a decolagem eu acabara de descobrir que tinha um medo incondicional de grandes alturas. Vide a situação, achei melhor ligar o iPod e começar a ler um dos livros que acabara de comprar. Era um romance, um garoto que estava em conflito consigo mesmo por conta de um acidente que matara sua melhor amiga. Era uma história bem interessante, até eu começar a ficar meio chocado pelo fato de descobrir que, no meio do livro, o garoto se apaixonara por outro garoto. Achei tudo aquilo meio nojento, mas acabei continuando a ler de qualquer jeito. Terminei pouco antes do pouso, meio atordoado e enjoado, não sei se fora a viagem ou o final da história que não tenho nem coragem de falar como fora.
Essa cidade era gigante, além de parecer que eu estava dando voltas mesmo andando em linha reta, pelo fato de todas as ruas serem completamente iguais. Demorei bastante para achar o lugar onde eu pegaria o ônibus, mas fora um passeio bem divertido. Era dez horas da noite quando eu acabara de embarcar no ônibus, e o trânsito estava um inferno. Mas pelo trauma passado, algumas horas antes, preferi não ler o outro livro. De qualquer maneira eu só pude chegar no internato na manhã do dia seguinte.
Na faixada do internato eu pensei como poderia existir um colégio no meio do nada. Mas era incrível, dava pra ver como ele era gigante, fora a decoração, um grande jardim que se era visto já de fora, uma placa bem grande mostrava o nome do colégio, e eu tinha a pequena impressão que aquelas letras eram escritas em ouro. Eu descobrira que o internato possuía tres prédios principais, o dormitório masculino, o feminino e claro o de onde aconteciam as aulas.
Depois de entrar no dormitório feminino por engano, que pra minha sorte o primeiro andar não era proíbida a entrada de homens durante o dia pelo menos, descobri que cada quarto era ocupado por uma dupla de alunos. Por ser filho único nunca tive a chance de esperimentar como seria dividir um quarto, e pra dizer à verdade eu realmente não queria descobrir, infelizmente era impossível fugir desse destino.
Ao chegar no quarto correspondente a chave que a mim fora dada, percebi que meu colega de quarto já havia se instalado. Haviam duas camas nas estremidades do quarto, ambas cobertas por lençóis brancos e azuis. Um grande armário de madeira, bem detalhado, com uma divisória que separava a minha parte da de meu desconhecido colega. O mais legal era que atrás de cada cama havia uma epécie de mini estante de madeira, era bem bonita. Só depois de me instalar complemente que me dei conta do quão brancas as paredes eram, fora a jenela que dava direto pra uma das vistas mais lindas que eu jamáis vira antes, algo como um bosque que cercava todo o internato, mas o que me chamou atenção foi um perfume estranhamente gostoso que eu não fazia a mínima ideia de onde vinha, mas continuei admirando a paisagem.
A porta então é aberta, um garoto alto de lisos cabelos negros e olhos tão escuros quanto os cabelos, um corpo um tanto atlético, bem o tipo de garoto que toda e qualquer garota sonha, aparece atrás a porta. Começou a me encarar com um olhar um tanto arrogante, era meu cabelo talvez? Alguma coisa me impedia de dizer uma palavra se quer, de qualquer ele lentamente entrou no quarto, pegou algo em cima de sua cama e quando eu finalmente comecei a falar um "oi" ele simplesmente continuou andando e saiu do quarto como se eu nem estivesse presente. Eu tinha feito algo de errado? Ele não foi com a minha cara será? De qualquer maneira acabei ficando furioso com tal situação, mas estava exausto demais para pensar nisso agora, eu não dormira a noite inteira.
Depois de um bom cochilo durante a tarde decidi caminhar e explorar um pouco os domínios da escola. Percebi que por onde eu passava todos olhavam pra mim, parece que meu cabelo prateado realmente chamava atenção, era um pouco engraçado me olharem daquele jeito. Mais alguns minutos caminhando pelo grande jardim da escola, agora em uma parte onde existiam apenas flores de cor azulada, um garoto pouco mais alto que eu, magro, de cabelos castanhos e olhos bem claros vestindo uma blusa amarela e um short jeans vinha na mesma direção da qual eu seguia. Ele simplesmente parou e gritou:
-- Ah! Que cabelo foda!! Nhá... Também quero ter, como você fez? Ah, perdão, nem me apresentei, sou Gabriel.
-- Prazer, me chamo Jun, e... o cabelo é natural. — me apresentei
-- Mas então, o que você tá fazendo por aqui? — ele perguntara
-- Bom, na verdade como sou novo só to vendo mais ou menos como é o colégo. — respondi um pouco baixo
-- Ah, se é isso posso te mostrar o colégio, alias, passar desse jardim aqui é proíbido, haha.
De fato Gabriel me mostrara a escola toda, eu andava e andava e ela não acabava, era incrível. O refeitório ficava bem atrás do prédio principal, era todo feito de madeira, bem rústico, mas agrdável. Tinha tudo que se pudesse imaginar, academia, piscina, várias quadras de esporte. Por final chegamos a uma das saídas do internato, a que dava direto no bosque que cercava o mesmo. Grabriel me explicara que era proíbido atravessar esse portão sem a autorização de um professor, mas que era comum os alunos desrespeitarem essa regra, e inclusive confessara que já a tinha quebrado uma porção de vezes.
Depois dessa longa caminhada decidimos ir para o refeitório, não resisti e peguei um pudim enquanto Gabriel pegara um copinho de gelatina de cereja, acho que se eu falasse que o podim estava incrivelmente delicioso seria menosprezá-lo, era impossível descrever.
-- Humm, mas então, você tá no 2º ano certo? — perguntou Gabriel
-- Sim, mas como sabe? — falei, até um pouco assustado
-- Haha, como presidente do conselho eu recebo a lista dos alunos novos. — respondeu ele com uma naturalidade assustadora — Mas de qualquer jeito é uma pena, já que estou no 3º ano
. -- Né... — por um momento congelei, o mesmo garoto de antes no quarto estava passando bem em minha frente, meus olhos brilharam de raiva — Quem é aquele garoto? — perguntei num tom de voz completamente diferente
-- Uau, o que foi essa mudança de personalidade? — perguntou Gabriel dando uma pequena risada — De qualquer forma esse é o Dan, ele é bem popular por aqui, mas qual seu interesse nele?
-- Ah, sinto muito por essa alteração repentina, é que... parece que é com ele que eu vou dividir o quarto. Mais cedo ele entrou no quarto, olhou pra mim, pegou algo e antes que eu pudesse falar alguma coisa, me ignorou completamente e saiu.
-- Não se preocupe ele é assim mesmo, não é o tipo de pessoa com quem você vai conseguir interagir mas também não lhe causará problemas nenhum. De qualquer maneira, mais alguem que você queira perguntar algo? — disse Gabriel sorrindo
-- Você tem um dossiê completo de cada aluno desse escola? — perguntei zombando, embora um pouco assustado
-- Claro que não, de você por exemplo ainda não está completo — ele riu Me despedi de Gabriel e me dirigi direto pro quarto, mal esperava para mexer no meu mais novo notebook, quando pensei nisso vi a imagem do meu pai churando com a carteira vazia e comecei a rir sozinho. Chegando perto da porta do quarto me deparo com Dan ainda com aquele olhar seco e arrogante. Por um momento congelei, mas pensei que também poderia jogar esse joguinho, então apenas continuei a andar e entrei pela porta do quarto como se ele nem estivesse ali. Pensei ter visto ele dar um pequeno sorriso, mas provavelmente era só a minha imaginação.
Entrei no quarto e rapidamente peguei o computador e me sentei na cama, aquele cheirinho de novo era maravilhoso, enquanto ele ligava, eu ficava mais entusiasmado a cada segundo. E acho que mesmo se o mundo acabasse bem naquela hora eu continuaria animado. Por um instante me esqueci completamente do garoto de cabelos negros que apenas com o olhar tanto me atormentava. A primeira coisa que fiz foi mandar um email pra Julianne, contando todo meu dia, era quase como um diário.
De repente eu me dou conta de que Dan está sentado do meu lado lendo tudo o que eu escrevia, eu na hora caí da cama e quase levei o computador junto. Era inevitável que ele começasse a rir, e apos as tantas gargalhadas ele voltara com o mesmo olhar de antes, e um pequeno sorriso se estabeleceu em seu rosto seguido de um "Tome mais cuidado da próxima vez." e logo ele saira pela porta. Eu ainda no chão, completamente sem reação e atordoado por aquela voz um tanto que grave que ecoava na minha cabeça sem cessar.
Me recompus depois de alguns minutos, botei o pijama e me deitei, já era bem tarde e amanha seria o primeiro dia de aula. Não consegui dormir a noite toda, embora a noite tivesse sido bem tranquila. E aquele idiota nem ao menos voltara ao quarto, bom na verdade até gostei disso embora estivesse um pouco preocupado, alias por que eu estava me preocupando com ele?
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