Puzzled Mind - Um Conflito Comigo mesmo
3 Capítulo 3
Era manhã já e eu milagrosamente eu não estava cansado. Após tomar banho me troquei, o uniforme era bem interessante, era permitido usar qualquer tipo de roupa desde que usasse a boina e ou uma espécie de casaco fino e que nem esquentava muito. Ambos com o simbolo da escola, eram de coloração bege e bem bonitos. Além do casaco botei uma blusa de manga curta branca sem estampa e uma calça preta de brim. Fui correndo pro primeiro andar do dormitório e me deparo com Gabriel vestindo uma blusa de manga comprida amarela, uma calça jeans simples e a boina. Ao seu lado havia uma menina linda, usava uma blusa vermelha não muito decotada junto com o casaco mas que dava um destaque pros seios, e uma calça branca. Tinha longos e ondulados cabelos ruivos e olhos que pareciam estar pegando fogo.
-- Jun!! Aqui!! — berrou Gabriel, e assim todos os presente no dormitório olharam pra mim, minto, pro meu cabelo.
-- Olha o que você fez! Alias bom dia. — falei, olhando com raiva pra Gabriel — Humm... bom dia...
-- Me chamo Mellany, prazer e bom dia também. — falou a menina muito simpaticamente
-- Bom, esse é Jun. — falou se dirigindo a Mellany — Bom, os dois são alunos novos do 2º ano e ambos estão na mesma classe, por isso decidi botar vocês dois juntos. É como matar dois coelhos com apenas uma cajadada — disse Gabriel com uma animação surpreendedora
Mas quase que em sincronia eu e a menina dos cabelos vermelhos entramos num estado de fúria avassaladora e pela primeira vez eu vi Gabriel perder a sua animação num piscar de olhos. Ainda em sincronia começamos a rir, de qualquer maneira percebi que eu acabara de fazer uma amizade muito interessante. Depois de se dar conta da nossa pequena brincadeira quem realmente estava furioso agore era Gabriel, mas era de se esperar que essa raiva não durasse mais que dez segundos e quase que magicamente, virasse animação.
Nos despidimos de Gabriel e fomos direto para o prédio principal. Conversamos um pouco sobre gosto: cores, comidas, passa-tempos entre outros, e o mais inacreditável era que todos quase eram os mesmos que os meus.
Já dentro do prédio principal começamos a ficar completamente perdidos, até que um monitor nos ajudou e finalmente encontramos a sala. Eu estava maravilhado, ainda não tinha ninguém na sala e as cadeiras estavam perfeitamente enfileiradas, todas feitas de madeira e detalhadas com o símbolo da escola. As paredes eram tão brancas que pareciam emitir luz própria, e todas cercadas por um lindo rodapé também de madeira. Mas o mais incível era a enorme janela que mais parecia uma parede de vidro, e como nossa sala ficava o 6º andar era possível da janela, ver grande parte do grande e lindo bosque, e claro que eu sentei bem em uma das cadeiras encostadas na janela. Mellany sentara bem atrás de mim e assim como eu, estava maravilhada com a incrível paisagem. A sala estava um tanto gelada, os ar-condicionados que mantinham a temperatura da sala pareciam ser bastante potentes.
A cada minuto que passava mais alunos entravam na grande sala, e claro nenhum deles deixava de notar a cor do meu cabelo, e comentarios como "Deve ser algum otaku fazendo cosplay." eram bem comuns. Mas para acabar com meu dia, eis a criatura que passa pela porta, sim, o mesmo idiota de olhar arrogante, Dan. Já não bastava ter que dormir no mesmo quarto que ele, ainda teria que aturá-lo durante praticamente o dia todo? Mas pra minha sorte ele sentara bem longe de mim, alias, sentara longe de qualquer aluno da sala. De qualquer forma, não me encarando como sempre já seria ótimo.
Então um adulto de cabelos grisálhos passa pela porta, se apresentara como professor de português e depois de algumas brincadeiras e outras apresentações começamos a matéria. Com o decorrer do dia conhecemos mais professores mas nenhum que chamasse muita atenção. Eram meio dia e o recreio começara, pro meu espanto e felicidade a duração do intervalo era de maravilhosas duas horas.
Salvo alguns poucos alunos o resto da turma foi quase que correndo em direção do jardim e afins da escola. Fora eu e Mellany, haviam mais três alunos ainda em sala. Dan, como era de se esperar. Beatrice, uma bela e delicada menina de curtos e lisos cabelos castanhos em estilo chanel, olhos azulados, era magra e usava um vestido bege não muito detalhado que ficava elegantíssimo com a boina escolar. Ao seu lado estava Roger, um menino alto, de cabelos quase que identicos aos de Dan, entretanto com olhos tão simpáticos e azuis quanto os de Beatrice. Vestia uma camiseta vermelha e uma calça jeans simples junto da boina e do casaco.
Os dois se aproximaram de mim e de Mellany e se aprensentaram apropriadamente:
-- Olá, eu sou Roger e essa aqui é Beatrice — disse o menino
-- Pode me chamar de Bia, se preferir
Eu e Mellany nos apresentamos direito e começamos a conversar um pouco, parece que nós dois éramos os unicos alunos novos da turma. Mellany esava completamente distraída olhando pro nada, então decidir pregá-la uma pequena pegadinha. Sem ela perceber eu passei para a carteira atrás da dela, e dei um berro em seu ouvido. Ela quase pulou da cadeira soltando um grito, logo mais todos, inclusive ela, começaram a rir.
Nós quatro descemos então para o pátio e seguimos em direção da cantina. O prato de hoje era macarrão ao molho branco acompanhado de bife grelhado, e todos sem excessão quase morremos de tanta satisfação. E mais uma vez não resisti àquele maravilhoso pudim. Assim que eu acabei de comer vi Dan passando pela cantina, foi quando me toquei que ele fora o último a sair da sala. Mas pra onde ele ia? Seguia em direção do portão que levava à entrada do bosque
. Decidi que iria seguí-lo. Com o pretexto de ir ao banheiro me separei de meus colegas. Eu estava certo, ele tinha passado do portão e entrara no bosque. Furtivamente continuei a seguí-lo. Alguns minutos caminhando e ele para em uma espécie de clareira, de repente ele começa a se despir, e depois de tirar apenas os tenis e a camisa Dan fala:
-- Chega, né? Eu sei que você tá me seguindo a um bom tempo, sai daí.
Meu coração acelerou, na tentativa de fugir fui me arrastando e não notei um declínio extremamento íngrime bem na minha frente. Foi quase que uma queda livre. Pro meu azar minha perna esquerda raspara numa rocha extremamente afiada, rasgando não só a pele mas também a carne. Um berro de dor foi inevitável. O sangue e a dor era tanto que eu mal conseguia suportar. E depois do tal berro era impossível Dan não saber ende e estava, pronto, minha vida acabou. Ele me encontrara rapidamente. Logo ele arrancou o pedaço rasgado da minha calça e usou para estancar o sangue que jorrava do ferimento.
-- Não disse pra tomar mais cuidado? — ele falou nun tom sarcástico insuportável
Eu continuei calado, ainda corroído pela dor. Ele dissera que me carregaria nas costas, e eu recusei na mesma hora, o único problema é que eu nem ao menos conseguia me levantar. Alguns segundo mais e eu não tive outra opção se não aceitar aquela sugestão. Enquanto ainda nas costas de Dan, me recordei de uma cena muito semelhante a essa presente no traumatizante livro que eu lera enquanto ainda no avião. Foi então que comecei a pensar que eu preferia ter morrido.
Pra minha surpresa, ou não, alias aquele internato tinha tudo, tinha inclusive um mini hospital. Fui levado rapidamente até lá, e pra minha sorte minha humilhação não se tornou pública. Já no hospital uma médica veio me atender e a primeira pergunta dela foi: "O que aconteceu, e por que você está pelado desse jeito?". Instantaneamente corei e não consegui falar nada, por alguns segundos a sala ficou em silêncio e a doutora achou melhor eu tratar esse ferimento logo em vez de ficar conversando. Só não sei se isso foi bom ou ruim, pela minha reação posso imaginar claramente o que aquela doutora estava pensando.
Já em outra sala eu pude perceber como era realmente aquela médica, aparentava ter uns 30 anos, tinha cabelos castanhos cacheados presos em um rabo de cavalo e usava um grande jaleco branco. Ela mencionara algo sobre pontos, a única coisa que eu não sabia era que os pontos eram aplicados sem nenhuma anestesia, e se antes a dor era insuportável, com essa eu estava quase morto. Depois de todo esse sofrimento pude voltar pro meu quarto.
Logo Mellany, Roger, Bia e Gabriel apareceram no quarto, e perguntas como "O que aconteceu?" eram inevitáveis. Acabei sendo forçado a contar o que acontecera, mas é obvio que menti sobre a parte de como voltei pra escola. Depois das mais variadas brincadeiras, aquele quarto virara uma festa, e eu até tinha esquecido do que acontecera. Estava começando a ficar escuro e logo todos se dirigiram para seus respectivos quartos. Sem ninguém para me interromper, pude pegar meu computador e ler o email que Julianne havia me mandado. Ela contava das novas amigas que fez no colégio, e de todo e resto do dia dela. Eu não podia fazer diferente, e contei exatamente tudo que havia acontecido, mesmo sabendo que provavelmente ela riria incessavelmente de mim.
Logo depois de desligar o notebook, Dan entra no quarto. Sem deixá-lo perceber corei um pouco, e disse um "Obrigado." seco, ainda que em um tom baixo, e me virei pra parede. Sem responder ele também se deitou e fora dormir.
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