Notas iniciais
E esse é mais um dos meus surtos da madrugada. Espero que gostem!

Os olhos escuros encontram o outro par que refletiam todos os sentimentos dos seus, havia entendimento silencio entre eles, palavras eram desnecessárias para os dois. Se iriam passar por isso fariam juntos, sem medos ou receios. Confiariam um no outro ate o fim.

Longos dedos tocaram o metal frio da arma fazendo o coração disparar, o corpo inteiro tremia, mas não de medo e sim de emoção, ansiedade, adrenalina. Era o que desejava, certo? Esse era o acordo que haviam feito ao se conhecerem; quando sentissem que não conseguiriam mais, quando tudo parecesse desmoronar a volta, eles acabariam com tudo juntos.

Venha comigo e nós podemos morrer juntos.

Venha comigo e nós podemos morrer nos braços um do outro.

Aquelas palavras rodavam, girava, davam voltas e mais voltas em sua cabeça. Cada vez mais intensas, cada vez mais agressivas, o fazendo sentir tonturas e duvidar das próprias palavras. Realmente era o que queria? Morrer pelas mãos de quem ama?

Você realmente quer dizer isso?

Sim!

Eu não diria a mais ninguém.

Sim, era o que queria, o que mais ansiava.

Pessoas normais não eram capazes de compreede-los. Não entendiam a lógica daquilo tudo e de seus sentimentos. Mas eles não se importavam.

O normal para eles era correr riscos; desafiar o comum e tentar o diferente, o estranho, o indesejável. Para eles o normal era correr pelo mundo em busca do lugar perfeito para morrerem juntos, sangrarem juntos.

E ali onde estava agora era o lugar perfeito. Distante de tudo, um lugar estéril, desolado, sem vida. Grandes nuvens acinzentadas carregavam o céu cobrindo tudo com um manto sombrio tornando tudo mais... Perfeito.

Respirou fundo, o metal frio em seus dedos intensificava a adrenalina que percorria todo o seu corpo. Mesmo que tentasse, esconder suas mãos estavam tremulas e o suor frio escorria por sua pele. Olhou para frente buscando coragem no rosto que tanto lhe trazia tranquilidade, encontrou os olhos vidrados e a boca fechada em uma linha fina.

Ergueu a arma em suas mãos sentindo o peso dela aumentar a cada segundo que se passava, era como se o próprio objeto quisesse que desistisse. Mas não faria isso. Não agora que estava tão perto. Não depois de ter desistido de tudo.

Passou a língua pelos lábios ressecados e girou o tambor da pistola com uma lentidão que chegava a ser torturante. Podia fazer aquilo quantas vezes quisesse, mas era desnecessário e estúpido para eles. Sem desviar sua atenção do outro apontou a arma para a cabeça dele com cuidado, como se qualquer movimento um pouco mais brusco pudesse faze-la disparar repentinamente.

Um silêncio sufocante preencheu o espaço entre seus corpos, apenas suas respirações pesadas podiam ser ouvidas. Sem hesitar, nem por um segundo, empurrou a arma na direção dele a aproximando da têmpora esquerda.

Promete não me deixar nunca?

Um sorriso seguido de um beijo casto.

Eu prometo.

A espera era agonizante, os segundos escorriam sem preça tornando tudo mais demorado, mais emocionante. Um braço se estendeu cruzando com o seu, a mão tremula segurava uma arma semelhante a sua. Soltou um suspiro ao sentir o metal frio contra sua própria têmpora.

Sorriu de maneira tranquilizadora recebendo como resposta aquele sorriso lindo. Aquele era o fim deles. O fim que tanto desejavam. Morrer pela mão um do outro. Morrer juntos. Não teriam arrependimentos.

Um piscar de olhos.

Um aceno.

Três palavras ditas em silencio.

Dois disparos.

E seu último pensamento foi que ao menos encontrou alguém que valia a pena.

Notas finais
E este foi outro dos meus surtos. Não sei se consegui escrever tudo o que estava na minha cabeça, mas realmente precisava tentar. Espero que tenham gostado. Se quiserem deixem um comentário e façam esta autora feliz! :D~Kissus~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!