Purpose
1 One-shot
Notas iniciais
– Eu não concordo com isso! – Tentei colocar o máximo de firmeza possível em minha voz. Contudo meu coração acelerado denunciava meu medo, e claro o meu cheiro que com certeza exalava a quilômetros de distancia. E o fato de que minhas mãos tremiam quase que incontrolavelmente.
– Não me lembro de ter lhe perguntado nada. – Derek estava com aquela pose de sou o grande alfa invencível.
Blah, não conseguia enganar nem mesmo o Scott. Pois, no cantinho de seus olhos tinha aquele brilho incerto e o puxar do lábio superior no lado esquerdo, que talvez apenas eu possa identificar. Aquilo era incerteza, ou temor, ou apenas um tique nervoso por eu ter descoberto seus planos a tempo de ao menos tentar impedir essa temeridade.
– Oh claro! Mas isso não impede que eu diga minha opinião. – É claro que tinha que retrucar, afinal eu existo pra isto. Por abaixo todas as certezas do mundo...
– Posso ver. – Ele tinha olhado por sobre os ombros, um brilho vermelho cintilou naqueles olhos verdes que sempre me fascinaram.
– Argh! Como você é irritante! E teimoso, e... – Juro que teria destilado toda minha cota de adjetivos, substantivos e...
– Também te amo. – E ele sorriu. Aquele sorriso que quase nunca aparece, apenas em ocasiões especiais. E definitivamente essa não era uma dessas ocasiões. Não queria que fosse. Não poderia ser.
– Não faça isso... Não vá... – Me aproximei o abraçando apertado.
Derek retribuiu apertando-me ainda mais, senti seu nariz levemente frio deslizar pelo meu pescoço naquela mania irritantemente adorável de aspirar meu cheiro, me fazendo suspirar em conjunto a ele.
– Stiles, eu preciso... – Sua voz soava rouca arrepiando-me por inteiro.
– Não, você não precisa. Apenas quer se mostrar!
Afastei-me passando as mãos pelo cabelo de forma nervosa, lhe dando as costas, tentando assim conter minha frustração. Ele não entendia, ou possivelmente não queria entender que ir sozinho era suicídio.
– Me mostrar. Stiles do que você esta falando. – Suas sobrancelhas falantes se uniram em uma expressão óbvia de confusão.
– Derek você não precisa fazer isso, enfrentá-los sozinho. Isso é loucura! – Gritei a última frase colocando todo meu temor de que algo ruim acontecesse com ele.
– Loucura ou não, eu vou e está decidido! – Sourwolf!
Esse era o antigo Derek falando. Aquele arrogante e solitário lobo idiota!
– Não entendo você, depois de tudo que passamos pra ficarmos juntos. – Minha voz tinha quase sumido de tanto que eu prendia o choro.
Humilhante! Sério! Se o Scott me visse nesse momento, estaria-me zuando, — ou talvez não, dado seu histórico com a Alisson — mas eu com certeza não estou nem aí para o que qualquer pessoa poderia pensar. Não depois de tudo que lutei pra ficar com esse cabeça dura, para que justamente agora que tínhamos encontrado algum equilíbrio nessa relação maluca que temos, ele decidisse encarnar o personagem imortal desse trágico romance sobrenatural.
– Exatamente por isso que estou indo. Para podermos finalmente estarmos juntos, sem perigo, sem correr riscos e ameaças desnecessárias.
– É disso que estou falando Derek. Passamos por muita coisa, muitos obstáculos. Agora é nossa hora de curtirmos esse momento de “relativa” paz. Você e eu. – Segurei seu rosto entre minhas mãos fazendo carinho lentamente com meus dedos por sua barba, olhando diretamente em seus olhos buscando entendimento. Mas apenas encontrei resolução.
– Sim eu sei. E entenda que essa paz só será possível quando eliminarmos todos os obstáculos e ficarmos em total segurança. – Ele rodeou minha cintura com seus braços fortes sem descolar nossos olhares.
– Estamos em Beacon Hills Derek, nunca estaremos totalmente seguros.
Oiiii estamos na capital mundial do sobrenatural por quilômetros quadrados! Era o que queria gritar para ele.
– Stiles... – Um suspiro. Um abraço. Um beijo.
Seus lábios foram exigentes sobre os meus, exatamente como gostava, como era de nosso costume. Logo sua língua capturou a minha e juntas bailaram uma dança sensual e poderosa. Cada vez que nossas línguas se encontravam o gosto do nosso amor era saboreado. Aos poucos fomos parando o beijo, mas com nossas testas ainda coladas e a respiração arquejante.
– Você não vai mudar de ideia. – Era uma afirmação, não uma pergunta.
– Não. – Sua voz soou tão categórica que fez um calafrio estranho e repentino perpassar por todo meu corpo, como um torpe mau agouro.
– Como pode fazer isso! Não me deixe sourwolf, por favor. Vamos pensar melhor, bolarmos uma estratégia mais elaborada do que só chegar lá dando porrada e arrancando cabeças com as garras.
Segurava a gola de sua camiseta com força não querendo soltar jamais.
– Já me decidi Stiles, e essa é a melhor solução. – Seus olhos vacilaram quando viu uma lagrima rolar por minha bochecha esquerda.
Foi então que percebi que eu não era o único que se segurava naquele momento. Suas mãos estavam tremulas quando segurou meu rosto e com uma delicadeza que jamais imaginei que ele pudesse possuir, secou pacientemente as idiotas lagrimas invejosas que seguiram a primeira. Um soluço seco escapou por meus lábios, mas foi imediatamente calado por outro beijo, agora urgente, desesperado e molhado com as lagrimas. Nossas mãos vagavam incertas pelos corpos, em busca de conforto e aceitação. Mas cedo demais o beijo findou.
– Não é e você sabe! Mas tudo o que você quer é poder! Você apenas quer o maldito poder! O poder que só a morte de outros alfas pode lhe dar... – ele me olhou surpreso. – É sourwolf, eu ouvi sua conversa com o Dr. Deaton. Eu sei de tudo.
Separei-nos dando passos para trás, limpando com brusquidão o rastro das lagrimas traiçoeiras.
– Então você sabe que isso também é pra te proteger...
Derek ainda tinha muito do seu maldito tio Peter incrustado naquela cabeça imatura. Ele podia tentar disfarçar, mas aquele louco tinha o influenciado a vida toda com suas teorias distorcidas de como ser um alfa poderoso. E o mais triste é que meu sourwolf não se dava conta que nada disso é importante. Poder adquirido dessa maneira só traz tristezas a quem o conquistar.
– NÃO! Não fale isso de novo! Não me coloque no meio dessa sujeira toda! Eu sei que você pensa que isso é pra me proteger, mas saiba que isso vai me matar. Matar nosso amor... Não vá Derek...
Desesperei-me com aquela frase. Havia sido exatamente aquilo que Peter tinha dito antes de morrer. Comecei a dar voltas pelo meu quarto, ora passando a mão pelo rosto, ora puxando levemente os cabelos. Não sabia mais o que fazer para que ele desistisse. Não tinha uma boa sensação sobre isso.
– Eu tenho, eu preciso e vou... Desculpe Stiles. – Sua voz era decidida, mas doce, se era possível algo assim.
Então, ele simplesmente me deu as costas e saiu.
Não houve um beijo de despedida, nem mesmo um olhar. Ele apenas saiu porta afora e levou com ele meu coração. Dramático e triste, completamente clichê, mas doloroso e real.
A incerteza dos motivos que o levou a ir de encontro aos cinco alfas que aterrorizaram Beacon Hills, ainda me consumia. Ou talvez soubesse e apenas não queria admitir que falhei. Falhei ao tentar mostrar a ele que havia outro jeito de ser tão poderoso como Derek tanto queria. Não sei.
Contudo, eu sabia que ele poderia ter negado esse embate, dito não ou pedido ajuda de outros clãs, mas veja bem, é sobre Derek Hale que estou relatando. Sobre meu amor adolescente, meu companheiro, o homem a quem amei e ainda amo desesperadamente.
E a quem chorei a falta que até hoje assola meus dias...
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