Purple
2 Capítulo 2
Notas iniciais
#002
Aiko não se sentiu nem um pouco feliz com a situação em que fora metida pela professora. Ela estava tentando puní-la? Era isso? Seria correto dizer que ela não era o exemplo de assiduidade e etiqueta escolar, faltando algumas aulas e passando outras imersa em seu mundo com os fones de ouvido, mas isso não era motivo para castigá-la daquela maneira... Ou era? Aiko estava com preguiça de pensar.
A garota observou Cassandra chegar perto, puxar uma cadeira... Sentiu náuseas. Os demais alunos riam da situação e cochichavam sobre a formação da mais improvável equipe de trabalho escolar.
Por mais humilhante que fosse para a rainha da classe fazer dupla com ela, o asco de Aiko para com Cassandra era ainda maior. A garota abominava esse tipo de pessoa: mimada, egocêntrica, e acima de tudo, imbecil. Aiko tentou dominar a repulsa que surgiu quando escutou a professora ordenar que Cassandra fizesse dupla com ela, mas não conseguiu efetivamente. Resolveu então colocar seus fones de ouvido e escutar o death metal mais pesado que tivesse em seu celular no volume máximo.
Cassandra havia puxado uma cadeira próxima a Aiko e sentado-se, vermelha de raiva e constrangimento, o que era engraçado, pois era humilhante para ela. Se não proporcionasse igual raiva em ambas as garotas, Aiko teria até achado graça. Mas não esboçou nenhuma reação, como de costume. Apenas continuou indiferente a tudo e a todos, ouvindo sua música. Abaixou a cabeça, colocando-a entre os braços.
Porém, logo sentiu leves cutucadas que não paravam e ficavam cada vez mais irritantes. Era Cassandra, óbvio, tentando chamar sua atenção.
– Ei! — escutou. — Ei! Ô esquisita, tem certeza que vai me ignorar? Eeeei!
Aiko virou o rosto em direção à irritante parceira com olhos intimidadores.
– É um saco ter que fazer dupla com você, mas se é preciso, vamos cooperar, ok? — disse Cassandra, o desprezo estampado em seu rosto.
– Não. — respondeu Aiko, na lata, e voltou a abaixar a cabeça. Recusava-se a agir em conjunto com aquele tipo de pessoa.
Cassandra exasperou-se.
– ESCUTA AQUI! — disse, continuando a cutucar uma Aiko apática que não ligava mais nem um pouco pro que estava acontecendo. — NÃO ESTÁ SENDO FÁCIL PRA MIM TAMBÉM, OK? ENTÃO DEIXA DE MARRA E ME AJUDA A FAZER O TRABALHO, DROGA!
Todos na turma viraram-se para as duas. A tensão instalou-se no local. Todos esperavam que uma briga se formasse a qualquer momento.
Contrariando a tudo e todos novamente, Aiko soltou uma risada sarcástica. Quase histérica.
– Não. — respondeu, voltando a ficar séria num instante.
Cassandra lagrimava. Ela tentara ser social, tentara se misturar com os vermes... Mas não aguentava mais ser humilhada por aquela zé-ninguém.
– Pois bem, então, escória. — falou — Continue nesse seu mundinho das trevas enquanto eu faço o trabalho e coloco apenas o meu nome na folha, você que se lasque.
Aquilo iria ter volta, Cassandra arrumaria um jeito de fazer aquela japinha metida a anti-social pagar por tudo o que fizera.
Ironicamente, a resposta para qualquer coisa que viesse de Cassandra estava estampada na blusa de Aiko: Fuck It.
Só ela tinha coragem de aparecer na escola com uma blusa que tinha um palavrão em inglês. Ela não se importava com o que as pessoas achariam mesmo, então não se tratava mais de uma questão de coragem, na verdade. Aiko levantou-se, pegou suas coisas e encaminhou-se a saída da sala.
– Vai embora, senhorita Murasaki? — perguntou a professora.
– Vou cabular as aulas de hoje. — respondeu Aiko, na cara dura, e saiu de sala.
Checou o celular. A playlist estava no modo aleatório, perfeito. No caminho de saída da escola, esbarrou com uma garota alta, bonita e jovem, branca, com cabelos pretos como os seus e corpo de top model, que parecia ter chegado atrasada. Aiko a conhecia de algum lugar... Mas que se dane isso também. Devia ser da sua sala.
A garota alta continuou a correr, desesperada.
– Estou atrasaaaaada!
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