Puro Escarlate
1 Capítulo 1
Puro escarlate. Sonhos esbatidos. Pedras da calçada percorridas por trovões de seres. Castelos de cartas ao alto de uma ravina. Vazio… apenas vazio depois de ti… Apenas uma dor sobre o manto do mundo. Esse fio… não percas esse fio! Persegue-o, vai sem medo, a montada de um outro além. Não sonhes infinito… A tua felicidade… Mais escuridão tua… Para que sentido, para que outra harmonia? Olha os anjos na cabeça do alfinete… Só erros que se escondem por detrás dessa máscara de desafio… esvaísse o escarlate… O azul assombroso de outrora. Mutante de uma vida tingida. Mais diferenças, não quero procurar mais diferenças neste delírio insano de sabor a ventos de outros dias. Procuras. Estou farta das procuras das nuvens! Parem. Outro sonho do dia além. Corre… Apanha-o, amordaça-o ao horizonte. Olha para o mar... Consegues vê-lo está tão próximo… Não, não quero mais luz, o dia começou a findar-se… Já não sei que se finda. A agulha, onde está a agulha do fio da meada… O medo, o medo! Está lá. A torre é demasiado alta… e as cores, chega de cores… a brancura tingida. Mais não. Olha outro na fila dos “dessaberes”. Outra fila. O interminável desafio… as palavras pelas linhas… tantas palavras, tantas linhas! Olha a cor, o comboio já partiu criança. Temes? Olha outro carril. O destino despenhou-se em nenhures. As imagens que deixas-te na minha mente… leva-as… Deixa só as palavras, quero as tuas palavras futuras ditas no nosso passado. Já ancorou o navio. Quem o deixou atracar? Devaneios lunáticos de um lápis… devaneios de um louco lápis no mundo. Inerte… não se deve mexer… deixa a tua marca na minha mão. Olha… tantos olhos nesses vultos… As almas assustadas deste rebanho de inertes! Tantas cores… Demasiadas cores, prendem-se a mim… A minha roupa! A minha alma! Os meus olhos e sentidos perdem-se em cores! Imensidão de outrora… Tempos distantes a corpos. Cartas, cartas pelo chão… E o castelo? Procura-o cavaleiro! Já não quero mais medo. Mais um pedaço de ti deixado aí. Mais um pedaço de mim tatuado na pele de um novo mundo. Constrói! Constrói! Olha o dia que se finda. Ilusão … coelhos?! Janelas fechadas… as cortinas? Onde estão as cortinas? Pinta… Pinta o mundo num laço criança. Devaneio sem sentido. Erros… erros de criança. Inocência. Às vezes… não importa, apenas inocência. Vê a morte que te espera… porque não choras? O sentido cai do céu juntamente com a chuva… Os desertos não devem existir… o comboio partiu… Não, a criança parou-o… olha a árvore! Colhe a tua vida outra vez… O sonho… já não me lembro. Preciso de outro significado… Escarlate… decisão de impulso crescente. A Lua esqueceu-se do Sol… As nuvens seguem-na. Olha o rebanho! Tanto Sol aqui… leva-o para outro lado contigo. Pelo menos saberei onde andar… Interminável… Linha interminável… enchem as palavras de… Dor… Mais uma linha… Porque não acabam as linhas… O infinito… Parou de crescer… Verão, oh sim Verão! Repara como chove no Lago… Perdeu-se mais um fio à meada… Porque é que não encontro a agulha? Mais algum significado. Apenas quero o teu silêncio piedoso… não olhes, a vida revoltou-se… Porque não consigo parar… Tambores… tão distantes os tambores. A Terra não canta? O mar pulsa… Vida! Vida! Pum! Pum! O significado infiltrou-se num mundo louco. Mais um passar… A paisagem desvanece… Via passar para ti… É mais um fim… Nem tudo acaba aqui. Tatuagem na mão… Tinta… Vazio.
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