Puro Desejo

35 Segunda Temporada Capítulo 35


Notas iniciais
N/B: nos vemos em baixo! ^^

Capítulo 35.

PV Edward

Dizem que o melhor remédio para uma mente turbulenta é o trabalho, e foi nele que me afundei depois da morte de Renne. Seria hipocrisia dizer que os dias foram fáceis, já que foram tormentosos e difíceis.

Olhar nos olhos dos meus filhos e dizer que a mãe deles nunca mais voltaria foi muito mais difícil do que pensei. Pedro se fechou como uma ostra, tornando-se impermeável e recluso. É incrível como uma criança pode envelhecer em tão pouco tempo. Já Caius é muito pequeno para entender a profundidade dos acontecimentos, mas sua ingenuidade me massacra toda vez que ele pergunta por ela.

Bella... vários e longos meses se passaram sem que eu tivesse nenhuma notícia dela. A angústia me açoita com força. Como será que ela e o bebê estão? Preciso descobrir seu paradeiro o quanto antes e tentar consertar meus erros.

Mas, minha vida anda uma loucura e, antes de encontrá-la é preciso colocá-la em seu devido lugar. Tem meus filhos, as dívidas, a hipoteca da casa, os remédios da minha mãe e minha tentativa de encontrá-la... ou seja, estou carregando o mundo em meus ombros.

E, para ajudar, ainda tem o meu chefe mal-humorado, que adora berrar com os funcionários.

Ouvi o sino anunciando que alguém estava entrando na farmácia e meu corpo retesou. Era ela. Com cinismo transbordando de cada célula de seu corpo.

- Pois não? Em que posso ajudá-la?

- Edie, eu preciso te dizer, você está horrível...

- O que você deseja, Tanya?

- Estou preocupada com você. Será que poderíamos conversar?

- Conversar? Depois de tudo eu quero é distância de você.

- Eu sei que pisei na bola, mas sou sua amiga e te entendo. Eu não lhe virei as costas, e sofro em vê-lo sofrendo.

- Meu expediente acaba em uma hora. Você pode me esperar?

- Claro. Vou ficar aqui escolhendo meu novo xampu.

Revirei os olhos para sua futilidade e voltei para trás do balcão.

Uma hora depois...

- Qual o seu problema?

- O meu? Edie, meu bem, você é o único que está repleto de problemas.

- Não estou com paciência, Tanya.

- Eu quero ajudá-lo. Já disse que estou mal por tudo que aconteceu. Deve estar sendo difícil para você. Não que antes a bruxa o ajudasse, mas agora tudo é diferente...

- Está sendo pior do que eu imaginei... Meus filhos estão sentindo falta da presença materna e eu não consigo progredir nas minhas buscas por Bella. Tanya, eu me sinto um nada, um fracassado...

- Não diga isso, querido. Sabemos que você é bem mais do que isso. Eu o admiro. Você nunca desistiu, embora o destino sempre esteja te atrapalhando. Já está terminando seus estudos e conseguirá dar uma vida melhor para os meninos. Não se amargure, Edward. Erga a cabeça. Você é muito melhor que isso.

- Eu já não sei mais do que sou capaz.

- Você é capaz de amar, pois se não amasse tanto a Bella não estaria feito louco tentando encontrá-la. Você já parou para pensar que se esse bebê fosse seu talvez ela não tivesse ido embora? O que te garante que a criança é sua? E o Salvatore? Sabemos que ele não passa de um mimadinho de merda. Você realmente acha que ele assumiria um filho seu?

- Eu... eu nunca parei para pensar nisso.

- Pois então pense. Ela o enganou, está claro como água.

- Mas, existe uma possibilidade de esse bebê ser meu.

- Realmente existe, mas você há de convir que é uma possibilidade mínima...

- Mas é nessa mínima possibilidade que estou me apegando, Tanya. Se não for assim, não tenho motivo nem força para continuar vivendo.

- Ah, vamos deixar de chororô. Vou te dar uma carona no meu novo possante. Estou louca para rever seus príncipes. E, de quebra, pedimos uma pizza. Por minha conta.

- Hum... e posso saber onde foi que a senhora sem emprego arrumou dinheiro para isso tudo?

- Eu tenho meu charme, Masen. É só você quem desperdiça. – Ela responde piscando.

- Você é uma vadia.

- Sim, sou mesmo. Mas, sou cara e não aceito cheque pré-datado.

Gargalhei de seu convencimento. Tanya realmente é uma figura. É promíscua e não nega, muito menos se envergonha disso. É o tipo de pessoa que sabe o que quer.

Me surpreendi com seu novo carro. Era um Volvo idêntico ao que eu dirigia na casa dos Cullen. Uma sensação de pânico me tomou. Meu maior medo, sem dúvida, é nunca mais reencontrá-la e não ter a oportunidade de pedir perdão. É somente isso que quero. Que aqueles olhos cor de chocolate voltem a brilhar para mim.

Assim que chegamos em casa vi, pela primeira vez em muito tempo, meus filhos sorrirem. Eles ficaram empolgados com a presença de Tanya. Contaram a ela sobre seu dia-a-dia, me deixando de lado. Ultimamente, eles não me incluíam tanto em seus assuntos. Eu respeitei, pois tenho certeza que eles não sabem lidar com o seu luto.

Minha mãe chegou na hora do jantar. Como era de costume, ela sempre trazia algo de saudável para os meninos. Ela pareceu não gostar nem um pouco da presença de Tanya ali, e não tentou esconder seu desgosto. Sentou-se na mesa, embora não tenha comido nada, e como sempre foi curta e grossa.

Depois do jantar Tanya se despediu dos garotos e fez piada sobre seu “trabalho”, dizendo que os chefes a esperavam. Sorri de sua desenvoltura, embora despreze a forma com a qual ela se sustenta. Mas, quem sou eu para condená-la?

- Não gosto desse ‘tipinho’ perto dos meus netos.

Suspirei. A noite seria difícil.

- Mãe... ela é só uma amiga. E fez meus filhos sorrirem. Estou grato por isso. A senhora não precisava tê-la tratado tão mal.

- Ela é uma vadia, daquelas que desvirtuam lares. Você não vê?

- Mãe, mulheres como ela não correm atrás de clientes. São eles que correm atrás e insistem em serem atendidos. Não se engane, mamãe.

- Abomino esse tipo de gente.

- Esse tipo de gente infelizmente é o tipo do seu querido ex-marido.

- Não fale assim dele. Ele ainda é seu pai.

- Não o considero como tal e você sabe bem disso.

- Foi ela, a vadia que o seduziu. Ela nos tirou o conforto e não ele. Você sabe que ele te ama, que tentou se reaproximar de você. Foi você quem fugiu e foge dele até hoje. Ele quer uma trégua.

- Para o inferno ele e sua trégua. Cresci sem ele, fui pai e humilhado. É isso que você quer que eu agradeça a ele? Então, nas suas visitinhas, transmita a ele minhas palavras.

Ela arregalou os olhos.

- Você sabe que eu o visito?

- Não sou idiota. Sei bem que o câncer está acabando com ele. E você está lá como uma escrava, limpando-lhe as feridas. Você é uma hipócrita.

Plaft...

- É doloroso bater em seu rosto e feri-lo desta maneira, garoto. Mas, escute uma coisa. Ele é seu pai. O homem que amei por toda minha vida. Que me deu você. O que ele fez foi doloroso para nós dois, mas eu o perdoei. E o perdoei porque sou muito melhor do que isso tudo. Aquela maldita doença o transformou em outra pessoa. Ele já não é mais o homem cheio de vida que você tanto idolatrou. Eu sei que tudo que aconteceu te feriu, mas ele é seu pai e eu exijo que o respeite.

- Quando sair feche a porta.

- EDWARD! Não se atreva a me virar as costas como um covarde. Você vai sentar e nós vamos conversar.

Enrijeci e sentei-me, encarando a mulher que um dia foi uma das mais belas que já conheci.

- O que você realmente quer, mãe?

- Quero que você vá vê-lo.

- NUNCA!

- Fale baixo, os meninos estão dormindo. Onde está o menino que eu criei tão bem? Que amava o pai? Ele errou, Edward. Aprenda a perdoar. Ele está precisando de você. Já se passaram anos. Ele sempre pergunta por você. Ele te ama. Você é seu único filho. Por tudo que você ama, filho, por essa menina que você tanto procura, não deixe que ele morra sem o seu perdão. Seu pai pode ajudá-lo.

- Vou vê-lo amanhã, prometo.

- Obrigada, filho. Eu sabia que meu menino ainda existia dentro de você.

- Vai ficar conosco hoje? Posso dormir no sofá.

- Não, querido. Eu volto amanhã cedo. Descanse, pois amanhã será um dia cheio de emoções.

Minha noite não foi nada confortável. Revirei na cama como massa de panqueca, e quando dormi, fui atormentado por sonhos estranhos. Sonhei com ela... foi tão real que pude sentir seu cheiro, a textura de sua pele... Sonhei com Renne também, com uma criança, com gritos. E, do nada, tudo ficou escuro. Acordei suado, com o coração galopando no peito e Caius ao meu lado, sorrindo para mim, coisa rara de se ver nos últimos tempos.

- Ei, marujo. Que sorrisão é esse para o papai a esta hora?

- Paii, vovó mandou cordar voxê pra ver o vovô.

- Hum... filho, você já viu o vovô?

Ele assentiu.

- Aham. A vovó leva a gente pra vê ele. A casa dele é grandona pai. Lá tem tudo.

Levantei e fui tomar um banho frio. Minha mente fervilhava. E eu pressentia que essa visita não seria nada interessante.

Estávamos tomando café da manhã civilizadamente. Mamãe me encarava como se quisesse me dizer mil coisas. Caius tagarelava sem parar. E Pedro parecia ignorar o mundo a sua volta. Isso me mata por dentro. Eu preferia mil vezes sofrer sozinho do que vê-los sofrendo. É demais para mim.

Alguém bate à porta.

- Quem será a essa hora?

- Você só saberá abrindo a porta, filho.

Sem ânimo, levantei-me e fui em direção à porta. Mas, assim que a abri, um sorriso involuntário tomou minha face. Há anos eu não o via, mas era impossível não nutrir carinho por alguém tão especial.

- Carlisle?

- Sim, eu mesmo. Em carne e osso. E vejo que meu jovem amigo tornou-se um homem. Como você cresceu, menino. Vem cá e me dá um abraço.

Nos abraçamos. Eu sentia muita falta dele. Tudo mudou tão drasticamente, da água para o vinho, que me esqueci de como eu gostava dele.

- Agora pare de viadagem e vamos. Seu pai nos espera.

- Você sabe que não tenho a mínima vontade de ir, não sabe?

- Sei. Mas também sei que você tem um coração enorme. Seu pai está morrendo e cabe a você realizar seu último desejo.

Seguimos no Mercedes preto luxuoso. Tudo gritava luxo e conforto. Ignorei o excentrismo de todos ao meu lado. Os meninos estavam empolgados e, por causa deles, estava me esforçando para manter meu controle.

Quando o carro estacionou no grandioso jardim da mansão em Port Angeles foi que me dei conta que minhas mãos suavam e minhas pernas tremiam. Aquilo tudo era meu e me fora negado. Por outro lado, a grande casa já não tinha a beleza de antes. Era fria e sem aconchego, consequência de péssimas escolhas.

Descemos do carro e minha mãe me encarou com expectativa. Mantive meu semblante inexorável.

- Filho? Aconteça o que acontecer, isso é seu. É o seu pai. Não se atreva a baixar a cabeça.

- Vamos acabar logo com isso.

Quando chegamos ao hall de entrada, Mirna, uma empregada dos tempos em que eu ainda era garoto, apareceu. Ela ficou em êxtase. Era uma senhora italiana bem animada. Disse que eu era um menino lindo. Por mais que o tempo passasse para aqueles empregados o tempo tinha parado, pois todos me enxergavam como um garoto.

- Sabiam que não é nada elegante aparecer em casa alheia há essa hora?

Olhei para o topo da escada e lá estava ela. Bem-vestida, altiva, com ar de quem mandava em tudo. Um fogo subiu por minhas entranhas. Ela era a intrusa, e um dia o seu fim chegaria.

- Sra. Irina, o Sr. Masen exigiu a presença de seu herdeiro. Por esse motivo ele está aqui hoje.

- Meu marido ainda insiste nisso?

- Marido? – Desdenhou minha mãe.

- Sim, Elisabeth, marido. Ele te deixou para ficar comigo, não se lembra?

- Ora sua...

- Chega mãe. Vamos acabar com isso logo para que eu possa ir embora.

Subimos as escadas acompanhados por Carlisle e entramos onde antigamente eram os aposentos dos meus pais. O local havia sido modificado e mais parecia uma UTI. Havia uma cama hospitalar ligada a vários aparelhos, uma enfermeira ao seu lado e, sobre ela, a figura daquele que um dia eu tanto idolatrei. Ele estava abatido, magro demais, com tubos por todos os lados, sem brilho no olhar. Ele tinha dor, isso era nítido. Como minha mãe mesma havia dito, a doença tinha acabado com ele.

Cheguei a sentir pena. Mas, meu objetivo ali era outro. Dizer-lhe meia dúzia de palavras e ir embora. E que Deus tivesse piedade de sua alma. Porque eu não tinha...

Nossos olhos verdes, idênticos, se encontraram, e ele esboçou o sorriso torto que eu herdei. Me mantive impassível enquanto observava meus filhos se aproximarem e lhe dedicarem carinho.

- Vovô voxê tá com dor? – Caius perguntou inocentemente.

- Oh, querido. O vovô sente uma dorzinha, mas é tão leve. Ele está muito feliz porque seu pai veio hoje.

- Até que enfim ele conseguiu uma folga, vô. É por isso que ele está aqui. – Disse Pedro apaziguador.

- Verdade, querido. Seu pai é um homem ocupado.

Minha mãe aproximou-se da cama e ajeitou os travesseiros para deixá-lo confortável.

- Melhor assim?

- Sim querida. Obrigado.

Ela ruborizou. Sim, minha mãe, a mulher traída e abandonada, ruborizou para seu marido moribundo.

- Meninos, Mirna fez aquele bolo de chocolate que vocês adoram. Por que não vão devorá-lo?

Os meninos saíram correndo, ficando no quarto eu, minha mãe e ele.

- Você tinha razão, querida. Ele é um homem destruído.

- Sim, sou. Desde que você abandonou minha mãe.

- EDWARD! Não fale assim com seu pai.

- Você exigiu que eu viesse e agora sou obrigado a ficar calado?

- Pedi para que você fosse misericordioso. Cadê a educação que eu lhe dei? Lembre-se que ele ainda é seu pai.

- Deixe-nos conversar em particular querida. Pela última vez.

Minha mãe nos deixou sozinhos e o silêncio imperou no local.

- Se você tem algo a me dizer, acredito que essa seja sua última chance, filho...

- Você vai morrer... – foi a única coisa que consegui dizer. De repente, a realidade caiu sobre mim.

- Sim filho. Eu vou. E será logo. Talvez até mesmo hoje.

- Sinto muito.

- Não sinta. Isso é consequência dos meus atos. Como bem disse a sua mãe, não sou merecedor da presença de vocês aqui. Mas, sou egoísta. Sente-se, Edward. O que tenho não é contagioso.

- Sei disso. Só não estou me sentindo bem. Meus demônios estão em conflito.

- Preciso que você liberte seus demônios, filho. Porque o grande criador deles sou eu.

- Já foi, Anthony. O tempo não retrocede.

- Para mim é como se tivesse sido ontem. Parece que foi ontem que perdi a melhor parte de mim, meu filho. Você, meu orgulho, minha vida. Eu deveria ter lutado mais por você.

- Isso está no passado e não tem volta. Você errou. Todos nós erramos.

- Fale-me de Isabella.

- Co... como sabe dela?

- Caius fala muito dela. Disse-me que é linda.

Meu filho caçula é um fofoqueiro nato. Eu preciso ter uma conversa séria com ele depois

- Trabalhei para os Cullen. Isabella era filha deles. Um encanto de menina.

- Era? Ela morreu?

- Não... desapareceu. Brigou com os pais e sumiu.

- Quer me falar sobre ela?

- Não!

- Filho, você está liberado, pode ir. O que eu fiz não tem volta e já percebi que uma reconciliação não é possível. Há muito ódio em seu coração. Eu vou morrer, isso é um fato, mas espero que no dia em que voltar a se lembrar de mim seja com carinho. Eu amo você, você é meu único filho, por escolha minha, minha cópia, alguém que ajudei a colocar no mundo para fazer a diferença.

- Alguém que você traiu da forma mais brutal. Você ignorou meu coração. Quando estava com ela não lembrava que eu existia.

- Isso, Edward. Coloque para fora o que você sente. Diga-me tudo o que pensa.

- Tive uma vida de cão. Dormi no sofá da casa dos meus avós por anos. Sinto dores nas costas até hoje. Comecei a trabalhar cedo, não pude estudar. Enquanto você, aquele que eu idolatrava, farreava com aquela vadia. Tem noção do ódio que sinto?

- Não filho, não tenho. Diga-me como é esse ódio.

- Mamãe perdeu o bebê porque não tínhamos dinheiro para comprar seus remédios. Você nunca nos procurou. E eu me deixei iludir por Renne, caí em sua teia. Me casei sem amor, como você, mas, NUNCA HUMILHEI MEUS FILHOS.

- Eu nunca deixei de amá-lo. Eu o procurei todos os meses, mandei dinheiro para sua mãe, mas ela recusou. Ela queria a família de volta, e não dinheiro. Fui EU, filho. Somente EU quem destruiu tudo. No início coloquei a culpa nela. Mas ela foi criada para ser uma esposa dedicada ao lar. Eu me deixei levar pelos encantos da carne. E por isso não mereço seu perdão. Confesso que estou aqui, morrendo, com dores terríveis, sendo consumido pela doença, mas feliz. Sim, feliz por revê-lo, ainda que em meu leito de morte.

- Eu fui humilhado. Amei Isabella como nunca amei ninguém. Ou melhor, ainda amo. Foi quando descobri esse amor que me dei conta de que Irina foi somente um objeto de desejo. Bella é bem mais que isso. Ela era meu arco-íris no fim da tempestade. Seu sorriso era capaz de mudar tudo. Ela me amava, eu a amava, ou melhor, ainda amo, e tudo era perfeito. Mas, o maldito dinheiro atrapalhou tudo, pois o papaizinho Aro disse que eu era ninguém para sua herdeira, e de fato ele não mentiu. O que eu sou? Um viúvo, com dois filhos e um emprego qualquer, vivendo um dia após o outro. Meu fim não será diferente do seu, Anthony. Eu também errei.

- Não desista. Eu não o eduquei para ser um fraco. Ela não desapareceu. Em algum lugar do mundo ela está.

- Sim, ela está por aí. Provavelmente com um filho meu no ventre. E eu aqui, inutilmente me lamentando. Sabe quantas vezes escutei a frase “mundos diferentes”? Que eu e Bella somos de mundos diferentes? É isso o que todos diziam.

- Não serão mais, meu filho. Olhe para mim, Edward. Estou morrendo mas não fiquei esclerosado. Minha fortuna triplicou nos últimos anos. E o meu império só tem um herdeiro. E esse herdeiro é você. Quero que...

Ele suspirou alto. Encarei a figura fragilizada que aparentava sentir muita dor no momento.

- Não se esforce...

- Quero que você controle tudo. Mas, tenha sabedoria. O dinheiro é bom, meu filho, mas muitas vezes faz com que tomemos a decisão errada. Quero que seja feliz. Ame a quem te ama e destrua seus inimigos. Mas antes... Edward, me perdoe...

Atordoado. Era assim que estava me sentindo. Uma parte de mim estava aliviada por ter colocado para fora como me sentia, por ter dito tudo ao causador do meu sofrimento, mas, por outro lado, a realidade me abateu. Eu não estava preparado para perdê-lo, mesmo tendo ficado tanto tempo sem ele.

- Ei, velho, quem foi que disse que irei permitir que você se vá antes de jogarmos aquela partida de xadrez ou, quem sabe, assistirmos futebol juntos?

- Venha cá e me dê um abraço.

Aproximei-me de seu corpo frágil e o abracei. Foi como se toda mágoa existente se esvaísse de mim. A dor havia ido embora. Pelo menos boa parte dela. Perdi anos em minha amargura e não me reaproximei do homem que tanto amo. Tudo poderia ter sido diferente.

- Ei, garoto, vai me matar se continuar a me deixar sem ar assim...

Afrouxei o abraço.

- O sol voltou a iluminar essa velha casa, meu filho. Tudo se encaixou, não é? Minhas dores parecem até terem diminuído. Mas, o cronômetro já havia sido disparado há muito tempo. Vá lá, chame o pessoal. Minha hora chegou.

- Não... você prometeu, quando eu era criança, que nunca me deixaria...

- Mas não vou deixá-lo. Nunca deixei, filho. Vou continuar amando você de onde estiver. Eu só quero o alívio para essas dores. Deixe seu velho pai ir. É o certo a se fazer.

Corri até o corredor e gritei chamando minha mãe. Logo todos estavam no quarto. A enfermeira assumiu novamente seu lugar ao lado dele, conferindo sua pressão e aplicando-lhe um medicamento. Logo após, veio até nós.

- Os órgãos estão parando. Ele tem pouco tempo. Apliquei morfina para aliviar as dores. Sinto muito...

Levei os garotos para se despedirem do avô.

- Vovô voxê vai pro xéu?

- Oh, querido, estou contando com isso. Mas não se empolgue, estarei olhando você, viu mocinho? Estude muito e seja um bom garoto e o vovô sempre ficará feliz...

- Ti amu vovô. Voe em paz.

- Ei, garotão, que cara é essa?

- Não quero que você morra, vovô. Vou sentir muito a sua falta.

- Vou fazer a famosa passagem. Não lamente. Eu me conformei, filho. Diga-me, o que você quer dizer para sua mãe? Vou dar o recado a ela.

- Que apesar de tudo sinto a falta dela. Me sinto sozinho.

- Tudo vai mudar, querido. Eu prometo.

- Vá em paz, vovô.

- Anthony, querido, não é hora ainda. Fique, lute... logo agora que tudo voltou a se encaixar eu não vou suportar viver sem você.

- Eu lhe disse um dia que quando Edward me perdoasse eu morreria em paz. Estou cumprindo minha palavra, Elisa. Não chore, pois você sabe que não mereço. Mas, preciso te dizer uma coisa antes que seja tarde demais... Eu te amo, sempre amei. Fui egocêntrico a ponto de não aceitar os fatos, mas eu sempre amei você. Mesmo com seus defeitos.

- Oh, querido, eu também sempre te amei e sempre irei te amar...

- Ei, Carl, venha aqui. Quero que continue tudo conforme planejamos. Cuide dos meus meninos, principalmente do maior deles. Ele ainda está amadurecendo seu coração. Não o deixe fazer tantas besteiras. E, obrigado pela dedicação, meu bom amigo. Você sempre foi mais que um empregado.

- Que Deus o acompanhe, Sr. Masen. O senhor foi um grande homem. Sentirei sua falta. E, não se preocupe. Cuidarei de todos.

- Venha cá, meu filho. Não se afogue em arrependimento. O importante é que não foi tarde demais. Eu te amo tanto e fico feliz em mudar sua vida. Desejo que essa mudança seja para melhor. Procure sua alma gêmea e lute por ela. É só isso que lhe peço.

- Pai... Eu pensei que nunca mais diria essa palavra. Por favor, não vá. Fique comigo. No fundo eu ainda sou o garoto ingênuo e tímido que o mundo quer devorar. Eu preciso de você, da sua proteção...

- Você precisa vencer seus medos e parar de acreditar no que os outros dizem. Não existem mundos diferentes, filho. Existem caminhos que ignoramos. Lute e não desista dela. Você a encontrará um dia e dirá a ela o quanto a ama. É isso que eu faria.

- PÉLA!

Caius gritou. Olhamos assustados para ele, que saiu em disparada pela casa gritando. A princípio pensei que era sua reação a mais uma perda. Mas, logo ele irrompeu pela porta com um pano vermelho, que mais parecia um pedaço da cortina da sala, e com Mirna em seu encalço.

- Oh, patrão, não vá, per favore.

- Ei, velha italiana. Agora comerei macarronada no céu. Venha cá me dar um abraço.

O choro da velha cozinheira era de cortar o coração. Meu pai sempre teve um relacionamento forte e de carinho com os empregados.

Caius se aproximou do leito do avô e entregou o tecido vermelho a ele. Com o semblante confuso, meu pai questionou-o.

- O que é isso, querido?

- É a capa pa voxê vuar po xéu, vovô. Qui nem o Superomi. Pa voxê chega lá logo e se deita.

As palavras inocentes de meu filho foram como um tapa para nos acordar definitivamente para a realidade. Ele estava indo, estava partindo, e nunca mais voltaria. E, o pior, eu queria ele de volta em minha vida.

Aproximei-me e toquei seu rosto, já enrugado e abatido. Olhei fundo em seus olhos.

- Eu o perdoo por tudo, meu pai. Quero que fique em paz. Pode ir tranquilo. Tudo mudará. Serei outro e ninguém no mundo me humilhará novamente. Porque sou filho de um homem íntegro chamado Edward Anthony Masen. Descanse em paz, meu herói. Meu ídolo. Sempre serei seu fã, PAI...

Beijei sua testa a tempo de ouvir seu último suspiro.

Os aparelhos começaram a apitar. Meus filhos começaram a chorar. Minha mãe entregou-se ao pranto.

E eu, tomei uma decisão. Nada me impedirá de ter minha vingança. Eu destruirei o mundo se preciso for, mas vou acabar com Aro Cullen e ter Isabella de volta.

Notas finais
Nota/A: Ohhhhh o que foi isso?? Pera deixa eu chorar mais um pouco...
Voltei...
Gente eu chorei um rio com esse cap, confesso que foi tenso, me lembrei do meu pai ;/
Bom mas muita coisa aconteceu hein?? Ed vai ficar rico, hummm a briga agora será equilibrada, mas pra isso ele precisa achar a nossa Bela né??
Gente cadê os coments na fic, estão a cada dia menores ;/ fico triste L
Queria agradecer as recomendações de Bels e Thais C, meninas vcs ~soa show, fico esperando a MP de vcs....
Como vcs sabem quem recomenda tem direito a um spoiler o/
É isso aii, curtam o cap, comentem, recomendem e indique as amigas, beijossssss girls.